O presente estudo, de caráter exploratório, ocupou-se das colunas de Contardo Calligaris publicadas semanalmente no jornal Folha de S.Paulo entre 1999 e 2021. Tratou-se de descrever e analisar uma iniciativa operada pelo psicanalista fora do enquadramento técnico-profissional da psicanálise, capaz de movimentar um jogo discursivo viabilizado por eficazes mecanismos veridictivos. O arquivo empírico do estudo foi constituído e analisado segundo dois níveis complementares: primeiro, a construção de um mapa temático do material; e, em seguida, o reordenamento da massa discursiva por intermédio da montagem dos enunciados ali em circulação a partir dos seguintes vetores analíticos: Psicanálise/psicanalistas; Brasil/brasileiros(as); Educação; Sociedade; Subjetividade; e Eu, Contardo. O processamento do material permitiu evidenciar que Calligaris, ao se postar como intérprete do presente, impulsionou o espraiamento de uma lógica discursiva que dispõe, incita e, afinal, logra governar os modos pelos quais os sujeitos do presente se (auto)constituem, segundo um nexo operativo centrado em uma interioridade psicologizada. Marcada pelo esforço de comentar os desafios da vida e das relações humanas, a longeva atuação do psicanalista no referido jornal denota sua autoridade intelectual, bem como o reconhecimento e a legitimação de suas ideias, ultrapassando a vulgarização do arsenal discursivo psi e redundando na multiplicação de uma ambiência propriamente educacionalizante.
Palavras-chave
Educacionalização; Veridicção; Jornal; Psicanálise