RESUMO
Objetivo: Analisar a mediação da informação por meio de legendas presentes na exposição "Eneida Simplesmente" do Museu da Imagem e do Som do Estado do Pará (MIS-PA), investigando como esses elementos textuais operam na comunicação museológica e na construção de narrativas expográficas.
Método: Pesquisa qualitativa com abordagem descritiva e exploratória, utilizando análise narrativa e observação in loco. Realizou-se pesquisa de campo com três visitas ao MIS-PA em julho de 2024, analisando três tipos distintos de legendas segundo diretrizes do Inventário Nacional dos Bens Culturais Musealizados (INBCM), Object ID e recomendações de Camargo-Moro (1986).
Resultado: Identificaram-se variações significativas na abordagem e completude das informações nas legendas analisadas, refletindo diferentes momentos históricos do museu e suas práticas documentais. A legenda mais recente apresentou alinhamento com diretrizes de documentação museológica, enquanto legendas mais antigas demonstraram limitações informacionais. Assim, a análise revelou oportunidades para padronização e aprimoramento na elaboração destes elementos expositivos.
Conclusões: O estudo contribui para a compreensão das legendas como instrumentos fundamentais de mediação da informação em ambientes museológicos, destacando a necessidade de uma abordagem mais sistemática em sua elaboração. Os resultados evidenciam a importância da padronização das práticas documentais para potencializar a experiência do visitante e a eficácia da comunicação museológica.
PALAVRAS-CHAVE:
Mediação da Informação; Legendas; Eneida de Moraes; MIS-PA; Museologia.
ABSTRACT
Objective: To analyze information mediation through labels present in the "Simplesmente Eneida” (Simply Eneida) exhibition at the Museum of Image and Sound of State of Pará, Brazil, (MIS-PA), investigating how these textual elements operate in museological communication and in the construction of expographic narratives.
Methods: Qualitative research with a descriptive and exploratory approach, using narrative analysis and in loco observation. Field research was conducted with three visits to MIS-PA in July 2024, analyzing three distinct types of labels according to guidelines from the National Inventory of Musealized Cultural Assets (INBCM), Object ID, and Camargo-Moro’s (1986) recommendations.
Results: Significant variations were identified in the approach and completeness of information in the analyzed labels, reflecting different historical moments of the museum and its documentary practices. The most recent label showed alignment with museological documentation guidelines, whereas older labels demonstrated informational limitations. Thus the analysis revealed opportunities for standardization and improvement in the development of these exhibition elements.
Conclusions: The study contributes to understanding labels as fundamental instruments of information mediation in museological environments, highlighting the need for a more systematic approach in their elaboration. The results demonstrate the importance of standardizing documentary practices to enhance the visitor experience and museological communication effectiveness.
KEYWORDS:
Information Mediation; Labels; Eneida de Moraes; MIS-PA; Museology.
1 INTRODUÇÃO
As legendas em museus atuam como instrumentos de mediação da informação, seja ampliando ou direcionando as informações dos objetos expostos ao público visitante. Na exposição "Eneida Simplesmente" do Museu da Imagem e do Som do Estado do Pará (MIS-PA), elas medeiam não somente as peças, mas também ideias e contextos históricos relacionados à vida de Eneida de Moraes, elaborados pelo museu. Assim, Siqueira e Almeida Júnior (2023) destacam, por exemplo, que elementos textuais como as legendas expressam a realidade museológica através do discurso institucional, visando a compreensão do público.
Destacam-se as legendas como uma forma de comunicação museológica com o público visitante. Em seu trajeto comunicacional, as legendas interligam as escolhas curatoriais à expografia1 (Cury, 2005).
A exposição temporária2 “Eneida Simplesmente” no MIS-PA apresenta o trabalho da escritora (e cronista) Eneida de Moraes, que desempenhou um papel significativo na cultura paraense. Ela é lembrada por sua contribuição literária e jornalística, e o MIS-PA visa celebrar sua vida e obra por meio dessa exposição.
O ambiente expositivo conta com um conjunto de obras que expressam seu apreço pelas artes visuais3 ; equipamentos de filmagem; projeções; mobiliários; encadernados e plotagens (com textos informativos produzidos pelo museu, artigos de jornais e cartas).
Logo, tem-se como objetivo analisar o uso das legendas como elementos de mediação da informação em diálogo com perspectivas museológicas, presentes na exposição, buscando compreender como esse instrumento dialoga com a proposta expositiva, contribuindo para a comunicação de seu conteúdo proposto. Também se dialoga sobre os diversos elementos expositivos apresentados nesta exposição e o potencial informacional de sua expografia.
Justifica-se esta pesquisa, com base na necessidade de compreender as legendas de museus como elementos mediadores da informação, com possibilidade de influenciar a experiência dos visitantes de uma exposição, considerando - neste caso - a proposta comunicativa apresentada pelo MIS-PA (Cury, 2005; Ortega, 2015; Siqueira; Almeida Júnior, 2023).
