RESUMO
Objetivo: Examina unidades terminológicas presentes na letra da música “Voando pro Pará”, identificando de que modo esses vocábulos representam conceitos vinculados à cultura paraense e estruturam um domínio específico. Considerou-se que produções musicais podem funcionar como documentos culturais capazes de condensar práticas, objetos e referências identitárias, constituindo fontes legítimas para investigações em Organização do Conhecimento (OC) e Terminologia.
Metódo: O percurso metodológico adotou delineamento qualitativo, descritivo-analítico, fundamentado nos aportes de Dahlberg para a OC e na Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT), conforme formulada por Cabré. O corpus correspondeu à letra integral da música, tratada como documento informacional. As etapas abrangeram: transcrição e normalização textual; identificação das unidades denominativo-conceituais; modelização dos conceitos com base em quadros terminológicos; e análise das relações hierárquicas, associativas e funcionais.
Resultado: Indicaram a existência de um sistema terminológico parcial composto por nove unidades como tacacá, pupunha com café, açaí, Ver-o-Peso, Estação das Docas, Mangal das Garças, Forte do Presépio, point do açaí e Re-Pa. Tais unidades configuram três subdomínios estruturantes: culinária amazônica, espaços urbanos de referência e sociabilidade/lazer. Verificou-se que esses termos apresentam estabilidade denominativa, relevância conceitual e capacidade de organizar significados socialmente reconhecidos, constituindo um conjunto coerente de representação do conhecimento cultural.
Conclusões: Conclui-se que a música analisada se concretiza como documento de conhecimento, permitindo explicitar estruturas conceituais que descrevem a cultura paraense. A integração entre OC e TCT mostrou-se eficaz para revelar a lógica interna do domínio e ampliar o escopo de aplicação da análise terminológica em contextos socioculturais.
PALAVRAS-CHAVE:
Cultura paraense; Análise terminológica; Música popular; Organização do conhecimento; Informação e cultura.
ABSTRACT
Objective: To examine the terminological units present in the song “Voando pro Pará”, identifying how these lexical items represent concepts linked to culture of Pará, Brazil, and structure a specific cultural domain. The study considered that musical productions can function as cultural documents capable of condensing practices, objects, and identity references, thus constituting legitimate sources for investigations in Knowledge Organization (KO) and Terminology.
Methods: The methodological approach adopted a qualitative, descriptive-analytical design, grounded in Dahlberg’s contributions to KO and in the Communicative Theory of Terminology (CTT), as formulated by Cabré. The corpus consisted of the complete lyrics of the song, treated as an informational document. The analytical steps included: transcription and textual normalization; identification of denominative-conceptual units; conceptual modeling based on terminological frames; and analysis of hierarchical, associative, and functional relations.
Results: The findings indicated the existence of a partial terminological system composed of nine units - tacacá, pupunha com café, açaí, Ver-o-Peso, Estação das Docas, Mangal das Garças, Forte do Presépio, point do açaí, and Re-Pa. These units configure three structuring subdomains: Amazonian cuisine, urban reference spaces, and sociability/leisure. The terms exhibited denominative stability, conceptual relevance, and the capacity to organize socially recognized meanings, forming a coherent set of cultural knowledge representation.
Conclusions: It is concluded that the analyzed song operates as a knowledge document, enabling the explicit representation of conceptual structures that describe the culture of Pará. The integration between KO and CTT proved effective in revealing the internal logic of the domain and expanding the applicability of terminological analysis in sociocultural contexts.
KEYWORDS:
Culture of Pará; Brazil; Terminological analysis; Popular music; Cultural identity; Information and culture.
1 INTRODUÇÃO
A cultura, entendida como processo contínuo de construção de significados, manifesta-se por meio de práticas que expressam modos de vida e orientam formas de pertencimento coletivo (Williams, 2000). Na perspectiva de Hall (2003), as identidades culturais não derivam de essências fixas, mas de discursos e representações que atribuem significados a palavras, imagens e sons. A música popular brasileira, dentro desse quadro, constitui uma linguagem privilegiada de comunicação cultural, capaz de ativar memórias, expressar afetos e traduzir experiências sociais diversas.
À luz desse panorama, este artigo examina, de forma sistemática, as unidades terminológicas presentes na música “Voando pro Pará”, investigando como os termos mobilizados em sua letra representam e estruturam dimensões relevantes da cultura paraense. A análise articula fundamentos da Organização do Conhecimento (OC), da Terminologia, especialmente a Teoria Comunicativa da Terminologia (TCT), e dos estudos culturais, a fim de compreender de que modo a música popular participa dos processos de produção, circulação e atualização dos sentidos que conformam a identidade amazônica no Brasil.
Assim, a OC oferece instrumentos para explicitar como esses elementos se articulam enquanto sistema conceitual. Para Dahlberg (2006), o conhecimento organiza-se por meio de conceitos e relações que possibilitam a comunicação e a compreensão do mundo. No campo cultural, tais estruturas emergem de comunidades discursivas (Hjørland, 2008), que compartilham repertórios e práticas de significação, sustentadas por sistemas de pertinência socialmente construídos (Schutz, 1967). Nesse sentido, a OC torna-se adequada para este estudo por permitir modelar relações semânticas, hierárquicas e associativas que emergem do corpus musical, sem atribuir a esse conjunto função normativa.
Além disso, a terminologia, em especial sob a ótica comunicativa defendida por Cabré (1993, 2005), permite descrever com precisão essas unidades. A TCT reconhece que termos não se restringem ao vocabulário técnico-científico. Qualquer expressão linguística que represente um conceito relativamente estabilizado no uso de uma comunidade discursiva pode funcionar como termo, desde que mobilize saberes situados e desempenhe função comunicativa específica.
A música “Voando pro Pará”, interpretada por Joelma, ilustra esse fenômeno. Com sua visibilidade recente em plataformas digitais, vocábulos como tacacá, pupunha com café, açaí, Ver-o-Peso, Estação das Docas, Mangal das Garças, Forte do Presépio, point do açaí e Re-Pa passaram a circular nacionalmente, despertando interesse de ouvintes de diferentes regiões. Cada um desses termos avança além da referência literal e condensa práticas, tradições e significados que estruturam o cotidiano paraense.
2 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
A pesquisa foi conduzida por meio de um delineamento qualitativo, de caráter descritivo-analítico, fundamentado nos aportes da OC em Dahlberg (2006) e da TCT, conforme formulada por Cabré (1993, 2005). A metodologia estruturou-se em quatro eixos operacionais interdependentes: a definição do corpus; a identificação das unidades terminológicas; a modelização conceitual e o exame das relações entre os termos; e a interpretação comunicativa e cultural das unidades no âmbito da “Cultura popular paraense”. Cada eixo foi guiado por princípios ontológicos, semânticos e pragmáticos que permitem considerar a música não apenas como produto estético, mas como documento portador de conhecimento, conforme entendimento de Buckland (2018). Assim, buscou-se integrar fundamentos teóricos e procedimentos técnicos em um percurso analítico coerente.
O corpus da investigação corresponde à letra completa da música “Voando pro Pará”, interpretada por Joelma e lançada em 2016. Essa escolha justificou-se pela presença consistente de elementos culturais amazônicos e pela natureza informacional da obra, capaz de condensar práticas, espaços, sabores e experiências identitárias. A letra foi tratada como documento cultural em sentido amplo, seguindo a concepção de Buckland (2018), o que autorizou sua análise no âmbito da OC e da terminologia. Dessa forma, a seleção não se limitou ao critério temático, mas considerou o potencial epistêmico do texto para a descrição de unidades denominativo-conceituais.
