Open-access Memória editorial e cultura acadêmica: Afrânio Mendes Catani e a história de Educação e Pesquisa

Editorial memory and academic culture: Afrânio Mendes Catani and the history of Educação e Pesquisa

Resumo

A entrevista concedida por Afrânio Mendes Catani a Roni Cleber Dias de Menezes integra as comemorações pelos 50 anos da revista Educação e Pesquisa, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. O depoimento recompõe a trajetória histórica do periódico, desde o período em que se denominava Revista da Faculdade de Educação, destacando o papel da antiga Comissão de Publicações e as condições materiais sob as quais se realizava o trabalho editorial. Catani descreve a ausência de estrutura administrativa, a escassez de recursos e a dependência da colaboração voluntária de docentes e funcionários, o que evidencia o caráter coletivo e artesanal da produção científica nas décadas de 1980 e 1990. A narrativa recupera tensões internas, disputas de gestão e o processo de consolidação do periódico sob o novo título Educação e Pesquisa, antecedendo seu ingresso na base SciELO. Ao mesclar humor, crítica e rememoração, o testemunho de Catani ilumina aspectos pouco visíveis da vida universitária, revelando mediações, improvisos e negociações que sustentaram o projeto editorial. Sua fala inscreve-se na história institucional da Faculdade de Educação e permite compreender como a consolidação da revista reflete a construção de uma cultura acadêmica marcada pelo compromisso público com o conhecimento e pela persistência coletiva diante das limitações estruturais da universidade brasileira.

Palavras-chave:
Educação e Pesquisa; História editorial; Publicações acadêmicas; Cultura universitária; Memória institucional

Abstract

The interview granted by Afrânio Mendes Catani to Roni Cleber Dias de Menezes is part of the fiftieth-anniversary celebrations of Educação e Pesquisa, the journal of the School of Education at the University of São Paulo. Catani’s testimony reconstructs the historical trajectory of the journal, from the period when it was still titled Revista da Faculdade de Educação, emphasizing the role of the former Publications Committee and the material conditions under which editorial work was carried out. He describes the lack of administrative structure, limited financial resources, and reliance on voluntary collaboration by faculty and staff, highlighting the collective and artisanal nature of scholarly production during the 1980s and 1990s. The narrative revisits internal tensions, leadership disputes, and the process of consolidating the journal under its new title, Educação e Pesquisa, prior to its inclusion in the SciELO database. Blending humor, critique, and recollection, Catani’s account sheds light on often-invisible aspects of university life, revealing the mediations, improvisations, and negotiations that sustained the editorial project. His words inscribe themselves in the institutional history of the School of Education, showing how the journal’s consolidation mirrors the development of an academic culture grounded in public commitment to knowledge and in collective persistence amid Brazil’s structural limitations in higher education.

Keywords:
Educação e Pesquisa; Editorial history; Academic publishing; University culture; Institutional memory

Apresentação

A entrevista que se segue integra as ações comemorativas pelos 50 anos da revista Educação e Pesquisa, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP). Conduzida por Roni Cleber Dias de Menezes, professor da FEUSP e editor-assistente de Educação e Pesquisa, a conversa com o professor Afrânio Mendes Catani recupera momentos decisivos da história editorial da revista, sobretudo do período em que ela ainda se denominava Revista da Faculdade de Educação. O testemunho de Afrânio Catani, editor-chefe da revista entre 1996 e 1998 e docente na instituição, oferece um registro importante sobre o funcionamento da antiga Comissão de Publicações da FEUSP e sobre o modo como o periódico, pouco a pouco, foi se afirmando como espaço de produção e difusão do pensamento educacional.

O relato recompõe o cotidiano de um trabalho realizado em condições muito diferentes das atuais: sem estrutura administrativa, com escassos recursos financeiros e forte dependência da dedicação voluntária de professores e funcionários. O que se narra na entrevista revela não apenas as dificuldades enfrentadas, mas também o empenho coletivo que garantiu a manutenção e a consolidação do periódico, já sob o nome Educação e Pesquisa, bem como o posterior ingresso na base da SciELO. Trata-se de um testemunho sobre a persistência e o sentido público de um projeto acadêmico que soube atravessar décadas de mudanças institucionais e tecnológicas.

Ao rememorar essa história, Afrânio Catani imprime à narrativa um tom de humor e franqueza – características suas tão bem conhecidas – que ilumina aspectos muitas vezes invisíveis da vida universitária: as negociações, os improvisos, as parcerias e os conflitos que fazem parte da construção cotidiana de uma revista científica. Sua fala permite reconhecer o quanto a história editorial de Educação e Pesquisa é também a história da própria Faculdade de Educação, marcada pelo esforço coletivo de manter vivo um espaço de reflexão crítica sobre a escola, o ensino e o pensamento educacional brasileiro. Além disso, a entrevista convida leitores, pesquisadores e futuras equipes editoriais a refletirem sobre os valores que sustentam a vida acadêmica: a cooperação, o rigor intelectual e o compromisso público com o conhecimento.

