Este artigo se volta para um recorte de manuscritos inéditos de Carolina Maria de Jesus, produzidos entre 1958 e 1962, que registram conflitos emergentes com sua profissionalização como “autora” para o projeto editorial protagonizado pelo seu best-seller. Trata-se do embate entre uma visão lapidada da “favelada” - como testemunha de primeira pessoa e “repórter” - ao contrário do desejo prismático da mineira pela escrita criativa e “descolada” dos referentes que lhe eram imediatos. O exame busca caracterizar [a] a pós-modernidade / contemporaneidade a partir de sensibilidades periféricas em interseção de gênero, raça e classe, em vista da desarticulação do tempo e de narrativas lineares (Agamben, 2009); [b] a exacerbação do exercício escópico (Santiago, 2002); e [c] os efeitos generalizados de tal intensificação traduzidos por subjetividades fantasmáticas, em acelerado processo de alienação, reificação e espetacularização (Lukács, 2003).
PALAVRAS-CHAVE:
Carolina Maria de Jesus; Manuscritos; Contemporaneidade; Pós-modernidade; Subjetividades contemporâneas; Estudos subalternos
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Página 8 do caderno 11 digitalizado pela FBN e disponível em: <http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1352132/mss1352132.pdf>.
Estreia de “Salve Ela: Carolina Maria de Jesus em Cena”, incorporando a peça inédita “Obrigado Senhor Vigário” em junho de 2014, nos palcos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Peça disponível na íntegra em: <https://youtu.be/iat1Wn_b4es>.
Carolina Maria de Jesus e sua filha Vera Eunice fantasiadas. Disponível em: <https://www.vidaporescrito.com/>.