Resumo
Trata-se de um estudo documental que teve o objetivo de analisar a presença da Educação Física no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entre 2009 e 2023. Tem como fontes de análise os itens (questões) relacionados ao componente curricular Educação Física abordados no exame e a matriz de referência do Enem de 2009. Localizamos 56 itens, identificados nos microdados a partir das três habilidades referentes à Educação Física: habilidades 9, 10 e 11, sendo os temas relacionados ao esporte, corpo e saúde os mais abordados. Apontamos os limites do Enem para balizar a avaliação da aprendizagem escolar, ainda que o exame possa potencializar reflexões críticas sobre temas como diversidade e participação dos grupos sociais no âmbito das práticas corporais e saúde em contexto ampliado. Por último, pontuamos que o exame expressa a desigualdade entre os campos de conhecimento que se transformam em componentes curriculares. Tal aspecto pode ser exemplificado com o caso da Educação Física, que apresenta apenas três habilidades dentro de um total de 120 na matriz de referência do Enem.
Palavras-chave
Educação Física; Enem; Matriz de Referência; Habilidades; Ensino Médio
Abstract
This is a documentary study that aimed to analyze the presence of Physical Education in the National High School Exam (Enem) between 2009 and 2023. Its sources of analysis are the items (questions) related to the Physical Education curricular component addressed in the exam and the 2009 Enem reference document. We located 56 items, identified in the microdata from the three skills related to Physical Education: skills 9, 10 and 11, with topics related to sports, body and health being the most addressed. We point out the limits of Enem to guide the assessment of school learning, although the exam can enhance critical reflections on topics such as diversity and participation of social groups in the scope of body practices and health in a broader context. Finally, we point out that the exam expresses the inequality between the fields of knowledge that become curricular components. This aspect can be exemplified by the case of Physical Education, which presents only three skills out of a total of 120 in the Enem reference document.
Keywords
Physical Education; Enem; Reference Matrix; Skills; High School
Resumen
Se trata de un estudio documental que tuvo como objetivo analizar la presencia de la Educación Física en el Examen Nacional de Enseñanza Media (Enem) entre 2009 y 2023. Sus fuentes de análisis son ítems (preguntas) relacionados al componente curricular de Educación Física abordado en el examen y la matriz de referencia del Enem 2009. deporte, cuerpo y salud son los más comentados. Señalamos los límites del Enem para orientar la evaluación del aprendizaje escolar, aunque el examen pueda potenciar reflexiones críticas sobre temas como la diversidad y la participación de grupos sociales en el contexto de las prácticas corporales y la salud en un contexto más amplio. Finalmente, señalamos que el examen expresa la desigualdad entre los campos del conocimiento que se convierten en componentes curriculares. Este aspecto se puede ejemplificar con el caso de Educación Física, que presenta sólo tres habilidades de un total de 120 en la matriz de referencia del Enem.
Palabras clave
Educación Física; Enem; Matriz de Referencia; Habilidades; Escuela secundaria
1 Introdução
O reconhecimento de um determinado componente curricular como saber legítimo da escola necessita ser concebido como um problema multifatorial. No caso da Educação Física, existe um alargamento dessa problemática, uma vez que a história da inserção dessa disciplina na escola brasileira, principalmente a partir do final do século XIX, é marcada pela hegemonia de interesses que não necessariamente corroboram a função formativa da escola. Dentre os interesses mencionados, destacamos aqueles ligados ao setor econômico-produtivo e ao sistema esportivo. Desse modo, proliferaram-se discursos que concebem a Educação Física como um tempo e espaço de menor importância dentro da lógica da escola moderna, que historicamente privilegia os conhecimentos tradicionalmente designados como teóricos/cognitivos nos currículos escolares (Bracht, 2019).
Apesar de a área ainda estar experimentando os efeitos do seu movimento de renovação político, epistemológico e pedagógico iniciado nos anos 1980, os questionamentos sobre a real contribuição da Educação Física para o currículo escolar persistem, seja no cotidiano das práticas educativas (Bracht, 2018, 2019) ou em recentes políticas educacionais e de currículo, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a Reforma do Ensino Médio, instituída por meio da Medida Provisória n.º 746, de setembro de 2016, ratificada pela lei nº 13.415, de fevereiro de 2017 (Furtado, 2022), e, mais recentemente, em grande medida corroborada pela lei nº 14.945, de julho de 2024.
Nesse processo histórico conflituoso, marcado por tensões, resistências, recuos e inegáveis avanços, em termos mais contemporâneos, o campo da Educação Física produziu poucas análises, e, ainda assim, não coesas, a respeito da presença da disciplina no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que data oficialmente do ano de 2009. Em nosso entendimento, de acordo com os dizeres de Fensterseifer et al. (2013), apesar do caráter problemático das avaliações em larga escala para a avaliação da aprendizagem escolar, é preciso pensar sobre o seu potencial para a legitimidade de um determinado componente curricular. Ou seja, se almejamos a consolidação da Educação Física como componente curricular com caráter de disciplina educativa do sistema educacional brasileiro, não poderemos nos furtar de todas as discussões instauradas, inclusive daquelas carregadas de tensões e estereótipos, como é o caso das avaliações em larga escala.