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Ao articular mediação e documentação, tomamos a legenda expositiva como um microdispositivo de mediação (no sentido relacional da mediação em museus) e, simultaneamente, como registro documental produzido no processo de musealização. Para isto, foram utilizadas das perspectivas museológicas de Cristina Ortega (2015) e Peter Van Mensch (1994), que exploram a musealidade4 dos objetos, destacando-se nesta pesquisa sua qualidade de comportar-se como um documento portador e mediador de informação.
Nesse sentido, se por um lado, a mediação enfatiza a relação obra-público e o papel do dispositivo expositivo (Davallon, 2007; Siqueira; Almeida Júnior, 2023), por outro, a musealização e a noção de objeto-documento deslocam a ênfase para os regimes de valor que permitem ao objeto significar no museu (Cury, 2005; Mensch, 1994; Ortega, 2015). Ao conectar esses eixos ao objeto de estudo, assume-se que as legendas, no MIS-PA, não somente identificam, mas também orientam a leitura de cada peça. Diante disso, torna-se necessário analisá-las a partir de categorias que contemplem tanto a conformidade normativa quanto a sua função mediadora.
Assim, dialogando uma perspectiva museológica com a Ciência da Informação, compreende-se a mediação em museus como parte do processo pelo qual as informações são selecionadas, organizadas e representadas ao público, viabilizando novas experiências de apropriação dos conteúdos expostos. Esse processo corrobora a compreensão do objeto museológico como um documento que comunica informações contextuais e culturais aos visitantes (Mensch, 1994; Ortega, 2015).
A mediação em ambientes museológicos também pode ser compreendida sob a perspectiva da documentação museológica. Segundo Ferrez (1994), a documentação em museus constitui-se como um sistema de recuperação de informações capaz de transformar as coleções em fontes de pesquisa científica e em instrumentos de transmissão de conhecimento. Neste contexto, as legendas atuam como elementos documentais que registram e comunicam informações sobre os objetos em museus, estabelecendo pontes entre o acervo e o público visitante.
Além disso, Siqueira e Almeida Júnior (2023) compreendem a mediação da informação em museus como uma construção social, além de afirmarem que os textos presentes nos ambientes museais atuam como um elemento de comunicação, capazes de estabelecer um diálogo efetivo entre os elementos expositivos e os visitantes.
Davallon (2007) ao relacionar a qualidade comunicacional no processo de mediação, permite interpretar em elementos textuais, como as legendas, uma ramificação da comunicação em museus. Estabelecem-se, assim, interfaces entre os objetos expostos e os visitantes.
Aponta-se que, as ideias de Almeida (2008), Souza e Crippa (2010), complementam o viés comunicacional dos textos, inclusive das legendas, apontando a intencionalidade e elementos socioculturais, delineando sua apropriação pelos visitantes. Dessa forma, as legendas, tal como os demais elementos expográficos, desempenham um papel crucial na construção de narrativas museológicas que envolvem e disciplinam o público (Almeida, 2008; Cândido, 2020).
Cury (2005) argumenta que a comunicação museológica deve ser compreendida não somente como a transmissão de informações, mas, também, como um processo de interação e troca de significados entre o museu e seu público. Este ponto de vista está em consonância com os trabalhos de Ortega (2015) e Mensch (1994), que enfatizam a relevância da mediação na transformação do objeto em documento.
Assumindo que a descrição é um ato interpretativo e, portanto, narrativo e valorado, a legenda não é neutra: ela seleciona aspectos do objeto, hierarquiza informações e propõe um enquadramento de sentido (Cândido, 2020). Somadas às concepções de Siqueira e Almeida Júnior (2023), a mediação, nesse sentido, torna-se uma ferramenta vital para a contextualização e interpretação das exposições, permitindo que os visitantes não somente recebam informações, mas também se envolvam criticamente com o conteúdo apresentado.
Estas abordagens teóricas permitem considerar as camadas de significados (expografia, curadoria, documentação e salvaguarda do patrimônio histórico-cultural) por meio das legendas, desde as intenções curatoriais até os elementos indexadores que qualificam algum viés do item representado (Souza; Fonseca; Redigolo, 2021).
Em suma, a mediação da informação, especialmente vista por Cury (2005), Ortega (2015), Mensch (1994) e Siqueira e Almeida Júnior (2023), é um processo complexo que envolve múltiplos atores e contextos, destacando-se a relevância das legendas na comunicação museológica.
No que diz respeito à mediação da informação em exposições culturais, este segmento combina processos e instrumentos comunicacionais diversos. O que envolve a interação - direta ou indireta - entre os itens expostos e os visitantes, facilitada por diversas estratégias comunicacionais, como as legendas (Davallon, 2007; Siqueira; Almeida Júnior, 2023).
Consoante à diversidade de camadas no processo mediacional, Almeida (2008) argumenta que a mediação da informação deve ser compreendida como um fenômeno social e cultural, onde as práticas institucionais e as intencionalidades dos curadores - no caso de uma exposição - desempenham um papel expressivo na compreensão dos visitantes.
