O artigo tem como objetivo examinar como os Estudos do Oceano (<italic>Ocean Studies</italic>) e as Humanidades Azuis (<italic>Blue Humanities</italic>), especialmente os conceitos de ontologia mais do que úmida (<italic>more than wet ontology</italic>) e corpos d’água (<italic>bodies of water</italic>), podem contribuir para uma abordagem mais do que úmida dos Estudos de Segurança Ontológica (ESO), permitindo repensar as formas pelas quais migrantes e refugiados constroem suas narrativas de resistência em uma superfície líquida. Os ESO reproduzem a ontologia e a epistemologia territoriais do campo mais amplo das Relações Internacionais, caracterizadas por divisões entre Terra e Mar, e entre dentro e fora. Um dos fundamentos do termo “corpo d’água” é destacar a semelhança ontológica — e não a identidade — entre a água e outros elementos, internos e externos. Por meio dessas lentes, é possível analisar os arranjos úmidos (<italic>wet assemblages</italic>) formados quando migrantes/refugiados se fundem com o oceano, barcos e coletes, produzindo uma dinâmica complexa, fluida e instável de (In)Segurança Ontológica.
Palavras-chave
ontologia úmida; segurança/insegurança ontológica; migração; oceano; mar; resistência