Após a definição do corpus, procederam-se às etapas de transcrição, normalização e segmentação léxica, garantindo-se a padronização necessária ao tratamento terminológico. Optou-se por trabalhar exclusivamente com a versão textual da obra, desconsiderando variações fonéticas ou performáticas, de modo a assegurar um objeto de análise compatível com as exigências metodológicas da OC e da TCT.
A identificação das unidades terminológicas seguiu os critérios da TCT, que concebe o termo como entidade linguística ativada em situações comunicativas concretas. A varredura lexical da letra buscou localizar elementos que apresentassem simultaneamente estabilidade denominativa, relevância conceitual para o domínio cultural amazônico e função referencial e discursiva na construção do universo representado pela música. Esse procedimento permitiu selecionar unidades amplamente reconhecidas no repertório sociocultural, tais como tacacá, pupunha com café, açaí, Ver-o-Peso, Estação das Docas, Mangal das Garças, Forte do Presépio, point do açaí e Re-Pa. Cada termo contribui para organizar práticas alimentares, espaços urbanos, patrimônios históricos e formas de sociabilidade, constituindo elementos estruturantes do domínio em análise.
A análise dos termos fundamentou-se no modelo de Cabré (1993, 2005), segundo o qual as unidades terminológicas estabelecem conexões com outros elementos da linguagem natural e com sistemas de sentido que extrapolam o âmbito estritamente linguístico. Para operacionalizar esse modelo, elaboraram-se quadros terminológicos contendo a unidade denominativo-conceitual, a representação conceitual, a dimensão comunicativa, as relações dentro do domínio e a função desempenhada no sistema. Esse processo exigiu a delimitação conceitual de cada termo, apoiada em descrições socioculturais, históricas e etnográficas relacionadas ao contexto paraense.
Na etapa seguinte, identificaram-se as relações semânticas relevantes, incluindo vínculos de superordenação e subordinação, relações partitivo-constitutivas e associações funcionais, conforme o enfoque cognitivo da OC. Os termos foram agrupados em três domínios parciais, culinária amazônica, espaços urbanos de referência e sociabilidade/lazer, formando um minissistema terminológico. A partir desse arranjo, construiu-se uma ontologia microestrutural que apresenta as hierarquias, articulações e dependências entre as unidades, evidenciando um domínio integrado.
Por essa razão, a análise privilegiou não apenas aspectos linguísticos, mas também dimensões cognitivas e comunicativas, em consonância com a TCT e com as práticas contemporâneas de modelização conceitual. Na etapa final, a modelização terminológica foi articulada à análise da música.
3 ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO: FUNDAMENTOS TEÓRICOS E ENQUADRAMENTO CONCEITUAL
A OC constitui-se um dos campos teóricos centrais da Ciência da Informação, voltado ao estudo das estruturas conceituais e dos processos que tornam o conhecimento acessível, comunicável e reutilizável. Sua origem remonta aos esforços de sistematização dos saberes humanos empreendidos desde a Antiguidade, mas consolida-se como disciplina científica no século XX, especialmente com os trabalhos de Ingetraut Dahlberg (2006) e a fundação da International Society for Knowledge Organization (ISKO).
Para Dahlberg (2006), a constituição teórico-científica de uma ciência depende de ela possuir tanto um objeto próprio quanto um campo de aplicação definido. Os termos “conhecimento”, entendido como aquilo que é sabido, e “organização”, como a ação de estruturar algo de acordo com um plano, indicam, portanto, o objeto e a área de atuação dessa disciplina.
A OC fundamenta-se na categorização da informação, com o intuito de ordenar o conhecimento comunicado. Hjorland (2008, p. 96) a descreve como “um campo que consiste em algumas unidades, elementos ou entidades a serem organizadas e algumas relações entre essas unidades, suas relações semânticas e relações bibliográficas”. Essa definição remete à necessidade de padronização e sistematização, visando facilitar o acesso à informação estruturada nos domínios científicos. De modo semelhante, Dahlberg (1993, p. 214) entende o “conhecimento como informação ordenada e digerida”, reforçando o caráter organizativo do campo.
A OC também se compreende como um diálogo permanente entre “comunidades de discurso”, empenhadas em resolver problemas sociais por meio de sistemas de organização do conhecimento, como bases de dados, classificações, catálogos, bibliotecas e arquivos, mecanismos que mediam, sustentam e produzem conteúdos sociais. Esse diálogo exige a confiabilidade das operações de representação, classificação e categorização que ocorrem nas comunidades em que o saber é produzido e sistematizado, sob diferentes “paradigmas” de categorização (Hjorland, 2003).
Nessa perspectiva, a OC corresponde ao modo como os temas são sistematizados para atingir finalidades específicas. Teoricamente, suas análises operam em dois níveis, estrito e amplo, representando o conhecimento a partir de processos de descrição, indexação e classificação documental. Guimarães (2003) ressalta que o estudo do conhecimento demanda uma abordagem crítica capaz de alcançar os níveis mais profundos das especializações, de modo a ordenar e compreender as múltiplas formas de produção de saber.
Andersen e Skouvig (2006) observam que os estudiosos da OC reconhecem sua importância para a organização social mediada pela informação. Todavia, destacam que o reconhecimento social de seu valor depende de um avanço analítico capaz de contemplar a dimensão histórica e social das formas de organização do saber. Desse ponto de vista, a investigação da OC deve vincular-se a outras ciências sociais e humanidades, tratando das relações entre poder, conhecimento e texto na cultura.
Os SOCs, compreendidoscomodispositivosdeinformaçãoeconhecimento, estruturam-se como sistemas conceituais que articulam os termos, as definições, os relacionamentos e as propriedades dos conceitos em um domínio específico (Moura, 2018, p. 122).
Nesse sentido, a observação dos discursos de poder evidencia que a utilização instrumental dos termos, tal como se manifesta nas performances discursivas, não se reduz a um recurso técnico de nomeação, mas integra regimes de produção de sentido socialmente situados.
É nesse plano que se torna possível apreender a performatividade da linguagem terminológica, compreendida como prática discursiva atravessada por disputas políticas e socioplurais, na medida em que os sistemas de organização do conhecimento intervêm nos modos de apreensão, estabilização e circulação dos códigos culturais.
3.1 A terminologia como base conceitual e comunicativa para a análise de termos
A terminologia, como disciplina científica, fornece à OC o arcabouço teórico e metodológico para a análise das unidades conceituais que estruturam os discursos especializados ou socioculturais. Cabré (2005) define a terminologia como o estudo sistemático dos termos e de suas relações dentro de um domínio, articulando dimensões linguísticas, cognitivas e comunicativas. Nessa perspectiva, os termos assumem papel importante ao possibilitar a representação e a contextualização da realidade social de comunidades discursivas. Assim, o termo constitui uma unidade linguística destinada a designar conceitos, objetos ou processos. O termo “é a unidade terminológica de designação de elementos do universo percebido ou concebido” (Gouadec, 1990, p. 3).
