O artigo volta-se à descrição e interpretação da lógica que orienta as percepções do grupo de profissionais (gestores e professores) de uma escola pública situada em um território vulnerável na cidade de Belo Horizonte (MG), acerca da clientela atendida. Mais especificamente, analisa as maneiras pelas quais a dinâmica territorial de uma região favelizada da cidade de Belo Horizonte (MG), marcada pela vulnerabilidade socioespacial, contribui para o ajustamento das percepções e práticas da equipe escolar em relação aos estudantes e às suas famílias. Parte-se do primado sociológico de que o espaço físico é a reificação do espaço social, no qual e pelo qual os agentes sociais são constituídos. Dessa forma, o estudo articula o efeito território - utilizado aqui como índice que sumariza vantagens ou desvantagens sociais e econômicas dirigidas a grupos sociais em razão de sua localização no espaço social da cidade - à análise das interpretações sobre a relação dos estudantes e de suas famílias com a escola. Os dados utilizados derivam de entrevistas, grupos focais, registros em diário de campo e material documental recolhido nas visitas de pesquisa à escola. Conclui-se que os regimes prescritivos e a relação pedagógica tendem a ser predominantemente fundados em dinâmicas de rotulação dos estudantes e suas famílias, mas as modulações discursivas sensíveis a uma relativização dos estigmas têm o potencial de instaurar momentos e regimes de cooperação.
Palavras-chave:
Educação básica; Rotulação; Efeito território; Relação família-escola.