O texto apresenta uma pesquisa que objetivou compreender como vêm sendo conduzidas as estratégias e práticas docentes de apoio à inclusão dos alunos com deficiência em escolas públicas no município de Canoas, RS, a partir das narrativas de gestores e professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE). A pesquisa também buscou estabelecer relações entre as técnicas de controle da conduta dos sujeitos envolvidos, entendidas como práticas relacionadas ao contexto da governamentalidade. Esta noção foucaultiana orientou o campo teórico-metodológico, juntamente com o conceito de biopolítica. O estudo ainda problematizou o binarismo inclusão versus exclusão a partir da noção de in/exclusão. A metodologia é qualitativa, e a obtenção de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com nove profissionais da educação da rede municipal de ensino de Canoas (RS), sendo cinco professores da AEE e quatro membros da equipe gestora. As questões versaram sobre o AEE como serviço de apoio à inclusão e suas estratégias. O exercício analítico inspirou-se na análise do discurso foucaultiano e empregou conceitos como ferramentas analíticas. A partir disso, foram delineados dois movimentos, enfatizando serviços de apoio ao AEE e estratégias pedagógicas; e concepções de in/exclusão e impactos do AEE na escola. O olhar empreendido permite argumentar que o Atendimento Educacional Especializado constitui um importante elo de representação do Estado no sentido de “ajudar o outro”, conduzindo-o para o mais próximo das métricas estabelecidas nos currículos escolares e nos programas institucionais, no contexto da governamentalidade.
Palavras-chave:
Atendimento educacional especializado - Estratégias pedagógicas - Governamentalidade - In/exclusão- Serviço de apoio.