Resumo
O artigo tem por objetivo investigar os bastidores da produção e a apreciação dos jornais escolares das escolas primárias de Brasília, através das colunas da jornalista Yvonne Jean, publicadas entre os anos de 1962 e 1968 no jornal Correio Braziliense. Em termos metodológicos, consultaram-se as edições disponíveis na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, com a busca pela palavra-chave: Yvonne Jean. A partir desse descritor foram localizadas as colunas assinadas pela jornalista. Após a leitura integral de mais de seis centenas de colunas, realizou-se um fichamento das informações que elas traziam sobre os jornais escolares. Depois de uma segunda leitura, agora do material fichado, evidenciou-se que o assunto era tratado pela jornalista sob duas perspectivas: o processo de produção dos jornais e a apreciação dos seus conteúdos, razão pela qual são abordados sob esse enfoque no presente estudo. Em termos de resultados, sobre a produção dos jornais escolares, observou-se que esta remetia a toda uma experiência pedagógica vivenciada pelas crianças, que as envolvia no processo de coleta de informações, redação, impressão e venda de espaços publicitários no jornal da escola. Contavam, é verdade, com o auxílio de adultos, mas tinham, sem dúvida, certo protagonismo nesse processo. Acerca da apreciação dos jornais, foi possível identificar uma série de dicas e sugestões de Yvonne Jean aos jovens redatores, no sentido de aperfeiçoar seu empreendimento editorial e, ao mesmo tempo, motivá-los nessa experiência pedagógica da imprensa escolar.
História da educação; Jornais escolares; Brasília; Yvonne Jean
Abstract
This study aims to investigate the behind-the-scenes production and appreciation of school newspapers for elementary school in Brasília based on the columns of journalist Yvonne Jean, published from 1962 to 1968 in the Correio Braziliense newspaper. Methodologically, the editions available in Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional were searched by the keyword “Yvonne Jean.” This descriptor was used to locate the columns written by the journalist. After a thorough reading of more than 600 columns, a summary was made of the information they provided about school newspapers. A second reading, this time of the summarized material, showed that the journalist approached the subject from two perspectives: the process of producing the newspapers and the appreciation of their content, which is why they are addressed from this standpoint in this study. The results of school newspaper production showed that they referred to a whole pedagogical experience lived by the children, which involved them in the process of gathering information, writing, printing, and selling advertising space in the school newspaper. They did, of course, have the help of adults, but they were undoubtedly the protagonists in this process. The appreciation of the newspapers showed a series of tips and suggestions from Yvonne Jean to these young editors to improve their editorial enterprise and motivate them in this pedagogical experience of the school press.
History of education; School newspapers; Brasília; Yvonne Jean
Introdução
Em 1962 chegou a Brasília, com o marido e o filho, a jornalista belga naturalizada brasileira Yvonne Jean da Fonseca (1911-1981). A convite de Darcy Ribeiro, veio do Rio de Janeiro para trabalhar no setor de extensão cultural da recém-criada Universidade de Brasília (Teixeira, A. 2017). A escolha de seu nome para tal posto certamente devia-se a seu vasto capital cultural – falava francês, inglês, espanhol, alemão, flamengo, italiano e português (Silva, B.; Silva, R., 2022) e desde que imigrara para o Brasil em 1940 fugindo da perseguição nazista, ela, de ascendência judia, soube inserir-se nos círculos intelectuais cariocas, frequentando a Livraria José Olympio e tornando-se próxima de personagens como o escritor Graciliano Ramos (Silva, B.; Silva, R., 2022). No Rio, além de um emprego no Ministério da Educação e Saúde “primeiro como técnica em neuropatologia e depois como tradutora de artigos científicos e redatora de trabalhos histológicos, funções exercidas até 1946” (Silva, R., 2019, p. 175), fez carreira no jornalismo, escrevendo para os principais jornais e revistas da antiga capital e de São Paulo, sobre temas como: mulheres, cultura e educação (Mineirini Neto, 2019).
Em Brasília, tão logo instalada, Yvonne Jean prosseguiu sua atuação jornalística, passando a escrever para o jornal diário Correio Braziliense, órgão dos Diários Associados no Planalto Central (Anjos, 2022a). Neste jornal, de caráter governista e preocupado com a defesa da permanência e consolidação da nova capital (Morelli, 2002), assinou matérias e manteve, em especial, três colunas em momentos distintos: Esquinas de Brasília (iniciada em 1962, interrompida e retomada em 1966, publicada até fins da década), Correio Estudantil (princípios de 1962) e Ensino Dia a Dia (de meados de 1962 até fins de 1965). Dentre os temas abordados em seus textos, destacam-se aqueles relativos à educação nas escolas primárias da cidade. De fato, conservou na nova capital um hábito adquirido no Rio de Janeiro da década de 1940: visitar escolas3 e escrever sobre elas em seus quadros editoriais, descrevendo práticas escolares que testemunhava e emitindo acerca delas sua opinião. Um tipo de prática escolar que ela flagrou em seus textos foram os bastidores da produção de jornais escolares pelos alunos das escolas primárias de Brasília, sobre os quais teceu apreciações em suas colunas.
