Busca-se, neste artigo, analisar a geografia literária proposta por Milton Hatoum em quatro romances de sua autoria: Relato de um certo Oriente (1989), Dois Irmãos (2000), Cinzas do Norte (2005) e Órfãos do Eldorado (2008), todos eles, formas de expressão de uma visão crítica da modernização brasileira e afirmações de gesto de narrar como forma de compreender o mundo. Para isso, analisaremos os seus personagens contraditórios e seus narradores complexos, observando como a desaparição de uma antiga Manaus e de personagens que não se adequam a racionalidade capitalista acabam condenados e perdidos, sendo jogados no hospício, na prisão ou na miséria. Observamos também como a modernização, no contexto da ditadura militar, altera as descrições das relações e a geografia das cidades descritas pelos romances. A conclusão a que chegamos é que Hatoum tanto aponta para uma crítica da modernização violenta promovida pelos militares em seu romance como aponta para um poder narrativo da literatura que extrapola as conjunturas históricas.
Palavras-chave:
modernização; geografia literária; Milton Hatoum