A gestão em saúde na contemporaneidade exige estratégias capazes de responder às transformações sociais, demográficas e epidemiológicas que impactam os sistemas de saúde. O Sistema Único de Saúde (SUS) constitui uma das mais importantes políticas públicas, mas fragilidades estruturais, subfinanciamento e instabilidade política têm dificultado a efetivação dos princípios da universalidade, integralidade e equidade1.
A consolidação do SUS depende do fortalecimento da gestão, da qualificação das práticas assistenciais e da utilização de instrumentos técnicos que apoiem a tomada de decisões. A epidemiologia, ao subsidiar o planejamento das ações de saúde, pode identificar os problemas prioritários que afetam a população, permitir compreender melhor o perfil de saúde das comunidades e orientar políticas públicas mais eficazes.
Outro elemento essencial na gestão atual do SUS é o uso de tecnologias e de sistemas de informação em saúde, que ampliem a capacidade de monitoramento, avaliação e organização dos serviços. O avanço das ferramentas digitais tem contribuído para melhorar o acesso à informação, apoiar decisões clínicas e fortalecer a integração entre diferentes níveis de atenção.
As práticas assistenciais carecem de importantes transformações, com a valorização de abordagens mais integradas, centradas no usuário e articuladas com a Atenção Primária à Saúde (APS), considerada a principal porta de entrada e eixo estruturante da rede de cuidados.
Nesta edição, são apresentados 13 artigos que abordam diferentes dimensões da gestão em saúde no contexto do SUS. Entre os temas discutidos, destaca-se estudo sobre governabilidade em fronteiras interestaduais em dois estados e 53 municípios, identificando, entre outros, desigualdades fiscais e dependência financeira para garantir acesso e continuidade do cuidado em regiões onde faltam mecanismos de articulação da gestão do sistema.
Outro artigo evidencia, após 18 anos, o potencial da Telessaúde na Atenção Primária à Saúde no sul do Brasil, afirmando que o uso dessa tecnologia ampliou o acesso aos serviços, bem como, preencheu lacunas assistenciais, apoiou os profissionais de saúde e fortaleceu a resolutividade da atenção básica.
O estudo sobre a distribuição espacial das notificações de erros de imunização em 853 municípios no estado de Minas Gerais contribui para identificar fatores associados às falhas no processo de vacinação, e subsidiar medidas para o aprimoramento das práticas de imunização.
Ao reunir trabalhos sobre governabilidade em regiões de fronteira, telessaúde na atenção primária, práticas integrativas e complementares, entre outros temas, esta publicação busca fomentar o diálogo entre pesquisadores, gestores e profissionais da saúde. As contribuições aqui reunidas ampliam o debate sobre os desafios e as possibilidades da gestão em saúde na contemporaneidade, reafirmando o compromisso com o fortalecimento do SUS.
