O estudo foi conduzido com o objetivo de avaliar os recursos alimentares para o gado e as práticas de utilização, as restrições relacionadas e a composição química de alimentos selecionados. Um total de 194 domicílios foram selecionados aleatoriamente e entrevistas realizadas. A maioria dos entrevistados eram homens (70,81 %) com ensino fundamental completo (54,32 %). Os alimentos utilizados pelo gado eram pastagens naturais, resíduos de culturas, forragens melhoradas e espécies arbustivas forrageiras. As famílias entrevistadas utilizam o picado (22,7 %), a mistura com forragens verdes (51 %) e o tratamento com ureia (20,6 %) para melhorar o valor nutricional dos resíduos de culturas. O pastejo zero (58,25 %), o pastejo contínuo (25,77 %) e o pastejo diferido (15,98 %) foram as principais práticas de utilização das áreas de pastagem. O teor de matéria seca (MS) dos principais alimentos variou de 89,53 a 92,48 %, o teor de cinzas de 5,42 a 11,7 %, a proteína bruta (PB) de 2,63 a 14,08 %, a fibra em detergente neutro (FDN) de 39,03 a 61,86 %, a fibra em detergente ácido (FDA) de 5,99 a 37,48 % e a lignina em detergente ácido (LDA) de 1,48 a 7,53 %. As principais restrições relacionadas à alimentação do rebanho foram a escassez de terra, o superpastejo e a superpopulação animal. A redução do tamanho do rebanho, a compra de alimentos, o uso de feno conservado e de árvores forrageiras foram as estratégias adotadas para enfrentar a escassez de alimentos. De modo geral, a maioria dos alimentos disponíveis localmente apresenta baixa qualidade nutricional, o que evidencia a necessidade de atuação dos serviços locais de extensão rural, instituições de pesquisa, cooperativas de agricultores, ONGs e fornecedores de sementes para incentivar a produção e a adoção de forragens melhoradas.
Palavras-chave
avaliação; disponibilidade; qualidade; agroecologia