No mais, aponta-se que a mediação da informação em ambientes museológicos conecta-se aos processos de musealização e construção narrativa. Conforme aponta Cury (2020), a musealidade - como valor atribuído aos objetos musealizados - se estabelece mediante os processos técnicos e interpretativos que possibilitam novas leituras e significados. Esta perspectiva dialoga com Siqueira e Almeida Júnior (2023) quando abordam a mediação como um processo que transcende a mera transmissão de informações, envolvendo a construção de narrativas que facilitam a apropriação do conhecimento pelo público.
Neste contexto, a perspectiva de Cândido (2020) corrobora a compreensão de que a narrativa em ambientes museológicos atua como elemento estruturante da mediação, articulando diferentes camadas informacionais - desde aspectos materiais até dimensões simbólicas e contextuais dos objetos expostos. Assim, a mediação opera como eixo central que conecta os processos de musealização às narrativas expográficas, viabilizando múltiplas formas de apropriação da informação pelos visitantes.
Em síntese, se a mediação denota a função da legenda (orientar a leitura pública), e a documentação explica o que deve estar presente (campos mínimos padronizados), então a análise das legendas do MIS-PA precisa verificar como esses campos são mobilizados narrativamente para produzir sentido no contexto da exposição “Eneida Simplesmente”. Nesse cenário, o posicionamento e o conteúdo dos elementos informacionais, somados às leituras prévias dos visitantes, refletem-se no desempenho das legendas na exposição.
3 METODOLOGIA
Com o intuito analisar um elemento textual de comunicação no espaço expositivo, faz-se um recorte a partir das legendas dos objetos presentes na exposição “Eneida Simplesmente”, que esteve aberta ao público de 2 de agosto de 2023 a 28 de fevereiro de 2025, no MIS-PA.
Quanto aos procedimentos metodológicos desta pesquisa, utilizou-se uma abordagem qualitativa, de natureza descritivo-exploratória, com análise narrativa das legendas enquanto dispositivos de mediação e documentação museológica (Cândido, 2020; Davallon, 2007; Siqueira; Almeida Júnior, 2023).
Em seguida, o enquadramento teórico combinou: comunicação/recepção e mediação em museus (Cury, 2005; Davallon, 2007; Siqueira; Almeida Júnior, 2023); musealização, musealidade e objeto-documento (Cury, 2020; Mensch, 1994; Ortega, 2015); e documentação museológica e padrões de descrição (Camargo-Moro, 1986; ICOM, [200-]; IBRAM, 2021). Essa revisão teórica permitiu fundamentar a investigação e identificar diálogos entre as áreas (Araújo, 2013).
Quanto aos critérios de seleção dos materiais, foram analisadas três legendas da exposição “Eneida Simplesmente” (MIS-PA), selecionadas por: (i) pertencimento explícito ao corpus expositivo (legendas de objeto/temáticas vinculadas às vitrines/painéis); (ii) integridade física e legibilidade no momento do registro; (iii) representatividade tipológica (uma legenda de objeto; uma legenda conceitual/temática; uma legenda de citação/trecho). Desse modo, foram excluídos suportes informacionais como: cartelas de serviço/segurança; créditos institucionais; sinalização direcional; itens ilegíveis ou duplicados.
Ademais, as legendas selecionadas evidenciam variação de conteúdo e momento de produção (uma mais anterior à exposição, outra voltada aos equipamentos eletrônicos, e outra relativa à afinidade artística de Eneida), conforme constatado nas visitas de campo realizadas em julho de 2024, com observação direta, registro fotográfico e esclarecimentos pontuais com a equipe de mediação do museu.
Realizaram-se três visitas ao MIS-PA, em dias úteis, pelo período da manhã, do mês de julho de 2024. Foram registradas observações e fotografias das legendas e dos dispositivos os quais estavam associadas. A cada visita surgia alguma dúvida nova sobre a presença de um item, ou falta de algum recurso, ou informação; que por conseguinte foi respondida pela mesma profissional responsável por recepcionar os visitantes do museu.
Após pesquisas de campo, tendo visitado a exposição para observar seus elementos informativos, realizou-se uma análise narrativa das legendas em relação à expografia - incluindo os demais elementos expositivos - baseada nos aspectos observados de Cândido (2020), com foco em identificar que tipo de informações estes elementos mediaram para o público visitante, e se essas informações se ligavam direta ou indiretamente ao tema da exposição.
Assim, definiram-se categorias analíticas, de forma dedutivo-indutiva, tomando como eixo os campos mínimos sugeridos com base nas diretrizes de Camargo-Moro (1986), e pelas normas5 do Object ID6 e INBCM7, buscando uma consistência e padronização das informações esperadas neste recurso expositivo.
