Open-access Aprendizagem da leitura nos anos iniciais do ensino fundamental: uma revisão sistemática da produção científica brasileira (2013-2023)1

Resumo

A pesquisa apresentada consiste em uma revisão bibliográfica sistemática sobre a aprendizagem da leitura no Brasil, no período de 2013 a 2023. O objetivo foi identificar artigos que apresentassem evidências científicas acerca de práticas que favorecem a aprendizagem da leitura no contexto escolar, com foco nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A metodologia seguiu os parâmetros oferecidos pelo The Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses - PRISMA, 2020. Foram analisados 33 artigos, agrupados em quatro categorias: fatores de pré-alfabetização; métodos, estratégias e recursos de ensino da leitura; dificuldades de leitura, com foco em estudantes público-alvo da educação especial; e instrumentos de avaliação da leitura. Os resultados evidenciam: (a) a coexistência de múltiplas perspectivas concernentes à aprendizagem da leitura, ressaltando a centralidade da consciência fonêmica, a pertinência de intervenções preventivas para as dificuldades, a necessidade de um ensino sistemático e explícito e a inter-relação entre a leitura e outras áreas do conhecimento. (b) a predominância de pesquisas voltadas à análise de instrumentos de avaliação e/ou verificação da leitura, em detrimento daquelas dedicadas a práticas pedagógicas que asseguram o domínio da habilidade leitora. (c) a ênfase das pesquisas em perspectivas de ensino e em instrumentos de avaliação, com poucas investigações sobre práticas e estratégias eficazes na aprendizagem da leitura. Os resultados suscitam, ainda, reflexões sobre o alinhamento entre a produção científica e as decisões políticas que orientam o financiamento de programas de leitura, especialmente no que se refere à necessidade de que tais decisões estejam ancoradas em evidências científicas com impacto social.

Palavras-chave:
Aprendizagem da leitura; Ensino fundamental; Ensino da leitura.

Abstract

This systematic bibliographic review focuses on literacy learning in Brazil from 2013 to 2023. Our aim is to find articles with scientific evidence about practices that favor literacy learning in schools in the early years of primary education. This systematic review followed the 2020 Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses recommendations. We analyzed 33 articles in four categories: pre-literacy factors; methods, strategies, and resources for literacy learning; reading difficulties, especially in special education students; and reading assessment instruments. Our results show (a) the coexistence of several perspectives on literacy learning (especially on the centrality of phonemic awareness, the relevance of preventive interventions for difficulties, the need for systematic and explicit teaching, and the interrelationship between reading and other areas of knowledge); (b) the predominance of research analyzing reading assessment and/or verification instruments to the detriment of those dedicated to teaching practices that ensure reading mastery; and (c) the emphasis of research on teaching perspectives and assessment instruments, with few investigations on effective practices and strategies in literacy learning. These results raise reflections on the alignment between scientific production and the political decisions that guide the financing of reading programs, especially regarding the need for such decisions to be anchored in socially impacting scientific evidence.

Keywords:
Literacy learning; Primary education; Teaching reading.

Introdução

A leitura, enquanto condição fundamental para o exercício da cidadania e para a participação plena no mundo letrado, depende de um processo que vai da alfabetização à fluência leitora. Para tanto, as políticas públicas devem assegurar que a aprendizagem dos estudantes seja concretizada desde os anos iniciais da escolarização. No Brasil, o tema tem sido objeto de intensos debates acadêmicos, políticos e sociais, especialmente diante dos desafios históricos relacionados à desigualdade, das mudanças nas políticas públicas e das demandas contemporâneas por práticas pedagógicas baseadas em evidências científicas (Brasil, 2020; Brasil; MEC, 2023).

Focalizamos, neste texto, os primeiros anos do Ensino Fundamental no que se refere à aprendizagem da leitura, tomando os anos de alfabetização como cruciais para esse debate. No país, a alfabetização é compreendida de modo cada vez mais ampliado, articulando o domínio do sistema de escrita alfabética à inserção em práticas sociais de leitura e escrita, ou seja, ao letramento (Soares, 2004; Tfouni, 2010). Essa perspectiva, consolidada nas últimas décadas, desafia abordagens reducionistas e convoca a escola a promover experiências contextualizadas e inclusivas, que respeitem a diversidade dos sujeitos e dos territórios. Nesse cenário, a produção científica nacional sobre o ensino da leitura assume papel estratégico, tanto para fundamentar políticas públicas quanto para orientar a formação e a prática docente, especialmente diante das demandas por equidade e qualidade na educação básica. Contudo, quando recorremos aos sistemas de monitoramento da alfabetização no Brasil, realizados por meio de avaliações em larga escala, como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), a Provinha Brasil e, mais recentemente, o Indicador Criança Alfabetizada (ICA), os dados são preocupantes.

