Open-access COVID-19 e o risco aumentado de miopia e fadiga ocular digital

Caro Editor,

A atual pandemia da doença pelo coronavírus 2019 (COVID-19), causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), tem apresentado efeitos catastróficos para a sociedade em diversos níveis, incluindo problemas sociais, econômicos e de saúde pública.(1,2) Os casos graves da doença estão geralmente associados a sintomas respiratórios, renais e complicações cardiovasculares, assim como a outros riscos relacionados.(3,4)

Mais especificamente, a pandemia da COVID-19 tem modificado significativamente nosso estilo de vida devido, em grande parte, às medidas de “distanciamento social“ que têm sido adotadas a fim de se reduzir as taxas de infecção por SARS-CoV-2, proteger as populações vulneráveis e prevenir o colapso dos sistemas de saúde.(5) Diante disso, diversas mudanças em nosso rotina diária têm ocorrido, como o aumento do tempo de permanência na frente de monitores de computadores e telas de televisores.(6)

Atualmente, oftalmologistas de todo o mundo estão preocupados com o risco de aumento na incidência de casos de progressão de miopia, os quais têm sido denominados de “miopia da quarentena”, além ainda dos números sobre a ocorrência de fadiga ocular digital. Ambas as condições estão relacionadas com as medidas de restrição impostas, que, por sua vez, têm levado a um confinamento doméstico compulsório.(7) De fato, permanecer por mais tempo em casa está provavelmente mais associado a passar mais horas na frente de tablets, smartphones e monitores de computadores.

Nesse contexto, o uso de dispositivos digitais portáteis tem sido associado com alterações no processo de acomodação (aumento do LAG acomodativo e amplitude reduzida), bem como com convergência fusional diminuída, resultando em fadiga ocular digital.(8) Os dispositivos digitais portáteis e monitores de computadores podem reduzir a taxa de piscadas e alterar a estabilidade lacrimal, com risco de desenvolvimento da síndrome do olho seco.(9) Outra questão está relacionada ao impacto negativo da atividade intensa de trabalho de perto (como ler, estudar, assistir à televisão ou jogar videogame etc.) e da redução do tempo gasto em atividades ao ar livre para a progressão da miopia, provavelmente devido à influência desses fatores ambientais sobre as vias dopaminérgicas.(10)

O aumento da prevalência de miopia pode levar a uma maior frequência de complicações da visão decorrentes do próprio distúrbio ocular, incluindo o descolamento e as rupturas de retina bem como a neovascularização associada à miopia patológica.(11)

Dado o cenário atual, é de suma importância para gestores e autoridades de saúde proverem a expansão de serviços de saúde voltados para o acompanhamento oftalmológico da população,(12) a fim de prevenir o aumento da prevalência de doenças oculares não negligenciáveis, incluindo a miopia e os distúrbios da superfície ocular (tal como a fadiga ocular digital). Além disso, campanhas educativas sobre esse assunto devem ser implementadas o mais brevemente possível, com ênfase na importância de evitar a exposição por longos períodos em frente a monitores de computadores e dispositivos digitais por­táteis, com o objetivo de preservar a saúde ocular.

Referências bibliográficas

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  • 3 Avila J, Long B, Holladay D, Gottlieb M. Thrombotic complications of COVID-19. Am J Emerg Med. 2021;39:213-8. Review.
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  • 12 Vagge A, Ferro Desideri L, Iester M, Del Noce C, Catti C, Musolino M, et al. Management of pediatric ophthalmology patients during the COVID-19 outbreak: experience from an Italian tertiary eye center. J Pediatr Ophthalmol Strabismus. 2020;57(4):213-6.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    24 Maio 2021
  • Data do Fascículo
    2021

Histórico

  • Recebido
    04 Fev 2021
  • Aceito
    22 Fev 2021
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