Entrevista

Roni Cleber Dias de Menezes: Em nome dos editores-chefes da revista Educação e Pesquisa e de toda a Comissão Editorial, agradeço a você, Afrânio, por ter aceitado o convite para esta entrevista, a qual integra as celebrações pelo 50º aniversário da revista. As perguntas vão girar em torno do roteiro que lhe enviei na ocasião do convite. Para início de conversa, como você avalia o período em que atuou como editor-chefe?

Afrânio Mendes Catani: Eu entrei na faculdade em 1986 e algum tempo depois, acho que em 1989, fui designado para a Comissão de Publicações2. Ela era integrada, à época, pela Maria Tereza Fraga Rocco3, do EDM4, professora de Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa, e pelo presidente da Comissão – não sei se era o Zé Augusto Dias5, que estava saindo6, mas durante um bom tempo foi o Prof. João Teodoro D’Olim Marote7. Quem secretariava a Comissão era uma secretária da Biblioteca, a Maria Helena8. A Maria Helena era irmã daquele arquiteto conhecido, que faleceu há algum tempo, o Joaquim Guedes9. Permaneci na Comissão uns 13, 14 anos, eu acho. Depois do D’Olim veio o Prof. Nilson10, em seguida a Selma11. Eu fiquei uns dois anos, mais ou menos, e depois entrou a Belmira12, que modificou a revista. Era meio complicada a Comissão, pelo seguinte: quando a Belmira entrou, ela teve um grande apoio da Profa. Myriam13. Porque... como é que funcionava? Era uma coisa muito difícil trabalhar ali. A revista era semestral, então você não tinha nenhuma estrutura, só tinha uma secretária que trabalhava em tempo parcial para a revista – no início foi a Maria Helena Guedes, que eu mencionei há pouco. Havia principalmente duas dificuldades. A primeira: a infraestrutura era zero. Nós nos reuníamos numa sala qualquer da Biblioteca, a secretária trabalhava em tempo parcial, a gente cada vez tinha que fazer um projeto e encaminhar a uma comissão chamada Catálogo Coletivo de Periódicos. Nós entrávamos com esse projeto e... Para se ter uma ideia, para imprimir os exemplares tinha que se fazer uma espécie de uma tomada de preços ou licitação a cada número. Por exemplo, recebíamos um orçamento, vamos dizer, de R$8.000,00; o Catálogo Coletivo de Periódicos fornecia R$3.000,00; aí você tinha que pedir para a Direção, a Direção tinha que pegar o orçamento... Dos poucos exemplares dos números que eram vendidos, os recursos da venda não ficavam com a revista, então era muito complicado.

Roni: Você citou a Comissão de Publicações. Como ela era composta? Como funcionava?

Afrânio: Cabia ao diretor da Faculdade criar a Comissão. Inclusive, há um fato anedótico que ocorreu certa vez. Houve um problema lá qualquer, não me lembro, à época em que a diretora era a Profa. Anna Maria Pessoa de Carvalho14. A Anna Maria me chamou para comparecer à Diretoria. Fui até lá e ela começou a me passar um pito: “Não, porque não sei o quê...”. Falei: “Escuta, professora, vamos baixar o volume, porque é o seguinte: tem toda uma Comissão... Se é para passar pito, vou chamar a Comissão, a gente marca uma data e você passa pito”. “Não, mas quem é responsável é o presidente, é o editor” – ela disse. No que eu respondi: “Sim, mas eu não sou editor”. Daí ela pegou e mostrou a portaria para mim. “Acabei de nomear você”. Eu falei: “Ah, bom, aí eu posso... Então me dá esse papelzinho, muito obrigado pela confiança. Então, vamos ver”. A Anna Maria era uma pessoa difícil, às vezes, mas, ao mesmo tempo, ela não era, como é que eu vou dizer... Assim, a imagem que eu tenho dela não é de uma pessoa rancorosa. Então, às vezes, a gente falava os maiores impropérios para ela, quando ela vinha com as quatro patas, e a gente voltava com oito. Mas aí acabava a discussão numa boa. E uma vez – só um outro fato – eu apresentei um projeto para bolsa de produtividade do CNPq e o projeto foi aprovado no mérito, mas a bolsa não foi concedida. Aí, eu pensei: “Poxa vida, que coisa chata!”. Enfim, era o que acontecia, nunca tem verba para todo mundo. Aí, me falaram: “Por que que você não fala com a Profa. Anna Maria?”. Respondi: “Pô, mas ela é do comitê15, é chato, parece que eu estou indo lá fazer lobby”. E me responderam: “Não, fala com ela”. Eu fui lá e disse: “Profa. Anna Maria, eu quero marcar um horário com a senhora”. Ela respondeu: “Pode sentar. O que que é?”. Eu falei: “Não, a senhora é do...”. E ela: “Ah, tá bom, fecha a porta. Veja bem, eu sou do comitê. Eu não posso me manifestar quando é caso da USP, ainda mais da Faculdade”. Porém, ela tomou nota, pegou o caderninho dela, e me disse: “Olha, estão dizendo que você é muito teórico, você precisa fazer isso, e tal... Põe um problema empírico...”. Respondi: “Obrigado!”. Foi o que eu fiz no próximo projeto e, quando foi aprovado, procurei-a para agradecer. E o último episódio com a Anna Maria foi o seguinte: eu estava num semestre sabático e ela estava esperando um táxi na frente da Faculdade de Educação. E eu cheguei de táxi, desci e ela falou: “Faz tempo que eu não vejo você. Onde você está?”. Eu falei: “Ah! Estou no meu quinquênio sabático”. E ela: “Quinquênio sabático! Esse EDA vai me matar!”. Eu falei: “Não, professora, é um semestre sabático” [risos].