Aqui parece residir uma questão importante para o campo de conhecimento da Educação Física brasileira. Pensemos: na medida em que muitos esforços epistemológicos, políticos e legislativos foram efetivados para a consideração da Educação Física como componente curricular, seria preciso a área saber como dialogar com os desdobramentos e incumbências oriundas das políticas públicas educacionais. Cremos que a discussão sobre a Educação Física no Enem pode ser compreendida como uma questão localizada nesse âmbito.
Nesse sentido, fazemos as seguintes reflexões: será que a crítica comumente propagada sobre o teor excludente e meritocrático desse exame serviria como argumento para o não reconhecimento da Educação Física nessa política educacional? O melhor caminho seria, então, dar menos importância ao exame, para que a Educação Física pudesse seguir um projeto “autônomo” de formação no Ensino Médio? Ou então, será que poderia fazer algum sentido a busca pela compreensão de como a Educação Física está presente no Enem? Considerando as distintas possibilidades e a condição dos autores deste trabalho como sujeitos da Educação Básica, este estudo fará opção pelo esforço de compreensão reflexiva do fenômeno.
Sendo assim, neste trabalho, analisaremos a presença da Educação Física no Enem entre 2009 e 2023, com vistas a pensarmos algumas implicações para a sua prática pedagógica no Ensino Médio. Destacamos que essa discussão sobre a Educação Física no referido exame poderia ser efetivada a partir de distintos enfoques metodológicos e orientações teóricas. Optamos por um estudo com base em um escopo documental que compreende algumas das diretrizes oficiais do Enem produzidas por instituições oficiais do estado brasileiro, bem como pela via da análise exploratória1 dos próprios itens/questões de Educação Física presentes em cada uma das 15 edições do exame consideradas neste estudo.
A partir desse escopo mais geral, pretendemos refletir sobre os entraves e os caminhos possíveis para a afirmação da Educação Física na última etapa de ensino da Educação Básica, levando em conta a sua inserção em um exame de larga escala consolidado na política educacional brasileira. Diante disso, no próximo tópico, apresentaremos os aspectos metodológicos deste trabalho. Nos dois tópicos seguintes, faremos uma breve apresentação de algumas características do Enem, a fim de compreendermos o lugar da Educação Física no exame. Por último, teremos as nossas considerações finais.
2 Metodologia
Do ponto de vista metodológico, trata-se de um estudo documental, que será realizado a partir da análise da matriz de referência do Enem (Brasil, 2009) e dos itens/questões de Educação Física expostos no exame entre os anos de 2009 e 20232, totalizando 15 edições analisadas. Cabe ressaltar que, como os itens não são identificados na prova como pertencentes a um determinado componente curricular ou habilidade, fizemos uso de informações coletadas nos microdados do Enem divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)3. Desse modo, dentro das planilhas disponibilizadas nos microdados, consultamos aquela que apresenta a relação entre habilidades e itens nas edições de aplicação do exame destacadas, tendo como referência a prova amarela na sua primeira aplicação de cada ano. Após esse processo, identificamos 56 itens relacionados às habilidades específicas do componente curricular Educação Física, conforme exporemos mais detalhadamente no próximo tópico deste estudo.
Destacamos que, em nossa revisão de literatura, todos os estudos consultados que realizaram alguma forma de mapeamento ou análise de questões de Educação Física no Enem não fizeram uso das informações oficiais publicadas nos microdados, fato esse que gera uma série de distorções acerca da condição da disciplina no exame. A título de exemplo, as recentes pesquisas publicadas por Novaes et al. (2021) e Marques et al. (2021) obtiveram conclusões muito distintas sobre a Educação Física no Enem, porquanto a identificação das supostas questões desse componente curricular foi efetivada por via da observação e análise direta do conteúdo de cada item das provas de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias.
Nesse aspecto, como a análise realizada pelos dois trabalhos supracitados não utilizou os microdados, foram desconsideradas algumas questões de Educação Física porque seu conteúdo não foi entendido como pertencente ao componente curricular. Da mesma forma, ocorreu de terem atribuído alguma questão à Educação Física não sendo ela relacionada ao seu campo de conhecimento. Desse modo, a discussão que será empreendida no decorrer deste estudo manifesta um certo teor de ineditismo e contribuição para o campo de conhecimento, dado que apresentará um conjunto de informações que podem ser verificadas pelos atores do campo acadêmico da Educação Física brasileira em bases de dados oficiais.
Sobre a matriz de referência do Enem, de início, é preciso entender a matriz de referência como um documento oficial que organiza o conjunto de objetos de conhecimento na sua relação com as competências e habilidades que os estudantes necessitam manifestar para a resolução das questões de uma prova. No caso do Enem, ela se constitui de cinco eixos cognitivos comuns para todas as áreas de conhecimento, que dizem respeito aos domínios mais amplos do saber e, posteriormente, divide-se em quatro grandes áreas, que são: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; Matemática e suas Tecnologias; Ciências da Natureza e suas Tecnologias; Ciências Humanas e suas Tecnologias.
