Objetivo Descrever o perfil de fala na Doença de Huntington (DH), correlacionar com aspectos cognitivos e clínicos, e comparar com controles.
Método Foram incluídos indivíduos sintomáticos, com diagnóstico clínico e molecular de DH e controles. Foram obtidos dados clínicos e sociodemográficos. A gravidade foi coletada pela Unified Huntington's Disease Rating Scale (UHDRS). A cognição foi avaliada pelos testes: fluência verbal, dígitos e stroop. A avaliação de fala foi feita por julgamento perceptivo auditivo e análise acústica.
Resultados Foram incluídos 7 indivíduos com DH, sendo 4 mulheres, com idade média de 48,86 (±16,03). Destes, 57,15% apresentaram disartria grave, 28,57% moderada e 14,28% leve. Sete controles saudáveis, pareados por sexo e idade, participaram do estudo. As alterações de fala dos indivíduos com DH estão relacionadas com a evolução dos sintomas motores, quanto piores os sintomas motores, pior o desempenho na fala. Com os demais dados clínicos, não houve correlação. Os indivíduos com DH foram significativamente piores comparados ao grupo controle nos subsistemas da fonação (frequência fundamental, tempo de fonação, jitter local, shimmer local), respiração (tempo máximo de fonação) e articulação (speech rate, tempo de fonação na fala espontânea, número de sílabas na fala espontânea, média de duração das sílabas e na duração da fala espontânea).
Conclusão Os subsistemas da fala mais afetados foram articulação, fonação e respiração. O perfil de fala está relacionado à progressão dos sintomas motores. A avaliação da fala tem a possibilidade de se configurar como um preditor da progressão da DH.
Descritores:
Doença de Huntingon; Fala; Disartria; Cognição; Análise Acústica da Fala
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