Mas o fato foi o seguinte, voltando à seriedade: durante todo esse tempo – era aquele princípio –, a pessoa mandava o texto, a gente dava uma olhada para ver se cabia ou não, e às vezes não cabia. Fazíamos a pré-avaliação e mandávamos para dois pareceristas. E esses pareceristas, com poucas exceções, ficavam, às vezes, dois anos para responder. Então cobra, e tal, e não sei o quê... E a revista saía sempre atrasada, porque tinha que entrar no Catálogo Coletivo de Periódicos, ou seja, situação bastante difícil. Se você se der ao trabalho de ver, por exemplo... Quer ver? Olha aqui, eu estou com o número... Ah, então, este número me custou uma briga com a Belmira. É o número de julho a dezembro de 1998. Se você abrir esse número, é feita uma errata. Eu fiquei até 1998 na chefia da editoria, mas está assim: de 1994 a 1997, eu como editor e, na Comissão Editorial, a Cynthia Pereira16, os membros, o Julinho – Julio Aquino17 –, a Maria Felisminda18, a Sandra19, a Selma [Garrido Pimenta] e depois as duas secretárias, a Elza Maeda e a Márcia Regina Franguelli, que escreviam editoriais – elas eram muito colaborativas. Bom, nesse momento entrou a Belmira, em 1998, e publicou o primeiro número, já botando a Comissão dela lá, sendo que o primeiro número já estava pronto. E aí eu disse para ela: “Escuta, o que que acontece?”. Ela respondeu: “Ah, mas isso é assim mesmo”. Falei: “Bom, então vou falar com o pró-reitor, porque isso tem um outro nome, que eu não vou dizer aqui o que que é”. Ao que a Belmira respondeu: “Não, mas não é possível, nós fomos nomeados”. Ao que retruquei: “Não tem importância, vocês foram nomeados, mas o número estava pronto, foi entregue o número pronto para você. E membros da Comissão, como eu sou editor, vieram falar comigo. Porque é assim que a gente faz: quem é membro não interpela o editor, essa interpelação se dá no nível editor-editor. Então, eu acho que cabe uma correção, se não, é falta de decoro e deselegância”. A Belmira não gostou nenhum pouco, e depois ela fez a errata que consta no número. E, passado um tempo, ela teve o apoio da Profa. Myriam [Krasilchik]20 e conseguiu recursos. Então, hoje tem uma estrutura; na época, não. Hoje tem uma estrutura mínima. Na época foi criada a estrutura atual, porém, mais precária ainda, que respondia por uma secretária exclusiva para trabalhar, que eu tenho a impressão de que era a Lina Flecha21. Parece que tinha uma outra pessoa que ajudava a Lina. Tenho a impressão de que era o Aguinaldo22 também. É que aí a gente já mistura um pouco os tempos, né? Mas era o Aguinaldo que ia acompanhar as feiras relativas à área do periodismo acadêmico e também vender a revista. Mas foi criada uma salinha. No entanto, no geral, era muito precário.

Roni: Você comentou antes de iniciarmos a entrevista que os recursos advindos da venda dos exemplares da revista não podiam ficar com a própria revista...

