Open-access Carta ao editor

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Ao passo que apresentamos nossos sinceros cumprimentos, gostaríamos de tecer alguns comentários acerca do artigo intitulado “Linguagem e funcionalidade de adultos pós-Acidente Vascular Encefálico (AVE): avaliação baseada na Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF)”(1) publicado na Revista no número 1, volume 29, nas páginas 1-8. O artigo teve como objetivo avaliar e classificar os aspectos de linguagem, funcionalidade e participação de 50 indivíduos pós-AVE utilizando a CIF.

No trabalho mencionado, foram apresentados dados importantes sobre a funcionalidade de indivíduos com sequelas decorrentes do AVE. Enaltecendo, por exemplo, associações sobre as alterações na linguagem e comprometimentos no componente atividade e participação possibilitando a orientação e abordagem do cuidado em saúde pela perspectiva biopsicossocial.

A CIF, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é dividida em duas partes que por sua vez se dividem em componentes, a saber: funcionalidade e incapacidade – funções e estrutura do corpo e atividades e participação; fatores contextuais – fatores pessoais e fatores ambientais. A classificação e mensuração da funcionalidade e da incapacidade pode ser descrita com a utilização dos qualificadores (que são mensurados através de uma escala genérica com pontuação que varia de 0 a 4, sendo 0 considerado como nenhum problema e 4 um problema completo)(2). Um problema pode significar deficiência para os componentes de funções e estruturas do corpo, limitação ou restrição para os componentes de atividade e participação, respectivamente, e barreiras para o componente fatores ambientais. A utilização dos qualificadores tem a capacidade de gerar informações sobre a magnitude da deficiência, limitação, restrição, barreiras ou facilitadores das condições de saúde(3).

A participação é um dos componentes da funcionalidade, assim como a linguagem é um atributo das funções do corpo. Ao passo que o artigo deseja realizar uma avaliação da funcionalidade, é indicado que também incorpore os demais componentes da CIF, como, funções e estruturas do corpo, atividades e participação, fatores ambientais e fatores pessoais.

Um dos objetivos principais da CIF é avançar no sentido da unificação da linguagem no que se refere à abordagem dos fenômenos de funcionalidade e incapacidade. A utilização dos termos da classificação tal qual apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) deve ser preconizada.

Na seção de métodos, os autores descrevem que o instrumento de coleta de dados foi composto por 12 componentes e 30 domínios da CIF. A classificação apresenta sete componentes tal qual demonstrado no modelo da interação dos conceitos da CIF. Ainda na seção dos métodos, há a descrição de uma análise estatística inferencial, porém os resultados descritos são expressos apenas pela análise descritiva dos dados.

Tal qual apontado na publicação original da CIF(2), alguns conceitos diferem dos apresentados no referido artigo, por exemplo, o termo deficiência, que se refere a problemas nas funções e/ou nas estruturas do corpo não pode ser utilizado para explicar alterações no componente atividades e participação, como descrito na legenda da tabela 4 do artigo aqui citado(1). O uso genérico do termo problema, ou uso dos termos limitação e restrição seriam os mais adequados como qualificadores do desempenho e da capacidade dos indivíduos que fizeram parte da amostra. O termo deficiência (de acordo com a linguagem e estrutura da CIF) não é o mais adequado para mensurar o componente de atividades e participação.

Uma interação mais próxima entre os profissionais de saúde envolvidos no cuidado a saúde dos indivíduos que sofreram AVE é essencial para que a perspectiva biopsicossocial da CIF possa ser incluída na rotina de avaliação e planejamento terapêutico. A abordagem na totalidade dos diferentes componentes da CIF é o que de fato reflete o fenômeno da Funcionalidade Humana.

REFERÊNCIAS

  • 1 Santana MTM, Chun RYS. Linguagem e funcionalidade de adultos pós-Acidente Vascular Encefálico (AVE): avaliação baseada na Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). CoDAS. 2017;29(1): e20150284. PMid:28300953. http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20172015284
    » http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20172015284
  • 2 OMS: Organização Mundial de Saúde. CIF: Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde [internet]. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; 2015 [citado em 2017 Out 9]. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/42407/111/9788531407840_por.pdf
    » http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/42407/111/9788531407840_por.pdf
  • 3 Castaneda L, Bergmann A, Bahia L. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde: uma revisão sistemática de estudos observacionais. Rev Bras Epidemiol. 2014;17(2):437-51. PMid:24918415. http://dx.doi.org/10.1590/1809-4503201400020012ENG
    » http://dx.doi.org/10.1590/1809-4503201400020012ENG

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    2017

Histórico

  • Recebido
    09 Out 2017
  • Aceito
    19 Out 2017
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