A pesquisa analisou as políticas educacionais para o ensino de educação física nas escolas primárias paulistas entre 1934 e 1938, com foco na atuação do Departamento de Educação Física (DEF-SP) e da Diretoria de Ensino (DE-SP). A análise, fundamentada em legislação, anuários de ensino, documentos administrativos e jornais, evidenciou uma série de negociações governamentais que visavam garantir a institucionalização da educação física escolar. O estudo parte de um inquérito que identificou significativas desigualdades no ensino primário, como variação de cargas horárias semanais e número de estudantes por turma, infraestrutura deficiente e falta de professores especializados. Para enfrentar essa escassez docente, adotou-se um modelo híbrido, no qual profissionais formados pela Escola Superior de Educação Física (ESEF-SP) orientavam professores normalistas que haviam recebido formação complementar. A institucionalização envolveu diferentes estratégias, como a criação de cursos de formação, o estabelecimento de cargos específicos e a estruturação de inspetorias regionais. O período foi marcado por disputas sobre a subordinação administrativa dos professores, prevalecendo sua vinculação ao DEF-SP, o que conferiu características específicas à educação física escolar. Embora o número de profissionais contratados tenha permanecido insuficiente para atender todas as escolas do estado, o modelo adotado consolidou o DEF-SP como principal repartição pública na gestão da educação física escolar. A pesquisa concluiu que as políticas educacionais resultam de complexas negociações entre diferentes atores e não apenas de ações governamentais diretas.
Palavras-chave
História da educação; Educação física escolar; Ensino primário; Políticas educacionais; São Paulo.