A partir de 2023, o ICA passou a ser o principal indicador nacional, calculado a partir das avaliações estaduais aplicadas a todos os estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental, com resultados padronizados na escala do SAEB. O parâmetro de 743 pontos foi definido como referência para considerar uma criança alfabetizada, com base em uma pesquisa nacional envolvendo especialistas e professoras alfabetizadoras (INEP, 2023b). Esse padrão implica que o estudante é capaz de ler palavras, frases e textos curtos, localizar informações explícitas, inferir informações em textos que articulam linguagens verbal e não verbal, e escrever textos do cotidiano, ainda que com desvios ortográficos.

Ao observar os resultados dos estudantes que já concluíram o Ensino Fundamental e ingressaram no Ensino Médio, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), coordenado pela OCDE, e que avalia estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências, permitindo comparações internacionais e a análise de tendências ao longo do tempo, os resultados do PISA 2022 indicam que o Brasil permanece nas últimas posições do ranking mundial, com desempenho significativamente abaixo da média da OCDE em todas as áreas avaliadas (INEP, 2023c). Em leitura, apenas 52% dos estudantes brasileiros atingiram o nível mínimo de proficiência (Nível 2), enquanto a média da OCDE é de 74%. O desempenho tem se mantido estável desde 2018, sem grandes avanços, e as desigualdades socioeconômicas e regionais persistem como fatores determinantes das lacunas de aprendizagem.

Em síntese da situação brasileira, em si e no panorama mundial, o relatório do INEP (Brasil, 2023) aponta que os índices estão estagnados desde 2009, revelando que os estudantes brasileiros saem do Ensino Fundamental sem domínio sólido da leitura. O documento destaca, assim, a urgência de medidas para mitigar os impactos negativos na aprendizagem, evidenciando a necessidade de investimentos em políticas educacionais mais eficazes. Segundo documentos oficiais nacionais, o quadro atual exige políticas públicas integradas, baseadas em evidências científicas, que articulem o ensino da leitura, a formação docente, o desenvolvimento socioemocional e a redução das desigualdades estruturais (Brasil, 2020; Brasil; MEC, 2023). Nessa direção, a produção sobre o tema pode ser fundamental para orientar políticas e práticas e, a pesquisa ora apresentada destina-se a contribuir para a reflexão a respeito dessa conexão e para impulsionar um engajamento de investigações que produzam evidências científicas com impacto social, incidindo de maneira responsável nas políticas educacionais.

Assim, este artigo se dedica a uma revisão bibliográfica que visa delimitar e mapear o campo de estudo, permitindo identificar as principais tendências, lacunas e avanços na área investigada e proporcionando uma visão mais precisa de como as pesquisas estão evoluindo, e em que medida respondem às demandas sociais (Campos; Caetano; Gomes, 2023; Galvão; Ricarte, 2019; Girardi, 2020).

É nessa direção que se enquadra a revisão bibliográfica sistemática aqui apresentada, que teve por objetivo: identificar artigos decorrentes de pesquisas brasileiras que apresentem evidências científicas (de impacto social e científico) acerca de práticas que favoreçam o desenvolvimento da aprendizagem da leitura em contexto escolar, tendo como recorte o segmento dos anos iniciais do Ensino Fundamental.

A metodologia

A revisão bibliográfica sistemática utiliza a literatura existente como fonte de dados, aplicando métodos explícitos e sistematizados de busca, apreciação crítica e síntese das informações selecionadas, integrando os resultados de diferentes estudos em um panorama consistente e rigoroso sobre o tema investigado (Galvão; Ricarte, 2019; Campos; Caetano; Gomes, 2023).

A revisão seguiu as diretrizes metodológicas da declaração “The Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses” (PRISMA, 2020), um protocolo amplamente reconhecido e utilizado para a condução sistemática e transparente de revisões bibliográficas. Esse protocolo apresenta um conjunto de diretrizes rigorosas que auxiliam na elaboração e na apresentação de revisões sistemáticas e meta-análises, promovendo a clareza, a consistência e a replicabilidade do processo de revisão.

A partir da lista de verificação dos sete tópicos do PRISMA 2020 (Page et al., 2021) para métodos de pesquisa e elaboração de relatórios, a revisão seguiu os 27 parâmetros do protocolo, amparando-se nas seguintes etapas: (a) definição do banco de dados a ser pesquisado, (b) definição dos critérios de inclusão e exclusão, (c) identificação dos estudos relevantes para a temática, (d) seleção dos estudos a partir dos critérios de inclusão definidos para o estudo, (e) extração de dados a partir de leitura e tabulação em fichamento, (f) análise estatística dos dados, (g) interpretação dos resultados quantitativos e qualitativos à luz dos objetivos da pesquisa e das características dos estudos incluídos, considerando a consistência dos resultados, a magnitude do efeito estimado e a robustez das conclusões dos estudos.

