Open-access Das urdiduras do tempo: autoetnografia e autobiografia - conversações possíveis sobre a coletânea Tempo Tece(dor)

From the warps of time: autoetnography and autobiography - possible conversations about the collection Tempo Tece(dor)

De las deformaciones del tempo: autoetnografia y autobiografía - posibles conversaciones sobre la colección Tempo Tece(dor)

TEIXEIRA, Elaine Rosa. . Tempo Tece(dor). São Paulo: Scortecci, 2016.

A intenção primeira deste texto é apresentar essa resenha como um relato autobiográfico sobre as impressões de leitura de um sujeito leitor (também sujeito crítico-literário) afetado (no sentido deleuziano) na e pela própria linguagem da resenha. O que, reitera-se, não só é válido, mas também se trata de um curioso procedimento que garante um resultado interessante ao gênero resenha. Assim optamos aqui por fazê-lo desde o início. O presente texto se valerá de uma questão que será o seu fio condutor com o intuito de desenvolver a proposição supracitada: 1) Por que não se relacionar, desde o início, com a própria estrutura permitida pelo relato autobiográfico, pelas teorias da autoetnografia e desenvolver, talvez, um trabalho maior, que possa garantir também ao texto literário, que é o ponto de partida, certa justeza, certa justiça, de que também seja melhor envolvido no processo?

Para cumprir o objetivo deste trabalho, qual seja, realizar um ponto de convergência entre autoetnografia, autobiografia e análise literária, delinearemos um caminho que explora os limites do gênero discursivo (nos moldes bakhtinianos) ao tensionar, ainda, a narratividade daquilo que se tem como material literário e analítico para o crítico literário que tece um texto (uma pretensa resenha crítica) seguindo uma vereda que não é isenta das suas escolhas, das suas leituras e do muito já vivido. Assim, ao iniciar aqui a resenha, também entremostramos que, de certa maneira, aquele que escreve o texto não é imune às suas escolhas/preferências/expectativas.

O que dizer de “Tempo Tece(dor) 1 é que esta antologia híbrida (de contos, crônicas, poemas e fragmentos), prontamente, fala-nos ao coração, aliás, convida-nos à existência. Dizer da leveza, do entrelaçado dos fios que esboçam, delineiam as cores primárias dos sentimentos, estes mesmos resgatados em uma tentativa quase febril de atar as duas pontas da vida - as marcas indeléveis da infância com sabores, texturas, sussurros, peraltices e as perdas e ganhos de uma vida já adulta - é tarefa/caminho que se faz só e/ou, ainda, trilha que se faz percorrida pelos despertares singulares de uma imagem riquíssima de uma menina que desde sempre fora uma menina diferente das outras. Uma menina que ao descrever o cemitério o faz tão plasticamente, tão incrivelmente, que despertamos frente a uma imagem nunca entrevista, mas tão esperada de que “Cemitérios antigos são cidades pequenas com ruas estreitas e casinhas de bonecas” (Teixeira, 2016, p. 18).

As metáforas, as sinestesias, os paradoxos ditam o ritmo desta coletânea, cujo único passaporte para não passarmos incólumes após e/ou em sua leitura é termos a alma vasta como um dia sonhara Drummond. Ou ainda termos tido uma infância - que mesmo não sendo tão rica como a da nossa contista, possivelmente, também fora, ainda que, minimamente, povoada de prazeres e belezas singulares, entre elas, a de termos, ao menos, entrevisto uma romanzeira aqui, encontrado um beija-flor acolá, visto um ninho de rolinha ali e, ainda, esbarrado com a doçura e a fragilidade de um coleirinho.

