Open-access “Doença toma remédio, né? E filho não, é pra vida toda”: prevenção do HIV segundo jovens de baixa renda de cinco cidades do Brasil

“La enfermedad requiere medicación, ¿verdad? Y los niños no, son para toda la vida”: prevención del VIH según jóvenes de bajos recursos de cinco ciudades de Brasil

O aumento da taxa de incidência do HIV entre jovens contrasta com a descontinuidade de ações educativas e a invisibilidade da Aids no espaço público. A partir de pesquisa socioantropológica, o artigo analisa concepções e práticas sobre prevenção do HIV de 139 homens e mulheres de 15 a 24 anos, majoritariamente heterossexuais e cisgênero, de comunidades de baixa renda em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus e Salvador. O estudo envolveu observação etnográfica, entrevistas e grupos focais. Segundo os achados é limitado o conhecimento sobre diagnóstico, novas tecnologias de prevenção e tratamento do HIV. A transmissão do HIV ainda é associada aos gays, pessoas trans e indivíduos com muitos parceiros/as, persiste o receio do estigma da Aids e há raro convívio com pessoas com HIV. Prevalece a autopercepção de que a infecção pelo vírus está distante do campo de possibilidades, principalmente se a camisinha for usada com pessoa desconhecida; há maior preocupação com a gravidez não intencional. Os resultados apontam para necessidade de políticas capazes de enfrentar o estigma da Aids e as desigualdades sociais, raciais e de gênero e de criar espaços de aprendizagem e diálogo, nas escolas, serviços de saúde, movimento social, atualizando experiências exitosas e explorando o potencial das redes sociais.

Palavras-chave:
Prevenção; Adolescente; HIV/Aids; Pobreza; Brasil

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