Objetivo O hospital é o lugar em que, muitas vezes, o sujeito com afasia se percebe pela primeira vez em uma condição linguística difícil, implicando em modos diversos de fala/escuta/escrita sintomáticas. Esse artigo se propõe a analisar as implicações dos sintomas linguísticos sobre o cuidado ofertado por uma equipe de saúde a afásicos no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), em um hospital geral.
Método Trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza exploratória, com o uso da técnica da entrevista semidirigida. O estudo foi composto por um profissional das categorias: enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, nutrição, psicologia, técnico em enfermagem, terapeuta ocupacional e serviço social.
Resultados Os participantes da pesquisa destacaram as dificuldades e desafios colocados por problemas comunicativos vividos na assistência hospitalar ao sujeito afásico e as implicações dos sintomas linguísticos para o cuidado na assistência multiprofissional. A presença de sintomas na linguagem produz questionamentos e angústia aos profissionais da saúde, que se deparam com inquietações e dificuldades para a prática assistencial deflagradas pelo encontro do cuidado com esses sujeitos.
Conclusão As entrevistas mostraram que irremediavelmente a afasia impõe desafios dado os efeitos das restrições comunicativas sobre a equipe de saúde na assistência hospitalar. Compreende-se a importância de considerar esses efeitos no estabelecimento de um cuidado integral, pautado pela interprofissionalidade, pelas diferentes dimensões do cuidado à saúde e a diversidade de modos de vida.
Descritores:
Afasia; Hospitalização; Equipe de Saúde; Atenção Terciária à Saúde; Cuidado Humanizado