Este artigo propõe uma leitura filosófica da obra Correr com rinocerontes, de Cristiano Baldi, à luz de dois paradigmas do pensamento político britânico: o pragmatismo liberal de John Stuart Mill e o conservadorismo liberal de Edmund Burke. A análise investiga os modos como o romance encena o esgotamento das mediações institucionais e morais no Brasil contemporâneo, articulando uma sensibilidade liberal à altura do sofrimento e da fragmentação subjetiva de seus personagens. O percurso argumentativo justifica o uso de categorias filosóficas não como moldes exógenos, mas como lentes críticas capazes de iluminar o alcance ético-estético do romance. Ao entrecruzar crítica literária, filosofia política e teoria do romance, o artigo contribui para a compreensão dos impasses da literatura brasileira contemporânea diante do colapso civilizacional. Este artigo ensaístico oferece, por fim, um modelo interpretativo que inscreve Baldi em um debate maior sobre o lugar da imaginação moral em tempos de brutalização da vida comum.
Palavras-chave:
literatura brasileira contemporânea; Cristiano Baldi; liberalismo; conservadorismo