Perante isto, se apresenta no Quadro 1 as categorias mínimas que contêm as propostas e suas respectivas descrições:
Logo, o Object ID e INBCM/IBRAM auxiliam na listagem das categorias basilares de identificação como título/denominação, autoria/fabricação, data/período, materiais/técnica, procedência, dimensões e medidas, categorias essas destinadas a garantir a identificação mínima do bem cultural. Quanto à contribuição teórica da documentação museológica brasileira, as orientações de Camargo-Moro (1986) fundamentam a padronização e a distinção entre identificação técnico-administrativa e informação voltada ao público, sustentando a seleção acima.
4 A EXPOSIÇÃO 'ENEIDA SIMPLESMENTE' DO MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DO ESTADO DO PARÁ
A exposição8 "Eneida Simplesmente", localizada no MIS-PA, celebra a vida e a obra de uma das personalidades mais emblemáticas do estado do Pará. Eneida de Moraes, escritora renomada, foi também a idealizadora do MIS-PA, tornando a homenagem ainda mais significativa para o museu.
A inauguração da exposição contou com um seminário dedicado à memória da personalidade homenageada, resultado de 30 anos de pesquisa da professora aposentada Eunice Ferreira, doutora em literatura pela Universidade Federal do Pará (UFPA).
Revisitar a história desta personalidade é também revisitar a história do próprio MIS-PA. Idealizado por Eneida de Moraes em 1971, advém de sua experiência com o MIS-RJ e sua compreensão da necessidade de preservar a memória audiovisual. Siqueira e Almeida Júnior (2023) destacam que instituições museológicas refletem frequentemente as visões e aspirações de seus criadores, bem como suas práticas de mediação. No caso do MIS-PA, a escolha de homenagear Eneida por meio desta exposição representa não somente um tributo à sua memória, mas também uma reflexão sobre o próprio papel do museu como mediador da história cultural paraense.
Dessa forma, a exposição oferece fragmentos da história da cidade de Belém do Pará, por meio dos registros dessa ilustre figura, e com um acervo fornecido pelo Grupo de Estudos e Pesquisa de Mulheres Eneida de Moraes (Gepem)9. A equipe do MIS-PA trabalhou para criar uma exposição que não somente celebra a escritora, mas também incita reflexões sobre sua vida e legado, por meio de suas obras e ideias (Freire, 2023).
4.1 Eneida de Moraes
Eneida de Moraes (1904-1971) (Figura 1) foi uma escritora10 e jornalista paraense nascida em Belém. Reconhecida em vida por sua militância política e cultural, tornou-se influente na luta pelos direitos sociais e na defesa da liberdade de expressão (Santos, 2005).
Não raro, é lembrada por sua participação ativa no movimento comunista brasileiro e por sua contribuição significativa à cultura e à literatura do país, especialmente nos estados do Pará e Rio de Janeiro. Durante os anos de repressão política no Brasil, Eneida foi perseguida, presa e exilada, mas nunca abandonou suas convicções (Santos, 2005).
Suas contribuições abrangem crônicas, ensaios e reportagens; escritas marcadas por sua personalidade engajadora e suas ideologias político-sociais, retratando suas experiências de forma crítica e engajada (Castro; Moraes, 2022).
Eneida de Moraes faleceu em 1971, mas seu legado permanece vivo, especialmente em Belém do Pará, onde continua sendo uma referência no meio cultural.
5 ELEMENTOS EXPOSITIVOS
A exposição "Eneida Simplesmente" apresenta uma variedade de elementos que retratam a vida e obra da escritora, e peças pertencentes ao acervo do MIS-PA.
O ambiente expositivo do MIS-PA, iniciando pela recepção do museu, à direita, conta com itens do seu acervo museológico permanente: câmeras fotográficas, filmadoras, réplicas de cartazes e uma moviola11. Estes itens12 (Figura 2) não estão acompanhados de um texto curatorial, mas reforçam o perfil do museu (Museu da Imagem e do Som, 2024).
É possível observar pela Figura 2 que os equipamentos seguem um agrupamento de nichos e filmadoras no primeiro plano; cartazes à esquerda da imagem; equipamentos menores, como câmeras fotográficas, no centro; e a moviola à direita.
Já na Figura 3, expõe-se uma colagem de imagens que representam um dos ambientes elaborados para essa exposição. Posicionado ao lado do espaço reservado aos equipamentos audiovisuais, uma caixa de som com a entrevista de Eneida à TV Liberal, uma série de painéis azuis na parede, que formam uma linha do tempo, juntamente ao texto curatorial e outro escrito por Eneida de Moraes, representam o que corresponde ao início do percurso expográfico.
Nesta Figura 3, destacam-se os materiais elaborados pelos museus para dar voz à fala de Siqueira e Almeida Júnior (2023, p. 8) ao apontarem que:
[...] a linguagem textual verbal na exposição deve atender uma 'função-finalidade-destinatário do texto' que tem por finalidade a comunicação de uma ideia modelada com a missão e objetivo e são materializados na exposição.