Definiu-se como base de dados a Scientific Electronic Library Online (SciELO), rede que reúne revistas científicas em texto integral de diversas áreas do conhecimento, abrangendo 17 países e mais de 1.200 periódicos de acesso aberto. Em 2019, consolidada como a maior biblioteca científica digital da América Latina, contava com cerca de 700 mil artigos e uma média anual de 1,2 milhão de downloads (Packer, 2019), evidenciando sua relevância como universo documental que sustentou a investigação.

Quanto à definição dos critérios de inclusão e exclusão, consideraram-se os aspectos apresentados no Quadro 1.

Quadro 1
Critérios de inclusão e exclusão

Para a identificação dos estudos relevantes para a temática (aprendizagem da leitura), buscou-se como parâmetro de definição dos descritores junto ao Thesaurus Brasileiro da Educação (Brased). A partir da busca com a palavra “leitura”, foram listados 53 termos correlacionados, compreendidos como descritores (D). Dentre eles, selecionaram-se os considerados mais pertinentes aos objetivos da pesquisa: (D1) aprendizagem da leitura, (D2) ensino da leitura, (D3) aptidão para leitura, (D4) maturidade para leitura, (D5) bateria de avaliação dos comportamentos iniciais de leitura - BACIL -, (D6) clube de leitura, (D7) democratização da leitura, (D8) desenvolvimento da leitura, (D9) dificuldade na leitura, (D10) estímulo à leitura, (D11) habilidade de leitura, (D12) melhoria da leitura, (D13) níveis de leitura, (D14) comportamento leitor. Não foram utilizados os operadores booleanos “AND”, “OR” e “NOT”, apenas o uso de aspas para indicar a busca por termos, não por palavras.

A busca ocorreu no período de 10 de agosto a 15 de outubro de 2023, totalizando, sem filtragem, 2.545 artigos. A partir desse levantamento, iniciou-se o processo de filtragem: o primeiro recorte realizado foi o temporal, selecionando as produções publicadas entre 2013 e 2023, reduzindo o quantitativo a 1.532 artigos. Em seguida, mediante a leitura do título e do resumo, foram excluídos 1.032 artigos que não abordavam diretamente a temática. Por fim, foram identificados 174 artigos duplicados, chegando-se a um corpus de 326 artigos para leitura na íntegra.

Diretamente articulada a esse processo, realizou-se a importação dos resultados para uma planilha em Excel, na qual foram registrados os elementos definidores dos critérios de inclusão e de exclusão ao corpus da revisão. Todavia, diante da quantidade de artigos a serem analisados, decidiu-se priorizar, na análise, os estudos indexados em periódicos classificados, no momento da investigação, como Qualis A13 junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), chegando-se a 98 artigos. Desses, 33 artigos (35%) atenderam a todos os critérios de inclusão definidos para a investigação e seguiram para análise.

Resultados e discussão dos dados

O estudo dos 33 artigos, a partir da leitura integral dos textos e dos dados organizados no guia de extração, permitiu a categorização dos resultados em quatro grupos, caracterizados a partir dos elementos que abordam a aprendizagem da leitura nos anos iniciais do Ensino Fundamental, conforme disposto no Quadro 2.

Quadro 2
Categorias de análise

Fatores de pré-alfabetização

A primeira categoria aborda fatores de pré-alfabetização, destacando habilidades prévias que subsidiam a alfabetização como consciência fonológica, conhecimento do alfabeto, aspectos cognitivos de base, vocabulário e compreensão oral da linguagem consideradas fatores que desempenham um papel crucial no desenvolvimento da leitura. Integram esta categoria os artigos: Michalick-Triginelli e Cardoso-Martins (2015), Monteiro e Soares (2014), Justi et al. (2020) e Cunha, Silva e Cappellini (2012).

Uma notável concordância entre os estudos desta categoria é o impacto da fluência da leitura para a compreensão do texto, destacando a importância do automatismo na identificação de palavras. Cunha, Silva e Cappellini (2012) ressaltam a existência de uma correlação negativa entre velocidade de leitura e tempo total de leitura em todos os grupos investigados. Os autores evidenciam que a compreensão da leitura foi afetada pela fluência e precisão na identificação de palavras, sinalizando a complexidade dessa habilidade. Nessa linha, os autores indicam a necessidade de abordagens diferenciadas para lidar com dificuldades específicas na compreensão da leitura, envolvendo tanto habilidades básicas de reconhecimento de palavras, quanto estratégias que promovam a compreensão global do texto, incluindo habilidades linguísticas, memória, inferência e conhecimento de mundo.