Cada área apresenta um número diferente de competências, no entanto, todas elas contêm 30 habilidades específicas. No Enem, cada item é elaborado tendo como referência a avaliação do desempenho dos estudantes em uma habilidade específica. Os conteúdos propostos para cada uma das quatro áreas de conhecimento, mobilizados na formulação dos itens para a avaliação de cada habilidade, estão presentes em anexo da matriz de referência. Vale frisar que a área de Ciências da Natureza é a única que tem os seus objetos de conhecimento listados por disciplina, isto é, para Física, Química e Biologia.
No caso da área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, as suas 30 habilidades específicas são distribuídas em nove competências, que compreendem os conhecimentos das disciplinas de Língua Portuguesa, Literatura, Artes, Educação Física, Língua e Estrangeira, além do tema das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). É dentro dessa localização mais geral na matriz de referência que devemos compreender as peculiaridades do campo da Educação Física no Enem.
Para a análise do conjunto de fontes apresentadas, faremos uso de uma literatura especializada do campo da Educação Física escolar, em especial de trabalhos que discutem a especificidade da Educação Física e do seu campo de conhecimento na qualidade de componente curricular obrigatório da Educação Básica. Então, a ideia é que, junto ao objetivo mais geral deste estudo, possamos refletir sobre até que ponto o Enem é capaz de induzir boas práticas na área da Educação Física, bem como a respeito de quais seriam os limites do exame do ponto de vista de uma formação escolar crítica por via dos saberes da Educação Física.
3 Sobre o Exame Nacional do Ensino Médio e a Educação Física
Em termos de contextualização, sinalizamos que o Enem foi instituído no Brasil em 1998 por via da Portaria MEC nº 438, de 28 de maio, tendo os seguintes objetivos:
I – conferir ao cidadão parâmetro para auto-avaliação, com vistas à continuidade de sua formação e à sua inserção no mercado de trabalho;
II – criar referência nacional para os egressos de qualquer das modalidades do ensino médio;
III – fornecer subsídios às diferentes modalidades de acesso à educação superior;
IV – constituir-se em modalidade de acesso a cursos profissionalizantes pós-médio (Brasil, 1998).
Destacamos, diante disso, que o Enem surgiu como desdobramento da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996, portando-se como um exame que tenta traduzir todos os princípios presentes em dois documentos de orientação curricular: as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) e os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM), ambos elaborados a partir da LDB de 1996. Castro e Tiezzi (2004) afirmam que o Enem foi um valioso instrumento da política de implementação da reforma do Ensino Médio ocorrida na década de 1990, difundindo seus objetivos para todo o Brasil.
Nessa primeira versão do exame, que contava com 63 questões, a disciplina de Educação Física não foi contemplada explicitamente na matriz de referência. As questões abordavam conhecimentos de três áreas de conhecimento, a dizer: I) Linguagens, Códigos e suas Tecnologias; II) Ciências Humanas e suas Tecnologias e; III) Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Desse modo, Ciências da Natureza e Matemática compunham juntas uma única área de conhecimento. Na ocasião, tínhamos 5 competências e 21 habilidades a serem avaliadas (Castro, 2019).
Em 2009, o exame sofreu uma profunda reestruturação e passou a ser utilizado mais enfaticamente como mecanismo de acesso à Educação Superior. Foi a partir desse período que o exame adotou a sua atual estrutura, que conta com questões das quatro áreas de conhecimento já mencionadas, além da realização de uma redação. Ele passou a ser realizado em dois dias distintos de aplicação, com 45 questões de cada área de conhecimento, totalizando 90 questões por dia e 180 no geral. Como pontuamos anteriormente, cada área apresenta 30 habilidades na matriz de referência, no entanto, o exame apresenta 45 itens por área. Sendo assim, em cada aplicação do exame, podemos observar mais de um item avaliando a mesma habilidade, tendo em vista que em cada área o número de itens presentes na prova (45) é superior ao número de habilidades avaliadas (30), e que cada item é elaborado tendo como referência uma habilidade específica. Esse cenário é especialmente importante para compreendermos a dinâmica dos itens de Educação Física entre 2009 e 2023.
Nesse novo marco histórico do Enem, a atual matriz de referência foi adotada (Brasil, 2009), incluindo em sua composição a área da Educação Física, compreendida dentro da competência 3 da área de Linguagens e Suas Tecnologias, a qual delineia que o estudante necessita “compreender e usar a linguagem corporal como relevante para a própria vida, integradora social e formadora da identidade” (Brasil, 2009, p. 2). Tal competência desdobra-se em três habilidades, que orientam a formulação dos itens de Educação Física no exame, que são:
H9 - Reconhecer as manifestações corporais de movimento como originárias de necessidades cotidianas de um grupo social.
H10 - Reconhecer a necessidade de transformação de hábitos corporais em função das necessidades cinestésicas.
H11 - Reconhecer a linguagem corporal como meio de interação social, considerando os limites de desempenho e as alternativas de adaptação para diferentes indivíduos (Brasil, 2009, p. 2).