Neste sentido, tanto o texto curatorial quanto a linha do tempo apresentam-se como recursos comunicacionais e instâncias mediadoras que carregam valores ligados às subjetividades do corpo técnico, somado à missão do MIS-PA. O texto curatorial, por exemplo, foi elaborado pela diretora Indaiá Freire, no ano de abertura da exposição e ilustra, em forma de narrativa textual, a perspectiva central do museu sobre a exposição:
A exposição Eneida Simplesmente tem um quê de nostalgia, memória e afeto. Começamos o percurso expositivo com Eneida de Moraes, a escritora paraense que encantada com o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ), idealizou o mesmo para o Pará. Fruto da sua luta, o MIS-PA inicia a sua vida em março de 1971. Hoje, 52 anos depois, em sede definitiva, traz no seu espaço a tessitura da expressividade de Eneida, entrelaçada ao acervo do Museu. São duas narrativas adensadas, a vida e obra de Eneida e a memória sonora e imagética do MIS. O Museu que nasceu num dos últimos atos em vida da escritora, começa uma nova era. Olha para o passado, com pé no presente, ressignificando o seu percurso no mundo da era digital. 2023 também é o ano do centésimo vigésimo aniversário de nascimento de Eneida. Em tempos hiperbólicos e fluídos, Eneida Simplesmente é um convite à pausa, à imersão no tempo e espaço da escritora e dos primórdios do som e do audiovisual (Freire, 2023).
Essa fala da diretora, não à toa, dialoga com o quarto elemento da imagem 3, uma reprodução do discurso proferido por Eneida de Moraes, no ato de instalação do MIS-PA. Em tom saudosista, parabenizando o então governador do estado, Alacid Nunes, e o diretor do museu à época, Olavo Lira Maia, Eneida lança o seguinte questionamento aos gestores: "O que vai fazer este Museu? Guardar para sempre o depoimento ou palavras de homens certos ou errados, que tomaram parte na História do Pará". E com estas palavras marca ambiguidades encontradas nas escolhas curatoriais de vários museus como o MIS, instigando seus leitores a repensarem o passado pelo olhar do presente (Moares, 1971; Freire, 2023; Scheiner, 2003).
Em seguida, apresenta-se, na Figura 4, o próximo ambiente da exposição: um cenário composto por mobiliários, fotografias e pinturas. Cada item neste conjunto poderia ser observado como um semióforo, sob o olhar de Pomian (1984), como objetos que perderam sua funcionalidade intrínseca, para tornarem-se suportes de novos sentidos, neste espaço de mediação que é uma exposição museológica.
Este foi outro ambiente (Figura 4) instigou dúvida sobre o que estava sendo exposto. Dessa forma, foi perguntado à profissional responsável se algum dos objetos ali presentes correspondiam a alguma doação feita pela família de Eneida, por ser comum encontrar um musealia em exposições que utilizem recursos de design cênico13. A resposta foi negativa.
Dessa forma, os musealia, na perspectiva de Davallon (1992) integram-se à composição exposta não como meras “coisas”, mas, como "seres de linguagem", dignos de serem preservados como suportes de práticas sociais (Davallon, 1992; Scheiner, 2003).
Ainda sob a proposta de imersão, a sala seguinte (chamada de "sala multiuso", pelos funcionários do museu), é representada na Figura 5. Com o espaço coberto de informações textuais e audiovisuais nas paredes e no chão, encontravam-se trechos de livros e matérias de jornais plotadas, proporcionando uma experiência de acesso direto às fontes primárias relacionadas à produção intelectual de Eneida.
Os elementos textuais (Figura 5) atuam como documentos que testemunham seus pensamentos, em diálogo com os áudios e imagens projetadas que agregam uma dimensão sensorial à exposição, permitindo aos visitantes uma experiência síncrona de eventos anacrônicos, com as falas da escritora auxiliando na mediação, juntamente aos demais recursos da sala (Ortega, 2015).
A disposição dos elementos textuais nesta sala (Figura 5) evidencia uma preocupação curatorial com a construção de camadas informacionais. Dialogando com a perspectiva Cury (2005), os objetos museológicos podem ser compreendidos como suportes de informação, e sua organização espacial influencia na forma como o público apreende seus significados.
No mais, a última sala (Figura 6) do percurso visitado, indicado pela responsável, foi a “sala de pesquisas”. Esta sala, além da presença de pinturas14, catálogos e encartes do acervo bibliográfico15 do MIS-PA, bem como alguns materiais iconográficos digitalizados, eram exibidos ciclicamente nos computadores da sala.
Esse ambiente surpreendeu por sua subjetividade e aparente "distância" dos demais elementos expositivos. Uma aparente falta de relação explícita dos itens com a narrativa expositiva, que necessitava de mais elementos mediadores, além de dados técnicos sobre as obras expostas e informações sobre seus autores, algo que contextualizasse esses objetos ao tempo e trajetória da Eneida de Moraes (Souza; Crippa, 2010).
