Proponho, neste trabalho, um ponto de contato entre o imaginário contemporâneo e o contexto de crise ecológica-vivencial, intensificada no século XXI, por meio da identificação de uma práxis criativa em que o descentramento do indivíduo e do regime antropocêntrico são essenciais para a especulação de formas habitacionais desprogramadas. Para tanto, defendo a presentificação e a transfiguração como procedimentos nucleares em uma perspectiva expandida da arte contemporânea em que se inclui a literatura, representada pela produção de João Gilberto Noll na década de 1990 e de Evando Nascimento nos anos 2010. A ênfase nos autores revela a importância da paisagem natural nesse cenário, podendo representar uma miniatura metalinguística do espaço literário como um ambiente de mobilidade das formas; ao mesmo tempo, ela anuncia o experimento de um crescente dimensionamento espaço-temporal do sujeito - variação da ideia de conceber a vida como retorno aos fluxos de sua formação (Ingold, 2015). Implicações formais, como modos de dizer, e seu direcionamento à experiência de recepção, orientam os desdobramentos da análise.
Palavras-chave:
ecologia; presentificação; transfiguração; arte contemporânea brasileira