Os jornais escolares têm sido objeto de frequentes estudos no campo da história da educação (Amaral, 2002; Bastos; Ermel, 2013; Lima, 2020, apenas para citar alguns). São, inclusive, uma prática encorajada pelas pedagogias ativas (Freinet, 1974) e que foi, assim, rapidamente incorporada no sistema de ensino brasiliense, planejado pelo educador Anísio Teixeira4. A novidade que o olhar de Yvonne Jean permite apreender sobre essa dimensão das culturas escolares é um aspecto pouco investigado pela historiografia até aqui: o processo de produção e a apreciação desses impressos por leitores da época. Com efeito, em suas colunas, quando trata desse tipo de periódico escolar, a jornalista o faz destacando vestígios de como as crianças se mobilizavam para elaborá-los e redigia considerações sobre o seu estilo e conteúdo. Permite-nos, assim, apreender, por um lado, como o mundo das crianças – mesmo que sob supervisão de suas professoras – produzia tais periódicos e seus conteúdos; por outro lado, como o mundo dos adultos – no caso, a jornalista falando aos leitores de suas colunas – se posicionava diante das informações que eram colocadas em circulação pelas crianças enquanto alunos do ensino primário nesse gênero de impresso escolar.
Diante do exposto, o objetivo deste artigo, recorte de uma pesquisa mais ampla de pós-doutoramento,5 é investigar os bastidores da produção e a apreciação dos jornais escolares das escolas primárias de Brasília, através das colunas da jornalista Yvonne Jean, entre os anos de 1962 e 1968, datas balizadoras dentro das quais encontram-se informações sobre o tema em suas colunas jornalísticas.
Em termos metodológicos, perseguindo o fio do nome (Ginzburg, 1991), consultaram-se as edições do Correio Braziliense disponíveis na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, com a busca pela palavra-chave: Yvonne Jean. A partir desse descritor foram localizadas as colunas assinadas pela jornalista. Após a leitura integral de mais de seis centenas de colunas, realizou-se um fichamento das informações que elas traziam sobre os jornais escolares. Depois de uma segunda leitura, agora do material fichado, evidenciou-se que o assunto era tratado pela jornalista sob duas perspectivas: o processo de produção dos jornais e a apreciação dos seus conteúdos, razão pela qual são abordados sob esse enfoque no presente estudo.
A narrativa histórica que se segue desdobra-se em três momentos. Inicialmente, investigamos os vestígios dos bastidores de produção dos jornais escolares, conforme capturados pelo olhar de Yvonne Jean. Em seguida, nos debruçamos sobre a apreciação dos jornais escolares feita pela jornalista no decorrer de suas colunas. Ao final, encerramos com algumas considerações, a modo de conclusão.
Bastidores da produção de jornais escolares
Na coluna de 30 de setembro de 1962, Yvonne Jean destaca o que teria sido uma das primeiras reportagens realizadas sobre a recém-criada Universidade de Brasília (sua inauguração se dera em 21 de abril daquele ano) feita não por jornalistas profissionais, mas pelos redatores da Gazeta Escolar, jornal da Escola-Classe 107 Sul. Principia falando dos bastidores da reportagem mirim:
Segue uma das primeiras grandes reportagens noticiosas realizadas na UnB quando começava, quando nenhum prédio ainda fora terminado, quando era preciso certa imaginação para imaginar o conjunto que ia ser inaugurado em abril... Uma equipe de repórteres com olhos bem abertos – Paulo Dourado, José Roberto Tschiedel do Valle, Samuel Goldenberg, Glei Renan Lattaro e Nilton Dias Camargo – veio em peso à Universidade, acompanhada por um fotógrafo, este da CASEB. Eram alunos da escola 107 e redatores do jornal “Gazeta Escolar”. Passearam, conversaram e fizeram uma reportagem que, infelizmente, só me chegou às mãos agora. Faço questão de publicar esta reportagem pioneira sobre uma Universidade, seguida de pequena entrevista que ninguém conhecia, ainda, nesta primeira etapa (Jean, 1962a, p. 9).
Conforme o relato de Yvonne Jean, os alunos da Escola-Classe 107 Sul, a exemplo dos jornalistas adultos, procuravam obter in loco as informações que iriam mais tarde estampar o jornal escolar. Faziam, a seu modo, reportagens, contando, inclusive, com o auxílio de um fotógrafo, aluno do ensino médio6 (a CASEB era uma escola secundária). Para isso, dirigiram-se ao canteiro de obras que era, então, o campus da Universidade de Brasília – onde hoje se localizam os prédios da Faculdade de Educação, célula-mater da instituição (Rocha; Villar, 2018). Lá, “passearam, conversaram e fizeram uma reportagem”, isto é, produziram uma notícia sobre o que estava sendo construído e a imprimiram no jornal da sua escola. Texto que, meses depois, chegou às mãos da colunista do Correio Braziliense.