Outro ponto de convergência entre os estudos desta categoria é a necessidade de intervenções específicas para lidar com dificuldades específicas na compreensão da leitura. Diante disso, a ênfase na identificação precoce de crianças em risco de dificuldades de leitura é um aspecto pontuado tanto no estudo de Michalick-Triginelli e Cardoso-Martins (2015) quanto no de Justi et al. (2020), apresentando instrumentos para a identificação de preditores específicos, como consciência fonêmica e Conhecimento de Nomes de Letras (LNK), na identificação dessas dificuldades. Enquanto o estudo de Michalick-Triginelli e Cardoso-Martins (2015) se concentra na consciência fonêmica e na nomeação automática rápida (RAN), o de Justi et al. (2020) destaca o LNK como um forte preditor. Ambos os estudos ressaltam a relevância de intervenções preventivas para auxiliar os estudantes no processo de aprendizagem, minimizando as possibilidades de dificuldades de leitura. Todavia, não apresentam dados sobre práticas pedagógicas capazes de mitigar tais dificuldades.

Monteiro e Soares (2014) investigam as estratégias de leitura de palavras em crianças do Ensino Fundamental. Os resultados apontam que aprender apenas o nome das letras, sem correlacioná-lo com o som correspondente, pode prejudicar a aprendizagem da leitura. Além disso, estratégias de leitura que se baseiam na combinação de uma consoante e uma vogal, associadas a um conhecimento parcial das regras de correspondência letra-som e à dificuldade na análise de estruturas silábicas não canônicas podem atrasar o processo de aprendizagem.

Como possibilidade de superação das dificuldades, Monteiro e Soares (2014) indicam o ensino explícito e sistemático das correspondências letra-som e das estruturas silábicas nas atividades de alfabetização. Integrar procedimentos de distinção, segmentação e manipulação de unidades sonoras à análise de seus correspondentes na escrita é apresentado como possível um favorecedor do desenvolvimento das habilidades de leitura das crianças.

Cabe destacar que há divergências nos métodos e focos de cada estudo agrupado nesta categoria analítica, como o uso de diferentes instrumentos de avaliação e perspectivas teóricas, que podem levar a resultados variados. Enquanto Justi et al. (2020) destacam a relevância do Conhecimento de Nomes de Letras como um forte preditor das habilidades de leitura e escrita, Cunha, Silva e Cappellini (2012) e Monteiro e Soares (2014) discutem a importância de fatores como a fluência na leitura e habilidades cognitivas de alto nível.

Há estudos que enfatizam a importância da via fonológica na leitura, enquanto outros ressaltam a via lexical como uma estratégia eficaz, especialmente para palavras familiares. O estudo de Michalick-Triginelli e Cardoso-Martins (2015) investiga especificamente a relação entre consciência fonêmica, RAN e dificuldades persistentes de leitura. O de Monteiro e Soares (2014) se concentra nas estratégias de leitura de palavras, como a associação entre conhecimento das letras e decodificação de estruturas silábicas. Já Cunha, Silva e Cappellini (2012) examinam as habilidades básicas de leitura e de compreensão, diferenciando estudantes com e sem dificuldades de aprendizagem.

Esse conjunto de achados sinaliza que a leitura é uma habilidade multifacetada, sustentada por diferentes vias cognitivas e estratégias, e que a compreensão plena depende tanto do desenvolvimento de habilidades básicas quanto da identificação precoce de preditores de dificuldades. Tais aspectos que apontam para a necessidade de práticas pedagógicas integradas, que contemplem múltiplas rotas de aprendizagem e intervenções. Nesse sentido, direcionam a reflexão para estratégias pedagógicas que contemplem tanto o desenvolvimento de habilidades básicas de decodificação quanto o estímulo à compreensão global, envolvendo aspectos linguísticos, memória, inferência e conhecimento de mundo.

Ainda como contribuições para a prática pedagógica, encontram-se em Monteiro e Soares (2014) a importância do ensino explícito e sistemático das correspondências letra-som e das estruturas silábicas e em Cunha, Silva e Cappellini (2012), a necessidade de uma abordagem não reducionista, que envolva tanto habilidades básicas de reconhecimento de palavras quanto estratégias que promovam a compreensão global do texto.

As discussões sobre as diferentes estratégias de leitura, como a via fonológica e a via lexical, oferecem orientações para o desenvolvimento de programas de intervenção adaptados às necessidades individuais dos estudantes. Contudo, as divergências nos resultados e abordagens metodológicas destacam a complexidade da aprendizagem da leitura e a necessidade contínua de pesquisa e desenvolvimento de práticas baseadas em evidências que demonstrem impacto social efetivo.

Métodos, estratégias e recursos de ensino da leitura

Quanto à segunda categoria do estudo, encontram-se investigações que abordam elementos dos métodos, das estratégias e dos recursos de apoio ao desenvolvimento da leitura. A saber: Fabri et al. (2022), Sargiani et al. (2015), Dias et al. (2015), Almeida e Giordan (2014), Ruiz (2022), Assis et al. (2021), Kirchof e Silveira (2018), e Basso (2017).