Se não tivemos o ensejo e a peraltice de brincarmos com sapos, mais que isto, de portá-los em nosso bolso e recorrer a eles quando nos sentíamos vitimados por esta e/ou aquela covardia deste ou daquele colega e/ou irmão mais traquina, temos, por ora, a beleza estética de uma narradora- personagem que conhece como ninguém da arte de confabular, da arte de relatar em prosa - tipicamente poética - nuances e os deslizes de uma infância feliz, de uma infância possível/permitida. Ainda menina - tinha/era afeita ao dom da(s) palavra(s), especialmente, àquelas correlacionadas ao substantivo traquinagem e aos verbos correlatos. Eles parecem traduzir a menina que, desde sempre sonhara. Desde sempre era traquina/travessa e desde sempre entrevia com olhos de ver e ainda com olhos de sentir o quanto o tempo é inexorável. Basta ver os contos constituintes desta antologia, especialmente, o texto que o intitula: “Tempo Tece(dor)”, como “Almas Prisioneiras”, “Pétalas Cerradas”, “Astromélias e Lisiantos” e/ou como ainda não menos belo “O Reencontro dos Pardais”.

Nossa alma-coleirinho também adeja apreciar outras miragens, outras paisagens distintas do duro e inexorável existir adulto - tão mais complexo, tão mais árduo, tão mais enfadonho, tão mais finito. Se, por um lado, as perdas descritas/engendradas pela contista foram/são imponderáveis, incicatrizáveis e, por isso mesmo, valorosas, pois lhe ensinaram a viver diferentemente, por outro lado, as vivências infantis e juvenis ofertaram/oferecem um leque infinito de experimentações, a exemplo das mil e uma noites, acrescenta-lhe e adiciona-nos a promessa de infinitude.

Os limites de uma criança para uma criança se resvalam no muro - o muro é a região fronteiriça que separa o que é consentido daquilo que não o é. Contudo se a imaginação é inexaurível, ela passa por cima dos muros - seguros ou não - e ganha dimensões, contornos e possibilidades outras. Assim fez nossa narradora-personagem, assim apeteceríamos também realizar agora, nesta vida de agora, tão mais carregada de bagagens: acreditar que não há, nem nunca haverá muros, não haverá limites para se viver por il filo di tempo.

O chão da infância - recheado de sensações múltiplas onde o viver/o experimentar é o tempo presentificado, vivido, o único tempo feliz, aquele que nos permite ter asas e ao ter asas adejar por outros e outros caminhos guiados tão somente pelo coração - é descrito, magicamente descrito, e passeamos distraídos pelas histórias/estórias de amor, de loucura, de desejos, de compaixão, de riscos e artifícios onde o ser feliz acontecia. A menina queria mais que isto, desejaria voar livre - voo de coleirinho - “transcendendo a pequenez física com a grandiosidade do cantar” (Teixeira, 2016, p. 19). Assim também ambicionaríamos - nós, seus leitores - ao visitar páginas e páginas de ternura, de poesia, de metáforas deslizantes, de travessuras, de lições aprendidas na infância e que se seguiram por toda a sua vida e que não puderam ser jamais esquecidas.

Como aprendizes de feiticeiros, já que a contista parece ser uma legitima/uma sagaz feiticeira da palavra, do verbo, pois lavra-o até torná-lo pedra preciosa/tela prateada e, ainda, imagem plástica de sentimento, de todo o sentimento - quedamos absortos em seu viver, em seu tecer, em seu confabular tão mais instigante, tão mais poético e, ainda assim, também tão mais doloroso. Ela nos faz acreditar que é possível “colorir o cinza da tristeza com as cores diversas da imaginação, a colocar em cada canto, em cada rua, sementes de sobrevivência e a recolher-se qual casulo que aguarda, para nutrir-se e preparar as asas-defesas e lançar-se” (Teixeira, 2016, p. 21).

