O artigo analisa a organização política e sindical dos professores ingleses, tendo como objeto o ativismo do National Union of Teachers (NUT) entre o final dos anos 1970 e meados dos anos 1980, período marcado pela intensificação da Guerra Fria e pela ascensão do neoliberalismo no Reino Unido. O estudo tem por objetivo compreender como o NUT ultrapassou as fronteiras do sindicalismo corporativo e assumiu um papel político de alcance internacional, articulando a defesa da educação pública à luta pela paz e pela justiça social. Fundamentado no materialismo histórico-dialético, o trabalho baseia-se na análise de fontes primárias: resoluções anuais do sindicato, o jornal The Teacher e o panfleto Education for Peace complementadas por bibliografia especializada e relatórios internacionais sobre armamentos. A investigação demonstra que o NUT desenvolveu uma práxis sindical orientada por valores emancipatórios, transformando o espaço educacional em campo de resistência cultural e política frente ao militarismo e às políticas de austeridade do governo Thatcher. Conclui-se que a atuação do sindicato exemplifica a passagem da consciência corporativa à consciência de classe ampliada, expressa na organização da Conferência Internacional pela Paz, em 1984. Essa experiência histórica revela que o sindicalismo docente, quando articulado a projetos ético-políticos universais, pode constituir-se em instrumento de transformação social e em expressão concreta da solidariedade internacional entre trabalhadores da educação.
Palavras-chave:
História do sindicalismo docente; National Union of Teachers; Guerra Fria; Educação para a paz; Conferência internacional