Os termos expressam e traduzem a realidade identitária de uma comunidade ou campo especializado, funcionando como um código cultural cuja significação é compreendida por aqueles familiarizados com seu uso e contexto. Dessa forma, a terminologia manifesta-se em múltiplos espaços comunicativos, exercendo função social relevante, na qual a padronização linguística se torna um elemento essencial tanto informativo quanto comunicativo (Krieger; Finatto, 2018).
Enquanto componentes dos processos discursivos, as unidades terminológicas estabelecem conexões com outros elementos da linguagem natural e com sistemas de representação que extrapolam o âmbito estritamente linguístico. Tal visão permite compreender os termos de modo mais abrangente, superando as limitações das abordagens tradicionais (Cabré, 2005).
Nesse contexto, a terminologia relaciona-se aos domínios da informação e comunicação, atuando como um instrumento para sua análise e implementação na vida cotidiana, na qual os discursos são socialmente estruturados, refletindo uma variedade de identidades culturais. Assim sendo, a terminologia assume um papel importante e representativo como uma prática de representação do conhecimento presente nos discursos, manifestando-se em diversas dimensões que incluem a comunicação de identidades nacionais, regionais, político-identitárias ou de grupos (Barros, 2004).
Os termos são ações comunicativas em qualquer fenômeno linguístico. Na comunicação, utilizam-se termos com significados específicos, surgindo de maneira complexa e refletindo as estruturas e variações da linguagem nos contextos sociais. Estes termos não são meras palavras isoladas, mas partes de um sistema lexical abrangente que evolui através das interações sociais. Desempenham um papel na descrição das especificidades cognitivas e linguísticas, abrangendo aspectos gramaticais, pragmáticos, textuais e discursivos nas ações comunicativas. Em contextos específicos, transformam-se em representações, tornando-se símbolos de ideias, valores e conhecimentos compartilhados dentro de uma comunidade. Essas representações organizam-se e compreendem-se por meio de unidades terminológicas, compostas por palavras ou expressões que encapsulam significados especializados. Essas unidades terminológicas reforçam a identidade e os valores da comunidade que as emprega, promovendo reflexão e coesão social.
Nesse contexto, os estudos terminológicos encontraram na TCT uma abordagem alternativa à tradicional Teoria Geral da Terminologia (TGT), cujo início remonta historicamente a Wüster, em 1931. Enquanto a TGT concebe os termos como unidades de princípios padronizados para facilitar a comunicação e a troca de informações especializadas (Barité, et al., 2015), a TCT propõe uma visão diferente. Ao focar nas interações sociais e contextuais, a TCT oferece uma perspectiva mais dinâmica e comunicativa sobre o papel dos termos especializados.
Para este sentido, surge a TCT que propugna que os termos não devem ser considerados isoladamente, mas sim como elementos intrínsecos ao léxico de um indivíduo em uma abordagem mais aberta e contextualizada, ao possuir implicações substanciais para a compreensão da terminologia e sua aplicação na comunicação especializada e no campo da linguagem. Não aderindo rigidamente a uma perspectiva estritamente sintática, mas reconhece a mutabilidade e a natureza não redutiva das unidades terminológicas, tendo em conta as características textuais e dimensão discursiva dos termos e de comunidades que delas utilizam (Cabré, 2005).
Barité et al. (2015) observam que a TCT emerge das limitações encontradas na Teoria Geral da Terminologia (TGT) para abordar todas as situações que envolvem termos e linguagem especializados. A TCT adota uma abordagem descritiva em contraposição à normativa, permitindo assim uma maior flexibilidade e aceitação da variedade terminológica. De acordo com essa teoria, os termos são:
Unidades lexicais que são singularmente ativadas pelas suas qualidades pragmáticas de adaptação a um determinado tipo de comunicação. Para os defensores desta teoria, a Terminologia é um campo temático de natureza interdisciplinar, construído a partir de uma teoria do conhecimento, de uma teoria da comunicação e de uma teoria da linguagem. Essa teoria também é identificada pela sigla TCT (Barité et al, 2015, p. 152).
A TCT apresenta-se como uma teoria analítica, de base linguística e orientação funcionalista, centrada no caráter comunicativo do termo. Não considera os termos como unidades isoladas que constituem um sistema autônomo, mas como elementos que se integram ao léxico do falante quando precisa-se lidar com conhecimentos especializados. Ao enfatizar o exame da estrutura e do funcionamento terminológico e ao considerar o aspecto da variação, a TCT compreende o termo como uma unidade denominativo-conceitual, isto é, uma unidade de conhecimento, fundamentada em orientações epistemológicas voltadas à dimensão comunicativa das línguas naturais (Selistre; Silveira, 2013).
Desse modo, sugere-se a possibilidade de reinterpretar o conceito de linguagem especializada, incorporando-o a um contexto mais amplo do conhecimento cotidiano, o que inclui exemplos de linguagens específicas vinculadas a determinados domínios do saber (Almeida, 2006). As diferentes áreas que estruturam os campos científicos legitimam-se como domínios de investigação à medida que seus especialistas constroem e consolidam vocabulários próprios, capazes de garantir a eficácia da comunicação entre pares. Nesse sentido, a criação de termos especializados pertencentes a um dado domínio ocorre por meio da aplicação dos princípios da terminologia (Cabré, 1993).
Estudos anteriores demonstram que letras de música podem servir como corpus adequado para identificar unidades terminológicas e estruturar sistemas de representação do conhecimento. Lima e Cavati Sobrinho (2021), ao analisar 66 canções da cultura nordestina, localizaram duzentos termos e organizaram-nos segundo um modelo de construção de tesauros, mostrando que expressões do repertório musical funcionam como unidades denominativo-conceituais passíveis de organização hierárquica. Esses resultados confirmam a viabilidade da análise terminológica aplicada a produções musicais. Mesmo assim, não foram encontrados estudos que examinem a música paraense sob uma perspectiva terminológica comunicativa, o que evidencia uma lacuna na literatura e fundamenta a proposta deste trabalho.
No presente estudo, as unidades terminológicas extraídas da música analisada na seção 4 constituem um sistema terminológico parcial de representação do conhecimento, entendido como um recorte organizado de unidades denominativo-conceituais que formam um subdomínio coerente da cultura paraense. Essa estrutura não se enquadra como glossário, microtesauro ou vocabulário controlado, por não ter finalidade normativa; apresenta-se como um sistema conceitual relacional emergente do corpus, em conformidade com a perspectiva comunicativa da TCT (Cabré, 1993; 2005).
4 ELEMENTOS ESTRUTURANTES DA CULTURA PARAENSE
A música popular paraense, marcada por gêneros como carimbó, guitarrada, tecnobrega e calypso, excede sua condição estética e projeta-se como mecanismo de enunciação cultural. As aparelhagens, por sua vez, materializam uma tecnologia popular de mediação: estruturas móveis que articulam som, luz e afeto, instituindo cenas coletivas de pertencimento. Como observa Castro (2015), essa musicalidade convoca uma sensibilidade nostálgica que não se ancora em memórias pessoais, mas em um campo compartilhado de evocação, instaurando uma temporalidade performada, uma presentificação artificial que opera como alegoria.
A culinária regional participa dessa lógica ao articular sabores, técnicas e produtos amazônicos como expressões de sociabilidade e identidade. Ingredientes como o tucupi, o jambu, o açaí e a pupunha, mais do que compor pratos, inscrevem saberes ancestrais e práticas comunitárias em um repertório de reconhecimento. A inscrição de Belém no programa Cidades Criativas da Gastronomia da UNESCO (2015) reconhece essa articulação entre tradição, inovação e economia.