Após apresentar esses bastidores da reportagem realizada pelos escolares, Yvonne Jean dá destaque ao texto que escreveram sobre a Universidade, no qual novos elementos do processo editorial são desvelados:
A UNIVERSIDADE
Muita gente está trabalhando para a construção da Universidade de Brasília.
O prédio, que no momento é o prédio principal, a vista dá para o lago.
De lá sairão os futuros arquitetos e outras artes e doutores.
As salas são muito grandes, espaçosas, estão quase prontas.
Os alojamentos das professoras e dos alunos são bem arrumados e muito bonitos.
Nós fomos com a ajuda de uma senhora muito amável: essa senhora é repórter do CORREIO BRAZILIENSE, Yvonne Jean; seu filho se chama João Luiz e tirou as fotografias.
O auditório da Universidade, todos os móveis são da Oca.
Os móveis de marfim e imbuia são uma maravilha.
Tem também uma grande sacada. Sérgio Rodrigues é o responsável pela construção. Ele desenha todos os móveis.
Já está funcionando a Universidade.
São 100 alunos ao todo.
ENTREVISTA
A professora de História e Crítica e Arte, Lígia Martins Costa, também colaborou conosco nos explicando como se estuda na cadeira. É a história da crítica de todos os povos (Jean, 1962a, p. 9).
A reportagem realizada pelos estudantes da Escola-Classe 107 Sul oferecia aos leitores um panorama do estado da obra da Universidade de Brasília às vésperas de sua inauguração: o prédio principal (chamado de FE 1) com vista para o Lago Paranoá (hoje ocultada por edifícios construídos posteriormente); as amplas salas de aula (possivelmente as localizadas no prédio denominado FE 3), os alojamentos para professores e alunos (provisórios e substituídos mais tarde pelos prédios da Colina); o auditório (que viria a ser batizado de Dois Candangos, em homenagem a dois operários mortos em acidente de trabalho na sua construção); os móveis de marfim e imbuia assinados por Sérgio Rodrigues, especialmente projetados para a instituição, dentre outros aspectos que lhes chamaram a atenção7.
O texto dos estudantes deixa entrever, ainda, mais um bastidor: foi com a ajuda de Yvonne Jean, funcionária da instituição e jornalista do Correio Braziliense, que os repórteres-mirins puderam chegar até o campus da UnB (localizado na Asa Norte, que à época, era uma região pouco habitada, bem diferente da Asa Sul, onde ficava a Escola-Classe 107 Sul e, possivelmente, as residências dos meninos). O fotógrafo secundarista era ninguém menos que o filho da própria jornalista, João Luiz, que colaborou, assim, para que a reportagem fosse ilustrada com algumas fotografias. Como se vê, embora a autoria infantil fique evidente no caso em tela, ela contava com a ajuda de uma adulta e um jovem, para que o que viram e ouviram – na entrevista com a professora Lígia Martins Costa – pudesse ser registrado e transformado em notícia pela ação dos pequenos redatores.
Essa não foi a primeira vez em que Yvonne Jean ocupou-se da Gazeta Escolar da Escola-Classe 107 Sul em suas colunas. A primeira menção ocorreu meses antes, em 27 de maio de 1962, ocasião em que parece ter sido entrevistada pelos repórteres mirins que, por sua vez, lhe deram informações detalhadas sobre o processo editorial daquele jornal escolar. Eis o que escreveu Yvonne Jean:
ESCOLA CLASSE 107
Ao colher dados para esta coluna, o repórter em vez de fazer entrevista... foi entrevistado! Por confrades. Os jornalistas da “Gazeta Escolar” da Escola Classe pediram informações sobre o jornalismo em geral, e a Universidade de Brasília, em particular, e preparam uma reportagem para o número 3 de seu jornal, a sair em breve.
- A equipe do nosso confrade da “Gazeta Escolar” – meninos de 11 e 12 anos de idade – é completa e bem planejada. Vejam só: Diretor: Samuel Goldenberg, vice diretor João Humberto Lattaro; redator-chefe: Paulo Dourado; desenhista Glei Renan Lattaro; repórter: José Roberto Tschiedel do Valle; vendedor: Nilson Dias Camargo. Contam, além do mais, com a colaboração de todos os alunos dos 4º e 5º anos. Faltam alguns nomes de meninas na equipe!
- Os jornalistas da “Gazeta”, Escola 107, estão muito satisfeitos porque seu mimeógrafo chegou. Fizeram intensa campanha na escola, reunindo mais de 30.000 cruzeiros e o mimeógrafo já vai entrar em funcionamento.
