JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS A dor pélvica crônica (DPC) em mulheres é uma condição multifatorial frequentemente associada a mecanismos neuropáticos, porém a prevalência de dor neuropática (DN) nessa população permanece incerta. O objetivo deste estudo foi quantificar sistematicamente a prevalência de DN em mulheres diagnosticadas com DPC, utilizando ferramentas de triagem validadas.
CONTENTS O estudo seguiu as diretrizes Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) e foi registrada no Prospective International Registry of Systematic Reviews (PROSPERO) ID nº CRD42024593980. A busca por artigos foi realizada nas plataformas CINAHL (Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature), Embase, Pubmed, Scielo, SportDiscus, Web of Science, e Google Acadêmico e abrangeu estudos publicados entre 2010 e 2024. Os oito estudos incluíram 989 mulheres com DPC e relataram prevalência significativa de DN, variando de 13,6% a 66,0%. As estimativas de prevalência variaram dependendo do instrumento utilizado: 31,0% a 64,8% (S-LANSS), 35,0% a 66,0% (DN4) e 13,6% a 31,7% (painDETECT). As prevalências médias ponderadas pelo tamanho da amostra foram de 45,9% para S-LANSS, 44,3% para DN4 e 28,8% para painDETECT. DN na DPC também foi associada a menor qualidade de vida, maior sofrimento psicológico, alterações cognitivas, endometriose, vestibulodínia provocada, vulvodínia e maior intensidade da dor geniturinária.
CONCLUSÃO A DN é altamente prevalente em mulheres com DPC, o que reforça a importância da triagem de rotina para seu componente neuropático na prática clínica. É necessário realizar mais pesquisas, dado o número limitado de estudos que abordam essa relação de forma abrangente.
Descritores:
Dor crônica; Dor neuropática; Dor pélvica; Neuralgia
Thumbnail