A contista, ainda, por meio de mãos, sentimentos, sensações, percepções feminina rosa de ser, entremostra que, a despeito da dor, da dor encarcerada “no quarto cofre, morada da moça prisioneira da rua” (Teixeira, 2016, p. 31), da dor de não mais abrir as pétalas uma vez mais, da dor de perder parte desta memória inocente, quando pardais esquecidos do galopar incessante do tempo brincavam e eram felizes, da dor aprisionada no tálamo onde repousam e aguardam astromélias e lisiantos por um dia (re)encontrar-se, da dor da mãe que perde um dos filhos diversos e/ou diversos filhos para a insanidade, para o esquecimento de si, para a imensidão da alma-coração cofre - é permitido acreditar no reencontro dos pardais, em outros ninhos-dimensões, em outras moradas-vivências, em outras instâncias, aliás, é possível seguir adiante. Diríamos que é imprescindível seguir, pois há fiapos de sonhos, verdes sonhos que podem e, ainda, carecem amadurecer. Há restos de coragem. Há resquícios de lucidez. Há restolhos, há vestígios de esperança e haverá anseios de que a vida “mesmo dolorida” é bonita.

A escritora ainda nos faz acreditar/sonhar que é possível ter/viver memórias inocentes - lá onde o chão da infância encharca-se, traz de novo ao coração, brincadeiras; sonhos pueris; preces para anjos desconhecidos; sapos agasalhados pelo calor de suas mãos tão infantis; bolhas de sabão explodindo e fazendo deflagrar a emoção; a alegria de sermos tão somente crianças e crermos, danadamente, que somos seres infinitos. Neste resgate das memórias inocentes, é fácil crer que as preces para anjos desconhecidos foram ouvidas, pois extraem de nossos melhores sonhos de crianças a probabilidade de dar vidas para seres que ainda iremos conviver. As preces são audíveis e devolvem à narradora-personagem a possibilidade de não mais se sentir só. Agora “na hora do ângelus” terá uma menina-irmã e, tempos depois, quando a narradora-personagem (já mulher feita) terá também uma menina-filha com sapatos de verniz que, por diversas vezes, em um futuro próximo, lhe fará acreditar que, em outras vidas e, até mesmo, nesta vida vivida/presentificada, esta menina-filha com sapatinhos de verniz representará uma menina-filha, uma mulher-mãe e, ainda, uma mulher-filha e mãe que também sonhará (quando chegada a hora) com uma menina de sapatinhos de verniz.

Se, por alguns e inumeráveis momentos, as preces serão a garantia de corporificar/presentificar seres até então inanimados, em outros momentos, elas serão a única saída para exercer com sofreguidão os correlatos do vocábulo desapego quando então entrega seu irmão-pardal para outros jardins que não o seu coração. Assim, as preces não serão mais capazes de reverter o fato de que um dos pardais-menino fora embora, para outras dimensões, e, então pétalas cerradas é um fato irreversível: “Sua voz, timbre perfeito, deveria cantar todas as belas canções... Elas serviriam para enfeitar os dias de silêncio... Para abrir as pétalas cerradas.... Para trazer um céu de anil e a noite misteriosa na galáctica apoteose...” (Teixeira, 2016, p. 49).

Se, no conto “Ad te”, “esta vida é um caminhar latejante que nem pés descalços no chão em dia de sol cáustico. Vida de abrir mão do que se quer, vida de deglutir o peso na garganta” (Teixeira, 2016, p. 73) em “O reencontro dos pardais”, a narradora-personagem, agora, tão somente, a menina-pardal com asinhas quebradas e coração fragmentado/contido, esboça em sorrisos - resgatados de um passado bem-aventurado - uma tela com tons diversos, capaz de alegrar o irmão-pardal-caçula e outorga-lhe um pouco mais de felicidade - onde crianças eram tão somente pardais - livres, felizes, olvidados do tempo finito e, ainda, busca nos arquivos da memória (lá onde o recordare - trazer de novo ao coração aquilo que o deixou encharcado) as imagens de um tempo onde ser feliz era possível, onde crianças sapecas brincavam, confabulavam e desafiavam o muro - região fronteiriça.