A linguagem regional também opera como marcador identitário. O dialeto paraense, com sua prosódia específica e vocabulário próprio, constituem um regime de distinção categorial. Expressões como “égua!” não se limitam ao campo da comunicação funcional, mas mobilizam afetos e pertencimentos compartilhados. Nessa perspectiva, os enunciados funcionam como traços, nos termos de Derrida (1972), ao reinscreverem sentidos que não dependem de uma presença empírica, mas emergem da evocação coletiva.
Historicamente, o Pará foi nomeado sob distintas estratégias discursivas “Feliz Lusitânia”, “Grão-Pará”, refletindo tentativas de domesticação conceitual do território. O nome atual, oriundo do tupi “pará”, remete à fluidez e à vastidão hídrica da região, reafirmando o caráter indomável de sua paisagem e a resistência de suas práticas socioculturais. A geografia climática, determinada pelos ciclos fluviais e pela floresta, impõe ritmos próprios à vida cotidiana, demandando adaptações e práticas específicas (Moraes et al., 2005).
Segundo o IBGE (2024), o estado possui mais de 1,2 milhão de km2, com 144 municípios e uma população superior a oito milhões. Belém, sua capital, ainda conserva vestígios da belle époque amazônica, como se observa no projeto urbanístico de Antônio Lemos, cuja arborização com mangueiras permanece como marca da paisagem urbana (Soares, 2008).
A música “Voando pro Pará”, de Joelma, oferece uma chave de leitura para essa constituição conceitual ao articular, em sua letra, signos culturais como “tacacá”, “Ver-o-Peso”, “pupunha” e “Point do Açaí”. Esses vocábulos não apenas nomeiam realidades, mas ativam processos de organização conceitual do domínio. Conforme Cabré (2005), os termos especializados funcionam como unidades discursivas que constroem e condensam representações sociais e culturais.
Nesse contexto, a terminologia não se reduz à nomenclatura técnica; ela incorpora modos de vida, afetos e sentidos partilhados. Para Gouadec (1990), o termo condensa conhecimento especializado, enquanto Krieger e Finatto (2018) ressaltam seu papel na constituição de identidades discursivas. Na música, essas unidades lexicais atuam como operadores de memória, evocando lugares, sabores e experiências que estruturam o cotidiano paraense.
A linguagem, concebida como prática social de produção e circulação de significados, não apenas reflete a realidade, mas participa de sua estruturação conceitual. Derrida (1994) propõe que o signo carrega o traço da ausência e da diferença (différance), sendo essa oscilação o que permite a produção de sentido. A letra da música, ao mobilizar termos culturalmente marcados, atualiza afetos e experiências compartilhadas e ativa processos de atualização conceitual que estruturam modos coletivos de compreensão do domínio cultural analisado. Castro (2015) compreende esse movimento como ativação de uma sensibilidade nostálgica que não visa o retorno ao passado empírico, mas a instauração de uma experiência estética e política no presente.
A nostalgia, nesse sentido, deve ser entendida como artifício narrativo, isto é, forma de reconfiguração temporal que permite reinscrever o passado como potência de significação no presente. Trata-se de uma agoridade, conforme Benjamin (1984), na qual o tempo é comprimido em densidade significativa. Tal deslocamento das narrativas totalizantes em direção aos microrrelatos evidencia a centralidade das práticas culturais na organização de esquemas de sentido e na constituição de referenciais coletivos (Lyotard, 1993).
A terminologia especializada, ao articular técnica, cultura e memória, participa desse processo. Como observa Sager (1993), os termos são atravessados por valores, afetos e disputas, emergindo de processos históricos. No caso da música popular, a terminologia adquire valor representacional, funcionando como índice conceitual da experiência coletiva e elemento de identificação territorial.
Assim, a intersubjetividade nos termos de Schutz (1967), fornece a moldura teórica para compreender essas práticas como construções coletivas de sentido. Mesmo na ausência da experiência direta, compartilham-se afetos, significados e reconhecimentos por meio de estruturas de pertinência. A terminologia, nesse processo, atua como interface entre o individual e o coletivo, entre o técnico e ação de representação.
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A letra da música “Voando pro Pará”, interpretada por Joelma e composta em 2016, pode ser tratada, no âmbito da OC, como um artefato informacional cujo conteúdo lexical permite a identificação de conceitos culturalmente estabilizados. Nesse sentido, a letra da música não atua apenas como manifestação estética, mas como fonte documental a partir da qual emergem unidades denominativo-conceituais passíveis de descrição, categorização e análise sistemática. Essa forma possibilita a observação de um conjunto organizado de significados que, ao serem recorrentes no uso social, constituem elementos estruturantes do domínio “cultura paraense”.
A partir das unidades terminológicas identificadas, estruturou-se um sistema terminológico parcial de representação do conhecimento, entendido como um subdomínio organizado de conceitos que expressam práticas, objetos e valores culturais evocados na letra. Trata-se, portanto, de uma estrutura conceitual relacional e não de glossário, vocabulário ou tesauro, construída de acordo com os princípios da TCT.
5.1 A letra da música como documento cultural e núcleo de organização conceitual
A letra da música “Voando pro Pará”, interpretada por Joelma e composta em 2016, se estabelece como artefato cultural que reúne múltiplos níveis de representação da identidade amazônica. Mais do que expressão estética, o texto musical constitui unidade informacional que registra, organiza e comunica conhecimentos socialmente construídos. Conforme Buckland (2018), qualquer objeto suscetível de interpretação e capaz de funcionar como fonte de informação pode ser considerado documento. Nessa perspectiva, a música caracteriza-se como documento dotado de valor cognitivo, uma vez que organiza e expressa conteúdos que refletem experiências coletivas, práticas sociais e valores regionais por meio de estruturas de significação passíveis de descrição conceitual.
A estrofe inicial, “Eu vou tomar um tacacá / Dançar, curtir, ficar de boa / Pois quando chego no Pará me sinto bem / O tempo voa”, atua como segmento lexical introdutório de experiências e práticas de pertencimento. O verbo tomar não se limita à ação física de ingerir bebida, mas expressa gesto de sociabilidade e partilha, em que o tacacá assume valor de símbolo identitário e afetivo da cultura paraense. De acordo com Dahlberg (2006), cada termo corresponde a uma entidade conceitual e cada conceito constitui abstração cognitiva da realidade vivida. Assim, tacacá não designa apenas alimento típico, mas representa conceito cultural que integra dimensões de tradição, convivência e reconhecimento social.
No domínio da OC, tacacá pode ser classificado como conceito nuclear de uma rede hierárquica que articula relações genéricas (bebida amazônica > tacacá) e associativas (culinária paraense, tradição de rua, afeto identitário). A partir desse núcleo, derivam-se conceitos correlatos, como pupunha, café e point do açaí, todos inseridos no campo semântico da “culinária amazônica”. Essa estrutura relacional forma um sistema terminológico parcial de representação do conhecimento cultural amazônico, sustentado por princípios da OC.
Dessa forma, a música não apenas nomeia lugares ou práticas, mas organiza um modelo de conhecimento experiencial. Dahlberg (1978) afirma que a OC busca compreender a estrutura lógica dos conceitos e suas interdependências ontológicas. A lógica implícita na letra estabelece-se por meio de uma sequência de ações; tomar, dançar, curtir, ficar de boa, ver, sair, se jogar que constituem uma gramática de pertencimento. Assim, a música constrói uma ontologia cultural, em que os objetos nomeados se articulam às práticas que estruturam o conhecimento coletivo.