Afrânio: Não, não podiam. Mas essa receita era muito pequena também, era receita industrial. Fomos falar com a Myriam, todo mundo. Mas nada... Não tinha jeito. Bom, todo o trabalho que fazemos é gratuito, claro, faz parte do nosso pacote, somos RDIDP [Regime de Dedicação Integral à Docência e à Pesquisa]. Mas, às vezes, você precisa ter uma tradução. Nós não vamos fazer tradução. Não sabemos fazer boa tradução. Existem tradutores, bons tradutores. Na época, não existia tecnologia de tradução, nada. Então, às vezes, precisa disso... precisa pegar e levar o texto original... “Ah! Eu tenho um bom tradutor, mas ele não tem e-mail”. Não existia isso. Então, tem que levar para a casa da pessoa, aguardar até que ela traduza, depois buscar e pagar. “Ah, mas vocês [membros da Comissão Editorial] não podem fazer isso?” – perguntou a Profa. Myriam. “Não, eu não dirijo. Não tenho capital de giro para financiar isso”. É por isso que dizíamos que a receita era eventualmente para essas coisas, ou para comprarmos um livro importante para a área de educação etc. Mas não teve jeito [de alterar nossa fonte de financiamento], então entrava como receita industrial. Até vendia um pouquinho, quando era alguma feira, mas a revista era muito feia, a diagramação, a capa... E essa revista aqui, que tenho em mãos, de 1998 [v. 24, n. 2], esse furo aqui [um furo na parte inferior da capa] foi feito pelo Zaven Paré, que é um editor que está vivo até hoje, é um artista plástico [também artista multimídia], casado com a Andrea Daher23. A Andrea ficou um tempinho na Faculdade e acabou indo para o Rio de Janeiro. Enfim, a gente tentava fazer o que dava para fazer. Aí a Belmira passou um questionário: Educação e Pesquisa [uma das sugestões de novo nome para a revista, que, à época, chamava-se Revista da Faculdade de Educação]. E eu disse: “Bom, eu voto na [opção] Educação e Pesquisa, que é o menos ruim. Como é que vai compreender educação sem pesquisa na universidade!? Educação e pesquisa já estão implícitas”. “Não” – responderam outros. Mas, enfim, ficou isso. Porque o que existia também era ruim – Revista da Faculdade de Educação. De que faculdade de educação? Existem 200 faculdades de educação no Brasil.

Roni: Essa mudança de nome acabou por ocorrer na gestão da Belmira.

Afrânio: Sim, logo ela implementou. Eu acho que em 1999, já24.

Roni: E você continuou na Comissão de Publicações mesmo depois da mudança da presidência?

Afrânio: Não. A Belmira tirou todo mundo. Ela não é uma pessoa com quem eu tenho um relacionamento tranquilo, não. Porque ela levantava o pé, eu devolvia. Olha, daí em diante na Comissão ficou [Afrânio pega um exemplar da revista para se certificar]: a Belmira, a Marília Pinto de Carvalho25, o Julio Aquino. Os três, só. Depois havia três secretárias: a Raimunda Miquelina Flecha, a Beatriz Batalha e a Elaine. Nós tínhamos uma, depois ficamos com duas e no fim se chegou a três. A impressão que tenho é de que a Elza anotava as coisas, mas quem tocava era... Porque a Elza, na Biblioteca, era chefe, e quem tocava era a Márcia. A Márcia chegou a escrever editoriais. Por exemplo, um número especial da revista. Então, de repente, apareceu um texto dela nesse número especial. A gente ficou meio assim... A Márcia era funcionária e morava em Laranjal Paulista [município do interior do estado de São Paulo, a cerca de 170 km da capital]. E no fim de semana ela ia para lá e, junto com uma amiga, era dona de uma livraria. Era uma pessoa interessada.

Há um número muito valioso da Revista da Faculdade de Educação em que se encontram depoimentos do João Teodoro D’Olim Marote, do Zé Augusto Dias, da Amélia Domingues de Castro26. É o índice da Revista da Faculdade de Educação, que cobre o período de 1975 a 1995. Foi publicado em 1996. Foram impressos 1.500 exemplares e [o número] foi coordenado pela Mariazinha, a Profa. Maria Felisminda de Rezende Fusari. A elaboração, a digitação e a diagramação ficaram a cargo da Márcia Regina Franguelli e da Cecília Moraes Silva. Há depoimentos de três ex-presidentes da Comissão de Publicações, é um volume histórico. Agora... tinha um clima bom. De vez em quando dava problema com os textos do Zé Carlos de Paula Carvalho27, pois ele mandava cinco ou seis; com alguns pareceristas que excediam o prazo, de vez em quando, para avaliar os artigos. Os problemas eram esses. Não tinha estrutura e a cada número parecia que começava tudo da estaca zero. Porque você tinha que pedir dinheiro, às vezes não saía o dinheiro, aí a Faculdade tinha que se empenhar, nós da Comissão tínhamos de nos mover, falar com a Direção. Era chatinho esse tipo de coisa.

Roni: Afrânio, você já acabou cobrindo boa parte daquilo que eu ia perguntar, mas vou espremer mais um pouquinho, embora talvez sejam perguntas cujas respostas sejam das gestões posteriores à sua. O que é possível afirmar, do período em que você esteve à frente da Comissão Editorial, a respeito da internacionalização? Qual era o grau de penetração internacional da revista?