Em análise preliminar, podemos dizer que a configuração das habilidades sinaliza para uma compreensão crítica e reflexiva dos conhecimentos da Educação Física, na medida em que expressões como “linguagem corporal” e “manifestações corporais de movimento” são tributárias das reflexões originadas na chamada vertente culturalista da Educação Física brasileira (Costa; Almeida, 2018). Em termos mais específicos, e isso encontra correspondência na análise dos itens, é possível dizer que cada habilidade remete a uma dimensão particular do conhecimento das práticas corporais e temas associados à Educação Física. A habilidade 9 indica a conexão entre práticas corporais e cultura, sendo o termo “grupo social” (mulheres, povos indígenas, juventudes, crianças, esportistas etc.) fundamental na tematização dos conhecimentos.
A habilidade 10 aproxima o campo da Educação Física do campo da saúde, com destaque para a relação entre mudanças de hábitos corporais e as necessidades de movimento, e o segundo pode ser interpretado tanto em termos biomecânicos como pela lente da dimensão social e política. Por último, a habilidade 11 sugere a reflexão sobre práticas corporais e inclusão, uma vez que os termos limites de desempenho e adaptação para os diferentes indivíduos indicam a necessidade de entendimento de que as práticas corporais em geral precisam de adequações para diferentes contextos (alto rendimento, lazer, comunidades tradicionais) e sujeitos (deficientes, idosos, povos originários, crianças, juventudes).
A respeito da organização geral do exame, que é composto de 180 itens alocados nas quatro grandes áreas de conhecimento já citadas, em que cada área apresenta 30 habilidades a serem distribuídas entre os diferentes componentes curriculares, um primeiro elemento a ser destacado é que em toda prova do Enem haverá, pelo menos, 3 questões relacionadas à Educação Física, elaboradas para avaliar os estudantes em cada uma das suas três habilidades que compõem a competência de número 3 da matriz de referência. No entanto, como a prova deve ter 180 questões e a somatória de habilidades da matriz de referência contabiliza 120, em toda edição do exame, haverá habilidades sendo repetidas por meio de itens presentes na prova. Sendo assim, tem sido possível encontrarmos edições em que existem 4, 5 ou até 6 itens relacionados às três habilidades do componente curricular Educação Física.
Outro ponto importante a ser mencionado é que as habilidades norteiam a elaboração dos itens, apresentando os contextos que devem ser abordados. Dessa forma, é perceptível que o modo como uma determinada habilidade é formulada acaba impactando a percepção de cada componente curricular no Enem, o que influencia sobremaneira o fazer docente e, consequentemente, a construção curricular do componente. Todavia, o documento da matriz de referência apresenta os objetos de conhecimento cujas habilidades devem dialogar para a elaboração das questões. Portanto, a formulação de um item deve, a partir de um determinado objeto de conhecimento previsto na matriz de referência, buscar verificar o grau de desempenho, ou melhor, a aptidão cognitiva dos estudantes em relação à cada habilidade. No caso da área da Educação Física, temos os seguintes objetos de conhecimento:
Estudo das práticas corporais: a linguagem corporal como integradora social e formadora de identidade - performance corporal e identidades juvenis; possibilidades de vivência crítica e emancipada do lazer; mitos e verdades sobre os corpos masculino e feminino na sociedade atual; exercício físico e saúde; o corpo e a expressão artística e cultural; o corpo no mundo dos símbolos e como produção da cultura; práticas corporais e autonomia; condicionamentos e esforços físicos; o esporte; a dança; as lutas; os jogos; as brincadeiras (Brasil, 2009, p. 14).
Em uma análise preliminar, podemos observar que os objetos de conhecimento associados à matriz de referência da competência de número 3 expressam certa variabilidade, apresentando temáticas relevantes relacionadas ao campo da Educação Física. Por sua vez, a ginástica não é mencionada diretamente como foram o esporte, a dança, as lutas, os jogos e as brincadeiras, sendo esse um aspecto problemático, que foi igualmente destacado no estudo de Zaghi, Simões e Carbinatto (2015). Entretanto, algumas temáticas ligadas ao corpo, à saúde e ao exercício físico podem induzir a elaboração de itens que tratam desse objeto de conhecimento, embora ele acabe sendo um fator que limita o trato com o fenômeno da ginástica de modo complexo. Assim, em nosso entendimento, esse é um dos casos em que a prática pedagógica realizada no Ensino Médio necessita superar a matriz de referência do Enem. Poderíamos falar o mesmo atualmente sobre as práticas corporais de aventura4 e outras possibilidades de experiências com o corpo codificadas na forma de práticas corporais.
Como aspecto interessante, é válido mencionar que a matriz de referência alarga a ideia do campo de conhecimento da Educação Física para além da listagem das clássicas práticas corporais da cultura corporal de movimento (jogo, esporte, lutas, dança e ginástica). Nesse sentido, compreende-se o universo das práticas corporais como uma dimensão do conhecimento da área, assim como discussões sobre saúde, corpo e lazer. Em nosso entendimento, tal ampliação é positiva, dado que pode provocar o desenvolvimento de reflexões críticas e interdisciplinares nas aulas de Educação Física no Ensino Médio.
