O artigo discute como a crise do progresso moderno e o diagnóstico do Antropoceno recolocam a esperança no centro do debate ético e político contemporâneo. A partir de Krenak, contrapõe temporalidades ocidentais futuristas a horizontes existenciais que abrem o presente como espaço de ação. Dialoga com autores como Han, Eagleton e Waldow, Berguès e Chandler, mostrando que a esperança atual é “sombria”, distinta do otimismo e orientada à ação no agora. O texto então confronta Paulo Freire e Ernst Bloch: embora ambos pensem a esperança como abertura do “ainda-não”, Bloch tende a uma utopia cosmológica e especulativa, criticada por Eagleton, enquanto Freire insiste no enraizamento empírico, situado e pedagógico da esperança. Para Freire, esperançar é prática histórica, crítica e coletiva, produtora de “inéditos viáveis”, evitando tanto fatalismos quanto utopismos abstratos. O artigo mostra que sua pedagogia opera como política do tempo, articulando passado, presente e futuro sem determinismo. Conclui que essa esperança concreta - existencial, crítica e orientada ao presente - oferece alternativas éticas e políticas para enfrentar os impasses contemporâneos sem capitular ao cinismo nem recorrer a ilusões apocalípticas ou escapistas.
PALAVRAS-CHAVE:
Esperança; Antropoceno; Paulo Freire