Open-access Teoria de Mundos Textuais: uma breve introdução

Text World Theory: a brief introduction

Resumo

A Teoria de Mundos Textuais (TMT) é uma perspectiva cognitiva de análise do discurso em desenvolvimento há mais de vinte anos. Trata-se de um modelo de processamento do discurso, desenvolvido com base na Teoria de Mundos Possíveis, Psicologia Cognitiva, Linguística Cognitiva e Estilística, que busca compreender como o discurso é cognitivamente representado. Entende-se que ao processar um discurso, seres humanos constroem representações mentais profusas e dinâmicas, chamadas mundos textuais. É sobre a constituição e o funcionamento desses mundos em relação aos participantes de um discurso que a TMT se dedica. Este artigo traça um breve percurso histórico de influências disciplinares e introduz os principais conceitos teórico-analíticos da TMT, ainda pouco difundida em língua portuguesa. Também oferece um panorama de desenvolvimentos da teoria, apresentando estudos que a utilizam para analisar os mais diversos tipos de manifestações discursivas. Em linhas gerais, o trabalho ressalta a dinamicidade dessa perspectiva interdisciplinar e o seu potencial de aplicabilidade empírica.

Palavras-chave:
cognição ; discurso ; estilística cognitiva ; teoria de mundos textuais

Abstract

Text World Theory (TWT) is a cognitive perspective on discourse analysis which has been in development for over twenty years. It is a model of discourse processing, developed on the tenets of Possible Worlds Theory, Cognitive Psychology, Cognitive Linguistics and Stylistics, which accounts for how discourse is cognitively represented. It is understood that while processing discourse, human beings build dynamic and rich mental representations called text-worlds. It is the constitution and functioning of these worlds in relation to discourse participants that TWT is about. This article offers a brief historical survey of its disciplinary influences and introduces its main concepts and analytical methods, which still lack in the literature written in Portuguese. It also introduces studies which have used TWT to analyse the most diverse range of discourses. In general terms, the paper emphasises the relevance of this interdisciplinary perspective and its potential of empirical applicability.

Keywords:
cognition ; discourse ; cognitive stylistics ; text world theory

As in life, so in discourse.

(Werth, 1999, p. 305)

1. Introdução

A epígrafe deste artigo encapsula a premissa básica da Teoria de Mundos Textuais (TMT): biologia e linguagem são inerentes aos seres humanos, de tal forma que as experiências de vida de um indivíduo fazem parte constitutiva da produção e recepção de discursos. Esta interação entre aspectos linguísticos e experienciais forma a base da TMT, que entende que um discurso ganha vida por meio de um texto produzido na interação entre indivíduos, de forma oral ou escrita. Nesta interação, para fins de compreensão, os indivíduos projetam e constroem representações mentais, ou mundos textuais, licenciadas pela constituição linguística do discurso. Assim, discurso é compreendido como um evento de linguagem conjunto e deliberado entre pelo menos dois participantes na construção de um mundo, cujas proposições são coerentes e fazem sentido. De forma sintética, Werth (1999) deixa claro na epígrafe que o discurso opera em uma relação de continuidade entre as experiências cognitivas e corpóreas da vida humana.

Em 2019 comemorou-se o vigésimo aniversário da publicação de Text Worlds: Representing Conceptual Space in Discourse (Werth, 1999), que inaugurou o estudo de mundos textuais. Desde então, os estudos nesta área vêm sendo divulgados, em sua maioria, em língua inglesa, fazendo com que seja uma teoria pouco conhecida em outras línguas, como é o caso da língua portuguesa. Esse período de tempo foi suficiente para que os construtos da TMT fossem ampliados, refinados e aplicados a manifestações discursivas diversas, incluindo discursos literários, políticos, publicitários, jornalísticos, orais, multimodais, dentre outros (cf. Gavins & Lahey, 2016). As pesquisas que fazem uso dessa teoria se engajam em questões para além do textual-discursivo, incluindo aspectos como empatia, resistência e emoção (cf. Gavins, 2007). Há uma preocupação da TMT em relacionar aspectos textuais-discursivos a aspectos pertinentes à leitura, ou seja, os efeitos suscitados pelos discursos no contexto da comunicação formam parte integrante das análises. Preocupada com aplicações em contextos educacionais, a TMT tem sido incorporada a propostas pedagógicas também (cf. Giovanelli, 2010).

Este trabalho observa o percurso dessa teoria discursivo-cognitiva nos seus 20 anos, mostrando como está em franca expansão e desenvolvimento. Nesse sentido, amplia o seu campo de alcance ao ter como objetivo um leitor de língua portuguesa. Com base nessas considerações iniciais, o artigo oferece na segunda seção um pouco da história e das influências disciplinares que culminaram na proposição da TMT. Em sequência, aborda os principais conceitos da teoria, como os de ‘mundo do discurso’, ‘mundo textual’ e ‘transição de mundo’ por meio da análise de um poema de Carlos Drummond de Andrade. Na quarta seção apresenta algumas das convenções adotadas no mapeamento de mundos. Na quinta, introduz um panorama de investigações que fazem uso da teoria. O artigo finaliza com uma apreciação geral do percurso da TMT e de sua relevância para os estudos do texto e do discurso.

2. Histórico

A história da TMT se estende desde conceitos formulados há séculos, como o de ‘mundo possível’ (Leibniz, 2007 ENT#091;1710ENT#093;; Rescher, 1975; Bradley & Swartz, 1979), até os desenvolvimentos recentes da Psicologia Cognitiva (Bruner et al., 2017; Neisser, 1967; Neufeld et al., 2011) e da Linguística Cognitiva (Langacker, 1986; Lakoff, 1990; Talmy, 2000; Berber Sardinha, 2007; Macedo et al., 2008; Ferrari, 2011; Lima & Pinheiro, 2025; Souza et al., 2025). Apesar da longa história de influências, a sua formulação é recente, resultado da revolução cognitiva e da virada cognitiva nas humanidades que já vinham ocorrendo desde 1950 (cf. Miller, 2003; Turner, 2002). A visualização gráfica na Figura 1 revela o crescente avanço da TMT na última década do século XX e início do século XXI.

Figura 1:
Visualização do desenvolvimento da TMT ao longo dos anos

Uma busca no Google Books Ngram Viewer sugere quando o termo ‘Text World Theory’ surgiu e como foi grafado. A Figura 1 mostra o número de referências a partir de 1990 e como a grafia com iniciais maiúsculas é prevalente (linha azul). As outras duas grafias (linhas verde e vermelha) são menos recorrentes. A predileção pelas iniciais maiúsculas parece indicar uma convenção adotada pela comunidade de pesquisadores, de modo que a adoto em língua portuguesa também. Cabe apontar que opto pelo plural na tradução da denominação, a fim de explicitar a pluralidade de mundos que perfazem a comunicação humana, estabelecendo, portanto, em português o termo Teoria de Mundos Textuais. Já o termo text-world é anterior à década de 1990. Werth (1999) aponta que a denominação foi tomada emprestada de van Dijk (1977). Em nota, contudo, Werth (1999) explica que, segundo van Dijk, o termo provém de Janos Petöfi, expoente da Linguística Textual2. Petöfi (1979) desenvolveu a Teoria da Estrutura do Texto - Estrutura do Mundo de base lógica, formal e semiótica e, de fato, a denominação já era usada por ele. Possivelmente o uso do termo é anterior ainda, mas sem a dimensão cognitiva e experiencial que adquiriu a partir de Werth (1999).

A obra póstuma de Paul Werth (1942-1995), Text Worlds: Representing Conceptual Space in Discourse (1999), consolida a TMT como tal. Oito anos depois, Joanna Gavins revisa e amplia a teoria em Text World Theory: An Introduction (2007), que se constitui na proposição mais atual das formulações iniciais de Werth. Essas são as duas principais referências que apresentam a TMT em detalhes. Algumas publicações subsequentes, de outros autores, propõem mudanças e adendos a certos aspectos da teoria. Em uma análise sobre emoção, Whiteley (2016), por exemplo, propõe o conceito de ‘mundo participativo’, mas questiona se esse tipo de mundo poderia ser acomodado na TMT em seus moldes atuais, já que os mundos participativos são gerados indiretamente e não diretamente, pela constituição linguística do texto, como no processo padrão de construção de mundos. No entanto, não há uma obra que tenha avaliado esses desenvolvimentos e os reapresentado como parte integrante da TMT. Por isso, os conceitos aqui discutidos são aqueles que compõem a sua base consensual.