- A parte comercial não está sendo esquecida: pedem anúncios nas lojas e empresas. 5 cruzeiros por centímetro quadrado. O anúncio não pode passar de 11 x 8 centímetros. Tudo bem pensado, como veem.
- O desenhista lembra, com orgulho, duas boas caricaturas dos jornais anteriores: o pobre cruzeiro segurando a perna do dólar para impedir que subisse mais e um guarda deixando uma pessoa importante passar em plena contramão (Jean, 1962b, p. 9).
Mantendo o hábito de visitar escolas para obter informações para sua coluna, é que Yvonne Jean teve a oportunidade de flagrar, em detalhes, os bastidores da produção da Gazeta Escolar. Para ser impressa contava com uma equipe formada por meninos de 11 a 12 anos de idade (sendo sentida, pela jornalista, a ausência de meninas na redação do jornal!), com tarefas bem divididas entre si: a área de impressão, que contava com um mimeógrafo adquirido com recursos dos próprios alunos; uma parte comercial, com um vendedor que oferecia anúncios em tamanho pré-definido e um desenhista, que nas primeiras edições, já tinha elaborado duas caricaturas denunciando os problemas da sociedade da época: a alta do dólar em face do cruzeiro e as vistas grossas das autoridades às infrações de pessoas importantes.
É interessante notar que a redação do jornal escolar reproduzia, em escala reduzida, as diferentes funções de uma redação de um jornal de verdade, sendo o periódico estudantil o resultado de um bem elaborado processo editorial, que ia da coleta de informações para a reportagem à impressão do texto, passando pela venda de anúncios e crítica social. Era um tipo de experiência, palavra-chave do vocabulário da Escola Ativa, que estava na matriz pedagógica das escolas primárias de Brasília. Era, a seu modo, a realização de uma aspiração de Anísio Teixeira para a escola primária, a que se refere, ancorado em Kilpatrick, na sua Pequena introdução à filosofia da educação: a escola deve ser “uma escola de vida e de experiência para que sejam possíveis as verdadeiras condições do ato de aprender” (Teixeira, A., 2000, p. 49), um “centro onde se vive e não [...] um centro onde se prepara para viver” (p. 46). Se era inspirando-se no idealizador do sistema de ensino de Brasília ou em outras referências da escola ativa em circulação que as professoras da Escola-Classe 107 Sul motivavam seus alunos a envolverem-se na elaboração do jornal escolar, jamais saberemos apenas com as fontes que dispomos. Mas, no campo das possibilidades históricas (Davis, 1987) em que se move com frequência o historiador, é possível assinalar a proximidade que a prática guardava com as recomendações pedagógicas de um abalizado defensor da escola ativa, que ecoava outros educadores afamados da época.
A Gazeta Escolar da Escola-Classe 107 Sul também, a exemplo dos jornais dos adultos, realizava inúmeras campanhas, relativas a temas de interesse da comunidade escolar. Uma delas foi a Campanha do Cadeado e do Vidro, relatada por Yvonne Jean na sua coluna de 2 de outubro de 1962:
ESCOLA 107
Publicamos no domingo a reportagem sobre a universidade de Brasília, realizada pela antiga equipe da redação da “Gazeta Escolar” da escola-classe 107 e aludimos às numerosas campanhas dos alunos. Eis, agora, um artigo de Sandra Nardelli, encaminhando as campanhas do cadeado e do vidro:
SONHO EXTRAORDINÁRIO
Essa noite eu tive um sonho. Sonhei que eu era diretora da Escola Classe 107 e toda manhã, quando chegava, as crianças vinham me beijar e abraçar dizendo:
- Bom dia, dona Sandra! Bom dia!
E aquele bom dia para mim era uma fonte de alegria.
Certo dia, quando cheguei, vi todo mundo triste, e sem perguntar nada a ninguém, deixei passar e fui para o meu gabinete.
De lá, fui correr as salas de aulas e que decepção ao ver que as carteiras estavam quebradas e os vidros rachados!
E pensando achei que devíamos ensinar às crianças a amar a sua escola, porque assim saberiam respeitá-la.
Cada aluno tomaria conta dela como seu lar, porque na verdade a escola é deles.
Nisto ouvi que me chamavam e já ia ver o que era, quando acordei, com minha irmã despertando-me e aí vi que não era diretora e sim aluna da 107, que a ama e a quer de todo coração.
Tudo não passou de um simples, mas extraordinário sonho.
Como me senti tão tristonha ao ver diante dos meus olhos, ainda que sonhando, aquelas cenas dolorosas, com nossa escola destruída por aqueles que, mais do que ninguém, deveriam zelar por ela.
Nossa escola é como se fosse o nosso lar. Compete-nos amá-la e defendê-la e não destruí-la (Jean, 1962c, p. 9).