5.2 Estrutura do sistema terminológico parcial: eixos conceituais e relações do domínio
Classifica-se, neste estudo, um sistema terminológico parcial de representação do conhecimento, nos termos de Dahlberg (2006). Não se trata de um inventário descritivo ou de uma lista alfabética de termos, mas de uma estrutura conceitual mínima que articula relações hierárquicas, associativas e contextuais entre unidades denominativo-conceituais. Sua forma reduzida não diminui seu estatuto de sistema; apenas expressa um recorte inicial do domínio, que pode evoluir para instrumentos de maior formalização, como um microtesauro aposterior.
O arranjo conceitual resultante caracteriza um sistema terminológico parcial, no sentido atribuído pela TCT, constituído de unidades denominativo-conceituais e suas relações hierárquicas, associativas e funcionais. Esse sistema, embora reduzido e situado, expressa coerência interna suficiente para caracterizar um subdomínio terminológico da cultura paraense tal como representada na música.
O minissistema terminológico parcial, então, é construído a partir dos termos culturalmente marcados presentes na letra “Voando pro Pará”, que em sua lógica apresenta-se: (1) culinária e sensorialidade, (2) espaço urbano e patrimônio cultural e (3) sociabilidade e lazer. Tais categorias constituem dimensões complementares de um mesmo sistema de representação.
5.2.1 Culinária e sensorialidade
Os termos tacacá, pupunha, café e açaí integram o domínio conceitual da alimentação amazônica, no qual o alimento se situa como entidade que organiza práticas socialmente estabilizadas. Smiraglia (2014) sustenta que o conhecimento manifesta-se por meio de artefatos informacionais que expressam estruturas de significação resultantes da interação entre cognição e cultura. Sob essa perspectiva, as unidades terminológicas relacionadas à alimentação representam conceitos que descrevem rotinas, produtos e usos consolidados.
O termo tacacá apresenta elevada estabilidade denominativa e funciona como conceito central do subdomínio, pois agrega propriedades, relações e práticas que o distinguem no conjunto da culinária regional. Sua ocorrência na expressão “tomar tacacá” evidencia um vínculo sistemático com categorias como alimentação tradicional, preparações amazônicas e consumo cotidiano, caracterizando-o como núcleo organizador de um campo conceitual específico.
Os termos açaí e pupunha atuam como conceitos satélites desse mesmo subdomínio, reforçando sua estrutura interna. O verso “matar minha saudade da pupunha com café” evidencia coocorrências que vinculam o domínio nutricional a dimensões socialmente estabilizadas do uso alimentar. Nesse contexto, os termos operam simultaneamente no plano denotativo e no plano das relações conceituais que apresenta o domínio. Conforme Cabré (1993), o termo corresponde à síntese entre unidade linguística e conceito ativado em situação comunicativa. Assim, as unidades relacionadas à alimentação amazônica não se restringem à designação de produtos, mas desempenham função estruturante na organização de significados que definem o subdomínio culinário no sistema terminológico analisado.
5.2.2 Espaço urbano e patrimônio cultural
O segundo conjunto de termos - Ver-o-Peso, Estação das Docas, Mangal das Garças e Forte do Presépio, integra o domínio conceitual relativo aos espaços urbanos de referência e aos elementos de patrimônio cultural de Belém. Esses topônimos, ao excederem a função referencial, convertem-se em conceitos de memória e identidade coletiva.
O Ver-o-Peso pode ser classificado, segundo os princípios da Organização do Conhecimento (Dahlberg, 2006), como conceito específico subordinado à categoria mercado público, com associações a patrimônio cultural, turismo e gastronomia amazônica. No plano relacional, vincula-se semanticamente a tacacá e açaí, por se constituir espaço de sociabilidade e consumo desses produtos. Assim, a letra da música organiza rede de coocorrência conceitual em que os termos-lugares funcionam como nós que articulam práticas coletivas.
O Mangal das Garças e a Estação das Docas representam a dimensão contemporânea do espaço urbano, associada à revitalização e ao lazer. Na tipologia da OC, são conceitos intermediários, integrantes da categoria equipamentos culturais urbanos e dotados de relações associativas entre si. Já o Forte do Presépio corresponde a conceito de nível superior, patrimônio histórico e expressa a origem da cidade. Dessa maneira, a música articula o antigo e o moderno, o popular e o turístico, organizando um modelo ontológico híbrido característico dos domínios culturais analisados pela OC (Agência Pará, 2015; Smiraglia, 2011).
5.2.3 Sociabilidade e lazer
Os termos Re-Pa e point do açaí compõem o terceiro conjunto conceitual, centrado na categoria sociabilidade. O Re-Pa, clássico futebolístico entre Remo e Paysandu, converte-se em signo de alta carga identitária, condensando rivalidade esportiva, pertencimento e espetáculo coletivo. No sistema de OC, constitui conceito cultural relacional, associado simultaneamente a futebol, cultura popular e paixão regional.
O point do açaí designa o espaço da convivência cotidiana, no qual o consumo do açaí ultrapassa o âmbito alimentar, organizando um ritual de sociabilidade (Point do açaí,2014). O termo “point” introduz componente comunicativo de modernidade urbana, enquanto açaí mantém vínculo com a tradição, produzindo conceito híbrido que articula temporalidades culturais distintas. Cabré (1993) identifica nesse tipo de unidade terminológica um valor polifuncional: além de referencial, ela carrega sentido expressivo, comunicando atitude valorativa e afetiva.
Esses três conjuntos lexicais conectam-se por relações semânticas e pragmáticas, formando sistema de conhecimento integrado. As dimensões culinária, espacial e social interagem por meio de vínculos contextuais: o tacacá é consumido no Ver-o-Peso; o açaí é partilhado no point; o Re-Pa ocorre em espaços urbanos que também são locais de encontro e convivência. Dahlberg (2006) enfatiza que o conhecimento se organiza por meio de relações interdependentes entre conceitos, e não a partir de entidades isoladas. A letra da música confirma esse princípio ao instituir um sistema conceitual no qual cada termo adquire sentido em função de suas relações hierárquicas, associativas e contextuais no domínio, compondo uma rede estruturada de conceitos ligados às práticas, aos espaços e aos objetos característicos da cultura amazônica.
5.3 Unidades terminológicas da cultura paraense: unidades, relações, funções no domínio
A análise terminológica comunicativa requer examinar cada termo em sua dimensão linguística, conceitual e pragmática. A seguir, apresentam-se as principais unidades terminológicas identificadas e suas relações dentro do domínio “Cultura popular paraense”.
O primeiro termo é o Tacacá citado na música Voando pro Pará, refere-se a um dos alimentos mais representativos da culinária amazônica, amplamente difundido em diferentes estados da região (Robert; Velthem, 2009). Preparado com tucupi, goma de mandioca, jambu e camarão seco, e tradicionalmente servido quente em cuias, o prato sintetiza práticas alimentares que articulam saberes tradicionais, memória sensorial e identidade territorial, instituindo--se como símbolo da experiência cultural amazônica.
