No livro ilustrado infantil Eustáquio, o mágico magnífico, os significados socioculturais que permeiam dados imaginários ocidentais quanto à página em branco - referentes ao nada, ao vazio, possivelmente a um novo começo - são retorcidos em um jogo de linguagem que rompe com sua própria estrutura narrativa por meio de uma relação visual. Este artigo propõe uma leitura desse movimento à luz da teoria do nonsense literário. Apesar de a obra basilar de Wim Tigges versar sobre uma suposta natureza verbal do nonsense, muitos estudos foram dedicados à análise de um nonsense pictórico que se constrói em diálogo com a palavra. De acordo com estudos que variam desde 1987 até 2019, três são as relações entre palavra e ilustração na construção de uma narrativa visual convidativa ao nonsense: complementaridade, ampliação e contraposição, das quais se destaca a última. No caso de Eustáquio, o mágico magnífico, encontra-se um nonsense produzido a partir da primeira, através do recurso da literalidade, que, por sua vez, tende a privilegiar a metáfora, embora esta tampouco esteja presente no referido livro. Conclui-se, portanto, que a obra atua nas brechas de estruturas normativas referentes ao livro ilustrado infantil, ao nonsense verbal e pictórico e a uma narrativa visual.
Palavras-chave:
livro ilustrado infantil; nonsense literário; narrativa visual; jogo de linguagem
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