O reconhecimento das estratégias cognitivas e metacognitivas junto às práticas de desenvolvimento da leitura é um aspecto tratado tanto por Fabri et al. (2022), destacando a necessidade dessas estratégias para o controle e autocontrole dos processos de aprendizagem, quanto por Sargiani et al. (2015) ao indicarem que métodos e atividades que desenvolvem essas habilidades podem promover uma aprendizagem eficaz da linguagem escrita e da leitura.

Dias et al. (2015) e Basso (2017) tratam da importância de adequaras estratégias de ensino ao longo dos anos escolares diante da progressiva demanda de maior complexidade nas habilidades de leitura.

Almeida e Giordan (2014), Ruiz (2022) e Assis et al. (2021) reconhecem a influência da leitura no processo de aprendizagem de outras habilidades e conhecimentos. Os autores enfatizam a pertinência de articular de métodos e estratégias de ensino que vinculem a prática da leitura a elementos interdisciplinares. Nesse sentido, Almeida e Giordan (2014) abordam a leitura vinculada à alfabetização científica, Ruiz (2022) ressalta as estratégias cognitivas envolvidas na relação entre brincar e ler, e Assis et al. (2021) exploram a interligação entre habilidades de leitura, matemática e funções executivas na aprendizagem.

Os estudos variam em termos de abordagem metodológica e foco de pesquisa. Fabri et al. (2022) e Sargiani et al. (2015) utilizam análises estatísticas para examinar a relação entre diferentes variáveis e o desempenho em leitura. Almeida e Giordan (2014) e Basso (2017) adotam abordagens mais qualitativas para investigar aspectos específicos da aprendizagem.

Os estudos desta categoria evidenciam que o desenvolvimento da leitura não depende apenas da decodificação de palavras, mas também da mobilização de estratégias cognitivas e metacognitivas, fundamentais para o controle dos processos de aprendizagem (Fabri et al., 2022; Sargiani et al., 2015). Há consenso sobre a necessidade de adequar métodos e estratégias ao longo da escolaridade, acompanhando a crescente complexidade da habilidade leitora (Dias et al., 2015; Basso, 2017). Outro ponto é a articulação interdisciplinar da leitura, que se mostra vinculada à alfabetização (Almeida; Giordan, 2014; Ruiz, 2022; Assis et al., 2021). Apesar das diferenças metodológicas, todos os estudos convergem ao destacar que a leitura é uma competência multifacetada, que exige tanto o domínio de habilidades básicas quanto a aplicação de estratégias complexas e contextualizadas.

As pesquisas levam, portanto, à reflexão de que práticas pedagógicas eficazes devem contemplar o desenvolvimento de estratégias cognitivas e metacognitivas, a adaptação contínua das metodologias ao nível de complexidade da leitura e a integração da leitura com outras áreas do conhecimento.

Dificuldades de leitura, com foco em estudantes público-alvo da educação especial

Nesta categoria integram-se os estudos de Barby e Guimarães (2016), Gomes e Souza (2016), Medina e Guimarães (2021), Ribeiro et al. (2021), Silva e Cavalcanti (2021) e Pelosi et al. (2018).

A pesquisa de Barby e Guimarães (2016) avalia o impacto de um programa de intervenção pedagógica no desenvolvimento da leitura e da escrita em cinco crianças com Síndrome de Down (SD) no início da alfabetização. Os autores pontuam que, apesar das limitações do estudo, como o pequeno número de participantes e a ausência de um grupo de controle, a pesquisa oferece uma resposta educativa concreta para as dificuldades na alfabetização de estudantes com Síndrome de Down, mostrando que eles não enfrentam desafios qualitativamente diferentes dos estudantes com desenvolvimento típico. Diante disso, sugere-se que, embora possam exigir maior tempo de ensino e adaptações nas atividades, as estratégias de aprendizagem utilizadas por estudantes com SD são semelhantes às dos demais estudantes.

Gomes e Souza (2016) investigam as dificuldades enfrentadas por estudantes com transtorno do espectro autista ao adquirir habilidades de leitura, buscando compreender os efeitos de um procedimento de ensino direto de nomeação de sílabas e figuras para estabelecer a leitura combinatória com compreensão. Os resultados mostram melhorias significativas no desempenho em áreas como a leitura oral de palavras, compreensão de leitura e identificação de palavras impressas após a intervenção. No entanto, os autores ressaltam a necessidade de avaliações mais amplas e da replicação do estudo em diferentes contextos educacionais, a fim de possibilitar a generalização dos resultados.