O que se depreende do conjunto das informações trazidas por Yvonne Jean aos leitores de sua coluna – e agora, ao historiador da educação –, é que o jornal da Escola-Classe 107 Sul, parafraseando Robert Darnton (1996), não se limitava a narrar eventos, mas queria ser ele mesmo ingrediente e produtor dos acontecimentos que relatava. Seus editores – possivelmente motivados pelas professoras, preocupadas com a conservação da escola, no caso em questão – faziam do jornal um veículo de disseminação de hábitos e comportamentos visando o cuidado e proteção do espaço escolar, que era de todos. E aqui, novamente, a experiência propiciada pela campanha promovida pela Gazeta Escolar ia ao encontro de concepções modernas de educação então em circulação, como a das Conferências Internacionais de Instrução Pública do Bureau Internacional de Educação e da Unesco. De fato, em algumas de suas recomendações, solicitavam que os alunos fossem educados para conservar e preservar os ambientes da escola que frequentavam (Anjos, 2021), tal qual estava sendo feito nessa escola de Brasília, com o apoio do seu jornal escolar.
Apreciação dos jornais escolares por Yvonne Jean
Estamos agora em 4 de junho de 1964. Na coluna deste dia, Yvonne Jean dedicou espaço a fazer uma apreciação do conteúdo do jornal escolar O Candanguinho, órgão da Escola Parque de Brasília. Trata-se de uma instituição dedicada à educação física e artística dos alunos do ensino primário, frequentada em contraturno por alguns estudantes que tinham, assim, a oportunidade de completar nela a instrução regular dada na Escola-Classe, configurando, dessa forma, a educação integral pretendida por Anísio Teixeira8. Sobre o jornal, cujo exemplar fora enviado a colunista, ela observa:
Lembro o fato ao receber “O Candanguinho” – jornal da Escola Parque – que possui grande variedade de crônicas e muita boa vontade, porém a quem falta, ainda, o dinamismo da velha “Gazeta Escolar” e a experiência de seus redatores, que eram repórteres mirins, porém repórteres. Assim a entrevista com José Vasconcellos – um excelente assunto – não poderia ser rotulada de “sensacional”, pois cabe ao público apreciá-la e não ao jornalista louvar-se de antemão – e com adjetivo tão forte! – porque conseguiu tão somente perguntar ao artista onde nasceu, o que acha de Brasília e receber duas perguntas mais interessantes – “Está disposto a fazer graça todos os dias?” e “escreve as peças que apresenta?” – a resposta “Sim”, “sim” e “sempre”. Faço a crítica a Paulo Henrique e Luiz Gonzaga porque a escolha do entrevistado foi das melhores e se em vez de repetirem após suas 4 perguntinhas “assim planejamos a sensacional entrevista (outra vez!) e vencemos”, tivessem preparado boas perguntas seria o leitor que empregaria a palavra “sensacional” ou “ótima”, o que seria melhor que sensacional! A equipe também tentou entrevistar-me na Escola Parque, os alunos me apareceram com bloco e lápis, dando a impressão de verdadeiros e sérios repórteres. Porém em vez de pedir impressões sobre a escola parque contentaram-se em pedir... me autógrafo, o que evidentemente não gerará entrevista alguma! Dou estes conselhos aos jovens confrades na esperança de que o próximo número traga alguma entrevista boa com algum professor ou artista, e desejo-lhes boa sorte (Jean, 1964a, p. 9).
Fazendo de sua coluna um espaço de interlocução com os jovens redatores do Candanguinho, Yvonne Jean observa que a eles faltaria, ainda (ou seja, algo que poderia ser adquirido com o tempo), o dinamismo da Gazeta Escolar, cujo funcionamento conhecemos na seção anterior. Isso se manifestava, em parte, no excesso de adjetivos que usaram para a entrevista que fizeram com o artista José Vasconcellos (sensacional) que não passou de uma lacunar troca de palavras com o entrevistado. A prática mesmo da entrevista precisava ser melhorada, com a preparação de boas perguntas e não apenas um pedido de autógrafo, como ocorrera com a própria Yvonne Jean quando procurada para ser também entrevistada. Por trás desses conselhos estava o desejo da jornalista de ver aquela prática do jornal escolar atingindo seus objetivos de socialização e experiência, “na esperança de que o próximo número traga alguma entrevista boa com algum professor ou artista”.
As dicas e sugestões dadas por Yvonne Jean parecem ter sido levadas em conta pelos jovens redatores do Candanguinho, a julgar pelo que observou a jornalista em coluna de 20 de junho de 1964:
Os alunos da Escola Parque mandam-me o seu jornal – “O Candanguinho”. Nele leio: “O Ensino Dia a Dia criticou o nosso Candanguinho. Agradecemos a Yvonne Jean, pois nós também aprendemos errando. Sua coluna nos torna importantes como os demais jornalistas de Brasília”. Muito bem, meus caros colegas! É assim que se deve aceitar a crítica que tenta ser construtiva e ajudar a melhorar. Em vez de chorar, sorrir e resolver melhorar. Aliás, a crítica feita a soi-disant entrevista a José Vasconcelos e aos autoelogios ao artigo “sensacional” já surtiu efeito! Foram ao ministro da Educação com perguntas preparadas. Muitas perguntas já conseguiram desta vez o que se chama entrevista.
