Objetivos: As sacrectomias são usualmente o tratamento de escolha para tumores do sacro. A depender da localização, tamanho e tipo histológico diferentes opções de ressecção podem ser usadas, com maior ou menor morbimortalidade inerente ao procedimento. Há, no Brasil, escassa literatura sobre complicações decorrentes deste tratamento. O propósito deste artigo é correlacionar tais cirurgias com os desfechos dos pacientes submetidos a elas, como recorrência local, infecção, déficit neurológico e expectativa de vida.
Métodos: Estudo de coorte retrospectivo com uma amostra de 16 pacientes com tumores sacrais submetidos à ressecção do sacro no período de 2015 a 2023. Algumas variáveis foram estudadas como tipo histológico do tumor, modalidade cirúrgica realizada, reconstruções com instrumentação sacropélvica, margens tumorais, tipo de retalho para fechamento, recidiva tumoral local e follow-up. Os dados foram registrados no pré-operatório e na última consulta de follow-up. Foi utilizado como critério de exclusão do trabalho pacientes com follow-up menor de 6 meses e pacientes com dados incompletos no prontuário.
Resultados: Foram selecionados 16 pacientes; a proporção foi de 11 homens (68,8%) e de 5 mulheres (31,2%); observou-se que a média de idade foi de 49,3 anos; distribuindo-se entre 24 e 76 anos. O diagnóstico envolveu tumores benignos em 6 pacientes (37,5%) e malignos em 10 deles (62,5%). As diversas modalidades de reconstrução sacropélvica foram realizadas em 8 pacientes (50%) quando havia o acometimento maior de 50% da articulação sacro ilíaca. O tempo médio de follow-up dessa amostra de pacientes foi de 39,5 meses, sendo o menor tempo de 6 meses e maior tempo de 70 meses. Foram observadas 25 complicações em toda amostra, estando presente em 13 (81,2%) pacientes, sendo que 8 (61,5%) deles apresentaram 2 complicações. As principais complicações foram déficit (69,1%), seguida de infecção (61,5%) e outras causas (38,4%) como pseudoartrose e hérnia perineal posterior
Conclusão: A sacrectomia é um procedimento com alto índice de complicações, principalmente déficit neurológico – inerente a própria natureza da cirurgia – e infecção de sítio cirúrgico. O seguimento do paciente livre de doença local está diretamente ligado com a sacrectomia ‘em bloc’ com margens livres. São necessários mais estudos multicêntricos com maior follow-up para confirmação. Nível de Evidencia IV; Serie de Casos.
Descritores:
Tumor; Sacro; Neoplasias da Coluna Vertebral
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