Afrânio: Quase nada, baixíssimo. Tinha um artigo ou outro de alguém famoso, que nós traduzíamos. Geralmente as traduções acabavam sendo feitas por alguém que estava interessado, alguém do grupo [da Comissão Editorial] que estava interessado em estudar o tema do artigo. Então era muito pouco. E depois nós tentamos criar uma seção intitulada Tradução, para receber textos traduzidos, mas não surtiu efeito. Ou seja, não é como hoje, que é necessário limitar percentualmente a produção dos investigadores de dentro da casa, incluindo tantos por cento dos de fora, uma tradução etc.

Roni: Você mencionou a respeito da escolha do nome Educação e Pesquisa e do caráter insólito dessa escolha, mas durante a sua gestão ainda era Revista da Faculdade de Educação. Havia um debate ainda antes da gestão da Belmira para a mudança de nome, ou não?

Afrânio Mendes Catani: Não, nunca, ninguém falava nada. E mudar nome é sempre complicado, porque você vai... Primeiro, os bibliotecários falam: “Mas mudar o nome?”. Então permaneceu o mesmo, por inércia.

Roni: Dá para dizer que, quando a revista é criada, em 1975, nitidamente é uma revista criada para escoamento da produção interna, da casa, isto é, cada instituto tinha uma revista?

Afrânio: Sim, cada instituto tinha uma revista.

Roni: Isso permanece por cerca de 20 anos, com pequenas mudanças, não?

Afrânio: Essas mudanças, eu arrisco dizer, são mudanças exógenas. Grande parte dos periódicos, até meados da década de 1990, eram periódicos locais, como você disse, para escoar produção. Então: a revista oficial da Faculdade de Educação. Aí, vai ter o Villalobos28 falando do teorema de Fermat, a Maria da Penha Villalobos29... Houve um tempo também em que a Anitta Martelli30 foi nossa colega. Depois a Anitta acabou indo para a pós-graduação. Ela se desentendeu com o Nilson Machado, brigou com ele e falou: “Você é Machado, eu sou Martelli, não vai dar certo”. E saiu assim, correndo, da Faculdade. Claro que tinha coisas de fora, não era uma... A única coisa que se tentava fazer era montar um conselho editorial com gente pelo menos externa à Faculdade.

Roni: Por falar em conselho, no início da entrevista você mencionou a Comissão de Publicações. Ela cuidava só da Revista da Faculdade de Educação ou também de outras publicações?

Afrânio: Ela se envolvia com outras atividades também. Ela editava as teses. E ainda tivemos uma atribuição extra. Quando o Prof. Nilson foi presidente e a Profa. Myriam Krasilchik diretora, nós fazíamos o boletim semanal ou quinzenal, agora não me recordo. Um boletim que inicialmente tinha quatro páginas e depois aumentou para seis, dez páginas. Então levamos a situação para o Prof. Nilson, que foi falar com a diretora da Faculdade, a Profa. Myrian, e ela disse que tinha que fazer. Nesse boletim constavam as teses que eram defendidas, as conferências que as pessoas faziam em eventos externos etc.

Roni: Você acredita que boa parte da mudança, ou pelo menos de mudanças fundamentais que ocorreram com os periódicos a partir dos anos 2000, tem a ver com a entrada em cena da SciELO ?

Afrânio: É, a SciELO entra em cena em 1997 e paulatinamente o perfil da revista vai se alterando. Mas no começo ninguém nem sabia direito o que era SciELO. No sistema integrado de bibliotecas, a gente, no máximo, via se tinha um livro. Aí tinha... Como é que chamava aquilo? COMUT31. Tinha uma tese na USP, tinha que comprar o selo para fazer, para tirar o xerox etc. A Biblioteca pedia uma tese na Unicamp, na Unesp. Então, nós estamos no tempo da manivela. Os tempos eram outros. Aí a SciELO, claro. Hoje, os periódicos têm orientações ou modelos. São páginas e páginas de instruções de como fazer o periódico, as classificações de cada periódico... E agora está mudando, não vai ter mais isso. Agora as avaliações vão ser feitas com base no impacto, o que eu acho que para nós é pior ainda.

Roni: E aí tem a ver com a CAPES, ou seja, no período em que você esteve à frente da revista, 1996-1998, não havia classificação de avaliação de periódicos, como a que a CAPES iniciou em 2012.

Afrânio: Em 1988, eu preenchi um relatório para o EDA em que constavam mais de trinta publicações só naquele ano, porque eu escrevia para jornais, então tudo entrava no relatório. Claro, hoje também entra, mas escrever um artigo para uma revista, uma resenha para um jornal, tudo entrava. A única classificação estipulada pelo relatório era: livro, capítulo de livro e artigo. Como hoje, que continuo escrevendo para A terra é redonda32. Eu me lembro que eu estava em Araraquara, uma vez, e eu estava brigando lá, porque queriam que eu ficasse mais tempo, e o Departamento33... Isso deve ter sido em 1982, mais ou menos. O Departamento tinha dez publicações, sendo que oito eram minhas, uma era a edição do livro de um professor e a outra era um relatório de pesquisa que foi – sabe essas coisas? – relatório doméstico. Então pensei: “Se eu ficar aqui, eu não vou escrever nada, tenho que acabar a tese em São Paulo”.