E já que somos colegas, e já que me alegra aplaudir um número bem melhor que o anterior, permitam-me um pequeno reparo. Refere-se à paginação. Procurem colocar artigos completos numa página em vez de começá-los e obrigar o leitor a virar a página para procurar o fim da leitura iniciada. Se fizerem questão de chamar a atenção sobre as matérias principais do jornal, podem escrever alguns títulos em primeira página, com chamada para a página em que se encontra o artigo. [...] Pelo resto toquem para a frente e parabéns aos jornalistas, que como escreve sua diretora, tão a sério levam sua responsabilidade e tão conscientemente estão aceitando as críticas construtivas que lhes são feitas, certos que elas os ajudarão a crescer (Jean, 1964b, p. 7).
Aqui temos o testemunho da existência de um efetivo circuito de comunicação (Darnton, 2010) entre o jornal escolar e a coluna de Yvonne Jean, no Correio Braziliense. Observações feitas por ela eram levadas em conta pelos pequenos redatores do O Candanguinho, como atesta o registro que delas fizeram no próprio jornal e as mudanças que trataram de realizar para melhorar sua publicação e, com isso, a comunicação com seus leitores. O colóquio com o ministro da educação estampado no novo número do jornal teve “muitas perguntas que conseguiram o [que] se chamaria de entrevista”. As novas dicas de Yvonne Jean – sobre a disposição tipográfica das matérias do jornal – vinham apenas reforçar o objetivo geral das críticas construtivas que fizera dias antes e que assim foram recebidas pelos estudantes, “certos de que elas os ajudariam a crescer”.
Passemos agora à apreciação do jornal O Arauto, da Escola Classe 114 Sul. Ela foi tema da coluna de 2 de maio de 1965:
O ARAUTO – Este jornal escolar da Escola Classe 114 – faz jus ao seu nome divulgando muitas notícias no número dedicado ao aniversário da cidade – número muitíssimo bem mimeografado.
Anuncia que ensaiam uma pequena peça teatral; que vão expor artefatos e objetos artesanais representativos da cultura indígena; que a Aliança Francesa deu 8 bolsas de estudos a alunos da escola; que a 114 é a primeira SQ iluminada; que a escola 114 ganhou um lindo portão novo; que está aberto o concurso de composição sobre o valor do livro; que a merenda escolar é gostosa este ano; que realizaram eleições para a diretoria do Centro Cívico; e que o Círculo de Pais e Mestres também escolheu nova diretoria; que é preciso que todos colaborem melhor na campanha de limpeza da escola, etc., etc.
Estas numerosas notícias curtas, ao lado das homenagens a Tiradentes “que pagou, na forca, o crime de sonhar com uma pátria livre... mas que foi um exemplo e um início, pois graças a homens como este... pudemos ser donos do solo em que pisamos”; ao lado das homenagens a Brasília Esperança, ao lado de pequenas campanhas; formam um jornal bem jornalístico que chega a interessar a quem não pertence à escola.
É natural no que se refere às melhorias da quadra exemplo por ser tão verde, tão bem atapetada que sua grama desmente a anedota do inglês [...] e mais difícil no que se refere aos interesses dos próprios escolares. Porém, o jornal é tão bem feito que, para começar, atenderemos, de vez, a um dos apelos. Refere-se a livros. Após recomendar livros que se encontram na biblioteca e que o encarregado escolheu muito bem – “Ivanhoé”, “Anchieta”, Anderson traduzido por Monteiro Lobato, para a 5ª série; a “A viagem maravilhosa de Nils Holgerson”, “contos de Fadas Alemães” para a 4ª série, etc. – anunciam em comemoração ao dia do livro um concurso de composições sobre o valor do livro, concorrendo a valiosos prêmios, inclusive a ter seu trabalho publicado no Correio Braziliense, na coluna O ENSINO DIA DIA! (Jean, 1965, p. 8).
Segundo o relato de Yvonne Jean, o jornal, “muitíssimo bem mimeografado” empregava recursos como o dos jornais dos adultos, chegando ao ponto de “interessar a quem não pertence à escola”. Trazendo inúmeras manchetes sobre o cotidiano escolar estampadas em suas páginas – fazeres ordinários de classe, para falar como Anne-Marie Chartier (2000), que iam de exposições escolares à atividades cívicas bem ao gosto da Ditadura Civil-Militar então instaurada no país – mas também sobre o entorno da escola, a quadra 114 Sul, os pequenos jornalistas produziram um periódico informativo e de acordo com as expectativas de uma leitora exigente e conhecedora dessa prática pedagógica, como era o caso da jornalista belgo-brasileira.
