A doença vanishing white matter (VWM) é uma leucodistrofia causada por mutações nos genes EIF2B1-5, que prejudicam as respostas ao estresse celular e a regulação da síntese proteica, levando à disfunção astrocitária e à degeneração da substância branca. Embora seja tipicamente uma condição pediátrica, casos de início na vida adulta vêm sendo cada vez mais reconhecidos. Relatamos o caso de uma mulher brasileira de 39 anos, com história de seis anos de declínio cognitivo progressivo, comprometimento da marcha e rápida deterioração após uma infecção. O exame neurológico revelou tetraparesia espástica e comprometimento cognitivo grave. A ressonância magnética cerebral evidenciou anormalidades difusas da substância branca, com degeneração cística. O sequenciamento completo do exoma identificou uma variante em homozigose em EIF2B3 c.260C>T (p.Ala87Val), previamente associada a um efeito fundador no Quebec, mas não relatada no Brasil. Este caso destaca a variabilidade fenotípica da VWM, as exacerbações desencadeadas por estresse e a importância do teste genético em pacientes adultos com declínio cognitivo. Ele também amplia a diversidade genotípica da VWM no Brasil e ressalta a necessidade de cuidados multidisciplinares.
Palavras-chave:
Leucoencefalopatias; Fator de Iniciação 2B em Eucariotos; Disfunção Cognitiva; Genética.
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