Este artigo examina a transformação do papel dos autores clássicos na sociologia, destacando suas implicações epistemológicas, metodológicas e pedagógicas. Na primeira parte, analisa-se a mudança de função desses autores no campo teórico, caracterizando-a como a emergência de um novo regime discursivo (heurística negativa) e de um consenso difuso que molda o ethos científico contemporâneo. Na segunda parte, propõe-se uma heurística positiva de reflexão e ensino da teoria sociológica, com foco em: (1) a reavaliação da relação entre as dimensões autorreferencial e heterorreferencial nas análises da modernidade elaboradas pelos clássicos; e (2) a recuperação de modelos analíticos plurais como instrumentos para investigar e sistematizar teorias sociológicas desenvolvidas durante a fase de gênese e institucionalização da disciplina.
PALAVRAS-CHAVE:
Teoria social; Clássicos da sociologia; Cânone da sociologia