O termo tacacá constitui uma unidade denominativo-conceitual cuja estabilidade resulta da articulação entre forma linguística, uso recorrente e função referencial no domínio. No contexto da culinária amazônica, a designação não se limita ao prato em si, mas abrange um conjunto estruturado de propriedades conceituais relacionadas a ingredientes, técnicas de preparo e modos de consumo.
Trata-se de uma unidade cuja significação se ativa em situações comunicativas diversas do cotidiano às ocasiões rituais e midiáticas, acionando repertórios de identidade, memória e afetividade. As relações que estabelece com categorias como culinária amazônica, comida de rua e tradições populares evidenciam seu papel como núcleo organizador de significados, atuando como ponto de alta densidade conceitual no sistema cultural paraense, conforme indicado no Quadro 1.
Conforme delineado no Quadro 1, tacacá constitui o primeiro eixo conceitual do sistema de termos mapeado. Embora definido como prato típico preparado com tucupi, goma e camarão, o termo apresenta um valor comunicativo que o desloca para além do domínio alimentar. A expressão “tomar tacacá” remete a uma prática de sociabilidade fundada na partilha, na convivência e no reconhecimento do outro, inscrevendo-se, assim, entre as unidades culturalmente mais estáveis do repertório amazônico. Tal compreensão aproxima-se da perspectiva proposta por Castro (2015), ao enfatizar o sensível como dimensão constitutiva da experiência coletiva, não circunscrita à rememoração individual, mas configurada na troca intersubjetiva de um sentir compartilhado.
O segundo termo refere-se a pupunha com café. Originária da palmeira Bactris gasipaes, espécie nativa da região, é tradicionalmente cultivada e consumida por povos indígenas e populações ribeirinhas, representando uma ecologia do cotidiano amazônico (Spacki et al., 2021).
A expressão terminológica pupunha com café atua como unidade denominativo-conceitual ancorada em práticas alimentares regionais, cujo significado decorre da articulação entre propriedades do alimento, forma de preparo e contexto habitual de consumo. O termo constitui uma unidade inserida em situações reais de uso, especialmente no desjejum, razão pela qual seu valor terminológico deriva da materialidade da prática social que representa, conforme quadro 2.
Dessa forma, a unidade não se limita a nomear um alimento, mas descreve um modo de vida localizado, veiculando conteúdos afetivos, vínculos comunitários e representações de fartura agrícola que integram o conhecimento especializado sobre a cultura alimentar amazônica.
O termo açaí constitui-se uma unidade denominativo-conceitual cuja estabilidade e relevância derivam da alta frequência de uso em situações comunicativas reais no contexto amazônico. Seu significado não se limita à designação do fruto ou da bebida espessa resultante de seu processamento, mas abrange um conjunto complexo de práticas sociais, rotinas alimentares, valores culturais e representações identitárias que compõem o domínio especializado da cultura alimentar amazônica, de acordo com o quadro 3.
Como termo, açaí adquire estatuto terminológico pela capacidade de articular conhecimento especializado, envolvendo botânica, economia regional, técnicas de preparo e tradições culinárias, com usos cotidianos e afetivos. Suas relações sistemáticas com as categorias alimentação tradicional, economia regional, culinária amazônica e cultura de rua demonstram sua função como unidade matricial, responsável por organizar e distribuir significados dentro do sistema conceitual analisado.
O termo Ver-o-Peso apresenta-se como unidade denominativo-conceitual de forte densidade semântica, consolidada ao longo do tempo como referência central do espaço urbano e da cultura de Belém. O termo decorre da capacidade de reunir, em uma mesma designação, informações ligadas ao comércio popular, à gastronomia amazônica, ao turismo, à paisagem da orla e às práticas sociais que compõem a memória coletiva da cidade. A unidade funciona como ponto de articulação de diferentes dimensões da vida urbana, conectando economia, circulação cotidiana e expressões culturais. Suas relações com categorias como gastronomia amazônica e patrimônio cultural revelam seu papel organizador no interior do domínio, permitindo integrar e dar coerência aos diversos saberes especializados que estruturam a compreensão da cultura paraense., conforme quadro 4.
O termo Estação das Docas refere-se a um complexo turístico-cultural instalado em antigos armazéns portuários, cuja significação decorre da articulação entre preservação arquitetônica, lazer urbano e práticas de consumo cultural. As relações que estabelece no sistema são relacionadas com turismo, gastronomia e sociabilidade urbana, situando-se hierarquicamente sob a categoria de equipamento cultural. Seu valor cognitivo manifesta-se na capacidade de reunir memória histórica e dinâmicas contemporâneas, contribuindo para a compreensão dos processos de modernização e requalificação urbana em Belém, conforme quadro 5.
O termo Mangal das Garças define-se como unidade denominativo-conceitual ligada aos espaços urbanos de referência cultural, construído em situações comunicativas que envolvem lazer, contemplação, atividades educativas e ações voltadas à conservação ambiental, reunindo sentidos associados à paisagem, à preservação e ao modo de viver na cidade. A unidade insere-se hierarquicamente nas categorias parque urbano e espaço público, mantendo também relações com ecoturismo e educação ambiental, segundo o quadro 6.
O termo Forte do Presépio apresenta-se como unidade denominativo-conceitual que reúne sentidos históricos, militares e patrimoniais, sendo reconhecido como marco inicial de formação da cidade de Belém. Sua significação resulta da presença constante em discursos que tratam do patrimônio, da história local e das práticas turísticas, contextos nos quais exerce função classificatória e identitária.
Portanto, as relações que estabelece com categorias como patrimônio cultural e memória urbana evidenciam sua capacidade de organizar narrativas sobre a criação e o desenvolvimento da cidade. Como unidade de conhecimento, o termo contribui para estruturar compreensões sobre a história amazônica, servindo como referência para representações coletivas e interpretações sobre o passado regional, conforme quadro 7.
O termo point do açaí estabelece-se como unidade denominativo-conceitual que reúne a tradição do consumo do açaí com formas contemporâneas de convivência na cidade. O uso da palavra "point" incorpora ao vocabulário regional um anglicismo popularizado no português informal para indicar locais de encontro, lazer e socialização. Associado ao termo "açaí", que é um dos elementos mais marcantes da alimentação paraense, o nome do restaurante carrega uma dimensão identitária que articula tradição alimentar e práticas contemporâneas de consumo.
O sentido do termo construído no uso cotidiano, em práticas que envolvem encontro, lazer e circulação urbana, de modo que a expressão não se limita a indicar um local de venda, mas passa a identificar um espaço de sociabilidade marcado por certa modernidade cultural. As relações com categorias como açaí, alimentação tradicional e lazer urbano mostram seu caráter de conceito intermediário, aproximando práticas alimentares antigas de hábitos urbanos atuais. Dessa maneira, o termo ajuda a organizar um conjunto de significados que articulam tradição e vida contemporânea na experiência amazônica, como demonstra o quadro 8.
O termo Re-Pa pode ser entendido como uma designação que se estabilizou no uso social para nomear o clássico entre Remo e Paysandu. Sua forma abreviada demonstra o grau de reconhecimento coletivo que esse confronto alcançou, tornando-se parte do repertório cultural paraense. Desse modo, o termo não se limita a indicar um jogo de futebol: ele reúne sentidos ligados à rivalidade histórica, ao sentimento de pertencimento e às práticas de sociabilidade que se organizam em torno do evento.