Por outro lado, parte dos estudos que buscam analisar a trajetória da Educação Física no Enem destoam de modo significativo em vários aspectos. Melhor dizendo, seja no teor da crítica ou das contribuições, ou mesmo na identificação dos itens relacionados à Educação Física e seus objetos de conhecimento, existem diferenças marcantes dentre as pesquisas que levantamos durante a fase bibliográfica deste estudo.
Como exemplo, o estudo de Novaes et al. (2021), após análise de 43 questões relacionadas à área da Educação Física entre as edições de 2009 e 2019 do Enem, constatou que existe certa inadequação da competência e das habilidades relacionadas à Educação Física com os seus objetos de conhecimento listados na matriz de referência. Além disso, os autores apontam que muitas questões versam mais sobre discussões do campo da formação superior do que propriamente a respeito da dinâmica do Ensino Médio, o que pode ser considerado um aspecto negativo das questões de Educação Física, ou seja, o distanciamento da realidade da Educação Básica. Outra constatação do estudo é que objetos de conhecimento como esporte, exercício físico e saúde e conhecimentos sobre o corpo são os temas mais abordados pelas questões. Em termos gerais, o tom do estudo é crítico em relação ao teor dos itens, questionando o potencial do exame para, de fato, avaliar aprendizagens adquiridas na Educação Básica.
Já o estudo de Marques et al. (2021), que examina questões relacionadas à Educação Física entre 2009 e 2017, verificou a presença de 49 questões, ou seja, 5 a mais do que o estudo de Novaes et al. (2021), que analisou dois anos a mais de aplicação do exame. Além da discrepância em relação à quantidade de questões encontradas em cada estudo, em ambos os casos decorrente da não utilização dos microdados como fonte, o trabalho de Marques et al. (2021) sinaliza alguns aspectos positivos da presença da Educação Física no Enem, tais como: o potencial multidisciplinar e interdisciplinar das questões dentro da área de linguagens e a tentativa de relacioná-las com aspectos da vida cotidiana. Outra constatação que se aproxima do estudo anteriormente citado refere-se à identificação dos temas esporte e saúde como os objetos de conhecimento mais explorados pelas questões.
4 Educação Física no Exame Nacional do Ensino Médio entre 2009 e 2023: constatações e implicações
Neste momento do estudo, faremos uma reflexão a partir de alguns resultados provenientes da análise da relação entre itens e habilidades pertinentes à competência 3 da área de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias. Na proposta de realização de um mapeamento geral, acreditamos que os dados expostos a seguir colaboram de algum modo para o entendimento da presença da Educação Física no Enem entre 2009 e 2023. Desse modo, no Quadro 1, apresentamos o número de itens de Educação Física em cada edição do exame.
A partir do Quadro 1, constatamos que a quantidade média de itens de Educação Física é de 3,73 por ano. Por sua vez, a média de questões ligadas ao componente curricular no Enem no período de 2009 a 2016, que corresponde aos primeiros 8 anos de aplicação do exame, é de 3,12. Contudo, nos últimos 7 anos, a média é de 4,42 itens. Tal fato demonstra que houve um aumento significativo na quantidade de itens de Educação Física nos últimos 7 anos, sendo mais um aspecto que pode funcionar como argumento legitimador para a presença da Educação Física nos currículos do Ensino Médio. No Quadro 2, expomos a relação entre itens e habilidades da competência 3 em cada edição do exame.
Os dados expostos no Quadro 2 revelam que as habilidades 9 e 10 têm sido as mais abordadas. Destacamos o fato de que houve três itens relacionados à habilidade 10 no ano de 2020. A respeito da habilidade 11, apenas no ano de 2023 ocorreu a presença de duas questões provenientes dessa habilidade. Do ponto de vista da discussão sobre a indução curricular no Ensino Médio, caso as escolas e os docentes de Educação Física fossem se atentar ao perfil das questões da área com maior presença no exame para organizar as temáticas a serem mais abordadas nas aulas, seria necessária a presença constante de discussões sobre práticas corporais e grupos sociais, em virtude da perspectiva da habilidade 9, bem como sobre corpo e saúde, de modo a contemplar a lógica da habilidade 10.
Aliás, no Quadro 3, com base nos termos expostos na matriz de referência (Brasil, 2009), apresentamos o resultado da nossa interpretação acerca da quantidade de itens relacionados com cada objeto de conhecimento da Educação Física.
A partir da análise fidedigna realizada com base nos microdados do Enem, constatamos a prevalência de itens sobre esporte e saúde/exercício físico no exame; este último soma 14 quando agregamos os objetos de conhecimento de exercício físico e saúde e condicionamentos e esforços físicos. No entanto, destacamos a notável presença de questões relacionadas ao tema do corpo, pois temos 12 itens sobre tal assunto quando reunimos os seguintes objetos de conhecimento: mitos e verdades sobre os corpos masculino e feminino na sociedade atual; o corpo e a expressão artística e cultural; o corpo no mundo dos símbolos e como produção da cultura.
