O livro de Nuno Palma busca explicar por que Portugal é pobre em relação à Europa, apesar de ter tido uma trajetória favorável no século XVII. A tese central é que a extração e envio do ouro brasileiro no século XVIII agiu como uma “maldição dos recursos”. Este fluxo de ouro teria causado uma apreciação cambial e um aumento dos preços internos, levando à desindustrialização e perda de competitividade. A resenha argumenta que a interpretação de Palma sobre o impacto negativo do ouro do Brasil para a indústria portuguesa parece fazer mais sentido para a primeira metade do século XVIII e não para todo o século ou período posterior. Palma não menciona o aumento do comércio colonial no final do século XVIII e início do século XIX e assim não considera sua importância para o fomento da indústria em Portugal. O autor argumenta que o Império não enriqueceu Portugal significativamente e defende que as políticas do Marquês de Pombal foram desastrosas, principalmente a expulsão dos jesuítas, que atrasou a educação, o principal entrave para o desenvolvimento. O crescimento econômico moderno português parece ter ocorrido apenas entre 1950 e 2000, impulsionado pela industrialização, alfabetização e integração europeia. A resenha argumenta que a tardia transição demográfica em Portugal poderia ser investigada como hipótese do atraso português.
Palavras-chave:
Ouro brasileiro; Maldição de recursos; Atraso econômico