Resumo
A crise econômica deflagrada nos Estados Unidos em 2008 e suas repercussões no Brasil a partir de 2014, se superpuseram à crise sanitária desencadeada pela pandemia de COVID-19. Considerando esses três intervalos temporais, este artigo analisa a suscetibilidade de empresas de planos e seguros de saúde a ciclos econômicos recessivos, tanto no Brasil como nos Estados Unidos. Há evidências sobre as relações entre períodos de crise econômica e retração de ações e serviços em sistemas nacionais de saúde. Contudo, os Estados Unidos e o Brasil assistiram ao crescimento da adesão a planos e seguros de saúde. Os vetores que impulsionam a expansão do mercado privado nos dois países possuem similaridades e singularidades. O “Obamacare” marca o início da inclusão de segmentos populacionais às coberturas de programas que se valem de esquemas assistenciais privados, financiados com recursos governamentais. No Brasil, apesar de índices econômicos gerais negativos e de corte no orçamento público para saúde, constatou-se que as empresas de planos de saúde ampliaram receitas e lucros, mesmo no contexto da pandemia e de aprofundamento da crise econômica no país. As estratégias empresariais de atração de investidores estrangeiros combinaram-se com a atuação para obtenção de créditos junto a instituições públicas e ampliação de deduções e isenções fiscais, preservando ganhos financeiros. A comparação entre os impactos da crise financeira nos mercados privados de saúde brasileiro e americano permitiu identificar as fragilidades do nosso sistema público universal absorvido pela racionalidade do mercado.
Palavras-chave:
Sistemas de Saúde; Saúde Suplementar; Planos de Pré-Pagamento em Saúde; Seguro Saúde; Recessão Econômica
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PIB: Produto Interno Bruto. Fonte: elaboração própria a partir de indicadores econômicos divulgados pelo Banco Mundial 
Fonte: elaboração própria a partir dos dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar
Fonte: elaboração própria a partir das informações publicadas por Price
Fonte: elaborado a partir de dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar
Fonte: elaboração própria a partir de informações divulgadas por Health Care for American Now