A presença da sala de pesquisas (Figura 6) na composição dos ambientes expositivos mostra uma preocupação com diferentes níveis de mediação informacional. Destaca-se que espaços dedicados ao aprofundamento do conhecimento em exposições museológicas permitem que visitantes interessados expandam sua compreensão além da narrativa principal (Cury, 2005).
Portanto, a exposição "Eneida Simplesmente" articula diferentes elementos expográficos que se imbricam para construir uma narrativa abrangente sobre a vida e obra da escritora, assim como sua relação com a história do MIS-PA (Scheiner, 2003).
5.1 Análise das legendas na exposição
As legendas em exposições museológicas possuem relevante papel na mediação da informação entre o acervo exposto e o público visitante. Conforme apontam Siqueira e Almeida Júnior (2023), os textos presentes nas exposições vão além do que descrevem, por representarem uma expressão da realidade construída através do discurso do museu.
Neste sentido, serão analisadas três diferentes legendas da exposição "Eneida Simplesmente" no MIS-PA, explorando como elas se alinham com as diretrizes de documentação museológica.
A análise das legendas presentes na exposição "Eneida Simplesmente" revela abordagens distintas na apresentação de informações. A legenda da Câmera de estúdio TV Marajoara (Figura 7) oferece um equilíbrio entre informações básicas e contexto histórico.
Essa legenda (Figura 7) foi elaborada para compor a primeira exposição do MIS-PA, no Palacete Faciola, e é do ano de 2021. Em seu teor: identifica o objeto, sua procedência (Acervo do MIS-PA), fornece contexto histórico sobre a primeira emissora de TV do Pará, e inclui detalhes técnicos sobre as lentes da câmera.
Esta abordagem se alinha com as recomendações de Camargo-Moro (1986) sobre a importância de fornecer informações contextuais e técnicas sobre objetos musealizados. No entanto, nota-se a ausência de detalhes sobre data ou período de produção, fabricante, ou local de origem de sua fabricação.
À luz da mediação em museus, a legenda funciona como microdispositivo de orientação de leitura (Cury, 2005; Davallon, 2007), enquanto, do ponto de vista da documentação, mobiliza campos mínimos para identificação e rastreabilidade (Camargo-Moro, 1986; IBRAM, 2021; ICOM, [200-]). No caso da TV Marajoara, observa-se a presença de identificação e dados técnicos, porém com baixa contextualização histórica, limitando a potência mediadora para públicos não especializados.
Em contraste, a legenda (Figura 8) do "Projeto: Laboratório de Identificação e Preservação de Películas" é consideravelmente mais sucinta. Ela se limita a mencionar somente o nome do projeto associado ao objeto, sem fornecer informações específicas sobre o item em si.
Os dados contidos nesta legenda divergem significativamente das recomendações do Object ID e do INBCM, que sugerem uma descrição mais detalhada dos objetos. A escassez de informações nesta legenda (Figura 8) não atende às recomendações padrão de documentação museológica, deixando lacunas na compreensão do visitante sobre o objeto e sua relevância.
Acrescenta-se que esta legenda é a mais antiga dos três exemplos - a profissional mediadora não soube informar o ano exato - indicada como um suporte de informações que se relaciona com um dos primeiros projetos do museu, com financiamento da Caixa Econômica Federal (Figura 8), intitulado “Recuperação, Catalogação e digitalização do Acervo Sonoro do Museu da Imagem e do Som - MIS/PA”, datado no início dos anos 2000, quando se localizava no complexo Feliz Lusitânia, e ainda não possuía um ambiente expositivo (Fernandes, 2006).
Inesperadamente, esse foi o suporte (Figura 8) de informações mais ambíguo da exposição (localizado na parte frontal da moviola), pois seu posicionamento relativamente "exposto" infere uma informação acessível ao público, e com um dado que poderia ser entendido como “procedência”.
Eventualmente, possui características de uma 'etiqueta', que se comporta como um recurso informativo direcionado para gestão e recuperação de informações internamente, geralmente localizado em pontos menos aparentes aos visitantes (Camargo-Moro, 1986). Infelizmente, a profissional encarregada da mediação, naquele momento (18/08/2024), não soube informar se havia uma intencionalidade na presença dessa colagem aparente na moviola. Assim, há identificação insuficiente e ausência de contextualização, reduzindo a viabilidade mediadora para o visitante.
Por fim, a legenda (Figura 9) da obra de Lasar Segall (assim como das demais pinturas da exposição) destaca-se como a mais completa das três e foi produzida para compor a exposição “Eneida Simplesmente”. Essa legenda fornece um conjunto abrangente de informações e alinhamento com as diretrizes de documentação museológica de Camargo-Moro (1986), do INBCM e do Object ID. Ela é composta por: o nome do artista, datas e locais de nascimento e morte, técnica e dimensões da obra, origem da peça e uma biografia detalhada do artista.