De modo geral, a TMT é um modelo linguístico-cognitivo de processamento do discurso. Entende-se que seres humanos processam e compreendem manifestações discursivas por meio da construção de representações mentais chamadas mundos textuais. A metáfora conceptual (Lakoff & Johnson, 1980) um texto é um mundo subjaz à denominação da TMT e a todos os seus desdobramentos teórico-analíticos. Entende-se que um texto é a representação de um estado complexo de ações e relações entre entidades em determinado tempo e espaço. Assim, por meio da concatenação de elementos textuais, um indivíduo é capaz de construir mentalmente os cenários projetados linguisticamente. A depender das filiações disciplinares e objetivos analíticos dos pesquisadores, essas representações têm recebido diferentes denominações: ‘mundo possível’ (Ryan, 1991), ‘mundo da história’ (Herman, 2009), ‘espaço mental’ (Fauconnier, 1994), ‘mundo narrativo’ (Gerrig, 1993) e ‘enquadramentos’ (Emmott, 1994).3 A TMT se coloca ao lado dessas perspectivas, que fazem uso da noção de ‘espaço conceptual’, na proposição de um conjunto de conceitos e termos para a descrição sistemática de como diferentes representações mentais são projetadas pelos discursos e construídas nas mentes de quem os recebe. Sinalizo que textos projetam mundos enquanto leitores constroem mundos durante a leitura. Projeção refere-se ao aspecto ascendente da construção de mundos, a partir do texto, enquanto construção se refere ao componente descendente, a partir dos leitores (Semino, 1997, p. 25). Assim, o seu foco recai nas “ENT#091;...ENT#093; relações precisas entre elementos linguísticos específicos e os mundos por eles criados, ao mesmo tempo em que situa esse entendimento no mundo do discurso, que dá forma à produção e recepção da linguagem” (Gavins & Lahey, 2016, p. 4).4

Muitas são as influências que convergiram na formulação da TMT: Teoria de Mundos Possíveis, Psicologia Cognitiva, Linguística Cognitiva e Estilística, sobre as quais comento brevemente a seguir. As raízes de qualquer abordagem que faça referência às propriedades formadoras de mundos da linguagem remontam à teoria filosófica de mundos possíveis de Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716).5 Desde o século XVIII, a categoria conceptual mundo tem sido usada na exploração de questões teológicas, lógicas, filosóficas e semânticas, tornando-se útil para verificar o valor de verdade de proposições relacionadas a uma dada situação. Representantes mais recentes dessa perspectiva filosófica da lógica modal incluem Kripke (1972) e Lewis (1986).6 A ideia central é a de que o que reconhecemos como o mundo real ou atual (percebido pelos sentidos humanos) é apenas um dentre uma variedade de mundos possíveis (concebíveis). Essa abordagem se tornou relevante para aqueles que investigam construtos mentais e situações imaginadas. No campo da Narratologia, por exemplo, aspectos como a natureza da ficcionalidade e da relativa possibilidade de mundos literários (o quão próximos ou distantes eles se constituem em relação ao mundo atual) puderam ser explorados por meio da Teoria de Mundos Possíveis (cf. Allén, 1989; Ryan, 1991; Doleẑel, 1998). As abordagens linguístico-cognitivas, por sua vez, como a TMT, por meio da categoria mundo, buscam explicitar e sistematizar os mecanismos cognitivos que indivíduos utilizam, não só no processamento do discurso, mas também nos tipos de conhecimentos ativados nesse processo de negociação.

Importante para a compreensão do funcionamento de mudos textuais é que, assim como modelos mentais (Johnson-Laird, 2008) propostos por abordagens da Psicologia Cognitiva, eles são representações analógicas; isto é, um mundo textual pode ser tão rico em detalhes quanto o mundo do discurso que lhe deu origem, de modo que a experiência de um mundo textual pode se tornar tão real quanto a experiência cotidiana daquele em que se vive (Gavins, 2007). Esse é um dos aspectos que distingue a TMT de outras abordagens baseadas na ideia de espaço conceptual. Ao avaliar abordagens semelhantes, Werth (1999), por exemplo, considera a de mundo possível insuficiente, uma vez que se trata de um recurso lógico-formal que não considera a complexidade que qualquer falante reconheceria em um mundo, limitando-se à análise de proposições isoladas. Similarmente, o mesmo autor aponta que, apesar de inovador, o conceito de ‘espaço mental’ (conjunto parcial de modelos cognitivos idealizados ativados para propósitos de compreensão local) se aplica apenas ao nível da frase. A proposta de Werth (1999), em complementaridade às demais, é a de que mundos textuais constituem mundos profusos, isto é, situações definidas pelo conteúdo semântico e pragmático de todo o discurso e não apenas de uma única proposição em análise. Dessa forma, as conceptualizações profusas e textualmente direcionadas da TMT representam uma síntese e um desenvolvimento das noções de modelo mental, mundo possível e espaço mental. Werth (1999) também sugere que mundos textuais formam a unidade básica de armazenamento da experiência humana, são únicos e irrepetíveis, armazenados na memória episódica, constituindo parte do primeiro processo de interpretação de uma nova experiência, seja ela direta ou vicária. A experiência repetida de um mundo pode sinalizar o início da formação de um frame, uma situação culturalmente convencional que é, então, armazenada na memória de modo mais duradouro. Além do conceito de modelo mental mencionado, a Psicologia Cognitiva, compreendida como o estudo científico da cognição, também fornece subsídios à TMT para a compreensão de aspectos concernentes à atenção, emoção, criatividade, memória, percepção, representação e processamento de informação, e ao acesso a estruturas de conhecimento (Anderson, 2005). Ao buscar subsídios na Psicologia Cognitiva e nas ciências cognitivas7 de modo geral, a TMT se constitui como uma teoria do discurso psicologicamente plausível.

No que concerne o desenvolvimento de teorias linguísticas, a TMT nasce nas últimas décadas do século XX como uma reação aos postulados da Linguística Gerativa de Noam Chomsky, desenvolvida na década de 1950.8 O programa gerativo tem a competência linguística e a sintaxe de pequenos fragmentos como foco, deixando de lado aspectos funcionais e contextuais, de modo que a linguagem é vista como um sistema abstrato autônomo e independente do componente humano. A TMT, por outro lado, concebe a linguagem intimamente ligada à experiência humana e inclui fatores contextuais na análise de manifestações linguísticas concretas. O programa de pesquisa defendido por Werth diverge do Gerativismo em termos conceituais e metodológicos, considerando o discurso e não sentenças isoladas e entendendo que os discursos refletem sistemas cognitivos e não sistemas abstratos. Em outras palavras, o funcionamento da linguagem é compreendido de forma integrada a outras funções cognitivas gerais e não em um módulo separado na mente, como defendem Chomsky (2000) e Fodor (1983). Entende-se que a linguagem opera em cooperação com outros sistemas cognitivos, como a memória de curto e longo prazo, os vários sistemas de processamento dos sentidos e os sistemas motores e musculares. Sendo assim, ao analisar a língua em uso e descrevê-la a partir de discursos e de processos humanos, sob o prisma cognitivo, a TMT também é compreendida como uma Gramática Cognitiva do Discurso (GCD).

Ao se afastar da perspectiva gerativa, a TMT se aproxima mais das abordagens funcional e cognitiva dos estudos da linguagem, desenvolvidas a partir das décadas de 1960 e 1970, respectivamente. A produção de significados como função do uso linguístico, a influência do contexto cultural e social nesses significados e a escolha linguística como instanciação de significados (Halliday, 1971)9 fundamentam os aspectos funcionais da TMT. Experiência e cognição corporificadas, realismo experiencial e construção de significados como conceptualização (Evans & Green, 2006) fundamentam os seus aspectos cognitivos.10 Parte-se do princípio de que significados produzidos em textos não existem independentemente dos processos cognitivos corporificados e experienciais de leitores. Por isso, a cognição é textualmente direcionada. Segundo o princípio de direcionamento textual (Werth, 1999), o texto determina quais aspectos contextuais e cognitivos se tornam relevantes para a compreensão de um discurso. O contexto é estabelecido a partir de gatilhos linguísticos, que sinalizam e ativam as estruturas de conhecimento necessárias para a participação em um discurso.11 Essas estruturas contribuem para que o texto adquira dimensão cognitiva, ou seja, a linguagem do texto interage com os conhecimentos prévios do falante e gera representações mentais tão detalhadas e imersíveis quanto a profundidade do processamento cognitivo realizado.

Outra influência provém da Estilística (Leech & Short, 2007; Jeffries & McIntyre, 2010; Gibbons & Whiteley, 2018), disciplina integrativa dos estudos linguísticos que se ocupa da análise do estilo na língua em uso, de seus propósitos e efeitos (Verdonk, 2002). Comprometida com a análise sistemática de significados em textos, a Estilística é fundamentada em evidências textuais (cf. Stockwell & Whiteley, 2014, p. 4; Zyngier et al., 2023). Devido à sua responsividade aos desenvolvimentos de teorias linguísticas e às questões de uso linguístico em práticas sociais, bem como à sua indisciplinaridade (Sorlin, 2014), a Estilística conta hoje com uma variedade de abordagens (cf. Sotirova, 2016). Dentre elas, a Estilística Cognitiva (Semino & Culpeper, 2002), ou Poética Cognitiva (Stockwell, 2002), busca compreender as relações entre processos cognitivos e textualidade, desenvolvendo abordagens, como a TMT, que nos permitem descrever e explicar como leitores processam, compreendem e respondem a textos. Nessa aproximação com a Estilística, mundos textuais são concebidos em função do estilo de um texto.

Elenco na sequência, em ordem cronológica, alguns marcos bibliográficos (livros) que considero relevantes para a compreensão que se constituiu acerca da TMT.

Semino, 1997. Obra que sintetiza três abordagens para a análise de mundos textuais na poesia. Apesar de ter sido publicada antes de Werth (1999), Semino reconhece Paul Werth como a figura central na proposição desse tipo de análise.

Werth, 1999. Obra póstuma, editada por Mick Short, que contém toda a teorização e os fundamentos da TMT que já vinham sendo desenvolvidos por Werth desde o fim da década de 1980 e início da década de 1990. É um trabalho de teor mais técnico quando comparado à introdução à TMT de Gavins (2007).

Hidalgo-Downing, 2000. Desenvolvimento de um modelo do uso da negação no discurso com base na TMT.

Stockwell, 2002. Em sua introdução à Poética Cognitiva12, Stockwell inclui os mundos textuais como uma dentre as possíveis abordagens linguístico-cognitivas à leitura.

Gavins e Steen, 2003. Coletânea de análises práticas em Poética Cognitiva, incluindo a TMT.