Por isso, funciona como um marcador identitário que condensa valores e experiências compartilhadas. As relações que mantém com categorias como identidade regional, festa popular e mobilização urbana evidenciam sua função estruturante no domínio cultural, servindo como unidade que organiza significados e orienta a compreensão social desse fenômeno, conforme apresentado no Quadro 9.
A leitura conjunta dos nove termos permite reconhecer que todos se articulam em uma mesma rede conceitual, compondo um conjunto integrado de referências sobre a cultura popular paraense. A partir dele, estruturam-se agrupamentos temáticos como culinária amazônica, espaços urbanos de referência e sociabilidade coletiva.
Além disso, observa-se a presença de relações associativas que aproximam termos de diferentes grupos, indicando como práticas alimentares, lugares e eventos culturais se entrelaçam no cotidiano regional. Dessa forma, delineia-se um sistema conceitual no qual cada termo ocupa posição definida e, simultaneamente, mantém vínculos com os demais, contribuindo para a coerência do domínio “Cultura popular paraense”. A estrutura apresentada na Figura 1, corresponde a um sistema terminológico parcial de representação do conhecimento, resultante do recorte analítico aplicado ao corpus da música.
Em outras palavras, observa-se que os termos da música não aparecem de forma casual, mas organizam-se segundo uma lógica que acompanha a estrutura da própria cultura paraense. Todos se vinculam a um conceito mais amplo, que dá unidade ao conjunto, e relacionam-se entre si de modo a formar um sistema de significados ligado às práticas e experiências do cotidiano.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise empreendida evidenciou que a letra da música Voando pro Pará, ao ser tratada como documento cultural em sentido estrito, permite a identificação de um conjunto de unidades denominativo-conceituais que estruturam um domínio específico no interior da cultura popular paraense. A adoção da perspectiva da OC, em diálogo com a TCT, mostrou-se adequada para explicitar, de modo sistemático, as relações conceituais que sustentam esse conjunto terminológico. O corpus revelou-se suficientemente denso para a constituição de um sistema conceitual parcial, cuja coerência interna confirma a pertinência metodológica de aplicar ferramentas da OC a artefatos culturais.
Ao longo do estudo, verificou-se que os termos extraídos tais como tacacá, pupunha com café, açaí, Ver-o-Peso, Estação das Docas, Mangal das Garças, Forte do Presépio, point do açaí e Re-Pa, não aparecem de forma aleatória, mas articulam-se por meio de relações que se alinham a princípios clássicos da OC, tais como hierarquia, subordinação, associação funcional e vínculos partitivo-constitutivos. Nesse sentido, a música funciona como instância de descrição conceitual, permitindo observar como categorias culturais são construídas, evocadas e distribuídas na experiência cotidiana.
O estudo confirmou que a OC, enquanto disciplina orientada para a estruturação de conceitos e para a explicitação de relações entre eles, oferece instrumental analítico capaz de tornar visível a lógica organizativa do repertório cultural representado na música. A partir dos princípios de Dahlberg (2006), foi possível delimitar um sistema terminológico parcial, no qual cada unidade possui uma função definida no interior da estrutura: algumas operam como conceitos matriciais, outras como conceitos específicos ou intermediários, e outras ainda como nós associativos que articulam dimensões distintas do domínio. A identificação dessa estrutura não apenas corrobora o potencial da OC para análise de artefatos culturais, como evidencia o caráter sistemático dessas práticas sociais.
A integração entre OC e TCT também permitiu analisar os termos a partir de sua ativação comunicativa. A letra da música, ao mobilizar esses vocábulos em contexto de forte reconhecimento social, reitera seu estatuto terminológico.
O minissistema conceitual resultante expressa um conjunto organizado de significados que estrutura o domínio “Cultura popular paraense” em três eixos complementares: alimentação, urbanidade e sociabilidade. Esses eixos, embora distintos, não funcionam de forma isolada. Verificou-se que as relações entre as unidades são densas, atravessando fronteiras categoriais e indicando que, no objeto analisado, a significação se distribui de modo relacional. Esse aspecto reforça a concepção de que a OC não se limita a classificar entidades, mas busca compreender as formas de organização do conhecimento no mundo vivido, incluindo domínios culturais em que práticas, objetos e espaços se constituem como conceitos em circulação social.
Por fim, os resultados obtidos demonstram que a aplicação rigorosa dos procedimentos da OC e da terminologia a um corpus musical não apenas é metodologicamente possível, mas produz ganhos analíticos significativos. Dessa forma, o trabalho reafirma a pertinência de abordagens que integram OC e terminologia em contextos socioculturais, abrindo possibilidades para investigações futuras voltadas à modelização de domínios culturais e à elaboração de instrumentos de representação do conhecimento.
-
A lista completa com informações dos autores está no final do artigo
-
DISPONIBILIDADE DO CONJUNTO DOS DADOS
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo
-
FINANCIAMENTO
Não se aplica.
-
CONSENTIMENTO DE USO DE IMAGEM
Não se aplica
-
APROVAÇÃO DE COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA
Não se aplica.
-
LICENÇA DE USO
Os autores cedem à Encontros Bibli os direitos exclusivos de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (CC BY) 4.0 International. Esta licença permite que terceiros remixem, adaptem e criem a partir do trabalho publicado, atribuindo o devido crédito de autoria e publicação inicial neste periódico. Os autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada neste periódico (ex.: publicar em repositório institucional, em site pessoal, publicar uma tradução, ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial neste periódico.
-
PUBLISHER
Universidade Federal de Santa Catarina. As ideias expressadas neste artigo são de responsabilidade de seus autores, não representando, necessariamente, a opinião dos editores ou da universidade.
REFERÊNCIAS
-
AGÊNCIA Pará. Forte do Presépio Belém, 2015.Disponível em: https://agenciapara.com.br/noticia/6443/museu-do-forte-do-presepio-oferece-oficina-gratuita-de-pintura Acesso em: 13 jul. 2025.
» https://agenciapara.com.br/noticia/6443/museu-do-forte-do-presepio-oferece-oficina-gratuita-de-pintura - ALMEIDA, M. B. Um modelo baseado em ontologias para representação da memória organizacional 2006. 345 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Escola de Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006.
-
ANDERSEN, J.; SKOUVIG, L. Knowledge Organization: a sociohistorical analysis and critique. Library Quarterly, [s. l], v. 76, n. 3, p. 300-322, jul. 2006. Disponível em: https://www.journals.uchicago.edu/doi/abs/10.1086/511139?journalCode=lq Acesso em: 16 maio 2022.
» https://www.journals.uchicago.edu/doi/abs/10.1086/511139?journalCode=lq - BARITÉ, M. et al Diccionario de organización del conocimiento: clasificación, indización, terminología. [S. l]: Ediciones Universitarias, 2015.
- BARROS, L. A. Curso básico de Terminologia São Paulo: USP, 2004.
- BENJAMIN, W. Origem do drama barroco alemão São Paulo: Brasiliense, 1984.
-
BUCKLAND, M. Document theory. Knowledge Organization, [s. l], v. 45, n. 5, 2018. Disponível em: https://escholarship.org/uc/item/64d1v86q Acesso em: 20 set. 2022.
» https://escholarship.org/uc/item/64d1v86q - CABRÉ, M. T. La Terminología: teoría, metodología, aplicaciones. Barcelona: Empuries, 1993.
