Temos presenciado, nos dias atuais, inúmeras famílias em que avós são chamados a serem cuidadores exclusivos dos netos, quando lhes oferecem, além da contribuição afetiva, financeira e emocional, auxílio no processo de escolarização. Este estudo buscou compreender quais foram as principais estratégias e mobilizações de avós que influenciaram a longevidade escolar de seus netos até o ingresso na universidade. O referencial teórico pautou-se nas discussões do campo da Sociologia da Educação e das Relações Intergeracionais, e revelou uma lacuna de investigações sobre longevidade escolar de indivíduos de camadas populares criados pelos avós. A metodologia de pesquisa, de cunho qualitativo, ancorou-se, principalmente, em entrevistas semiestruturadas com quatro universitárias e suas avós cuidadoras, pertencentes aos meios populares. Os resultados mostram que, mesmo com baixa escolaridade, as avós foram fundamentais na manutenção da ordem moral doméstica e exerceram influência positiva no processo de escolarização. Elas atuaram, por exemplo, no controle do tempo, no acompanhamento dos cadernos e boletins escolares, e também compareceram às reuniões escolares e incentivaram a leitura. Concluímos que as avós participantes da pesquisa foram fundamentais para a longevidade escolar das jovens universitárias, pois atuavam como fonte de apoio afetivo e financeiro e também na criação de uma rede de vigilância e cuidado, que interferiu positivamente na escolarização das netas.
Palavras-chave:
Longevidade Escolar; Relação entre Avós e Netos; Avós Guardiões; Ensino Superior