Gavins, 2006. Inclusão da TMT na Encyclopedia of Language and Linguistics.

Gavins, 2007. Gavins reapresenta a TMT de modo ampliado, revisando principalmente o tratamento dado ao aspecto da modalidade em Werth (1999). Com base na gramática modal de Simpson (1993), ela trata da modalidade em termos de três mundos modais principais: bulomaico, deôntico e epistêmico. Gavins também propõe a mudança do termo submundo, usado em Werth (1999), para transição de mundo. Essa mudança desfaz a hierarquização, que nem sempre ocorre entre mundos, sugerida pelo prefixo sub-, e atribui dinamicidade ao movimento cognitivo de um mundo para outro.

Stockwell, 2009. Obra que explora aspectos cognitivos do processo de leitura, incluindo a TMT e, principalmente, o conceito de textura, isto é, a qualidade experiencial da textualidade.

Gibbons, 2012. Desenvolvimento de aspectos multimodais no enquadramento da TMT.

Giovanelli, 2013. Desenvolvimento da TMT com base na análise de poemas e foco nos mundos evocados por sonhos, desejos e pesadelos.

Harrison e Stockwell, 2014. Inclusão da Poética Cognitiva no conjunto de abordagens da Linguística Cognitiva.

Peplow et al., 2015. Conjunto de estudos que fazem uso da TMT em abordagens estilísticas sociocognitivas a partir de grupos de leitura.

Gavins e Lahey, 2016. Coletânea de estudos com aplicações da TMT em âmbitos diversos.

Neurohr e Stewart-Shaw, 2019. Coletânea de estudos que exploram experiências de mundos ficcionais.

Gavins, 2020. Obra que apresenta análises do estilo poético contemporâneo à luz da TMT e de conceitos provenientes das ciências cognitivas e da teoria e crítica literárias.

Bell et al., 2021. Coletânea de estudos com foco em abordagens empíricas, que incluem interfaces da TMT com a pesquisa com respostas de leitores (Whiteley & Canning, 2017).

Observa-se que a TMT se constitui em um quadro teórico-metodológico da Poética Cognitiva, situada nas relações interdisciplinares entre Linguística Cognitiva e Psicologia Cognitiva. No Brasil, a TMT ainda é incipiente (cf. Carneiro e Novodvorski, 2023). Os poucos trabalhos que a utilizam, como Cunha (2016), fazem uso de seus conceitos sem se subscreverem totalmente aos princípios linguístico-cognitivos. Essas pesquisas normalmente apresentam como principal orientação teórica a Linguística Sistêmico-Funcional e fazem uso do conceito ‘mundo textual’ para embasar aspectos pontuais das análises. Mesmo o trabalho de Saparas e Ikeda (2017), que parte de uma orientação mais cognitiva e faz referência ao conceito de mundo textual, parece não aplicar a TMT nas análises. Além disso, trabalhos como os de Vieira-Abrahão (1992), Travaglia (1995) e Koch (1996), representantes da Linguística Textual no Brasil, usam o termo ‘mundo textual’, mas sem a precisão terminológica que o termo adquiriu a partir de Werth (1999), ou seja, eles parecem não atribuir toda a gama de detalhes e implicações conceptuais e psicológicas atribuídas pela TMT. Devido a esse cenário, a presente introdução torna-se necessária para situar o conceito de mundo textual no quadro teórico-metodológico da TMT, no conjunto de abordagens linguístico-cognitivas.

Essa breve exposição histórica evidencia, em suma, as influências filosóficas, cognitivas, psicológicas e linguísticas que culminaram na proposição da TMT. Sugere também que poucas são as pesquisas que a utilizam no Brasil. Na seção seguinte, abordamos e exemplificamos os principais conceitos dessa perspectiva de análise do discurso.

3. Mundos

A TMT compreende a linguagem a partir de sua propriedade formadora ou construtora de mundos, ou seja, de seu potencial de instaurar realidades imaginárias, animar coisas inertes, fazer ver o que ainda não existe, trazer de volta o que desapareceu (Benveniste, 2005). Esse poder fundador permite que seres humanos projetem situações ficcionais, futuras, passadas, hipotéticas e contrafatuais. Essas situações múltiplas podem ser altamente detalhadas, vívidas e imersíveis, configurando uma pluralidade de mundos, semioticamente construídos na comunicação humana. O mundo real ou atual, compreendido e percebido como o mundo físico em que seres humanos atuam, é apenas um dentre outros mundos possíveis.

Nesse sentido, um evento de linguagem é normalmente composto de uma série de mundos inter-relacionados em três níveis ontológicos distintos, isto é, em domínios de realidade ou existência específicos. O primeiro é o do mundo do discurso, ou seja, a conceptualização do contexto imediato de produção e recepção discursiva, que inclui pelo menos dois participantes, suas estruturas de conhecimento, o texto e o ambiente físico. O mundo do discurso pode ser compartilhado, como na comunicação face-a-face, ou separado, como comumente acontece na comunicação via textos escritos. Quando o mundo é separado, os participantes ocupam tempos e espaços diferentes. O mundo do discurso também inclui os conjuntos de conhecimentos, variadamente denominados esquemas (Bartlett, 1932), scripts (Schank & Abelson, 1977) e frames (Fillmore, 1985; Duque, 2015), armazenados na memória dos participantes e ativados no processo de construção de mundos. É a partir dos conhecimentos daqueles em interação, ativados por inferências textualmente direcionadas, que um mundo textual é posto em funcionamento. Vale lembrar que o mundo do discurso é um construto conceptual assim como mundos textuais, isto é, os participantes selecionam, ativamente, os elementos da base comum de seus conhecimentos, das proposições e inferências de um discurso e de seu entorno físico, que concordam ser relevantes para um discurso específico, mesmo que não tenham controle sobre as imposições de seu entorno.

No segundo nível ontológico de um evento de linguagem, encontram-se as representações mentais produzidas na interação discursiva entre os participantes. Essas representações são chamadas mundos textuais. Um mundo textual é um espaço dêitico definido pelo discurso e pelas coordenadas espaço-temporais e elementos referenciais contidos nele (Werth, 1999). Esses elementos são denominados elementos construtores de mundo e constituem a base conceptual de um discurso, sendo classificados em tempo, local, objetos e actantes. O tempo é identificado a partir do tempo e aspecto verbais, advérbios de tempo e orações adverbiais. O local é reconhecido a partir de advérbios de lugar, orações adverbiais e sintagmas nominais de lugar. Objetos e actantes são identificados a partir de sintagmas nominais, incluindo nomes próprios e pronomes. A evolução de um mundo textual ocorre por meio de proposições funcionais, orações que desenvolvem ações e relações entre os construtores de mundo e avançam o discurso em termos de ação, descrição, instrução, caracterização etc. Essas proposições são comumente mapeadas no sistema de transitividade da Gramática Sistêmico-Funcional (Halliday & Matthiessen, 2014; Fuzer & Cabral, 2014), representando ações, estados e relações entre objetos e actantes de um mundo. Os actantes são as entidades textuais representadas de modo senciente, ou seja, eles são dotados de consciência e de capacidades mentais e físicas que qualquer ser possuiria naturalmente no mundo atual. Importante destacar que actantes diferentes de uma mesma pessoa podem ser projetados em mundos diferentes. Assim, um mundo textual é compreendido como um espaço conceptual dinâmico e mutável, construído ativamente pelos participantes, no momento da interação discursiva, que recria a experiência humana com toda a riqueza de sensações e percepções do mundo atual. Cabe apontar que, de acordo com o princípio de distanciamento mínimo (Ryan, 1991), leitores pressupõem que mundos textuais sejam semelhantes ao mundo do discurso, a menos que o contrário seja sugerido.

O terceiro nível ontológico de um discurso é aquele em que ocorrem transições de mundo, ou seja, mudanças de um espaço conceptual para outro, que podem ser mais ou menos duradouras. Essas transições podem ser ocasionadas por mudanças nas coordenadas espaço-temporais, modais, metafóricas e em casos de negação.13 Transições dêiticas ou espaço-temporais podem ser projetadas a partir de elementos como ‘ontem’, ‘amanhã’, ‘dois anos depois’, bem como pelo tempo e aspecto verbais. Mundos modais refletem atitudes expressas por participantes e actantes em relação às proposições funcionais e podem ser projetados por meio de verbos modais e expressões de modalidade como ‘poder’, ‘querer’, ‘possivelmente’. O uso de modalidade relativiza proposições que, de outra maneira, seriam categóricas. Assim, a conceptualização da modalidade resulta na construção de cenários remotos, não realizados, que podem refletir desejos (mundos bulomaicos, e.g. ‘desejar’, ‘gostar’), conhecimentos, crenças, hipoteticalidade, memórias, percepções (mundos epistêmicos, e.g. ‘crer’, ‘se’) e obrigações, necessidades (mundos deônticos, e.g. ‘dever’, ‘precisar’). Transições metafóricas podem ocorrer quando da presença de metáforas conceptuais que ensejam o mapeamento semântico-cognitivo entre espaços mentais, criando mundos mesclados. A negação, por sua vez, exige a conceptualização de um mundo negativo em que a contrapartida positiva da proposição negada é processada. A descrição desses três níveis ontológicos na análise de um discurso evidencia os diversos encaixes entre os mundos textuais e os graus de proximidade ou distanciamento que mantêm entre si e em relação a actantes e participantes, revelando a natureza estratificada do discurso.

O conhecido poema do modernista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) “No meio do caminho” (2013 ENT#091;1928ENT#093;) oferece um exemplo de como a metaforização espacial da experiência humana adquire um efeito poderoso.14 Na leitura do poema o mundo do discurso é separado e contém Drummond e o leitor, bem como os seus conjuntos de conhecimentos.

