A demência frontotemporal (DFT) e a esclerose lateral amiotrófica (ELA) são doenças neurodegenerativas progressivas de etiológia ainda pouco compreendida. As mutações no gene TBK1 estão associadas a um risco aumentado para ambas as condições, apresentando um fenótipo diverso que inclui a variante comportamental da DFT, afasia progressiva primária e ELA pura. Trata-se de uma mutação rara, e, até o momento, apenas um relato de caso sobre manifestações clínicas relacionadas ao TBK1 foi publicado no Brasil.
Objetivo: Investigar a associação entre mutações no gene TBK1 e as manifestações clínicas de DFT e ELA em uma família brasileira, documentando o histórico clínico e a progressão da doença em três parentes de primeiro grau. Além disso, realizar uma revisão da literatura para compreender melhor o impacto dessa mutação e suas implicações para a prática neurológica.
Métodos: Foram coletados dados clínicos de três pacientes da mesma família atendidos no Hospital Geriátrico Dom Pedro II e no Hospital Central da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, incluindo informações sobre sintomas clínicos, progressão da doença e exames complementares — com destaque para testes genéticos com o objetivo de detectar e confirmar o diagnóstico. Uma análise detalhada da literatura existente sobre a doença também foi realizada para aprofundar o entendimento das implicações dessa mutação.
Resultados: Foram documentados três irmãos com mutação no gene TBK1, com histórico familiar sugestivo de que essa alteração genética afeta a linhagem há várias gerações.
Conclusão: Embora rara, a demência frontotemporal com comprometimento motor associado possui grande relevância para neurologistas, tanto por seu prognóstico reservado quanto pelo possível impacto familiar hereditário nas gerações subsequentes.
Palavras-chave:
Demência Frontotemporal; Esclerose Lateral Amiotrófica; Transtornos Mentais; Epidemiologia; Genética
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