Esta abordagem está mais alinhada com as diretrizes do INBCM e do Object ID, oferecendo informações16 que permitem uma identificação e contextualização aprofundada da obra. Seguindo o viés de Cândido (2020), lê-se que a estrutura utilizada nesta legenda opera como uma narrativa coerente com a comunicação das informações aos visitantes, ao selecionar e hierarquizar as informações intrínsecas e extrínsecas sobre as obras expostas, para propor um enquadramento de sentido ao público.
Os metadados nesta legenda (imagem 9) proporcionam um leque mais amplo de informações, não somente dos dados intrínsecos à obra, mas também do artista e seu contexto de produção.
A análise comparativa destas três legendas evidencia uma variação significativa na abordagem e completude das informações fornecidas. Enquanto a legenda da Câmera TV Marajoara busca um equilíbrio entre informações técnicas e contextuais, a do Projeto do Laboratório mostrou-se limitada.
Comparativamente, somente o caso Segall mobiliza simultaneamente a conformidade normativa (Camargo-Moro, 1986; IBRAM, 2021; ICOM, [200-]) e a função mediadora (Cury, 2005; Davallon, 2007), desempenhando a descrição como narrativa valorada (Cândido, 2020). Nos demais, a falta de contextualização e de campos mínimos compromete a inteligibilidade para públicos amplos.
Portanto, essas diferenças reforçam algumas das reflexões e questionamentos levantados anteriormente, durante a visitação. E podem ser revistas como uma oportunidade futura para a instituição seguir uma padronização na elaboração de suas legendas, e ampliar suas representações visando uma mediação de informações mais próximas de um dialogismo sociocultural com seu público (Souza; Crippa, 2010; Souza; Fonseca; Redigolo, 2021).
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise da mediação documentária e da informação por meio das legendas na exposição "Eneida Simplesmente" demonstra a complexidade e relevância destes elementos na construção de narrativas. As variações observadas nas abordagens das legendas destacam tanto a necessidade de mediar informações peculiares ao tipo de contexto no qual o objeto está sendo representado quanto a demanda por uma padronização mais rigorosa, alinhada com diretrizes de documentação museológica já estabelecidas.
Ademais, a exposição demonstra celebrar a vida e obra de Eneida de Moraes, utilizando uma variedade desses elementos expográficos para criar uma experiência imersiva e informativa. No entanto, notou-se a falta de algumas informações que explicassem a presença de certos elementos expositivos presentes na expografia, como a moviola sem uma legenda que explicasse do que se trata esse item; e de algum elemento textual dedicado a introduzir a presença das pinturas na expografia.
O artigo ressalta a importância de considerar as legendas não somente como um recurso informacional trivial, mas como instrumentos de mediação que possibilitem compreensões ampliadas dos objetos que estão mediando ao público.
O estudo das legendas no MIS-PA aponta também para possíveis desdobramentos em futuras pesquisas sobre práticas de mediação em museus regionais. Por exemplo, seria relevante investigar como diferentes instituições museológicas da região amazônica desenvolvem suas estratégias de comunicação textual, considerando especificidades culturais e territoriais. Aspectos como a integração de tecnologias digitais nas legendas - a exemplo do código QR observado na exposição “Eneida Simplesmente” - também merecem atenção em estudos futuros, considerando especialmente o potencial de expandir o acesso à informação para além do espaço físico do museu. Adicionalmente, pesquisas sobre a recepção das legendas pelos diferentes perfis de público poderiam contribuir para o desenvolvimento de práticas mais efetivas de mediação da informação em contextos museológicos
Por fim, este artigo visa contribuir para o campo da Museologia e da Ciência da Informação ao destacar a necessidade de abordagens mais sistemáticas e reflexivas no uso e elaboração de legendas museológicas. Sugere-se que outras expografias poderiam explorar o impacto de diferentes estilos de legendas na experiência e apropriação dos visitantes.
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“Durante alguns anos, na França, o termo expographie (expografia) foi proposto para designar as técnicas ligadas às exposições, estejam elas situadas dentro de um museu ou em espaços não museais” (Desvallées; Mairesse, 2013, p. 59).
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Anunciada como uma exposição com datas de abertura (03/08/2023) e encerramento (30/09/2023) definidos, até o momento da pesquisa, agosto de 2024 (Pará, 2023).
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Informação fornecida por uma das mediadoras do museu, em visita realizada dia 2 de maio de 2024, sobre o interesse de Eneida de Moraes em artes visuais, quando questionada sobre a presença de pinturas diversas em exibição e como estas inserem-se na expografia.
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Cury (2020, p. 143) explica que: "[...] a musealidade é o valor ou qualidade daquilo que é musealizado [...]".
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Estas normas estabelecem parâmetros de metadados básicos para elaboração de inventários museológicos, visam à preservação e legalização de bens patrimoniais em instituições museológicas. O INBCM é uma iniciativa do governo federal, gerida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM); e o Object ID é uma iniciativa do Comitê Internacional de Museologia (ICOM).