(1) No meio do caminho tinha uma pedra

(2) tinha uma pedra no meio do caminho

(3) tinha uma pedra

(4) no meio do caminho tinha uma pedra.

(5) Nunca me esquecerei desse acontecimento

(6) na vida de minhas retinas tão fatigadas.

(7) Nunca me esquecerei que no meio do caminho

(8) tinha uma pedra

(9) tinha uma pedra no meio do caminho

(10) no meio do caminho tinha uma pedra.

(No meio do caminho, Carlos Drummond de Andrade; versos numerados para facilitar a referência)

O leitor processa o poema com a construção de um mundo textual no passado (‘tinha’) em que o caminho continha uma pedra. Trata-se de uma representação objetiva, sem a conceptualização de um actante, instanciada pelo processo relacional possessivo atributivo ‘ter’, que atribui o elemento ‘pedra’ como característico do ‘caminho’. É possível observar a dinâmica entre figura e fundo (cf. Stockwell, 2002) na conceptualização desse mundo. Inicialmente, o ‘caminho’ ocupa a posição principal na atenção do leitor, mas logo fica em segundo plano com a introdução da ‘pedra’ (1). A ‘pedra’ é conceptualizada como figura e o caminho como fundo (2), ou seja, a pedra se torna um atrator da atenção (cf. Stockwell, 2009). As duas ocorrências destacadas de ‘tinha uma pedra’ nos versos (03) e (08) corroboram a proeminência atencional desse elemento na conceptualização do mundo. Mesmo assim, esse foco atencional varia com a alternância de posições nos versos entre ‘tinha uma pedra’ e ‘no meio do caminho’. O leitor hora visualiza o ‘caminho’ primeiro, hora visualiza a ‘pedra’.

Essa representação objetiva dá lugar a uma representação subjetiva, com a conceptualização de um actante ‘eu’ na segunda estrofe, que reprojeta o mundo textual encaixado na proposição ‘nunca me esquecerei’ (05), instanciada pelo processo mental cognitivo ‘esquecer’. O mundo textual passa a ser compreendido como um mundo modal epistêmico, ou seja, a proposição ‘nunca me esquecerei’ revela que o mundo textual anterior constitui parte da memória de um actante, levando o leitor a realizar um reparo de mundo ao incrementar a nova informação no seu processamento. Uma verdadeira substituição de mundo ocorre, já que não há a adição de informação nova apenas. Há, na verdade, uma mudança do tipo de mundo anteriormente processado, que passa a ser compreendido como encaixado em outro e não como o mundo principal da conceptualização. Temos, portanto, um mundo modal epistêmico, que revela a memória da percepção visual (‘na vida de minhas retinas’) de um actante ao encontrar uma pedra no caminho. Esse tipo de mundo, em que o leitor conta apenas com construtores de mundo e proposições funcionais fornecidos por um actante-personagem, é indicativo de focalização interna e é compreendido como um mundo modal epistêmico (Gavins, 2005), isto é, ele contém apenas o que o actante acredita ser o caso. Além disso, esse mundo modal não é acessível aos participantes, ou seja, o leitor não dispõe de meios para verificar a veracidade de seu conteúdo, o que faz dele um mundo acessível ao actante apenas. Não é possível determinar a veracidade dessa memória, de modo que cabe ao leitor apenas aceitar o que é apresentado como informação confiável.

O fato de o caminho conter uma pedra é correlacionado anaforicamente a um acontecimento (‘desse acontecimento’), de modo que a pedra é atencionalmente mais saliente do que o caminho. Ao mesmo tempo em que esse mundo reflete uma memória, ele também se projeta no futuro do presente (‘esquecerei’) de tal forma que seus efeitos perduram. Esse mundo modal permite que o leitor modele a mente (cf. Stockwell, 2009) do actante, ou seja, ele pode atribuir um estado mental correspondente à conceptualização do mundo. Eu atribuo a essa mente um estado de cansaço, de revolta ou até de incredulidade ao perceber a pedra no meio do caminho, o que é reforçado pela repetição de estruturas. A esse respeito, o poema apresenta um grau acentuado de proeminência (cf. Leech, 2008; van Peer et al., 2007) como resultado da repetição inesperada de estruturas (‘no meio do caminho’, seis vezes e ‘tinha uma pedra’, sete vezes) e do uso da negação sintática (‘nunca’) e semântica (‘esquecerei’), projetando uma representação mental vívida. O leitor processa o esquecimento da pedra duas vezes (‘nunca me esquecerei’ em (5) e (7)) em um mundo textual negativo para, então, negá-lo e conceptualizar a lembrança da pedra.

O uso definido da preposição ‘do’ contribui para a compreensão de que se trata de um caminho específico, que interpreto como a própria vida. Subjacente à ideia de ‘caminho’ encontra-se a metáfora a vida é uma jornada. Nesse sentido, ter uma pedra no caminho implica a ideia de um problema ou insatisfação que qualquer pessoa poderia se deparar ao longo da vida. Tomando o uso dicionarístico como referência para significados culturalmente estabelecidos, verifica-se que a acepção “ser um obstáculo, um empecilho” é figurativamente associada a uma pedra no caminho.15 Conhecimentos experienciais do que caracteriza um ‘caminho’ e uma ‘pedra’ tornam-se relevantes na construção de uma interpretação. Na minha conceptualização desse mundo textual, o caminho é uma estrada de terra batida com poeira rodopiando no vento em uma paisagem árida, com árvores retorcidas nas margens da estrada, proveniente da minha experiência com o cerrado mineiro e do conhecimento cultural de que Drummond também viveu em Minas Gerias. No meio do caminho vejo uma pedra escura, áspera e opaca. Não há no texto pistas de que haja poeira, vento, árvores, terra, ou que a pedra tenha as características mencionadas. Esses detalhes são preenchidos a partir da minha experiência. Leitores podem construir representações mais ou menos diferentes do caminho e da pedra, devido às diferentes experiências de cada um. Essa variação é explicada pela TMT em relação ao modo como o mundo do discurso filtra os conhecimentos do leitor. Além disso, considerando o conhecimento experiencial de que uma ‘jornada’ é normalmente percebida como contendo começo, meio e fim, o conceito de janela atencional (cf. Giovanelli & Harrison, 2018), oriundo da Gramática Cognitiva, nos permite interpretar que o enunciador do poema escolhe focar a sua conceptualização da jornada no meio, deixando o início e o fim ausentes da representação. Essa janela atencional sugere que o meio da vida é mais memorável para o actante do que o seu início ou fim.

A metáfora conceptual a vida é uma jornada, a partir do mundo do poema, propicia a mesclagem de traços semântico-conceptuais dos espaços mentais caminho e pedra, aspectos físicos da jornada, com o espaço abstrato vida. Traços de uma pedra, como a sua dureza, algo que pode causar tropeço, podem ser mapeados em situações cotidianamente enfrentadas por qualquer indivíduo. Aspectos como doença, morte, exame vestibular, podem ser conceptualizados em termos de uma pedra. A escolha por pedra é significativa e convida o leitor a contemplar as suas variadas significações a partir de suas próprias memórias. O mundo mesclado pode assumir configurações diversas a depender do mapeamento conceptual ativado pela memória e imaginação do leitor. Mundos mesclados, portanto, tornam-se mais complexos do que a soma dos constituintes linguísticos, propiciando a retroalimentação do mundo textual matriz e enriquecendo a compreensão da experiência humana retratada no poema. A importância da ‘pedra’ para a interpretação ganha ainda mais relevância se a substituirmos por outro elemento, como ‘árvore’, ‘flores’, ‘gato’, ‘serpente’, ‘Covid’. Essas substituições acionariam diferentes conhecimentos e contribuiriam para uma experiência de leitura diferente.

Os significados perceptuais são enfatizados na segunda estrofe quando o actante faz referência metonimicamente à ‘vida de suas retinas fatigadas’, ou seja, a pedra no meio do caminho foi percebida pelo sentido da visão. A interpretação do poema é fundamentada pela experiência sensorial corpórea, como a visão, e sugere um esquema-imagético de movimento, como o caminhar ou outro tipo de locomoção em uma superfície. O uso da primeira pessoa também convida o leitor a se projetar deiticamente no mundo textual, ou seja, o leitor pode reorientar a sua posição pessoal (eu), espacial (aqui) e temporal (agora), o seu origo ou centro dêitico (cf. Buhler, 2011 ENT#091;1934ENT#093;), para as posições dêiticas do actante.16 Essa projeção psicológica pode contribuir para efeitos de imersão e envolvimento emocional do leitor. A minha leitura é uma de identificação e empatia ao me colocar no lugar do actante e ter, eu mesmo, encontrado algumas pedras no caminho.

Em suma, Drummond projeta um mundo textual em que ele cria um actante que experiencia o encontro com uma pedra. O efeito experiencial desse poema pode ser correlacionado a dificuldades encontradas na vida. A simplicidade do mundo textual, devido à presença de poucos objetos e à ausência de múltiplas transições de mundo, bem como a sua subespecificação, permite que leitores preencham esse mundo com os seus próprios conhecimentos experienciais de formas variadas, mas não ilimitadas, devido ao direcionamento textual, o que torna a leitura do poema mais ou menos significativa para cada um.

