| 1. "Ser nervosa” |
1.1. Diferenciação entre “ser nervosa” e “ser louca”. |
Sou nervosa! Louco é uma coisa, que mata, e nervosa é outra. [...] É só dizer “se acalma” e louca não, louca tem que berrar. (Rita)
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| 1.2. Se manifesta através de fobias, desconfiança, desorganização e infantilização. |
Estou fóbica, sou toda nóia. Não sou mais criança, mas a mente...Viu os papéis? (referindo-se aos documentos molhados, rasgados e desorganizados), parecia uma criança. (Rita)
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| 1.3. Relacionada às negativas conferidas pela vida e situação de tristeza, exaustão e sofrimento. |
Sou nervosa porque a vida me dá só não, e isso cansa. [...] É muita tristeza para uma pessoa [...] Mas aqui [aponta para a cabeça] tá cansada, tá exausto. (Rita)
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| 1.4. Relacionada a traumas e violência. |
Eles me estupraram e eu não me lembro mais. [...] Eu morri naquele dia [...] acho que por isso que eu fiquei mais louquinha dos nervos. (Rita)
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| 2. Surtos |
2.1. Comportamentos associados a problemas na cabeça ou no cérebro. |
Comecei a ter problemas de saúde, ter surto, comecei a ter uns ataques. [...] Eu apagava minha cabeça. (Pablo)
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Tive surto, fui parar no hospital de presos, da cabeça. [...] A minha filha ficou doente do cérebro, começou a surtar. (Elza)
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| 2.2. Comportamentos agressivos e imprevisíveis, intensos, relacionados ao descontrole. |
Na clínica eu começava a surtar, quebrar as cama, a quebrar os vidros, a enfrentar os enfermeiro, a jogar comida nas paredes. (Pablo)
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| 2.3.Fatores desencadeantes: |
Eu comecei tendo [surtos] por causa da psicóloga. Ela botava coisas na minha cabeça, dizia que eu tinha problemas mas eu não tinha. Começava a agredir todo mundo, achando que iam me machucar. Ficava com medo das pessoas. Era inseguro. (Pablo)
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| - Relacionado a conflitos, medos e inseguranças; |
| - Relacionado a condições desfavoráveis da vida cotidiana; |
| - Relacionado a problemas na comunicação. |
Daí o Heitor [dono da oficina onde ela e o marido dormem] diz “Não vem”. Por isso que eu surtei. (Rita)
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| [Referindo-se ao motivo de a filha ter surtado] Não falei direito [sobre a morte do pai]. Não falei com carinho, não soube explicar. (Elza)
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| 2.4. Formas de tratamento: atitudes compreensivas de pessoas próximas, medicação. |
Ele [marido] teve vários surtos e agora a gente tá tentando tratar. Vai começar a tomar a medicação pra cabeça e vou tentar ajudar, pra que ele possa melhorar. Medicação, amizade, carinho. (Elza)
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| 3. Uso de drogas |
3.1 Percebido enquanto um vício. |
Comecei a usar droga. Eu achava que era bom, que eu via todo mundo usar. Não sentia aquela abstinência. [...] Daí começou a bater o vício, comecei a sentir mais vontade de usar. Que nem o pessoal chama de viciado? Que quer mais e mais. (Pablo)
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Não era tão viciado, mas tinha outras amigas que eram mais viciadas. Eu cheirava [loló] mas só pela companhia. (Elza)
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Tinha meus vícios da droga mas estava bem. Depois que parti pra outra droga, perdi tudo. (Luiz)
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| 3.2 Como recurso ao mal-estar. |
Eu tomo [vinho], porque eu tô triste, infeliz sem a minha filha, tô na merda da merda e esperando comida que não veio. (Rita)
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Volto pras droga porque alguma coisa me decepciona. Alguém que não faz bem pra mim. [...] Fiquei lá [na prisão], me dopando de remédio. [...] porque não é fácil a pessoa passar o Natal e Ano Novo e aniversário sem a família do lado. Sozinho, em quatro paredes. Passei dormindo. Não levantava nem pra comer. (Pablo)
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| 3.3 Associado a violências. |
Minha mãe me bateu muito quando era criança, por causa da bebida e daí a pessoa que tem alcoólica, é rebelde, com raiva, sei lá, tristeza. Ela bebe, até hoje e se avança em mim. (Elza)
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Ele me batia, bêbado, drogado [...] Pra ver que era sem vergonhice, arriamento, ele pegou e veio pra me dar um soco, daí ele saiu pra trás. (Sarita)
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| 3.4 Empecilho aos projetos de vida. |
[Referindo-se ao momento em que foi tentar a vida em São Paulo] Muitas drogas, e acabei falhando. [...] Me envolver com pessoas que usam, é mais dificuldade ainda. [...] Eu falhei, usei droga lá dentro [do albergue] e acabei perdendo a vaga. Fui desligado e voltei pra rua de novo. (Luiz)
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