Avanços na área da saúde levaram ao aumento da expectativa de vida de indivíduos com síndrome de Down (SD), resultando em uma população crescente de adultos e idosos nesse grupo. Como consequência, houve aumento da prevalência de declínio cognitivo e demência, em grande parte em razão da predisposição genética da SD para acúmulo precoce e significativo de beta-amiloide cerebral e intensificação da formação de emaranhados neurofibrilares. A detecção precoce de alterações funcionais, particularmente aquelas relacionadas à marcha e ao equilíbrio, pode constituir um marcador clínico relevante de comprometimento neurocognitivo emergente.
Objetivo: Sintetizar as evidências atuais sobre a relação entre marcha, declínio cognitivo e demência em adultos e idosos com SD.
Métodos: Foi realizada uma busca sistemática na base de dados United States National Library of Medicine (PubMed), de acordo com as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) 2020. Foram incluídos estudos observacionais originais que avaliaram marcha, equilíbrio ou risco de quedas em relação ao declínio cognitivo ou demência em adultos com SD. A qualidade metodológica foi avaliada por meio das ferramentas de avaliação crítica do Joanna Briggs Institute.
Resultados: Foram identificados 37 registros, dos quais cinco estudos originais atenderam aos critérios de inclusão. De modo geral, os achados sugerem associação entre alterações na marcha, no equilíbrio e declínio cognitivo em indivíduos com SD. As alterações mais frequentemente relatadas incluíram redução da velocidade da marcha, aumento da variabilidade desta, inconsistência nos parâmetros de marcha e prejuízo do equilíbrio. Contudo, a heterogeneidade no delineamento dos estudos, nos protocolos de mensuração e o tamanho reduzido das amostras limitam a comparabilidade e a generalização dos resultados.
Conclusão: A avaliação da marcha apresenta potencial como abordagem não invasiva e acessível para a identificação precoce de declínio cognitivo em indivíduos com SD. Estudos futuros devem priorizar delineamentos longitudinais, protocolos padronizados de avaliação e amostras maiores e representativas, a fim de subsidiar intervenções clínicas direcionadas e baseadas em evidências.
Palavras-chave:
Trissomia do Cromossomo 21; Deficiência Intelectual; Demência; Marcha; Equilíbrio Postural
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