Em suma, os tempos eram completamente outros. A Comissão de Publicações se encontrava uma vez por mês ou então quando houvesse algo extraordinário. Hoje é impossível, chega muita coisa. Hoje são duas vezes por mês.

Roni: Duas vezes por mês as reuniões ordinárias e com fluxo de artigos. Pelo que deu para comparar com o que pude levantar dos períodos anteriores, é bem mais alto.

Afrânio: Por exemplo, alguns números não tinham nenhuma apresentação, nem de editor, nem de diretor da Faculdade. Era direto.

Roni: E sessões temáticas de dossiês?

Afrânio: Houve, mas pouco. Na época, não era tanto. Vai devagarinho entrando. Vejo aqui, na minha mesa, um número de um amigo nosso que já não está mais aqui, faz 30 anos, o Edivaldo Boaventura34. Outro texto do Prof. Carlos Roberto de Jamil Cury35(1993), Retratos através de textos constitucionais. O Marcos Vinícius da Cunha36, que é de Ribeirão Preto, a Elza Nadai37 e o Nélio Bizzo38. Esses são os artigos.

Roni: Uma última pergunta, como se dava o recrutamento para integrar a Comissão de Publicações?

Afrânio: Era como se fosse um indicado por departamento. E depois era indicação política da Direção.

E nós já passamos alguns sufocos nas reuniões da Comissão. Eu, por exemplo, com o Prof. Nilson. Quando tínhamos discussões e não se conseguia chegar a um consenso, ele dizia: “Então vamos partir para a votação!”. E claro que a secretária sempre votava com ele. Então, às vezes, o resultado dessas votações era 3 x 2.

Roni: A secretária tinha um peso considerável, então?

Afrânio: Sim, no período da Maria Helena. Mas com as outras também, porque a Márcia era, vamos dizer assim, a Márcia... tem a questão geracional. Ela já era mais atinada com a cultura, possuía uma pequena livraria etc. Ela tinha um pouquinho mais de entrada com a gente, às vezes, nesse sentido. Mas todas elas eram bastante colaborativas.

Roni: Afrânio, muito obrigado pelo seu depoimento.

Afrânio: Eu que agradeço. Uma honra poder compartilhar essas lembranças sobre a revista.