Frisamos, diante disso, que a presença do esporte e dos conhecimentos sobre saúde se destacam na elaboração dos itens de Educação Física, ainda que possamos identificar, principalmente nos últimos sete anos, a tematização de questões mais críticas, que visam relacionar o esporte com questões como violência, racismo, gênero, mídias/novas tecnologias e políticas públicas. Em uma lógica similar, constatamos uma tendência de o tema saúde ser abordado dentro da sua perspectiva ampliada, que supera a ideia de saúde como condição individual e determinada pelo fator biológico, colocando-a no plano da política e do direito social, tal como sugerido por Bracht (2019). No caso da dança, dos jogos, das brincadeiras e das lutas, observamos um lugar menor de questões sobre esses objetos de conhecimento nas provas do Enem, sendo um aspecto indesejável, considerando que, especialmente no caso da dança e das lutas, tratam-se de objetos de conhecimento que buscam maior legitimidade nos currículos da Educação Básica.
Sendo assim, como proposição deste estudo para a Educação Física escolar, indicamos que é possível conceber o campo de conhecimento desse componente curricular a partir da matriz do Enem por via de uma categorização composta de quatro grandes temas, a dizer: práticas corporais, corpo, saúde e lazer. Nesse sentido, podemos afirmar que todos os objetos de conhecimento expostos na matriz se relacionam com algum ou alguns desses quatro temas, o que, em termos conceituais, tornaria possível trabalharmos com a ideia de que a Educação Física, na condição de disciplina educativa da escola, aborda o universo das práticas corporais da cultura corporal de movimento e temas relacionados ao corpo, saúde e lazer.
Em termos operacionais, é possível propor a seguinte relação temática ao se relacionarem os quatro grandes temas que propomos com os objetos de conhecimento presentes na matriz de referência: práticas corporais (práticas corporais e autonomia; esporte; dança; lutas; jogos; brincadeiras); corpo (mitos e verdades sobre os corpos masculino e feminino na sociedade atual; o corpo e a expressão artística e cultural; o corpo no mundo dos símbolos e como produção da cultura); saúde (exercício físico e saúde; condicionamentos e esforços físicos); lazer (performance corporal e identidades juvenis; possibilidades de vivência crítica e emancipada do lazer).
Como exemplificação de como os objetos de conhecimento mais frequentes são abordados em itens de Educação Física no Enem, expomos a seguir três questões, na Figura 1, que correspondem a itens das habilidades 9, 10 e 11, presentes no caderno amarelo da primeira aplicação das edições 2020, 2022 e 2023, respectivamente.
A questão 15, presente na edição de 2020, elaborada para avaliar a habilidade 9, aborda o objeto de conhecimento esporte na interseção com questões de gênero. A questão 37, da edição de 2022, aborda o objeto de conhecimento exercício físico e saúde na relação com aspectos políticos e econômicos. A questão 30, integrante da edição de 2023, aborda o objeto de conhecimento esporte no contexto das dificuldades de inclusão de pessoas trans em competições internacionais.
Para encaminhar nossa exposição e discussão de dados que colaboram para a compreensão do modo como a Educação Física se encontra presente no Enem, apresentamos o Quadro 4, que indica a natureza das fontes utilizadas nos textos-base dos itens de Educação Física analisados neste estudo.
Com base no Quadro 4, constatamos que existe a predominância da contextualização acadêmica dos itens de Educação Física no Enem, pois, mesmo quando os textos-base são retirados de site, a maioria faz uso de perspectivas científicas para a reflexão proposta. Apesar da crítica presente em Novaes et al. (2021) a respeito da complexidade de certas temáticas expostas na elaboração dos itens, não acreditamos que seja um aspecto de fato incompatível com a dinâmica da Educação Física no Ensino Médio, dado que os próprios preceitos colocados pela abordagem culturalista da área sinalizam para a necessidade de aprofundamento dos conhecimentos tematizados nas aulas.
5 Últimas palavras: a respeito das críticas e alternativas
O caráter das avaliações em larga escala é controverso, pois apreciam conhecimentos a priori aprendidos pelos estudantes em uma dinâmica que talvez não seja a mais adequada para a resolução de um quantitativo tão expressivo de questões. No caso da Educação Física no Enem, em virtude de o exame expressar e mobilizar ações cognitivas por parte dos estudantes, ela não pode ser concebida como o único norte da avaliação da aprendizagem escolar no Ensino Médio, uma vez que os saberes da Educação Física expressam também um “saber fazer” que se manifesta pelo corpo (Bracht, 2019). Assim, o componente curricular não deve perder a sua característica central, logo, as aulas não precisam ser transformadas em narrativas meramente teóricas sobre os objetos de conhecimento.