No tempo do era uma vez... pardais brincavam; mãos alvas de almas prisioneiras tateavam a cor do sol; preces para anjos presentificavam seres; bolhas de sabão escorriam por todos os cantos; filhos (diversos filhos) seguiam cada um o seu destino/o seu fado; jardineiros mancos cantavam a canção inesquecível/inefável; colchas de retalhos eram tecidas e destecidas; astromélias e lisiantos faziam amor para não se esquecerem que ao dormir poderiam acordar para outra realidade e, nesta outra ambicionada realidade, suas palavras reveladoras poderiam ser encarnadas, poderiam ser proferidas e o circundante não se assustaria com o seu tom uníssono; havia a casa da tia madrinha com toda a sua brancura e tantas e tantas guloseimas guardadas em latas bordadas com papoulas vermelhas - tudo sem mácula, tudo sem desordem, tudo sem poeira... havia, enfim, o tempo não mais do que perfeito do era uma vez... o tempo atemporal, cíclico... simplesmente ser feliz acontecia...

Finda a leitura, rematada as percepções ímpares de uma menina sensitiva, perspicaz, não temos/não teremos a promessa de um caramelizado final feliz - clássico dos contos de fadas. Temos, tão somente, a probabilidade de ver nossa vida, nossos anseios, nossos melhores sonhos alinhavados com linhas tais onde seguir é a única cor entrevista que temos e haveremos de ter. Assim conta a história que... uma vez contista, terá na pele, na alma, no riso, na promessa, na fala, no desejo, no afã, no transcendente, nos olhos de amora e/ou nos olhos de romã - que espera pelo amadurecer - o compromisso inapagável de encher páginas e páginas de ternura, de dor, de ninhos, de cantos de passarinhos, de amores possíveis e impossíveis, de perdas, de promessas, de histórias mais que perfeitas.

Conta ainda a história que entre a leveza e o peso, entre o dito e “não-dito”, entre a promessa e a espera, entre o vir e devir, entre o ser e o não ser, há fatos, relatos, ficções transfiguradas, metaforizadas. A leveza é/parece ser o voo dos pardais e os verbos e substantivos correspondentes. Leve ainda é a capacidade da escritora em exteriorizar sentimentos que pareceriam, em um primeiro momento, não verbalizáveis. Leve é o amor, leve é a romã - fruta que exerce, diariamente, o exercício da paciência/da espera/da entrega. Leve é a brisa empurrando a criança para bem próximo ao muro - lugar proibido, leve é o reencontro dos pardais. Leve é o amor uníssono de astromélias e lisiantos. Leve é, ainda, “Feminina Rosa”, leve é o amor fraterno e os sentimentos pueris - “Quando se é menina percebe-se que a poesia baila solta no ar, desde sempre. A poesia fora semeada por fadas de sapatinhos transparentes com brilhos prateados, varinha de condão com estrela na ponta, pequenos duendes, e, todos eles, acompanhariam a infância premiada daquela que tem a imaginação fértil e sonhadora” (Teixeira, 2016, p. 33).

Denso/pesado é a dor, a perda, a loucura que encarcera gente feito bicho acuado, solitário; Pesado é a impossibilidade do amor; Pesado, ainda, é a incompreensão que lacra/rotula e etiqueta tudo que lhe parece possível; Pesada ainda é a dor e a arte de exercer o desapego, sobretudo, aos entes queridos. Pesada é a solidão que só se enluariza quando há plenilúnio... Leve é “a feminina chuva, feminino aroma, feminina Rosa” (Teixeira, 2016, p. 35) que nos faz crer, a cada uma das estórias lidas desta antologia que: “Tem gente que é assim mesmo. Despede chegando e parte querendo ficar...” (Teixeira, 2016, p. 74).