Continuando sua apreciação, Yvonne Jean revela aos leitores uma chantagem feita a ela e sua coluna pelos redatores do jornal no que toca ao “concurso de composições sobre o valor do livro” acerca do qual a jornalista nada sabia, mas aceita colaborar, o que indica, uma vez mais, a consistente rede de comunicação entre ela e os autores do impresso escolar:
JORNALISTA NO DURO
Eu não dizia que estes jornalistas mirins eram jornalistas de verdade? A coluna mencionada nada sabia a respeito do espaço que ofereceu. Foi posta perante um “fait accompli”! Diante de tão positiva chantagem jornalística claro que só lhe resta atender e até mesmo aplaudir: realmente, está coluna publicará o melhor dos trabalhos sobre o livro, e mais do que isso, oferece ao vencedor, cujo nome ainda não lhe foi divulgado, o livro “Os tucanos da floresta alegre” que escrevi há alguns anos atrás e que a Editora Melhoramentos acaba de reeditar. Está ao dispor da escola, na minha casa. É só vir buscá-lo (Jean, 1965, p. 8).
Outro jornal escolar apreciado por Yvonne Jean foi o da Escola-Classe 308 Sul, que também foi batizado de O Candanguinho. O primeiro número foi enviado à jornalista e dele ela se ocupou na coluna de 1º de junho de 1967:
O CANDANGUINHO
Agradecemos aos alunos da Escola Classe 308 pela remessa de seu jornal recém-criado, “O Candanguinho”, cujo excelente título foi um achado das próprias crianças. Os alunos da 4ª série que o confeccionaram têm um certo senso jornalístico que, com a prática, permitir-lhes-á, sem dúvida incentivar os projetados contatos com a comunidade, lembrados pela sua coordenadora.
Assim, o balanço das realizações (reparos de persianas e esgotos, aquisição de móveis, utensílios, livros e uniformes, campanha em prol da conservação do prédio), o planejamento para o mês (limpeza, aquisições, entrosamento com a Escola Parque, jornal mural, horas cívicas, reuniões pais professores, excursões, etc.) como também a parte social são feitos com uma simplicidade que aprovamos e algum humor que é preciso cultivar (Exemplo: a seção “É fato... é boato!” que diz “Que os alunos do pré-primário são bem pequeninos é fato... mas que não estão aprendendo a ler é... boato! Que tentaram levar o mastro da nossa escola é fato, mas que a diretora deixou é... boato! Que as professoras planejaram reuniões com os pais, é fato... mas que todos compareceram, é... boato”).
Parabéns pelo esforço inicial... (Jean, 1967, p. 8).
Yvonne Jean inicia elogiando o fato de o nome do jornalzinho ter sido escolhido pelas próprias crianças, o que revela a agência infantil (ainda que sob a inevitável supervisão de suas professoras) desde a concepção do periódico escolar até sua elaboração, que, com o tempo e prática, atingiria o objetivo de ser elo de comunicação com a comunidade, como era o caso de outros jornais que a jornalista analisara em anos anteriores em sua coluna. Fazendo um resumo do conteúdo – que toca em vários aspectos da cultura material da escola, isto é, “o conjunto de artefatos materiais em circulação e uso nas escolas, mediados pela relação pedagógica, que é intrinsecamente humana, reveladora da dimensão social” (Souza; Peres, 2011, p. 56) – a jornalista destaca o toque de humor que os estudantes souberam imprimir a algumas seções do periódico escolar, como a intitulada É fato... é boato, na qual satirizam situações escolares, como a tentativa frustrada de furto do mastro da escola ou a pouca frequência dos pais às reuniões a que eram convocados.
O Candanguinho da Escola-Classe 308 Sul voltou a ser tema da coluna de Yvonne Jean em 29 de maio de 1968:
Recebemos o jornalzinho da Escola-Classe 308, o número 7 de “Candanguinho”, que sempre apoiamos porque tenta comunicar-se através da reportagem, mesmo mirim; da entrevista, mesmo superficial e de um noticiário de interesse cotidiano da criançada, porque qualquer que seja este, é simpático.
Gostamos do apelo em prol das plantas do pátio que uns pisam, o que impede as flores de “sorrir para as crianças” e da recuperação do jardim pelos alunos. Gostamos do conceito original do jovem que ao contar suas férias, lembra que muito leu “porque faz a gente crescer”. Gostamos da Brasília árvore com suas raízes e futuros frutos. Gostamos, principalmente, do hino de amor à Brasília “cada vez mais florida e bonita” e que merece os parabéns de aniversário como os merecem Lúcio Costa, Niemeyer e Juscelino. Supomos que os leitores, para os quais o jornalzinho está sendo mimeografado, gostaram das fofocas que giram em torno de sua vida escolar (Jean, 1968, p. 6).