Realizando correlações entre desempenho em leitura, consciência fonêmica e funções executivas em 28 estudantes, com idades entre 9 e 11 anos, com e sem dislexia, Medina e Guimarães (2021) mostram diferenças significativas em várias funções executivas entre os grupos, incluindo flexibilidade cognitiva, memória de trabalho e controle inibitório. Diante disso, Medina e Guimarães (2021) indicam forte correlação entre o desempenho em tarefas de consciência fonêmica e leitura, bem como funções executivas, sugerindo que intervenções focadas nesses aspectos podem melhorar o desempenho em leitura em indivíduos com dislexia. Os autores ainda recomendam a realização de estudos adicionais para investigar as causas e os efeitos dessas relações, bem como o impacto de intervenções voltadas ao desenvolvimento das funções executivas sobre o desempenho em leitura.

Ribeiro et al. (2021) investigaram os padrões de leitura em oito crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com foco no reconhecimento de palavras, compreensão de leitura e fluência, além de sua relação com vocabulário e inteligência geral. Os resultados mostram que as crianças com TEA apresentaram desempenho mediano no reconhecimento de texto e fluência, mas com uma distribuição mais acentuada de desempenho inferior e muito inferior na compreensão de texto. Os autores destacam a existência de padrões específicos de leitura em crianças com TEA, com dificuldades de compreensão especialmente em textos narrativos, e ressaltam a importância de investigações mais detalhadas sobre as relações entre leitura e outras variáveis cognitivas.

Analisando em que medida as intervenções com atividades de consciência fonológica (CF) estimulam o desenvolvimento da escrita e da leitura em um estudante com deficiência intelectual e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, Silva e Cavalcanti (2021) apresentam o estudo de caso junto a um estudante do 1º ano do Ensino Fundamental. Os autores demonstram avanços significativos na escrita alfabética e nas habilidades de CF após as intervenções, destacando que estratégias pedagógicas simples podem promover progresso mesmo em estudantes com dificuldades de aprendizagem. O estudo revela que as intervenções pedagógicas planejadas e alinhadas aos conteúdos da sala de aula foram cruciais para os avanços, ressaltando a importância de abordagens pedagógicas mais inclusivas e intencionais para atender às necessidades desses estudantes.

Por meio de um estudo de caso coletivo, envolvendo cinco crianças e adolescentes com Síndrome de Down, Pelosi et al. (2018) investigam se a estimulação sistemática das habilidades cognitivo-linguísticas, especialmente as fonológicas, pode favorecer a aprendizagem da leitura e da escrita nesse grupo. Foram aplicadas intervenções por meio de oficinas de estimulação, coordenadas por profissionais das áreas de Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Pedagogia, com avaliações individuais para acompanhar a evolução das habilidades fonológicas. Os resultados mostram progresso individual nas habilidades linguísticas, como leitura, escrita e interpretação de textos, após as oficinas. No entanto, a evolução na consciência fonológica variou entre os participantes. Os autores destacam que a intervenção teve um impacto positivo no desenvolvimento das habilidades linguísticas, apesar das limitações do estudo, sugerindo a eficácia da estimulação sistemática para a aprendizagem da leitura e escrita em pessoas com síndrome de Down.

Os estudos desta categoria abordam diferentes grupos com necessidades educacionais específicas, como Síndrome de Down, autismo, dislexia e deficiência intelectual, refletindo sobre a diversidade de desafios enfrentados na aprendizagem da leitura em cada particularidade. As intervenções pedagógicas variam em termos de metodologia, duração, intensidade e materiais utilizados, adaptando-se às características específicas de cada grupo e contexto educacional. Contudo, observa-se que todos os estudos ressaltam a importância de intervenções pedagógicas intencionais, claras e sistemáticas para promover a aprendizagem da leitura em grupos com necessidades educacionais específicas. Dentre as intervenções que favoreceram o desenvolvimento da leitura destacam-se aquelas voltadas ao estímulo da consciência fonológica, da compreensão textual e do reconhecimento de palavras.

Sob esta perspectiva, evidencia-se que a intervenção pedagógica intencional é decisiva para promover avanços na leitura em grupos com necessidades educacionais específicas. Reforçando que a leitura é uma habilidade que pode ser desenvolvida em diferentes perfis de estudantes, desde que haja práticas inclusivas, adaptadas e sustentadas por metodologias consistentes.

Instrumentos de avaliação quanto à fluência leitora e o domínio da leitura

Com estudos que visam quantificar e mensurar o domínio da fluência leitora e da leitura, integram esta categoria os artigos de Simões e Martins (2018), Suehiro e Santos (2015), Pereira et al. (2021), Cunha e Capellini (2017), Viana et al. (2017), Cardoso-Martins e Navas (2016), Guimarães e Mota (2016), Kida et al. (2015), Gomes e Boruchovitch (2015), Martins e Capellini (2014), Carvalho et al. (2013), Pinheiro et al. (2015), Freitag et al. (2009), Barbosa et al. (2015) e Mota et al. (2013).

Os estudos desta categoria apresentam diversidade de abordagens e perspectivas no campo da avaliação e da compreensão da leitura, destacando tanto a importância de aspectos cognitivos quanto de aspectos motivacionais e linguísticos.

