Nas últimas duas ou três décadas, a dimensão internacional tornou-se parte integral da educação de nível superior e da pesquisa científica, motivando a emergência da noção de internacionalização. Neste artigo, a lógica e os mecanismos de internacionalização implementados pelos programas de pós-graduação (PPGs) que receberam notas seis e sete na Avaliação Trienal 2010 promovida pela Capes são examinados. Ao todo, 322 coordenadores de programas de pós-graduação foram convidados a responder a um questionário web organizado em três seções que lidavam com diferentes aspectos dos esforços de internacionalização empreendidos pelos programas que coordenavam, quais sejam: concepções e justificativas; estratégias, iniciativas e parceiros; fatores facilitadores e inibidores. Após validação, restaram 66 questionários que forneceram os dados empíricos de base deste estudo. Entre os PPGs brasileiros de excelência, identificou-se a prevalência de uma concepção de internacionalização orientada a atividades: a mobilidade acadêmica para o exterior é vista como o principal mecanismo de acesso à experiência internacional, à formação de redes e ao estabelecimento de colaborações internacionais em pesquisa. Embora incipiente, iniciativas para atrair pesquisadores estrangeiros e outros esforços de internacionalização em casa estão ganhando força. A presença de docentes formados no exterior, capazes de mobilizar suas redes externas para estabelecer intercâmbios e parcerias científicas é considerada condição chave para a internacionalização da pós-graduação e da pesquisa no Brasil. Porém, a falta de uma estratégia nacional e de sistemas administrativos e políticas institucionais adequados na maioria das instituições de ensino superior do país obstaculizam o desenvolvimento desses laços em um processo mais significante e sustentado de cooperação científica internacional.
Pós-graduação no Brasil; Formação de pesquisadores; Internacionalização do ensino superior
Fonte: Elaboração da autora. Dados primários da Capes.Nota: Ver Tabela 1S.
Fonte: Pesquisa junto aos PPGEs brasileiros, junho de 2013.Notas: 1. UFs na Região Sudeste incluem: São Paulo (SP), Minas Gerais (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Espírito Santo (ES).2. Exceto as PUCs (sistema das Pontifícias Universidades Católicas), todas as demais IESs são universidades públicas.3. Ver Tabela 2S.
Fonte: Pesquisa junto aos PPGEs brasileiros, junho de 2013.Nota: Nós isolados não são mostrados.
Fonte: Pesquisa junto aos PPGEs brasileiros, junho de 2013.Nota: A leitura de cada quadrado na figura corresponde ao número de PPGEs que indicaram o termo categorizado e a justificativa para a internacionalização.
Fonte: Pesquisa junto aos PPGEs brasileiros, junho 2013.
Fonte: Pesquisa junto aos PPGEs brasileiros, junho de 2013.
Fonte: Pesquisa junto aos PPGEs brasileiros, junho de 2013.
Fonte: Pesquisa junto aos PPGEs brasileiros, junho 2013.Nota: Alguns fatores relativos a sistemas administrativos e políticas institucionais que afetam a internacionalização da pós-graduação foram listados no questionário de pesquisa e os respondentes foram convidados a avaliá-los segundo uma escala de cinco pontos, variando de um (insatisfatório) a cinco (plenamente satisfatório) (ver informações suplementares). Os fatores avaliados com notas um a três foram interpretados como fatores inibidores e aqueles avaliados com notas quatro ou cinco como fatores facilitadores da internacionalização. Os respondentes dispunham de espaço para incluir e avaliar fatores adicionais que considerassem relevantes para os esforços de internacionalização de seus PPGEs.