A Autoavaliação Institucional (AAI), prevista no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), configura-se como um instrumento estratégico para a qualificação da gestão nas Instituições de Educação Superior (IES). Entretanto, a literatura e a prática demonstram que sua apropriação efetiva como ferramenta de gestão permanece limitada e marcada por heterogeneidade entre as instituições. Este artigo analisa como gestores educacionais compreendem, utilizam e atribuem valor à AAI em três IES brasileiras de naturezas jurídico-administrativas distintas, com foco em sua efetividade como mecanismo de gestão estratégica. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza aplicada e com objetivos descritivo-exploratórios, fundamentada em um estudo de casos múltiplos. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com diretores e coordenadores de curso, complementadas por análise documental, utilizando-se a técnica de análise de conteúdo. Os resultados apontam diferentes níveis de institucionalização da AAI, sendo esta mais efetiva quando articulada ao planejamento, à gestão e à participação coletiva. Observou-se que a eficácia e a eficiência da AAI não decorrem de sua mera formalização, mas do uso concreto de seus resultados para apoiar a tomada de decisões. Conclui-se que o valor estratégico da AAI depende da cultura avaliativa institucional, do engajamento dos atores e da integração de seus resultados aos processos decisórios.
Palavras-chave:
Autoavaliação institucional; Cultura avaliativa; Educação superior; Planejamento.