Estudos como os de Simões e Martins (2018) e Pereira et al. (2021) examinam o desenvolvimento da fluência leitora ao longo dos anos escolares, identificando mudanças nos padrões de erro e sugerindo a fluência como um indicador de competência de leitura. Entretanto, enquanto Simões e Martins (2018) se concentram na análise de erros para compreender estratégias e evolução cognitiva, Pereira et al. (2021) investigam a fluência como um indicador de competência, especialmente para estudantes com necessidades especiais.

Suehiro e Santos (2015) e Cardoso-Martins e Navas (2016) se concentram na avaliação de habilidades específicas, como consciência fonológica e fluência, destacando a importância dessas habilidades na prática educacional. Suehiro e Santos (2015) avaliam a eficácia de instrumentos de avaliação e Cardoso-Martins e Navas (2016) examinam como a fluência contribui para a compreensão da leitura, independentemente de outras habilidades.

Estudos como os de Cunha e Capellini (2017) e Viana et al. (2017) desenvolvem e avaliam programas de intervenção para melhorar a compreensão de leitura. Enquanto estudos como de Guimarães e Mota (2016) e Gomes e Boruchovitch (2015) exploram a contribuição de fatores linguísticos e motivacionais para a leitura. Guimarães e Mota (2016) investigam a contribuição da consciência morfológica para a leitura em português e Gomes e Boruchovitch (2015) propõem e validam uma escala de motivação para a leitura.

Carvalho et al. (2013) e Pinheiro et al. (2015) centram-se na avaliação e na adaptação de instrumentos de avaliação da leitura para a língua portuguesa. O primeiro utiliza a Teoria de Resposta ao Item para analisar a qualidade de um instrumento já existente, ampliando sua precisão diagnóstica. Já o segundo, adaptando um subteste de leitura para avaliar o desempenho de crianças em diferentes níveis de escolaridade, oferecendo um recurso metodológico que possibilita identificar com maior clareza as competências e as dificuldades em leitura.

Por sua vez, estudos como os de Barbosa et al. (2015) e Mota et al. (2013) investigam o desenvolvimento de habilidades metalinguísticas, como memória de trabalho fonológica e consciência morfológica. Barbosa et al. (2015) examinam o desenvolvimento da memória de trabalho fonológica em diferentes séries do Ensino Fundamental, enquanto Mota et al. (2013) investigam o desenvolvimento da consciência morfológica em diferentes faixas etárias.

Todos esses estudos, em conjunto, fornecem uma visão abrangente das diferentes pesquisas realizadas sobre a avaliação e à compreensão da leitura em contextos educacionais. Embora os instrumentos de mensuração e avaliação da leitura sejam importantes e ofereçam subsídios relevantes ao ensino da leitura, eles não apresentam, de fato, como realizar ou como assegurar a plena aprendizagem da leitura. Esses instrumentos são valiosos para identificar níveis de competência e áreas que necessitam de intervenção, contudo, a implementação de estratégias eficazes para assegurar a aprendizagem completa ainda depende de abordagens pedagógicas específicas e práticas de ensino direcionadas, que precisam ser desenvolvidas e investigadas quanto aos seus impactos de aprendizagem.

Conclusões

Os artigos analisados nesta revisão bibliográfica abrangem uma ampla gama de perspectivas e abordagens relacionadas à aprendizagem da leitura, que podem ser assim sistematizados: (1) o reconhecimento da consciência fonêmica e da fluência na leitura para a compreensão do texto, destacando-se a necessidade de automatismo na identificação de palavras, enfatizando o papel crucial dessas habilidades no processo de leitura; (2) o consenso sobre a importância de intervenções preventivas, pontuais e diferenciadas para lidar com dificuldades específicas na compreensão da leitura, sendo a identificação precoce de crianças em risco de dificuldades de leitura destacada como um aspecto crucial para promover o sucesso acadêmico; (3) a importância do ensino explícito e sistemático, destacado por alguns estudos, como as correspondências letra-som, estruturas silábicas e outras estratégias de reconhecimento de palavras para promover a aprendizagem da leitura; (4) articulação entre habilidades de leitura e outras áreas do conhecimento, como matemática, funções executivas e inteligência emocional, reconhecendo a influência da leitura no processo de aprendizagem de outras habilidades e conhecimentos.

