Objetivo: Este artigo analisa como a desinformação de tipo negacionista e as políticas públicas de opacidade estruturaram um regime autoritário de informação no Brasil durante o governo Bolsonaro (2019-2022).
Método: A pesquisa adota abordagem qualitativa e documental, articulando revisão teórica sobre regimes de informação e negacionismo à análise de atos normativos, medidas administrativas e discursos oficiais. A metodologia incluiu levantamento de decretos, medida provisória e discursos presidenciais, com ênfase em seus efeitos sobre a transparência institucional. Foi utilizada inteligência artificial generativa para revisão de texto e avaliação final de forças e fraquezas do trabalho.
Resultado: Os principais resultados revelam a construção deliberada de uma arquitetura da opacidade, composta pela ampliação de sigilos, esvaziamento do Arquivo Nacional, extinção de conselhos participativos e uso estratégico da comunicação digital para disseminar desinformação. A pesquisa demonstra que tais ações comprometeram o acesso à informação, enfraqueceram a memória institucional e instauraram um regime de verdade baseado na dúvida e na deslegitimação da ciência.
Conclusões: A principal contribuição do estudo é evidenciar que o negacionismo operou como arma política e linguagem estruturante de um modelo de governo informacional autoritário. Ao instrumentalizar a desinformação e fragilizar os mecanismos de accountability, o governo Bolsonaro reconfigurou as bases democráticas do direito à informação no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE:
Desinformação; Negacionismo; Transparência pública; Políticas públicas; Jair Bolsonaro.