Sobre esse aspecto, a alternativa viável é fazer com que os estudantes cheguem ao nível da reflexão teórica e aprendam conceitos importantes que são mobilizados no Enem por meio e em diálogo com as experiências do corpo. Defendemos essa posição considerando a perspectiva de Betti (1994, p. 42) sobre a natureza do conhecimento da Educação Física, considerando que “este é um saber que não pode ser alcançado pelo puro pensamento; é um saber orgânico, só é possível com as atividades corporais, não é um saber que se esgota num discurso sobre o corpo e o movimento”.
Ressaltamos que o componente curricular de Educação Física, em termos do desenvolvimento da sua prática pedagógica, não pode ficar refém das habilidades e objetos de conhecimento presentes na matriz de referência. Sendo assim, é perfeitamente possível dar condições para que os estudantes possam ter êxito na resolução dos itens de Educação Física do Enem sem descaracterizar o projeto pedagógico da escola e a perspectiva da Educação crítica e para a emancipação. A propósito, em virtude do teor mais crítico e interdisciplinar da prova do Enem nos últimos sete anos, diríamos que essa perspectiva é fundamental não somente como preparação para o exame, mas para a formação dos estudantes.
Desse modo, se as avaliações em larga escala de fato apresentam a força de orientar os currículos do Ensino Médio, acreditamos que algumas dessas induções podem ser tratadas como desejáveis para a Educação Física escolar. Nesse sentido, é positivo que os currículos da última etapa de ensino da Educação Básica congreguem discussões presentes em itens do Enem, por exemplo: gênero e práticas corporais, racismo no esporte, aspectos excludentes do esporte de espetáculo, imagem corporal, participação das mulheres nas práticas corporais, direito à saúde e lazer como condição para a cidadania plena, corpo e identidade juvenil e outras temáticas que têm sido abordadas junto ao universo das práticas corporais.
Certamente, uma prática pedagógica orientada pelas temáticas acima expostas e pelos objetos de conhecimento listados na matriz de referência do Enem para a área da Educação Física são bem mais coerentes e adaptáveis com uma perspectiva crítica de Educação do que as chamadas práticas de ensino sem planejamento, objetivo e intencionalidade pedagógica, ainda presentes em muitas realidades escolares do Brasil, denominadas no campo acadêmico de “desinvestimento pedagógico” (Bracht, 2018; Teixeira; Santos, 2023).
Do ponto de vista da crítica mais efetiva, essa talvez sem alternativa que possa depender diretamente dos sujeitos do cotidiano escolar, pontuamos que a presença de somente três habilidades para a avaliação dos conhecimentos da Educação Física tematizados no Ensino Médio não é uma quantidade justa. Assim, fica explícito que a Educação Física possui um lugar menor dentre os componentes curriculares do Ensino Médio. Tal aspecto, além de desvalorizar os conhecimentos do corpo, movimento e expressão corporal, desfavorece a construção de currículos mais equitativos, principalmente no que tange à carga horária, tendo em vista que no Ensino Médio as escolas e sistemas de ensino tendem a se direcionar pelo Enem para a construção das grades curriculares e disposição das horas-aula de cada componente curricular.
Outro aspecto que gostaríamos de salientar trata-se de algumas implicações dos dados apresentados e discutidos neste estudo. Em termos gerais, é necessário que a formação inicial e continuada de professores de Educação Física passe a se atentar para a presença da disciplina no Enem para, assim, qualificar a intervenção e o potencial compreensivo dos sujeitos acerca do exame. Além desse ponto, tem-se a demanda do prosseguimento de investigações sobre a Educação Física no Enem, que desejamos desenvolver a partir de uma análise mais detalhada a respeito do perfil das questões de Educação Física relacionadas com cada habilidade, bem como sobre os possíveis desdobramentos curriculares do componente curricular no cotidiano das escolas a partir da sua inserção no Enem.
Com esses apontamentos, finalizamos este trabalho afirmando a necessidade da crítica e a proposição de alguns caminhos para a Educação Física no Ensino Médio mediante o Enem. Enfatizamos que, neste momento, buscamos realizar uma análise panorâmica do exame, por isso a necessidade do diagnóstico inicial para, em seguida, propormos uma crítica responsável e soluções viáveis, que nos conduzem a indicar a realização de mais estudos a respeito da temática.
Referências
- BETTI, M. O que a semiótica inspira ao ensino da Educação Física. Discorpo, São Paulo, n. 3, p. 25-45, 1994.
- BRACHT, V. A educação física escolar no Brasil: o que ela vem sendo e o que ela pode ser (elementos de uma teoria pedagógica da educação física). Ijuí: Unijuí, 2019.
- BRACHT, V. Entre a inovação e o desinvestimento pedagógico na educação física no Brasil. In: BRACHT, V; ALMEIDA, U. R; WENETZ, I (orgs.). A educação física escolar na América do sul: entre a inovação e o abandono/desinvestimento pedagógico. Curitiba: Editora CRV, 2018, p. 45-49.
-
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Microdados do Enem Brasília, DF: Inep, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/microdados/enem Acesso em: 12 jun. 2024.
