Este artigo discute padrões de representação do discurso em narrativas factuais publicadas por veículos brasileiros de comunicação entre 2012 e 2019, contrastando as formas como homens e mulheres são citados em textos jornalísticos. O artigo se afilia a um arcabouço teórico da Linguística Sistêmico-Funcional e da Análise Crítica do Discurso - como Fairclhough (1998) e Halliday & Matthiessen (2014) -, em sua interface com métodos da Linguística de Corpus e utiliza dados coletados a partir do site Corpus do Português (Davies, 2016). A análise corrobora Caldas-Coulthard (1994) e aponta para uma sub-representação de mulheres em textos jornalísticos - tendo sido identificadas 37.199 ocorrências de ‘ele disse’ contra 14.583 de ‘ela disse’. Além disso, análise amostral revela um contraste nos contextos em que homens e mulheres são citados: 70,3% dos Dizentes Masculinos podem ser associados a contextos mais marcadamente públicos / institucionais, contra 36,3% de Dizentes Femininos para a mesma categoria. Por outro lado, em contextos mais marcadamente pessoais / privados, o número de Dizentes Femininos chega a 17,7%, enquanto o de Dizentes Masculinos fica em 4,1%. Os resultados revelam, portanto, indícios de um sexismo sistêmico em textos jornalísticos brasileiros.
Palavras-chave:
representação do discurso
;
linguística de corpus
;
sexismo sistêmico
;
textos jornalísticos brasileiros
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Fonte: elaboração própria, a partir de dados coletados do site Corpus do Português
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Fonte: Captura de tela feita pelo autor do artigo
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Fonte: elaboração própria
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