O texto aqui utilizado para exemplificar o funcionamento de mundos textuais foi necessariamente curto por questões de espaço. Mesmo assim, ele demonstra como a TMT pode auxiliar no entendimento do processo de leitura e de aspectos cognitivos em ação na interpretação de discursos. Em um poema de apenas dez versos, observa-se como o leitor processa ativamente e monitora diversos espaços conceptuais (dêitico, epistêmico, negativo e mesclado; cf. Figura 3), que contribuem para a qualidade experiencial da textualidade do poema. A análise de mundos textuais permite que se tenha mais clareza de como os elementos linguísticos interagem com as diversas estruturas de conhecimento dos leitores no decorrer de um discurso e, assim, promove uma compreensão ampla de um evento de linguagem.

Em resumo, perguntas norteadoras a serem consideradas quando da condução de uma análise de mundos textuais17 podem ser as seguintes:

Mundo do discurso

• Qual o contexto em torno da produção e recepção do texto?

• Quem são os participantes no mundo do discurso? (São necessários pelo menos dois participantes humanos envolvidos na comunicação de modo volitivo)

• Qual a função do discurso?

• O mundo do discurso é separado? (ou seja, os participantes do discurso partilham as mesmas coordenadas espaço-temporais ou não?)

• Que tipos de conhecimentos perceptual, experiencial, linguístico e cultural são necessários para processar o discurso? Quais elementos textuais ativam esses conhecimentos?

• Como é participar neste discurso? Que tipos de efeitos experienciais são criados?

Mundos textuais

• Quais elementos construtores de mundo estão presentes na linguagem do texto? Esses elementos incluem marcadores de tempo e espaço, referências a objetos e actantes (entidades sencientes) presentes no mundo textual.

• Quais proposições funcionais estão presentes na linguagem do texto? Em textos narrativos, essas proposições são frequentemente grupos verbais que representam ações e estados no mundo textual.

• Que tipo de inferências você faz para construir os seus mundos textuais?

• O tempo e o espaço mudam? Em caso afirmativo, ocorre a criação de uma transição de mundo. Transições de mundo podem ser temporárias ou mais duradouras.

• Há movimentos entre mundos anteriores e posteriores? Esses casos são conhecidos como alternância.

Mundos modais

• Há indicadores de modalidade presentes na linguagem do texto? Há instâncias de modalidade bulomaica, deôntica, ou epistêmica/perceptual? Negação e hipóteses também são formadoras de mundos modais.

• Quais os construtores de mundo e as proposições funcionais desses mundos modais?

• Considere o estatuto ontológico desses mundos modais em relação aos outros mundos criados no discurso. Eles estão próximos ou remotos? Que funções eles estão exercendo?

Consolidando a análise

• Uma vez que os mundos textuais e os mundos modais criados no discurso foram identificados, é possível relacionar essas estruturas aos significados ou efeitos experienciais do discurso?

• Quais impressões os mundos textuais e os mundos modais geram em relação aos participantes no mundo do discurso ou actantes no mundo textual?

• Há momentos em que os leitores possam necessitar reparar ou substituir mundos textuais (para torná-los mais coerentes, por exemplo) e qual é a significação disso na experiência do discurso?

Na seção seguinte abordo o mapeamento de mundos textuais em diagramas, que constitui um aspecto de visualização da análise de mundos textuais.

4. Mapas

A análise de mundos textuais pode ser facilitada por meio da visualização da arquitetura dos mundos, ou seja, de como os diferentes mundos se encaixam e são projetados em relação a outros. Para isso, é comum o uso de diagramas, que permitem o mapeamento das transições e dos diferentes tipos de mundo projetados ao longo de um discurso. Os diagramas podem ser mais ou menos detalhados dependendo dos propósitos do analista. Apesar de não configurarem um aspecto essencial das análises, é um recurso frequentemente utilizado que, de fato, facilita a apreensão dos diferentes mundos processados em um evento de linguagem. Há algumas convenções adotadas nos trabalhos para a diagramação, as quais apresento resumidamente na Figura 2.

Figura 2:
Diagrama padrão de mundo textual com uma transição de mundo (TM)

O quadrado representa o espaço conceptual de um mundo textual. No topo são elencados os construtores de mundo (tempo, local, objetos e actantes). Logo abaixo, as proposições funcionais são representadas esquematicamente por elementos constituintes das orações e pelas setas: (i) horizontal, para a representação de significados relacionais/mentais e (ii) vertical, para a representação de significados materiais (Gavins, 2007, p. 43, 56). Quando da transição de mundos, o diagrama contém uma caixa no mundo textual matriz, representando a origem da transição, conectada a outra caixa em que se desenvolve o novo espaço conceptual. O uso de numerais também é comum para indicar a quantidade e a sequência de mundos, como ‘mundo textual 1’, ‘mundo textual 2’ etc.

O poema analisado na Seção 3 pode ser diagramado conforme a Figura 3.

Figura 3:
Diagrama do poema “No meio do caminho”

A Figura 3 mostra que o mundo modal epistêmico no centro é proeminente na conceptualização do poema. Com significados relacionais e mentais apenas (setas na horizontal), o discurso ressalta a memória da experiência perceptual exterior e interior do actante. O mundo negativo em linhas pontilhadas representa o processamento das proposições negativas com polaridade positiva, que constitui o processamento usual da negação. A seta, na parte superior do mundo epistêmico, representa o movimento cognitivo do leitor ao reparar e substituir o mundo textual anterior com o novo entendimento de que se trata de uma memória, ou seja, um deslocamento dêitico espaço-temporal para o passado, encaixado na consciência do actante. No mundo mesclado ocorre o mapeamento de traços semântico-conceptuais dos espaços caminho, pedra e vida, propiciando a interanimação (cf. Stockwell, 1999) dos espaços na emergência de múltiplas significações, oriundas da metáfora conceptual a vida é uma jornada. A bidirecionalidade das setas indica a retroalimentação do mundo textual em relação ao mundo mesclado. Todos esses mundos estão inseridos no mundo do discurso, que contém os participantes e seus conjuntos de conhecimento. A linha pontilhada entre Drummond e o leitor indica que se trata de um mundo espacial e temporalmente separado.

Outra possibilidade para a diagramação é o uso de recursos semiautomáticos, como o VUE (Visual Understanding Environment),18 utilizado em pesquisas como Lugea (2016) e Canning et al. (2021). Apesar dessa possibilidade e de Ho et al. (2019) terem desenvolvido um recurso online para a anotação e visualização de mundos textuais, a diagramação manual continua sendo a opção predominante entre os pesquisadores.19 É de diferentes pesquisas que usam a TMT que se trata a seção seguinte.

5. Pesquisas

Estudos desenvolvidos com a TMT possuem enfoque estilístico, combinando análises qualitativas e introspectivas baseadas em evidências textuais transparentes, como exemplificado na Seção 3. Interpretações são traçadas ao se analisar os elementos linguísticos, as conceptualizações resultantes e os efeitos produzidos em relação aos participantes do discurso. Além disso, há uma tendência na adoção de abordagens empíricas na pesquisa com a TMT, incluindo uma variedade de métodos, como a própria introspecção do analista (cf. a defesa da introspecção de Stockwell (2021)), grupos de discussão, entrevistas, questionários e protocolos verbais.

As pesquisas desenvolvidas com a TMT se dedicam à análise de diversos discursos em combinação com processos humanos. Listo na sequência, em ordem cronológica, estudos representativos de perspectivas de aplicação da TMT:

Cruickshank e Lahey (2010) analisam como a construção de mundos ocorre no texto da peça Rosencrantz and Guildenstern are Dead (1968) de Tom Stoppard.

Whiteley (2011) analisa projeções psicológicas em respostas emocionais de um grupo de leitores em relação aos mundos textuais de um excerto do romance The Remains of the Day (1989) de Kazuo Ishiguro.

Lugea (2013) explora a arquitetura ontológica do roteiro do filme Inception (2010) de Christopher Nolan e as relações de acessibilidade entre os diferentes mundos textuais, explicando reações variadas de expectadores.

Gavins & Simpson (2015) combinam a TMT com aspectos da Linguística Crítica e da Pragmática na análise de um evento racista e de suas posteriores ramificações legais e midiáticas.

Browse (2016) analisa a proeminência de metáforas conceptuais nos mundos textuais de discursos jornalísticos no contexto da crise financeira de 2008.

Lugea (2016) analisa a construção de mundos textuais, com foco na dêixis e na modalidade, em narrativas orais, comparando interlinguisticamente os idiomas espanhol e inglês.

Canning (2017) examina as experiências de leitura da narrativa curta The Story of an Hour (1894) de Kate Chopin, compartilhadas por um grupo de detentas, em tempo real, na prisão Hydebank, Belfast (RU).

Nuttall (2017) examina o posicionamento ético de leitores em relação ao romance We Need to Talk About Kevin (2003) de Lionel Shriver.

Cushing (2018) demonstra o potencial conceptual da metáfora de ‘texto como mundo’ para o ensino de poesia e gramática. Aplicações pedagógicas demonstram que a TMT é um referencial acessível e propiciador de aprendizagens situadas e significativas.

Ho et al. (2019) propõem um método de anotação de mundos textuais para a reconstrução de narrativas criminais, aproximando a TMT da Linguística Computacional e da Linguística Forense.

Gibbons (2021) explora as respostas de visitantes a uma instalação de museu e considera suas percepções em relação à ficcionalidade do discurso there’s no place like time (2016) dos artistas Andi e Lance Olsen.

Gibbons e Whiteley (2021) combinam a TMT com a estilística telecinemática na análise de mundos textuais da série Fleabag (2016-2019) de Phoebe Waller-Bridge.