Todos os artigos analisados nesta revisão, independentemente de suas abordagens metodológicas ou focos específicos, contribuem de forma significativa para a compreensão e para a ação no campo do ensino e da aprendizagem da leitura, com ênfase na alfabetização. Os estudos que abordam fatores de pré-alfabetização, como os de Michalick-Triginelli e Cardoso-Martins (2015), Justi et al. (2020) e Cunha, Silva e Cappellini (2012), evidenciam que o desenvolvimento de habilidades como consciência fonológica, nomeação automática rápida e conhecimento do alfabeto está diretamente relacionado à melhoria da fluência e da compreensão textual. No campo dos métodos e das estratégias de ensino, pesquisas como as de Fabri et al. (2022), Sargiani et al. (2015) e Almeida e Giordan (2014) demonstram que intervenções baseadas em estratégias cognitivas, metacognitivas e interdisciplinares promovem avanços significativos na leitura. Já os estudos voltados a estudantes público-alvo da educação especial, como os de Barby e Guimarães (2016), Gomes e Souza (2016) e Medina e Guimarães (2021), mostram que intervenções pedagógicas adaptadas às especificidades desses grupos resultam em progressos concretos na leitura e na escrita.

Por fim, os estudos que tratam dos instrumentos de avaliação, como os de Simões e Martins (2018), Suehiro e Santos (2015) e Cardoso-Martins e Navas (2016), oferecem evidências de que a mensuração da fluência e da compreensão leitora permite identificar com precisão os níveis de competência dos estudantes, subsidiando intervenções pedagógicas mais eficazes. Sob diferentes perspectivas, os estudos revelam que intervenções, estratégias e avaliações modificam para melhor a condição inicial dos estudantes, seja pelo desenvolvimento da fluência, pela ampliação da compreensão textual ou pelo fortalecimento de competências cognitivas. Essa constatação reforça o papel da produção científica nacional como suporte essencial para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que visam garantir avanços concretos na alfabetização e na formação de leitores autônomos.

No entanto, é perceptível que a maioria dos estudos examinados (44%), se concentra na análise de procedimentos e ferramentas de avaliação da leitura, abordando tanto o processo de desenvolvimento da habilidade quanto a fluência leitora. Isso indica um forte investimento em estudos que buscam quantificar e mensurar o progresso na aprendizagem e no domínio da leitura. Embora esses estudos sejam valiosos para entender o progresso dos estudantes e identificar áreas que necessitam de intervenção, eles não fornecem orientações detalhadas sobre como implementar práticas pedagógicas eficazes no dia a dia das salas de aula.

É importante ressaltar que essa predominância nas pesquisas ocorre em detrimento de estudos que explorem práticas pedagógicas específicas e detalhadas que contribuem para o sucesso da aprendizagem da leitura. Essa discrepância sugere uma lacuna significativa na literatura acadêmica, destacando a necessidade urgente de mais pesquisas que investiguem e evidenciem estratégias de ensino da leitura que sejam práticas, acessíveis e eficazes em ambientes educacionais reais. Sem essas pesquisas, os educadores podem carecer de orientações concretas sobre como melhorar a instrução da leitura de maneira que atenda às necessidades diversas dos estudantes.

Conclui-se, assim, a necessidade de continuidade das pesquisas e desenvolvimento de práticas de leitura baseadas em evidências que demonstrem real impacto na aprendizagem dos estudantes. Pacotes de atividades de leitura têm sido financiados por governos e ofertados por especialistas. Nesse contexto, a ausência de pesquisas que documentem e avaliem sistematicamente os efeitos dessas propostas pedagógicas levanta a necessidade de compreender melhor os fundamentos teóricos e metodológicos que orientam a elaboração e a aplicação de tais atividades em larga escala.

A diversidade de abordagens e de resultados das pesquisas aqui analisadas ressalta a complexidade da aprendizagem da leitura e a importância de investigações adicionais para o avanço nesse campo. Investir em pesquisas que explorem práticas pedagógicas comprovadamente eficazes é essencial para garantir que todos os estudantes tenham a oportunidade de desenvolver plenamente suas habilidades de leitura, contribuindo assim para um impacto social positivo e duradouro nas suas vidas.

Agradecimento

Agradecimento à FAPESP pelo financiamento de projeto de pesquisa no edital Melhoria do Ensino Público: “Atuações Educativas de Êxito: aprendizagem, melhorias da convivência e formação continuada de professores com base em evidências científicas”.

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    Disponibilidade de dados: Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.
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    A nomenclatura Qualis era um sistema de classificação utilizado pela CAPES no Brasil para avaliar a qualidade dos periódicos científicos. O estrato Qualis A1 referia-se aos periódicos de mais alta qualidade em uma determinada área do conhecimento, sendo os periódicos considerados mais prestigiados e influentes em uma determinada área. Os artigos publicados em periódicos deste estrato tendiam a ter maior visibilidade e reconhecimento dentro da comunidade científica nacional.

Editado por

  • Editora:
    Profa. Dra. Ana Luís Paz

Disponibilidade de dados

Disponibilidade de dados: Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    01 Jun 2026
  • Data do Fascículo
    2026

Histórico

  • Recebido
    28 Fev 2025
  • Revisado
    07 Out 2025
  • Aceito
    10 Fev 2026
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