Referências

  • CURY, Carlos Roberto de Jamil. Retratos através de textos constitucionais. Revista da Faculdade de Educação São Paulo, v. 19,n. 02, p. 159-174, jul.-dez. 1993. Disponível em: https://revistas.usp.br/rfe/article/view/33524/36262, acesso em: 04/11/25.
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  • MENESES, João Gualberto De Carvalho. Discurso de Saudação ao Acadêmico José Augusto Dias. Estudos e Pesquisas. Academia Paulista de Educação. Disponível em: https://www.apedu.org.br/site/discurso-de-saudacao-ao-academico-jose-augusto-dias/ Acesso em: 21 set. 2025).
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  • ROIZ, Diogo da Silva; BENFICA, Tiago Alinor Hoissa. Elza Nadai: a formação da papisa do ensino de história. História: Questões & Debates, Curitiba, v. 68, n. 1, p. 337-367, jan./jun. 2020
  • 2
    - Comissão de Publicações da Faculdade de Educação. À época a que alude o Prof. Afrânio Catani, a Comissão de Publicações era responsável pela coordenação e pela supervisão da Revista da Faculdade de Educação, atual Educação e Pesquisa. A Comissão de Publicações foi reativada recentemente e se constitui num grupo assessor da Diretoria da FEUSP, tendo por objetivos elaborar a política de publicações da unidade e divulgar suas publicações seriadas e não seriadas.
  • 3
    - Maria Tereza Fraga Rocco iniciou seu trabalho como docente na FEUSP em 1970, integrando o Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada (EDM). Foi professora titular da FEUSP e diretora executiva da Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST) (Fonte: Memória do Corpo Docente da Faculdade de Educação da USP. Disponível em: https://www4.fe.usp.br/memoria-do-corpo-docente-maria-thereza-fraga-rocco. Acesso em: 22 set. 2025).
  • 4
    - Departamento de Metodologia do Ensino e Educação Comparada, um dos três departamentos que compõem a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.
  • 5
    - José Augusto Dias foi docente da FEUSP, integrando o Departamento de Administração Escolar e Economia da Educação (EDA). Começou sua trajetória docente na USP como instrutor da Cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL-USP) (Fonte: Discurso de Saudação ao Acadêmico José Augusto Dias. Estudos e Pesquisas. Academia Paulista de Educação, pelo acadêmico João Gualberto de Carvalho Meneses. Disponível em: https://www.apedu.org.br/site/discurso-de-saudacao-ao-academico-jose-augusto-dias/. Acesso em: 21 set. 2025).
  • 6
    - De acordo com os arquivos de Educação e Pesquisa, em 1986 o presidente da Comissão de Publicações era o Prof. João Teodoro d’Olim Marote.
  • 7
    - João Teodoro D’Olim Marote foi docente da extinta Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL-USP). Com o desmembramento da Faculdade em 1969, passou a integrar o corpo de primeiros docentes da recém-criada FEUSP, atuando no EDM. Foi fundador do INCO-CEPEL (curso de extensão em língua inglesa para a comunidade uspiana) e ex-presidente da então Revista da Faculdade de Educação, atual Educação e Pesquisa (Fonte: Memória do Corpo Docente da Faculdade de Educação da USP. Disponível em: https://www4.fe.usp.br/memoria-do-corpo-docente-joao-teodoro-dolim-marote. Acesso em: 25 set. 2025).
  • 8
    - Maria Helena Guedes foi secretária da Biblioteca da FEUSP.
  • 9
    - Joaquim Manoel Guedes Sobrinho (1932-1908).
  • 10
    - Nilson José Machado iniciou sua trajetória docente na Universidade de São Paulo em 1972, no Instituto de Matemática e Estatística (IME). Em 1984 ingressou na FEUSP, integrando o EDM. Aposentou-se como professor titular em 2015. Desde então, é professor titular sênior junto ao EDM (Fonte: Escavador. Disponível em: https://www.escavador.com/sobre/1706392/nilson-jose-machado. Acesso em: 25 set. 2025).
  • 11
    - Selma Garrido Pimenta iniciou sua atuação docente na FEUSP em 1989, integrando o EDM. Exerceu o cargo de diretora da Faculdade de 2002 a 2006. Foi pró-reitora de graduação da USP entre 2007 e 2009. Aposentou-se como professora titular em 2013. Desde então, é professora titular sênior junto ao EDM.
  • 12
    - Belmira Amélia de Barros Oliveira Bueno atualmente é professora titular sênior da FEUSP. Foi editora da revista Educação e Pesquisa de jan. 1998 a dez. 2003, diretora da FEUSP de 2014 a 2018 e diretora executiva da FUVEST de 2019 a 2022 (Fonte: Currículo Lattes).
  • 13
    - Myriam Krasilchik iniciou sua atuação docente na FEUSP em 1968, integrando o EDM. Foi diretora da FEUSP por dois mandatos (1990-1994 e 1998-2002) e exerceu mandato de vice-reitora da USP (1994-1998) (Fonte: Memória do Corpo Docente da Faculdade de Educação da USP. Disponível em: https://www4.fe.usp.br/memoria-do-corpo-docente-myriam-krasilchik. Acesso em: 25 set. 2025).
  • 14
    - Anna Maria Pessoa de Carvalho iniciou sua atuação docente na FEUSP desde sua criação, em 1969, quando foi desmembrada da FFCL por ocasião da Reforma Universitária realizada no mesmo ano. Integrou o EDM, na área de Metodologia de Ensino de Física. Foi diretora da FEUSP entre 1994 e 1998. Aposentou-se como professora titular em 2007 (Fonte: Memória do Corpo Docente da Faculdade de Educação da USP. Disponível em: https://www4.fe.usp.br/memoria-do-corpo-docente-anna-maria-pessoa-de-carvalho. Acesso em: 26 set. 2025).
  • 15
    - Comitê de Assessoramento do CNPq, responsável por julgar e selecionar propostas de bolsas de produtividade em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e outras modalidades.
  • 16