- CABRÉ, M. T. La Terminología: representación y comunicación: elementos para una teoría de base comunicativa y otros artículos. Multilingual ed. [S. l]: Documenta Universitaria, 2005.
- CASTRO, F. Semiotical blues: artifícios da temporalidade nostálgica. Revista Eco-Pós, Rio de Janeiro, v. 18, n. 3, p. 103-115, 2015.
-
DAHLBERG, I. Teoria do conceito. Ciência da Informação, Brasília, v. 7, n. 2, 1978. Disponível em: https://doi.org/10.18225/ci.inf..v7i2.115 Acesso em: 05 dez. 2022.
» https://doi.org/10.18225/ci.inf..v7i2.115 -
DAHLBERG, I. Knowledge Organization: its scope and possibilities. Knowledge Organization, [s. l], v. 20, n. 4, 1993. Disponível em: https://www.nomos-elibrary.de/10.5771/0943-7444-1993-4-211.pdf Acesso em: 15 maio 2023.
» https://www.nomos-elibrary.de/10.5771/0943-7444-1993-4-211.pdf - DAHLBERG, I. Knowledge organization: a new science? Knowledge Organization, [s. l], v. 33, n. 1, p. 11-19, 2006.
- DERRIDA, J. Marges de la philosophie Paris: Les Éditions de Minuit, 1972.
- DERRIDA, J. A voz e o fenômeno: introdução ao problema do signo na fenomenologia de Husserl. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.
- GOUADEC, D. Terminologie: constitution des données. Paris: AFFNOR, 1990.
- GUIMARÃES, J. A. C. A análise documentária no âmbito do tratamento da informação: elementos históricos e conceituais. In: RODRIGUES, G. M.; LOPES, I. L. (org.) Organização e representação do conhecimento na perspectiva da ciência da informação Brasília: Thesaurus, 2003.
- HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade 11. ed. Tradução de Tomaz Tadeu da Silva e Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
- HJORLAND, B. Fundamentals of Knowledge Organization. Knowledge Organization, [s. l.], v. 30, n. 2, 2003.
- HJORLAND, B. What is Knowledge Organization (KO)? Knowledge Organization, [s. l.], v. 35, n. 2, 2008.
-
IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA). Pará Brasília: IBGE, 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br Acesso em: 10 jul. 2025.
» https://www.ibge.gov.br - KRIEGER, M. G.; FINATTO, M. J. B. Introdução à Terminologia: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2018.
-
LIMA, V. S.; CAVATI SOBRINHO, H. Construção de uma linguagem documentária das músicas da cultura nordestina brasileira. Informação@Profissões, Londrina, v. 10, n. 1, p. 53 - 82, jan./abr. 2021. DOI: 10.5433/1981-8920.2021v10n1p53. Disponível em: https://www.ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/infoprof/article/view/42513/pdf_1 Acesso em: 17 nov. 2025.
» https://doi.org/10.5433/1981-8920.2021v10n1p53.» https://www.ojs.uel.br/revistas/uel/index.php/infoprof/article/view/42513/pdf_1 -
LIMA, C.; MARAIAL, I.; SERRARIA, V. Voando pro Pará Intérprete: Joelma. [S. l.: s. n], 2016. Disponível em: https://www.letras.mus.br/joelma/voando-pro-para/ Acesso em: 17 nov. 2025
» https://www.letras.mus.br/joelma/voando-pro-para/ - LYOTARD, J. A condição pós-moderna 9. ed. São Paulo: José Olympio, 1993.
-
MORAES, B. C. et al Variação espacial e temporal da precipitação no estado do Pará. Acta amazonica, [s. l], v. 35, p. 207-214, 2005. DOI: https://doi.org/10.1590/S0044-59672005000200010
» https://doi.org/10.1590/S0044-59672005000200010 -
MOURA, M. A. Organização social do conhecimento e performatividade de gênero: dispositivos, regimes de saber e relações de poder. Liinc em Revista, [s. l], v. 14, n. 2, 2018. DOI: http://dx.doi.org/10.18617/liinc.v14i2.4472
» http://dx.doi.org/10.18617/liinc.v14i2.4472 -
UNESCO (ORGANIZAçãO DAS NAçõES UNIDAS PARA A EDUCAçãO, A CIêNCIA E A CULTURA). Creative Cities Network 2015. Disponível em: https://www.unesco.org/en/creative-cities/belem?utm_source=chatgpt.com Acesso em: 13 jul. 2025.
» https://www.unesco.org/en/creative-cities/belem?utm_source=chatgpt.com -
POINT DO AÇAI. Restaurante 2014. Disponível em: https://www.pointdoacai.net/restaurante.html Acesso em: 13 jul. 2025.
» https://www.pointdoacai.net/restaurante.html -
ROBERT, P.; VELTHEM, L. A hora do tacacá: consumo e valorisação de alimentos tradicionais amazônicos em um centro urbano (Belém-Pará). Anthropology of Food, [s. l.], n. S6, 2009. DOI: https://doi.org/10.4000/aof.6466
» https://doi.org/10.4000/aof.6466 - SAGER, J. C. Prólogo: la terminologia, ponte entre varios mundos. In: CABRÉ, M. T. La terminologia: teoría, metodologia, aplicaciones. Barcelona: Ed. Antártida: Empúries, 1993. p.11-17.
- SCHUTZ, A. Fenomenologia do mundo social Petrópolis: Vozes, 1967.
- SELISTRE, I. C.; SILVEIRA, V. O. Proposta metodológica para a elaboração de um dicionário de termos contextualizados da teoria geral da administração direcionado ao ensino médio técnico. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE LETRAS E LINGUÍSTICA - SILEL, 3., 2013, Uberlândia. Anais do SILEL Uberlândia: EDUFU, 2013. v. 3, n. 1.
- SMIRAGLIA, R. The elements of Knowledge Organization. [S. l]: Springer, 2014.
- SMIRAGLIA, R. P. Domain coherence within Knowledge Organization: people, interacting theoretically, across geopolitical and cultural boundaries. In: ANNUAL CAIS/ACSI CONFERENCE, 39., 2011, Canada. Proceedings […] Canada: University of New Brunswick, 2011. p. 1-6.
-
SOARES, K. As formas de morar na Belém da Belle-Époque (1870-1910) 2008. Dissertação (Mestrado em História Social da Amazônia) - Faculdade de História, Universidade Federal do Pará, Programa de Pós-graduação em História Social da Amazônia, Belém, 2008. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/4376 Acesso em: 29 jul. 2024.
» https://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/4376 -
SPACKI, K. C. et al. Pupunha (Bactris gasipaes kunth): uma revisão. In: LIMA, F. S. et al (org.). Agricultura e Agroindústria no contexto do desenvolvimento rural sustentável Editora Científica Digital, 2021. p. 332-350. Disponível em: https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1137858/1/CrisHelm-Capitulo-Pupunha.pdf Acesso em: 13 jul. 2025.
» https://www.alice.cnptia.embrapa.br/alice/bitstream/doc/1137858/1/CrisHelm-Capitulo-Pupunha.pdf - WILLIAMS, R. Cultura Tradução de Sérgio Lopes. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
Editado por
-
EDITORES
Edgar Bisset Alvarez, Patrícia Neubert, Genilson Geraldo, Camila de Azevedo Gibbon, Gilmar Gomes de Barros, José Paulo Speck Pereira, Daniela Capri
Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo



Fonte:
Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.