Objetivo Verificar se a desativação de eletrodos em usuários de implante coclear resulta em modificações no reconhecimento de fala em silêncio e no ruído, bem como identificar se ocorrem alterações nas medidas elétricas e fisiológicas.
Método Estudo retrospectivo de prontuários de 46 usuários de implante coclear, de três fabricantes, submetidos à desativação de pelo menos um eletrodo. Foram analisados dados pré e pós-desativação referentes aos registros de programação, audiometria em campo livre (500, 1.000, 2.000 e 4.000 Hz) e testes de reconhecimento de sentenças gravadas em silêncio a 60 dB e com ruído competitivo a +10 dB de relação sinal-ruído. As medidas objetivas incluíram telemetria de impedância, reflexo estapediano eletricamente eliciado (eSRT) e potenciais de ação compostos evocados eletricamente (ECAP). As análises estatísticas utilizaram os testes de Wilcoxon, correlação de Spearman e qui-quadrado, com nível de significância de 5%.
Resultados Foram observadas correlações estatisticamente significativas nos limiares em 1.000 e 4.000 Hz nos 46 usuários estudados, porém sem repercussão funcional nas médias gerais ou na percepção de fala entre as avaliações pré e pós-desativação. As medidas objetivas mostraram alterações significativas, incluindo aumento de eletrodos com impedância alterada (2,2% para 13%; p = 0,009) e redução na presença de respostas de ECAP (53,8% para 28%). O eSRT apresentou número limitado de medidas, restringindo a análise.
Conclusão A desativação de eletrodos, quando clinicamente indicada, não comprometeu o desempenho auditivo funcional, embora tenha sido acompanhada de alterações elétricas e fisiológicas. Esses achados reforçam a necessidade de monitoramento abrangente e manejo individualizado.
Descritores:
Audiologia; Perda Auditiva; Implante Coclear; Percepção da Fala; Potenciais Evocados; Reabilitação Auditiva; Eletrodos; Impedância Elétrica