Essa lista de estudos é decididamente incompleta; outros poderiam ser acrescentados. Limitei-me, contudo, a apontar aqueles que pudessem representar o campo de atuação da TMT, que, como podemos constatar é vasto. Os discursos analisados nessa amostra apontam majoritariamente para discursos literários. Porém, as pesquisas avançam na inclusão de discursos jornalísticos, jurídicos, orais, multimodais, fílmicos e televisivos. Esses estudos demonstram que a TMT avança não só na análise de discursos variados, mas também nos processos humanos focalizados, como emoção, ética, percepção, ensino e aprendizagem de língua e literatura. Fica evidente, portanto, o seu potencial de aplicabilidade empírica nas esferas pedagógica, social e cultural.

6. Conclusão

Para explicar como indivíduos compreendem manifestações discursivas, Werth (1999) propõe que, necessariamente, construímos mundos textuais. Essa proposição gerou o desenvolvimento de uma teoria completa sobre o processamento do discurso, a TMT. Com o objetivo de introduzir a TMT em língua portuguesa, este artigo traçou um breve histórico de suas influências disciplinares, apresentou seus principais conceitos teórico-metodológicos, bem como uma amostra de pesquisas que exemplifica as suas contribuições para o entendimento do funcionamento discursivo-cognitivo da linguagem. Em sua proposta holística de análise do discurso, a TMT busca integrar texto e contexto, discurso e vida. O conceito de mundo textual viabiliza a conexão entre essas dimensões ao combinar os aspectos textual, contextual e mental dos eventos de linguagem. A TMT permite que aspectos fonético-fonológicos, lexicais, sintáticos, semânticos e pragmáticos sejam acomodados em um todo. Os níveis de análise linguística ganham significação no todo do discurso ao contribuírem para a construção de mundos. Cada nível pode ser relevante para a formação de um mundo, de modo que, ao serem tratados conjunta e integralmente, pode-se obter uma compreensão holística do funcionamento dos discursos.

Desse modo, ela se coloca como uma teoria e um método de análise capaz de sistematizar e explicitar os mecanismos linguístico-textuais que atuam como gatilhos na construção de representações mentais. Na análise de mundos não basta apenas evidenciar esses mecanismos, é preciso correlacioná-los a fenômenos experienciais decorrentes da interação com a linguagem. Esses fenômenos podem incluir emoção, empatia, ética, resistência, modelagem da mente etc. Em suma, parte-se do elemento textual para chegar à compreensão de seus efeitos nos participantes de um discurso e vice-versa. Sem o devido engajamento com aspectos contextuais e cognitivos da comunicação, análises com base na TMT correm o risco de se tornarem exercícios de classificação de elementos linguísticos. A identificação de construtores de mundo e de proposições funcionais por si só não é suficiente. É preciso que a partir dessa identificação seja possível interpretar dado efeito produzido pelo discurso. Nesta linha, a pesquisa com respostas de leitores torna-se promissora na correlação da análise linguística com os efeitos produzidos. Vale apontar também que, conforme sugerido por Stockwell (2002, p. 145), uma análise de mundo textual não é necessariamente essencial para descobrir o tipo de detalhe visto na Seção 3. Contudo, a TMT oferece um aparato analítico útil e acessível, com base em princípios linguístico-cognitivos, de como os falantes monitoram informações de textos enquanto leem e processam discursos conceptualmente complexos, contribuindo para a explicação de como determinadas leituras e interpretações são formuladas.

A TMT foi inicialmente proposta a partir de discursos literários. Como demonstrado na Seção 4, ela já se mostrou produtiva na análise de outros tipos de discursos também. Contudo, a sua aplicabilidade e testagem empírica ainda se coloca como um desafio, principalmente na tentativa de verificar a afirmação de Werth (1999, p. 17) de que seu escopo é “nada menos do que ‘toda a mobília da terra e dos céus’.”20 Apesar de ambiciosa, é uma afirmação que instiga novos pesquisadores a contribuírem com essa empreitada. Dado o seu amplo escopo, ela se constitui em um campo vasto para pesquisas interdisciplinares. Ao se situar na fronteira entre discurso e cognição, torna-se um terreno fértil para a fertilização cruzada entre os estudos de língua e literatura, Escrita Criativa, Linguística Computacional, Psicologia Cognitiva, Psicolinguística, Neurociência, Inteligência Artificial, dentre outros. Naturalmente, nos limites deste artigo, não foi possível contemplar todos os conceitos relevantes da TMT. Apesar disso, busquei sinalizar e relacionar introdutoriamente os seus principais construtos e direcionamentos de modo acessível, para que você, leitor, possa iniciar as próprias análises.

À guisa de conclusão, o conceito de mundo textual confere dimensão à estrutura verbal do discurso. Um texto não é apenas texto, mas um espaço de múltiplas conceptualizações, resultantes de confluências de processos cognitivos, sociais e culturais, que projeta e constrói modos de pensar e de ser no mundo. Ao conceber o texto como um elemento imbricado na vida humana, ele deixa de ser percebido apenas como materialidade linguística e passa a fazer parte do modo como seres humanos conceptualizam a vida, tanto em relação a situações reais quanto a situações imaginadas. A compreensão de que o texto em funcionamento em um mundo do discurso pode afetar processos cognitivos e ser afetado por eles, contribui para a concepção de texto como catalisador de processos humanos. Se um mundo textual é a unidade primária de processamento da experiência humana, torna-se importante para a compreensão intersubjetiva evidenciar como esses mundos são projetados, construídos e inter-relacionados na interação discursiva, juntamente com o impacto experiencial que exercem nos participantes. A TMT se coloca, portanto, como uma perspectiva relevante para os estudiosos do texto e do discurso, particularmente para aqueles que se interessam pelas suas relações interdisciplinares com a cognição e a psicologia humana.

Agradecimentos

Às professoras Joanna Gavins e Sara Whiteley pelo curso ministrado sobre a Teoria de Mundos Textuais na ocasião da Escola de Verão da Associação de Poética e Linguística na Universidade de Liverpool em 2019. À professora Sonia Zyngier por ter, gentilmente, lido e comentado uma versão inicial deste artigo. Ao avaliador anônimo pelos comentários que contribuíram para desenvolver alguns aspectos do texto. Quaisquer inadequações remanescentes são de minha inteira responsabilidade.