    - Cynthia Pereira de Sousa iniciou sua atuação docente na FEUSP em 1981, integrando o Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação (EDF). Aposentou-se em 2007 (Fonte: Memória do Corpo Docente da Faculdade de Educação da USP. Disponível em: https://www4.fe.usp.br/memoria-do-corpo-docente-cynthia-pereira-de-souza. Acesso em: 26 set. 2025).
  • 17
    - Julio Groppa Aquino é professor titular do EDF.
  • 18
    - Maria Felisminda de Rezende Fusari foi arte-educadora e professora de Metodologia do Ensino de Arte na FEUSP. Faleceu em 1999 (Fonte: Memória do Corpo Docente da Faculdade de Educação da USP. Disponível em: https://www4.fe.usp.br/memoria-do-corpo-docente-maria-felisminda-de-rezende-e-fusari. Acesso em: 26 set. 2025).
  • 19
    - Sandra Maria Zákia Lian de Souza iniciou sua atuação docente na FEUSP em 1991, integrando o Departamento de Administração Escolar e Economia da Educação (EDA). Aposentou-se em 2009 (Fonte: Memória do Corpo Docente da Faculdade de Educação da USP. Disponível em: https://www4.fe.usp.br/memoria-do-corpo-docente-sandra-maria-zakia-lian-sousa. Acesso em: 26 set. 2025).
  • 20
    - Myriam Krasilchik era, à época, diretora da FEUSP.
  • 21
    - Raimunda Miquelina Flecha foi secretária da revista Educação e Pesquisa e exerceu a chefia técnica da Biblioteca da FEUSP.
  • 22
    - José Aguinaldo da Silva, atualmente, atua no Serviço de Publicações e Divulgação da Biblioteca da FEUSP. Uma de suas funções é secretariar a Comissão Editorial de Educação e Pesquisa.
  • 23
    - Andrea Daher é professora emérita do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entre 1994 e 1996 foi professora temporária na FEUSP, lecionando disciplinas da área de História da Educação (Fonte: Currículo Lattes).
  • 24
    - Nota do editor: a mudança de nome ocorre exatamente nos números que são publicados em 1999.
  • 25
    - Marília Pinto de Carvalho iniciou sua atuação docente na FEUSP em 1989, integrando o EDA. Foi editora-chefe de Educação e Pesquisa e atualmente continua como editora-assistente.
  • 26
    - Amélia Domingues Americano de Castro integrou a Cadeira de Didática Geral e Especial da FFCL-USP como professora assistente substituta em 1941, mesmo ano em que se licenciou em História e Geografia pela instituição. Com a criação da FEUSP em 1969, fez parte do EDM. Foi professora titular e em 1994 se tornou a primeira professora emérita da FEUSP. Faleceu em 2020 (Fonte: Memória do Corpo Docente da Faculdade de Educação da USP. Disponível em: https://www4.fe.usp.br/memoria-do-corpo-docente-amelia. Acesso em: 28 set. 2025).
  • 27
    - José Carlos de Paula Carvalho foi professor da FEUSP junto ao EDF.
  • 28
    - João Eduardo Rodrigues Villalobos foi professor auxiliar na cátedra de História e Filosofia da Educação, junto ao professor Roque Spencer Maciel de Barros, na extinta FFCL-USP. Integrou o quadro dos primeiros docentes da FEUSP (1969), como assistente doutor no EDF, e foi representante dos assistentes doutores na Congregação (Fonte: Memória do Corpo Docente da Faculdade de Educação da USP. Disponível em: https://www4.fe.usp.br/memoria-do-corpo-docente-joao-eduardo-rodrigues-villalobos. Acesso em: 28 set. 2025).
  • 29
    - Maria da Penha Villalobos integrou o quadro das primeiras docentes da FEUSP, atuando no EDF (Fonte: Memória do Corpo Docente da Faculdade de Educação da USP. Disponível em: https://www4.fe.usp.br/memoria-do-corpo-docente-maria-da-penha-villalobos. Acesso em: 28 set. 2025).
  • 30
    - Anita Favaro Martelli foi docente da FEUSP entre os anos 1973 e 2004 e servidora pública da USP desde 1962. Integrou o corpo de primeiros docentes do EDA, como auxiliar de ensino (Fonte: Memória do Corpo Docente da Faculdade de Educação da USP. Disponível em: https://www4.fe.usp.br/memoria-do-corpo-docente-anita-favaro-martelli. Acesso em: 28 set. 2025).
  • 31
    - O Programa de Comutação Bibliográfica (COMUT) é um serviço interinstitucional que permite aos usuários obterem cópias de documentos técnico-científicos de acervos de bibliotecas de todo o Brasil e até mesmo internacionais. Trata-se de uma iniciativa nacional do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT).
  • 32
    - A terra é redonda é um site com periodicidade diária, produzido em São Paulo/SP, que recebe colaborações de intelectuais, acadêmicos e ativistas de movimentos sociais (Disponível em: https://aterraeredonda.com.br/sobre-nos/. Acesso em: 28 set. 2025).
  • 33
    - Departamento de Ciências da Educação da Faculdade de Ciências e Letras – Campus de Araraquara – da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquista Filho”.
  • 34
    - Edivaldo Boaventura (1933-2018) foi professor titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (Fonte: Biblioteca Virtual Consuelo Pondé. Disponível em: http://www.bvconsueloponde.ba.gov.br/2024/08/08/edivaldo-boaventura/. Acesso em: 28 set. 2025).
  • 35
    - Carlos Roberto de Jamil Cury é professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (Disponível em: https://anped.org.br/carlos-roberto-jamil-cury-e-homenageado-por-seus-80-anos-de-vida-e-60-de-docencia. Acesso em: 28 set. 2025).
  • 36
    - Marcos Vinicius da Cunha é professor associado da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, campus de Ribeirão Preto (Disponível em: https://www.ffclrp.usp.br/docentes/sdoc.php?cusp=DQ_0ORQ16s6oNDvhyC8RllfkaqBta8dv255qj2SKqw4. Acesso em: 28 set. 2025).
  • 37
  • 38
    - Nélio Marco Vincenzo Bizzo foi professor titular da FEUSP (Disponível em: http://neliobizzo.pro.br/prof-nelio/. Acesso em: 28 set. 2025).

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    12 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025
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