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"[...] é um padrão de documentação reconhecido internacionalmente, concebido para identificar e registrar bens culturais" (ICCROM, 1999, tradução nossa).
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O INBCM é um instrumento regulamentador, previsto na Resolução Normativa Ibram nº 6 de 2021, para fins de identificação, de acautelamento e de preservação. Norma criada pelo Ibram que estabelece as categorias de descrição dos bens culturais de caráter museológico, bibliográfico e arquivístico. Os campos mínimos e obrigatórios que compõem o Inventário Nacional foram definidos consoante as especificidades das áreas do conhecimento: Museologia, Biblioteconomia e Arquivologia (IBRAM, 2021).
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A exposição - até o momento desta pesquisa (agosto de 2024) - estava aberta ao público de terça a domingo, das 9h às 17h, desde o dia 02 de agosto de 2023, no Centro Cultural Palacete Faciola, localizado na Av. Nazaré, em Belém (Eneida [...], [2023]).
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“O GEPEM é constituído por docentes, discentes, técnico-administrativos, pesquisadoras e pesquisadores e profissionais da UFPA e de outras instituições públicas e privadas, interessados na temática das relações de gênero”(GEPEM, 2025).
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Como escritora, era próxima de grandes nomes da literatura brasileira, como Dalcídio Jurandir, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, com quem trocava correspondências e dividia ideias (Eneida [...], [2023]; Jurandir, 1996).
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A moviola é um dispositivo que permite aos editores de filmes visualizar e editar filmes, sendo a primeira máquina de edição cinematográfica inventada por Iwan Serrurier em 1924 (Brasil, 2009).
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Ao questionar sobre os materiais expostos, e seu diálogo com a proposta da exposição, para a profissional responsável pela mediação da exposição, obtiveram-se duas informações: a primeira, orientava sobre o critério logístico que envolvia, particularmente, a movimentação da moviola e das filmadoras de estúdio televisivo nas dependências do prédio histórico onde o MIS-PA está instalado; a segunda informação foi sobre a trajetória de Eneida no panorama da história da imagem e do som no Pará.
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Dessa forma, cada item foi disposto a fim de que o público tivesse contato com a representação de um cômodo do período em que Eneida ainda estava viva, oferecendo uma ambientação imersiva sobre um fragmento da privacidade da escritora. E com as fotografias não foi diferente, cada uma serviu como "reforço" visual do que havia sido montado.
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A encarregada pela visitação informou que estas obras de arte provinham do acervo do museu Casa das Onze Janelas, que foram emprestados para que ficasse o tempo de duração da exposição.
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Assim como os itens do primeiro ambiente (imagem 2), que fazem parte originalmente do acervo do museu, esses objetos estavam dispostos como elementos de uma leitura complementar da exposição, enriquecendo a experiência do público (Cury, 2005).
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Destaca-se também o recurso do código QR, apresentando a possibilidade de expandir a leitura das informações sobre a obra, e levar essas informações consigo. Esse código ainda estava funcionando até a elaboração deste artigo, e seu link direciona ao site do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) dedicada ao Museu Lasar Segall, na área dedicada ao seu acervo. Disponível em: http://www.museusegall.org.br/acervo/.
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PREPRINTS
O manuscrito não é um preprint
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FINANCIAMENTO
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Bolsa de Longa duração, modalidade doutorado - GD.
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ANUÊNCIA DE AVALIAÇÃO ABERTA
Deseja interagir diretamente com o avaliador caso este também concorde, durante o processo de avaliação do manuscrito.
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LICENÇA DE USO
As autorias cedem à Revista Encontros Bibli os direitos exclusivos de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution (CC BY) 4.0 International. Essa licença permite que terceiros remixem, adaptem e criem a partir do trabalho publicado, atribuindo o devido crédito de autoria e publicação inicial neste periódico. As autorias têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada neste periódico (ex.: publicar em repositório institucional, em site pessoal, publicar uma tradução, ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial neste periódico.
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PUBLISHER
Universidade Federal de Santa Catarina. As ideias expressadas neste artigo são de responsabilidade das pessoas autoras, não representando, necessariamente, a opinião dos editores ou da universidade.
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DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA E OUTROS MATERIAIS
Os dados foram publicados no próprio artigo. Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo está incluído no corpo do artigo.
AGRADECIMENTOS
Aos servidores e à diretoria do Museu da Imagem e do Som (MIS) do estado do Pará pela hospitalidade durante as visitas à exposição "Eneida Simplesmente". A receptividade e a mediação de todos foram fundamentais para a produção da pesquisa realizada e submetida ao Periódico Encontros Bibli.
REFERÊNCIAS
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EDITORES
Edgar Bisset Alvarez, Patrícia Neubert, Genilson Geraldo, Camila de Azevedo Gibbon, Jônatas Edison da Silva, Luan Soares Silva, Marcela Reinhardt e Daniela Capri.
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Fonte: Acervo do Grupo de Estudos e Pesquisas Eneida de Moraes (
Fonte: De autoria própria.
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