» https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/microdados/enem -
BRASIL. Lei n.º 14.945, de 31 de julho de 2024. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (LDB). Brasília, DF: Presidência da República, 2024a. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14945.htm
» https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14945.htm - BRASIL. Medida Provisória n.º 746, de 22 de setembro de 2016. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 23 set. 2016.
-
BRASIL. Ministério da Educação. Inep. Matriz de Referência do Enem Brasília, DF: Inep, 2009. Disponível em: https://download.inep.gov.br/download/enem/matriz_referencia.pdf
» https://download.inep.gov.br/download/enem/matriz_referencia.pdf - BRASIL. Portaria nº 438, de 28 de maio de 1998. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 1998.
- CASTRO, G. A. M. A abordagem CTS na matriz de referência e em itens do ENEM: Um olhar específico para Física. 2019. Dissertação (Mestrado em Educação em Ciências e Matemáticas) - Universidade Federal do Pará, Belém, 2019.
- CASTRO, M. H. G. de; TIEZZI, S. A reforma do ensino médio e a implantação do ENEM no Brasil. Desafios, v. 65, n. 11, p. 46-115, 2004.
-
COSTA, M.; ALMEIDA, F. Q. de. A Educação Física e a "virada culturalista" do campo: um olhar a partir de Mauro Betti e Valter Bracht. Corpoconsciência, Cuiabá, v. 22, n. 01, p. 1-12, 2018. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/corpoconsciencia/article/view/6007
» https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/corpoconsciencia/article/view/6007 - FENSTERSEIFER, P. E. et al. Educação Física nas avaliações em larga escala brasileiras: balanços e desafios. In: Avaliações da educação básica em debate: ensino e matrizes curriculares de referência das avaliações em larga escala. Brasília, DF: Inep, 2013.
- FURTADO, R. S. Educação Física escolar, conhecimento e legitimidade: investigação a partir de ordenamentos legais. 2022. Tese (Doutorado em Educação) - Universidade Federal do Pará, Belém, 2022.
-
MARQUES, R. et al. A Educação Física no ensino médio e os exames estandardizados: uma análise das questões do ENEM. Movimento, Porto Alegre, v. 27, e27076, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.22456/1982-8918.111666
» https://doi.org/10.22456/1982-8918.111666 -
NOVAES, R. C. et al. A Educação Física no novo ENEM: um estudo analítico de conteúdo. Estudos em Avaliação Educacional, São Paulo, v. 32, e06964, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.18222/eae.v32.6964
» https://doi.org/10.18222/eae.v32.6964 -
TEIXEIRA, I. V. F.; SANTOS, S. D. G. Análise dos fatores condicionantes ao desinvestimento pedagógico na Educação Física escolar. Olhar de Professor, Ponta Grossa, v. 26, e20453.042, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.5212/OlharProfr.v.26.20453.042
» https://doi.org/10.5212/OlharProfr.v.26.20453.042 -
ZAGUI, F.; SIMÕES, R. M. R.; CARBINATTO, M. V. Ginástica e Exame Nacional do Ensino Médio. Conexões, Campinas, v. 13, n. 2, p. 115-126, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.20396/conex.v13i2.8640776
» https://doi.org/10.20396/conex.v13i2.8640776
-
1
Vale citar que não se trata de um estudo sobre o conteúdo dos itens de Educação Física presentes nas 15 edições do exame estudadas. No entanto, a análise exploratória desse material se torna fundamental para a compreensão da presença da Educação Física no Enem no período delimitado.
-
2
O leitor poderá consultar todas as provas e gabaritos do Enem no seguinte Link: https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enem/provas-e-gabaritos. Acesso em: 14 de junho de 2024.
-
3
Na página oficial do Ministério da Educação, na aba específica do Inep, o leitor poderá ter acesso aos microdados do Enem de cada ano de aplicação do exame. Em termos gerais, pode-se conceber os microdados como um conjunto de informações detalhadas relacionadas às pesquisas, aos exames e às avaliações do instituto. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/acesso-a-informacao/dados-abertos/microdados. Acesso em: 12 de junho de 2024.
-
4
Apesar de não existir menção a isso na matriz de referência, cabe destacar que, no ano de 2022, dois itens relacionados ao tema das práticas corporais de aventura estiveram presentes na prova do Enem. Nesse caso, existem duas explicações possíveis: ou a influência da BNCC, aprovada em sua versão final em 2018, já se fez presente de forma indireta no exame, ou, dada a emergência das discussões sobre práticas corporais de aventura, foi possível elaborar itens que dialogassem com a temática a partir de objetos de conhecimento presentes na matriz de referência.
-
Dados:
Podem ser acessados gratuitamente em: https://zenodo.org/records/18801899.
-
Uso de IA:
O estudo não fez uso de inteligência artificial em nenhuma etapa da sua construção.
-
Financiamento:
O trabalho não contou com financiamento de nenhuma natureza para a sua realização.
Editado por
-
Editores responsáveis por este artigo:
Alvaro Chrispino (editor associado)Marcelo Mocarzel (avaliador ad hoc)
Podem ser acessados gratuitamente em: https://zenodo.org/records/18801899.


Fonte: Microdados Enem (2020, 2022 e 2023)