Referências

  • Allén, S. (Ed.). (1989). Possible worlds in humanities, arts, and sciences De Gruyter.
  • Anderson, J. R. (2005). Cognitive Psychology and its Implications Worth.
  • Andrade, C. D. (2013). Alguma poesia Companhia das Letras.
  • Andrade, C. D. (1967). Uma pedra no meio do caminho: Biografia de um poema Editora do Autor.
  • Bartlett, F. C. (1932). Remembering: A study in experimental and social psychology Cambridge University Press.
  • Beaugrande, R., & Dressler, W. (1981). Introduction to text linguistics Longman.
  • Bell, A., Browse, S., Gibbons, A., & Peplow, D. (Eds.). (2021). Style and reader response: Minds, media, methods John Benjamins.
  • Benveniste, E. (2005). Problemas de Linguística Geral I Tradução Maria da Glória Novak e Maria Luisa Neri. Pontes.
  • Berber Sardinha, T. (2007). Metáfora Parábola.
  • Bradley, R., & Swartz, N. (1979). Possible Worlds: An Introduction to Logic and its Philosophy Blackwell.
  • Browse, S. (2016). Revisiting Text World Theory and extended metaphor: Embedding and foregrounding extended metaphors in the text-worlds of the 2008 financial crash. Language and Literature, 25(1), 18-37.
  • Bruner, J. S., Goodnow, J. J., & Austin, G. A. (2017 ENT#091;1956ENT#093;). A study of thinking Routledge.
  • Buhler, K. (2011 ENT#091;1934ENT#093;). Theory of Language: The representational function of language Translated by Donald Fraser Goodwin in collaboration with Achim Eschbach. John Benjamins.
  • Canning, P. (2017). Text World Theory and real world readers: From literature to life in a Belfast prison. Language and Literature, 26(2), 172-187.
  • Canning, P. Ho, Y., & Bartl, S. (2021). Worlds of evidence: Visualising patterns in witness statements in the aftermath of the Hillsborough football stadium disaster. English Text Construction, 14(1), 25-67.
  • Carneiro, R. M. O. (2022). Discurso, cognição e corpus: Análise estilística de The Handmaid’s Tale e de duas traduções ENT#091;Doctoral dissertation, Universidade Federal de UberlândiaENT#093;. UFU Repository. http://doi.org/10.14393/ufu.te.2022.476
    » https://doi.org/http://doi.org/10.14393/ufu.te.2022.476
  • Carneiro, R. M. O., & Novodvorski, A. (2023). Estilística cognitiva: Análise bibliométrica de sua inserção nacional e internacional. Letras e Letras, 39(3902), 1-17.
  • Chomsky, N. (2000). New horizons in the study of language and mind Cambridge University Press.
  • Cruickshank, T., & Lahey, E. (2010). Building the stages of drama: Towards a Text World Theory account of dramatic play-texts. Journal of Literary Semantics, 39(1), 67-91.
  • Cunha, V. Y. (2016). Persuasão e multimodalidade na construção da identidade feminina na propaganda de produtos de beleza: Uma perspectiva sistêmico-funcional ENT#091;Doctoral dissertation, Pontifícia Universidade Católica de São PauloENT#093;. PUC-SP Repository. https://tede.pucsp.br/bitstream/handle/19502/2/Viviane%20Yamane%20da%20Cunha.pdf
    » https://tede.pucsp.br/bitstream/handle/19502/2/Viviane%20Yamane%20da%20Cunha.pdf
  • Cushing, I. (2018). ‘Suddenly, I am part of the poem’: Texts as worlds, reader-response and grammar in teaching poetry. English in Education, 52(1), 7-19.
  • Doleẑel, L. (1998). Heterocosmica: Fiction and possible worlds Johns Hopkins University Press.
  • Duchan, J. F., Bruder, G. A., & Hewitt, L. E. (Eds.). (1995). Deixis in narrative: A cognitive science perspective Routledge.
  • Duque, P. H. (2015). Discurso e cognição: Uma abordagem baseada em frames. Revista da ANPOLL, 1(39), 25-48.
  • Emmott, C. (1994). Frames of reference: Contextual monitoring and the interpretation of narrative discourse. In M. Coulthard (Ed.), Advances in written text analysis (pp.157-166). Routledge.
  • Emmott, C. (1997). Narrative comprehension: A discourse perspective Clarendon Press.
  • Evans, V., & Green, M. (2006). Cognitive Linguistics: An introduction Edinburgh University Press.
  • Fauconnier, G. (1994). Mental spaces: Aspects of meaning construction in natural language Cambridge University Press.
  • Fauconnier, G., & Turner, M. (2003). The way we think: Conceptual blending and the mind’s hidden complexities Basic Books.
  • Ferrari, L. (2011). Introdução à linguística cognitiva Contexto.
  • Fillmore, C. (1985). Frames and the semantics of understanding. Quaderni de Semantica, 6(2), 222-254.
  • Fillmore, C. (1982) Frame semantics. In Linguistics in the Morning Calm, The Linguistic Society of Korea (Eds.), 111-137. Hanshin Publishing.
  • Fodor, J. A. (1983). The modularity of mind MIT Press.
  • Fuzer, C., & Cabral, S. R. S. (2014). Introdução à gramática sistêmico-funcional em língua portuguesa Mercado de Letras.
  • Gavins, J. (2020). Poetry in the mind: The cognition of contemporary poetic style Edinburgh University Press.
  • Gavins, J. (2005). (Re)thinking modality: A text-world perspective. Journal of Literary Semantics, 34(2), 79-93.
  • Gavins, J. (2007). Text World Theory: An introduction Edinburgh University Press.
  • Gavins, J. (2006). Text World Theory. In K. Brown (Ed.), Encyplopedia of Language and Linguistics (pp. 628-630). Elsevier.
  • Gavins, J., & Lahey, E. (Eds.). (2016). World Building: Discourse in the Mind Bloomsbury.
  • Gavins, J., & Simpson, P. (2015). Regina v John Terry: The discursive construction of an alleged racist event. Discourse & Society, 26(6), 712-732.
  • Gavins, J., & Steen, G. (Eds.). (2003). Cognitive Poetics in Practice Routledge.
  • Gerrig, R. J. (1993). Experiencing narrative worlds: On the psychological activities of reading Yale University Press.
  • Gibbons, A. (2012). Multimodality, cognition, and experimental literature Routledge.
  • Gibbons, A. (2021). “Why do you insist that Alana is not real?”: Visitors’ perceptions of the fictionality of Andi and Lance Olseen’s ‘there’s no place like time’ exhibition. In A. Bell et al. (Eds.), Style and reader response: Minds, media, methods (pp.101-122). John Benjamins.
  • Gibbons, A., & Whiteley, S. (2018). Contemporary Stylistics: Language, cognition, interpretation Edinburgh University Press.
  • Gibbons, A., & Whiteley, S. (2021). Do worlds have (fourth) walls? A Text World Theory approach to direct address in Fleabag. Language and Literature, 30(2), 105-126.
  • Giovanelli, M. (2010). Pedagogical stylistics: A text world theory approach to the teaching of poetry. English in Education, 44(3), 214-231.
  • Giovanelli, M. (2013). Text world theory and Keats’ poetry: The cognitive poetics of desire, dreams and nightmares Bloomsbury.
  • Giovanelli, M., & Harrison, C. (2018). Cognitive grammar in stylistics: A practical guide Bloomsbury.
  • Givón, T. (2018). On understanding grammar Revised edition. John Benjamins.
  • Halliday, M., & Hasan, H. (1976). Cohesion in English Longman.
  • Halliday, M. A. K. (1971). Linguistic function and literary style: An inquiry into the language of William Golding’s The Inheritors. In S. Chatman (Ed.), Literary style: A symposium (pp. 330-365). Oxford University Press.
  • Halliday, M. A. K., & Matthiessen, C. M. I. M. (2014). Halliday’s Introduction to Functional Grammar Routledge.
  • Harrison, C., & Stockwell, P. (2014). Cognitive poetics. In J. R. Taylor, & J. Littlemore. (Eds.), The Bloomsbury Companion to Cognitive Linguistics (pp. 218-233). Bloomsbury.
  • Herman, D. (2009). Basic Elements of Narrative Wiley-Blackwell.
  • Hidalgo-Downing, L. (2000). Negation, text worlds, and discourse: The pragmatics of fiction Ablex.
  • Ho, Y. F., Lugea, J., McIntyre, D., Xu, Z., & Wang, J. (2019). Text-world annotation and visualization for crime narrative reconstruction. Digital Scholarship in the Humanities, 34(2), 310-334.
  • Jeffries, L., & McIntyre, D. (2010). Stylistics Cambridge University Press.
  • Johnson-Laird, P. N. (2008). How we reason Oxford University Press.
  • Koch, I. G. V. (1996). Cognição e processamento textual. Revista da ANPOLL, 1(2), 35-44.
  • Koch, I. G. V. (2014). As tramas do texto Contexto.
  • Kripke, S. (1972). Naming and Necessity Blackwell.
  • Lakoff, G. (1987). Cognitive models and prototype theory. In U. Neisser (Ed.), Concepts and conceptual development: Ecological and intellectual factors in categorization (pp. 63-100). Cambridge University Press.
  • Lakoff, G. (1990). The invariance hypothesis: Is abstract reason based on image-schemas? Cognitive Linguistics, 1(1), 39-74.
  • Lakoff, G., & Johnson, M. (1980). Metaphors we live by University of Chicago Press.
  • Langacker, R. (1986). An introduction to cognitive grammar. Cognitive Science, 10(1), 1-40.
  • Langacker, R. (2008). Cognitive Grammar: A basic introduction Oxford University Press.
  • Leech, G. (2008). Language in literature: Style and foregrounding Longman.
  • Leech, G., & Short, M. (2007 ENT#091;1981ENT#093;). Style in fiction: A linguistic introduction to English fictional prose Longman.
  • Leibniz, G. W. (2007 ENT#091;1710ENT#093;). Theodicy: Essays on the goodness of God, the freedom of man and the origin of evil Translated by E. M. Huggard. Bibliobazaar.
  • Lewis, D. (1986). On the Plurality of Worlds Blackwell.
  • Lima, C., & Pinheiro, D. (Eds.). (2025). Elementos de gramática cognitiva Perin.
  • Lugea, J. (2013). Embedded dialogue and dreams: The worlds and accessibility relations of Inception. Language and Literature, 22(2), 133-153.
  • Lugea, J. (2016). World building in Spanish and English spoken narratives Bloomsbury.
  • Macedo, A. C. P., Feltes, H. P. M, & Farias, E. M. P. (Eds.). (2008). Cognição e linguística: Explorando territórios, mapeamentos e percursos Educs e Edipucrs.
  • Marcuschi, L. A. (2008). Produção textual, análise de gêneros e compreensão Parábola.
  • Miller, G. A. (2003). The cognitive revolution: A historical perspective. Trends in Cognitive Sciences, 7(3), 141-144.
  • Neisser, U. (1967). Cognitive psychology Prentice Hall.
  • Neufeld, C. B., Brust, P. G., & Stein, L. M. (2011). Bases epistemológicas da psicologia cognitiva experimental. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 27(1), 103-112.
  • Neurohr, B., & Stewart-Shaw, L. (Eds.). (2019). Experiencing Fictional Worlds John Benjamins.
  • Nuttall, L. (2017). Online readers between the camps: A Text World Theory analysis of ethical positioning in We Need to Talk About Kevin. Language and Literature, 26(2), 153-171.