Considerações finais

Como considerações finais, diríamos que ao realizar a resenha do livro Tempo Tece(dor), que antes de ser publicado tinha o título provisório de “Preces para anjos desconhecidos”, não pode ser feita sem a marca das leituras, das subjetividades e das afetações a que este sujeito-crítico e leitor esteve e está suscetível, uma vez que conforme dissera, em outros tempos, Autran Dourado (2020) em seu livro homônimo: “o risco do bordado não é a gente que traça” (Dourado, 2020, p. 189). Futuramente, pretendemos lançar esta e outras resenhas e, ainda, outros textos com o nome de Vento na Roseira - uma série de textos autobiográficos.

Insistimos que o pesquisador, o crítico não é imune ao que seu objeto de pesquisa e quase sempre não se apresenta com isenção e longe (à distância) da análise a ser feita, portanto, o pesquisador, o crítico não é outsider. Uma resenha é um gênero discursivo que traz em si alguns tensionamentos entre as vivências, as preferências e as singularidades do crítico também leitor e afetado por suas inscrições/formações e estas aparecerão, umas vezes mais, outras vezes menos, no tecido textual. Assim, se em um dado momento, o texto da resenha apresenta um tom celebratório é porque, de certa maneira, somos e estávamos afetados pela linguagem que prontamente nos convocara e convoca à existência ou ainda porque, como leitores, também somos afeitos à palavra, ao verbo.

Assim, este sujeito crítico literário (também um leitor e réu confessos) conceberia a escrita como uma possibilidade de emoldurar o olhar e, talvez por esta razão, retomaria versos outros, vocábulos outros que lhe modelaram a alma quando esteve envolvida/envolvido pela possibilidade de viver o amor “substantivado” pela palavra - tecido do escritor. Não saberíamos, pois, distinguir o que era seu e o que era do outro - não por falta de princípios éticos e/ou inabilidade para lidar com a palavra, mas por acreditar que cada “leva de flores” que trazia, em pauta, para aquela pessoa era, fora e, talvez, seria uma forma de resgatar a si mesma. Uma maneira outra de reeditar e expressar a melancolia contida e anunciar o sentimento de fracasso afetivo como quem debulha bagos de milho de olhos fechados. Assim, desejou pensar que poderia colocar em linhas o que sentira, mas cada um lê as páginas escritas com os olhos “tocados” por sua própria e exclusiva subjetividade.

Desejaríamos ter deflagrado para os possíveis leitores que o amor nutrido pelo verbo/palavra feito canto de cigarras na primavera não é isento, não consegue ser isento e, ainda assim, incumbe- se de tentar apresentar um texto, uma resenha que traz em si os tensionamentos mandatórios de uma narratividade singular em que as marcas de uma autobiografia fazem-se notar nesta ou naquela predileção: por vocábulos, por escolhas textuais e por preferências de tom que o texto resenhado vai/foi ganhando. Neste caso, havemos de concordar que toda e qualquer escrita será sempre resgate de “outras” - especialmente por esta ou aquela razão que nos tocaram a alma feito o violino que arranca do artista sua melhor melodia, feito troca de roupagem da cigarra que abandona a casca velha e cria outra nova, feito “sabatina” em vida que arrebata de nós talvez a melhor porção.

Referências

  • DOURADO, Autran. O risco do bordado. Rio de Janeiro, Rocco, 2020.
  • TEIXEIRA, Elaine Rosa. Tempo Tece(dor). São Paulo: Scortecci, 2016.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    07 Jul 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    30 Out 2024
  • Aceito
    01 Mar 2025
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Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, Programa de Pós-Graduação em Literatura da Universidade de Brasília (UnB) Programa de Pós-Graduação em Literatura, Departamento de Teoria Literária e Literaturas, Universidade de Brasília , ICC Sul, Ala B, Sobreloja, sala B1-8, Campus Universitário Darcy Ribeiro , CEP 70910-900 – Brasília/DF – Brasil, Tel.: 55 61 3107-7213 - Brasília - DF - Brazil
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