O fato de O Candanguinho ter chegado ao seu sétimo número quase um ano depois do seu lançamento, é evidência de que a iniciativa fora levada a frente pelos alunos da escola – talvez já não os mesmos que presidiram sua criação, caso tenha continuado a ser elaborado por estudantes da 4ª série, que, em 1968, já seriam outros, diversos dos de 1967 – e encontrava-se inserida na cultura daquela escola. Tinha de tudo um pouco: “reportagem, mesmo que mirim”, entrevista “mesmo que superficial” e um noticiário “de interesse cotidiano da criançada”. Ou seja, o jornal dialogava com o horizonte de expectativas do seu público leitor, sendo, de modo geral, considerado “simpático” por Yvonne Jean (1968, p. 6). O resumo do seu conteúdo mostra que ele dava a ver necessidades da escola e pontos de vista e opiniões dos seus redatores (incluída, aí, uma seção de “fofocas que giram em torno de sua vida escolar”), sendo, sem dúvida, um “documento-monumento” (Le Goff, 1991) de um conjunto de representações (Chartier, R., 2002) partilhadas pelas crianças, ainda que sob a muito provável supervisão de suas professoras. Documento a que temos acesso de forma fragmentária, por meio das apreciações de uma adulta que conversava em suas colunas não só com os adultos, mas, também, com o mundo das crianças.
Considerações finais
Este artigo teve por objetivo investigar os bastidores da produção e a apreciação dos jornais escolares das escolas primárias de Brasília, através das colunas da jornalista Yvonne Jean, entre os anos de 1962 e 1968.
Sobre a produção dos jornais escolares, observou-se que esta remetia a toda uma experiência pedagógica vivenciada pelas crianças, que as envolvia no processo de coleta de informações, redação, impressão e venda de espaços publicitários no jornal da escola. Contavam, é verdade, com o auxílio de adultos, mas tinham, sem dúvida, certo protagonismo nesse processo. Acerca da apreciação dos jornais, foi possível identificar uma série de dicas e sugestões de Yvonne Jean aos jovens redatores, no sentido de aperfeiçoar seu empreendimento editorial e, ao mesmo tempo, motivá-los nessa experiência pedagógica da imprensa escolar.
Tendo identificado a existência e destaque que os jornais escolares tiveram nas colunas da jornalista Yvonne Jean em Brasília, cabe, em estudos posteriores, tentar localizar nos acervos das escolas mais antigas do Distrito Federal – tanto as mencionadas neste estudo como outras – a possível existência de coleções ou fragmentos de jornais escolares, com vistas à produção de outros trabalhos que se aprofundem, dessa vez, no conteúdo mesmo e na materialidade desses impressos escolares. As interpretações construídas neste artigo, nesse sentido, podem ser um ponto de partida para essas futuras investigações.
Referências
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» https://www.cafehistoria.com.br/yvonne-jean-brasilia-e-a-unb-1962-1965/ - TEIXEIRA, Anísio. Pequena introdução à filosofia da educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.
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- WIGGERS, Ingrid Dittrich. Memórias da Escola Parque de Brasília Brasília, DF: UnB, 2023.
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1-Disponibilidade de dados:
todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
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3
- Em 1948 chegou a publicar um livro intitulado Visitando escolas (Jean, 1948), sob patrocínio do Ministério da Educação e Saúde, em que relatava o cotidiano das escolas da cidade do Rio de Janeiro e de uma escola da Baixada Fluminense, a famosa Escola Regional de Meriti, de Armanda Álvaro Alberto.
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4
- Sobre o sistema de ensino de Brasília, ver Anísio Teixeira (1961) e Juarez Anjos (2022b). Antes mesmo da inauguração oficial do sistema de ensino de Brasília, em 1960, já circulavam jornais escolares nas escolas provisórias da nova capital, como atestam dois exemplares mimeografados localizados no acervo do Museu da Educação do Distrito Federal.
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5
- Trata-se da pesquisa Culturas escolares da escola primária nas colunas da jornalista Yvonne Jean (Brasília, década de 1960), realizada junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Uberlândia, sob a supervisão de Betânia de Oliveira Laterza Ribeiro. A pesquisa conta com financiamento do DPI/DPG da Universidade de Brasília, a quem registro agradecimentos.
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6
- Em Brasília, conforme o Plano Educacional de Anísio Teixeira, o ensino secundário era denominado de Educação Média.
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- A descrição da UnB feita pelos estudantes da Escola-Classe 107 Sul coincide em vários pontos com a elaborada por Flávio Oshiro e Marcelo Mari (2023), no seu recente estudo Sérgio Rodrigues no canteiro experimental da Universidade de Brasília.
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8
- Acerca do funcionamento da Escola Parque de Brasília no período em tela, ver Wiggers (2023).
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Editor responsável:
Prof. Dr. Roni Cleber Dias de Menezes
todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