  • Peplow, D., Swann, J., Trimarco, P, & Whiteley, S. (2015). The discourse of reading groups: Integrating cognitive and sociocultural perspectives Routledge.
  • Petöfi, J. (1979). Structure and function of the grammatical component of the text-structure world-structure theory. In F. Guenthner, & S. J. Schmidt (Eds.), Formal semantics and pragmatics for natural languages (pp. 303-338). D. Reidel.
  • Rescher, N. (1975). A Theory of Possibility Pittsburgh University Press.
  • Richards, I. A. (1929). Practical criticism: A study of literary judgment Kegan Paul, Trench, Trubner.
  • Ryan, M. R. (1991). Possible worlds, artificial intelligence, and narrative theory Indiana University Press.
  • Salgueiro, W. C. F. (2005). Drummond em três tempos. Revista Eletrônica de Estudos Literários, 1(1), 1-27.
  • Saparas, M., & Ikeda, S. N. (2017). Metáfora cultural: Persuasão e revelação UFGD.
  • Schank, R., & Abelson, R. (1977). Scripts, Plans, Goals, and Understanding: An Inquiry into Human Knowledge Structures Lawrence Erlbaum.
  • Semino, E. (1997). Language and world creation in poems and other texts Routledge.
  • Semino, E., & Culpeper, J. (Eds.). (2002). Cognitive stylistics: Language and cognition in text analysis John Benjamins.
  • Simpson, P. (1993). Language, ideology and point of view Routledge.
  • Sorlin, S. (2014). The ‘indisciplinarity’of stylistics. Topics in Linguistics, 14(1), 9-15.
  • Sotirova, V. (Ed.). (2016). The Bloomsbury Companion to Stylistics Bloomsbury.
  • Souza, D. S., Santos, A. N., & Chishman, R. (2025). All roads lead to semantic frames: how Fillmore’s frame theory became the quiet backbone of cognitive linguistics. Signo, 50(99), 27-39.
  • Stockwell, P. (2002). Cognitive poetics: An introduction Routledge.
  • Stockwell, P. (2021). In defence of introspection. In A. Bell et al. (Eds.), Style and reader response: Minds, media, methods (pp. 165-178). John Benjamins.
  • Stockwell, P. (2009). Texture: A cognitive aesthetics of reading Edinburgh University Press.
  • Stockwell, P. (1999). The inflexibility of invariance. Language and Literature, 8(2), 125-142.
  • Stockwell, P., & Whiteley, S. (Eds.). (2014). The Cambridge Handbook of Stylistics Cambridge University Press.
  • Talmy, L. (2000). Toward a cognitive semantics: Concept structuring systems MIT Press.
  • Travaglia, L. C. (1995). Homonímia, mundos textuais e humor. Organon, 9(23), 43-52.
  • Tsur, R. (2008ENT#091;1992ENT#093;). Toward a theory of cognitive poetics Sussex Academic Press.
  • Turner, M. (2002). The cognitive study of art, language, and literature. Poetics Today, 23(1), 9-20.
  • Van Dijk, T. A. (1977). Text and context: Explorations in the semantics and pragmatics of discourse Longman.
  • Van Peer, W., Hakemulder, F., & Zyngier, S. (2007). Lines on feeling: Foregrounding, aesthetics and meaning. Language and Literature, 16(2), 197-213.
  • Verdonk, P. (2002). Stylistics Oxford University Press.
  • Vieira-Abrahão, M. H. (1992). A leitura na sala de aula. Alfa: Revista de Linguística, 36, 52-66.
  • Werth, P. (1999). Text Worlds: Representing Conceptual Space in Discourse Longman.
  • West, D. (2012). I. A. Richards and the rise of cognitive stylistics Bloomsbury.
  • Whiteley, S. (2011). Text world theory, real readers and emotional responses to The Remains of the Day. Language and Literature, 20(1), 23-42.
  • Whiteley, S. (2016). Emotion. In V. Sotirova (Ed.), The Bloomsbury Companion to Stylistics (pp. 507-522). Bloomsbury.
  • Whiteley, S., & Canning, P. (2017). Reader response research in stylistics. Language and Literature, 26(2), 71-87.
  • Zyngier, S., Carneiro, R. M. O., & Novodvorski, A. (2023). Reflexões sobre a estilística e o ensino de literatura: Uma entrevista com Sonia Zyngier. Trabalhos em Linguística Aplicada, 62(2), 388-399.
  • 1
    O Visualizador de N-gramas de Livros do Google mostra gráficos de ocorrências de n-gramas (sequências de caracteres) ao longo do tempo a partir de um corpus de livros, revelando tendências no uso de palavras-chave. Para o gráfico da Figura 1 selecionou-se o corpus English 2019, que contém, predominantemente, livros em língua inglesa publicados em qualquer país. Infelizmente, esse recurso ainda não contém visualizações para a língua portuguesa (cf. https://books.google.com/ngrams/info Acesso em 17 out. 2022).
  • 2
    A Linguística Textual tem valor intrínseco para a TMT, contribuindo com noções fundamentais, como as de texto, gênero, coesão, coerência e tipologia (Halliday & Hasan, 1976; Beaugrande & Dressler, 1981; Marcuschi, 2008; Koch, 2014). A combinação dessas noções com princípios cognitivos contribui para a compreensão de texto como espaço conceptual.
  • 3
    A TMT dialoga com todas essas abordagens e adapta alguns de seus elementos e conceitos de acordo com seus propósitos analíticos. Por exemplo, os conceitos de ‘espaço mental’ e ‘mesclagem conceptual’ de Fauconnier e Turner (2003) são utilizados para explicar a formação de mundos mesclados (cf. Seção 3). A ideia de ‘actante’ também, por exemplo, é incorporada a partir da Teoria de Enquadramentos Contextuais de Emmott (1997) (cf. Seção 3).
  • 4
    No original: ENT#091;...ENT#093; the precise relationships between specific linguistic features and the worlds they create, while at the same time situating this understanding in the discourse world environment which shapes all language production and reception.
  • 5
    É em sua Teodiceia, defesa da criação do mundo por Deus, que Leibniz (2007 ENT#091;1710ENT#093;) propõe o conceito de mundo possível ao argumentar que o mundo atual é “o melhor de todos os mundos possíveis”, mesmo com a existência do mau.
  • 6
    Está além do escopo deste artigo introdutório apresentar uma revisão da literatura acerca do conceito de ‘mundo’ em lógica e semântica. Revisões podem ser encontradas em Doleẑel (1998), Ryan (1991) e Semino (1997).
  • 7
    As ciências cognitivas incluem Antropologia, Ciência da Computação, Filosofia, Linguística, Neurociência e Psicologia (cf. Miller, 2003).
  • 8
    Cabe apontar que Werth (1999, p. 20) caracteriza a TMT em comparação à Linguística Gerativa, que era o paradigma predominante durante o seu período de atuação como linguista. Werth (1999, p. 19) afirma que “ENT#091;...ENT#093; o novo programa de pesquisa que estou defendendo aqui ENT#091;...ENT#093; tem no paradigma Chomskiano o seu antecessor definitivo, mas ENT#091;...ENT#093; se diferencia dele em relação aos aspectos cruciais de metodologia e cobertura de dados ENT#091;...ENT#093;.” No original: ENT#091;...ENT#093; the new research paradigm which I am advocating here ENT#091;...ENT#093; has the Chomskyan paradigm as its ultimate predecessor, but ENT#091;...ENT#093; deviates from it on the crucial questions of methodology and coverage ENT#091;...ENT#093;.
  • 9
    A aproximação da TMT com a Gramática Sistêmico-Funcional de Halliday deve-se à aplicação das categorias semânticas do sistema de transitividade na análise de processos verbais (cf. Seção 3), o que não inviabiliza a contribuição de outros autores funcionalistas para a TMT, como Givón (2018).
  • 10
    Diferentes ênfases de estudos cognitivos contribuem para a TMT, como os Modelos Cognitivos Idealizados de Lakoff (1987), a Semântica de Frames de Fillmore (1982), a Teoria dos Espaços Mentais e da Mesclagem Conceptual de Fauconnier e Turner (2003) e a Gramática Cognitiva de Langacker (2008).
  • 11
    Uso os termos ‘estruturas de conhecimento’ e ‘conjuntos de conhecimento’ para referir de forma mais ampla e geral aos conceitos mais específicos de esquemas, scripts e frames (cf. Seção 3).
  • 12
    Cabe mencionar os trabalhos de Tsur (2008 ENT#091;1992ENT#093;) e Richards (1929) como precursores do que se entende por Poética Cognitiva hoje. A abordagem de Richards (1929), ainda que não se enquadre em um paradigma dominante específico, já focalizava a experiência de leitores em combinação com desenvolvimentos da Psicologia (assim como a Poética Cognitiva), sendo assim, compreendida como ‘protocognitiva’ (West, 2012).
  • 13
    Casos de transição de mundo não contemplados aqui, como o discurso direto, por razões de espaço, podem ser encontrados em Gavins (2007), por exemplo.
  • 14
    O efeito aludido é tão poderoso que em 1967, 39 anos depois da publicação inicial (1928), o próprio Drummond organizou um livro com respostas de leitores ao seu poema (ANDRADE, 1967). Um exemplo mais recente das divergências sobre o texto pode ser encontrado em Salgueiro (2005), que contextualiza historicamente a publicação do poema e comenta respostas de leitores diversos, incluindo críticos literários. Por razões de espaço, não traçamos maiores considerações acerca da crítica ao poema.
  • 15
    Disponível em: https://aulete.com.br/pedra Acesso em 26 jun. 2023.
  • 16
    Em relação aos aspectos dêiticos do discurso, a Teoria da Mudança Dêitica (Duchan et al., 1995) também fornece contribuições à TMT.
  • 17
    Esse guia de análise foi adaptado a partir de um folheto utilizado na Escola de Verão da Associação de Poética e Linguística sobre a Teoria de Mundos Textuais, ministrada por Joanna Gavins e Sara Whiteley na Universidade de Liverpool em 2019.
  • 18
    VUE está disponível em: https://vue.tufts.edu/ Acesso em 05 jun. 2023.
  • 19
    O recurso mencionado, chamado Worldbuilder está disponível em: http://www.viv-research.info/TWT/system/index.html Acesso em 02 jun. 2023. Na data de acesso do link, contudo, o recurso não estava disponível.
  • 20
    No original: ENT#091;...ENT#093; no less than ‘all the furniture of the earth and heavens’.
  • Disponibilidade de dados
    Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.

Editado por

Disponibilidade de dados

Todo o conjunto de dados que dá suporte aos resultados deste estudo foi publicado no próprio artigo.

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    30 Mar 2026
  • Data do Fascículo
    Jan-Mar 2026

Histórico

  • Recebido
    14 Out 2023
  • Aceito
    06 Maio 2025
location_on
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP PUC-SP - LAEL, Rua Monte Alegre 984, 4B-02, São Paulo, SP 05014-001, Brasil, Tel.: +55 11 3670-8374 - São Paulo - SP - Brazil
E-mail: delta@pucsp.br
rss_feed Acompañe los números de esta revista en su lector de RSS
Ir para arriba Notificar error