RESUMO
Introdução: A impressão 3D tem se consolidado como ferramenta promissora no planejamento cirúrgico de transplantes renais intervivos, especialmente na avaliação anatômica vascular do rim doador.
Objetivo: Desenvolver um modelo tridimensional impresso em 3D para avaliação pré-operatória do doador renal e verificar sua acurácia anatômica com base na mensuração do comprimento dos vasos renais.
Métodos: Estudo observacional, prospectivo e multicêntrico, com 15 doadores renais submetidos à nefrectomia laparoscópica com clipes poliméricos. Foram incluídos apenas casos de rim esquerdo com tronco vascular único. Os modelos 3D foram confeccionados a partir de tomografia computadorizada com segmentação digital e impressão em resina translúcida. As aferições dos vasos foram comparadas entre o modelo 3D e as peças cirúrgicas, utilizando paquímetro analógico. A associação linear entre as medidas foi avaliada pelo coeficiente de correlação de Pearson, e a concordância entre os métodos por meio do método de Bland-Altman.
Resultados: Observou-se correlação muito forte entre as medidas da artéria renal no modelo 3D e na peça cirúrgica (R = 0,91), e forte correlação para a veia renal (R = 0,85). Quanto às medições pareadas, não demonstraram evidência de diferença estatisticamente significativa (artéria: p = 0,614; veia: p = 0,268). A análise de Bland-Altman, considerada o método de referência para comparação entre instrumentos de medição, demonstrou viés médio reduzido, com concordância global aceitável entre os métodos, embora com limites de concordância consideravelmente mais amplos para a veia renal (-9,79 mm a +7,21 mm) em comparação à artéria renal (-7,53 mm a +6,57 mm), refletindo maior variabilidade nas medidas venosas. Não houve complicações graves (Clavien-Dindo ≥ 3) entre os doadores.
Conclusão: Em uma amostra de doadores com vasos únicos à esquerda, os resultados sugerem que o modelo 3D apresenta forte associação linear com as medidas reais (correlação de Pearson) e concordância aceitável com a peça cirúrgica (análise de Bland-Altman). Esses achados são preliminares e não devem ser generalizados sem confirmação em amostras maiores e anatomias mais complexas.
Descritores
Transplante de Rim; Doadores Vivos; Cuidados Pré-Operatórios; Impressão Tridimensional; Modelos Anatômicos; Circulação Renal
ABSTRACT
Introduction: Three-dimensional (3D) printing has emerged as a promising tool for surgical planning in living donor kidney transplantation, particularly for vascular anatomical assessment of the donor kidney.
Objective: To develop a three-dimensional printed model for preoperative evaluation of the kidney donor and to assess its anatomical accuracy based on renal vessel length measurements.
Methods: Observational, prospective, multicenter study including 15 kidney donors undergoing laparoscopic nephrectomy with polymer clips. Only left kidney cases with a single vascular trunk were included. 3D models were generated from computed tomography images through digital segmentation and printed in translucent resin. Vessel measurements obtained from the 3D model and from the surgical specimens were compared using an analog caliper. Linear association between measurements was assessed by Pearson's correlation coefficient, and agreement between methods by Bland-Altman analysis.
Results: A very strong correlation was observed between renal artery measurements on the 3D model and the surgical specimen (R = 0.91), and a strong correlation for the renal vein (R = 0.85). Paired comparisons showed no statistically significant differences (artery: p = 0.614; vein: p = 0.268). Bland-Altman analysis, considered the reference method for comparing measurement instruments, demonstrated low mean bias with overall acceptable agreement, although with considerably wider limits of agreement for the renal vein (-9.79 to +7.21 mm) compared with the renal artery (-7.53 to +6.57 mm), reflecting greater variability in venous measurements. No severe complications (Clavien-Dindo ≥ 3) occurred among donors.
Conclusion: In a sample of donors with single left-sided vessels, the results suggest that the 3D model exhibits strong linear association with actual measurements (Pearson correlation) and acceptable agreement with the surgical specimen (Bland-Altman analysis). These findings are preliminary and should not be generalized without confirmation in larger samples and more complex anatomies.
Descriptors
Kidney Transplantation; Living Donors; Preoperative Care; Printing, Three-Dimensional; Models, Anatomic; Renal Circulation
INTRODUÇÃO
Os transplantes renais intervivos representam uma das mais relevantes estratégias terapêuticas para o manejo da insuficiência renal terminal, sendo diretamente influenciados pela qualidade do planejamento cirúrgico. Dessa forma, o período pré-operatório assume um papel de extrema importância na evolução do caso1. A escolha do rim doador e a realização de uma avaliação detalhada da anatomia vascular e excretora são passos cruciais para o sucesso cirúrgico. Nesse contexto, esses quesitos são essenciais para garantir a integridade anatômica e fisiológica após o procedimento1.
Tradicionalmente, a Tomografia Computadorizada (TC) tem sido o padrão de referência para essa análise, fornecendo imagens precisas das estruturas renais e de seus vasos2,3. A determinação precisa do comprimento dos vasos renais é um desafio crítico no planejamento de transplantes renais intervivos, com implicações diretas para o sucesso do procedimento, visto que as variações anatômicas podem aumentar significativamente o risco de complicações perioperatórias. Atualmente, as técnicas tradicionais de imagem fornecem informações bidimensionais que, embora detalhadas, por vezes, podem ser limitadas para demonstrar a situação com mais realidade2,3. Nesse contexto, emerge a impressão tridimensional (impressão 3D)4,5.
Nos últimos anos, a impressão 3D vem se tornando uma ferramenta complementar promissora, capaz de transformar imagens bidimensionais em modelos físicos que reproduzem com alta fidelidade as características anatômicas de cada paciente. Essa tecnologia oferece não apenas benefícios no planejamento cirúrgico, como a simulação de procedimentos e a antecipação de desafios técnicos, mas também vantagens educacionais e de comunicação interdisciplinar6,7.
Apesar do crescente interesse na aplicação da impressão tridimensional no transplante renal, a maioria dos estudos disponíveis concentra-se principalmente em aspectos educacionais, simulação cirúrgica ou melhoria da compreensão anatômica pelos cirurgiões. Entretanto, ainda são escassos os trabalhos que avaliam de forma quantitativa a fidelidade anatômica dos modelos tridimensionais impressos com base em estruturas vasculares reais encontradas durante a cirurgia. Em especial, permanece pouco explorada na literatura a capacidade desses modelos de reproduzir com precisão o comprimento efetivamente utilizável dos vasos renais após a etapa de controle vascular, considerando fatores técnicos como o posicionamento de clipes ou o nível real de secção vascular.
Nesse contexto, o presente estudo busca preencher essa lacuna ao comparar sistematicamente as medidas vasculares obtidas em modelos tridimensionais impressos, planejados com posicionamento de clipes poliméricos em locais pré-determinados e comparados com as medidas obtidas diretamente nas peças cirúrgicas. Dessa forma, nosso trabalho propõe não apenas avaliar a acurácia anatômica do modelo 3D, mas também explorar sua aplicabilidade prática no planejamento pré-operatório de transplantes renais intervivos, reconhecendo as limitações inerentes a uma amostra pequena e selecionada.
MÉTODOS
Trata-se de um estudo observacional, prospectivo, multicêntrico, de comparação entre métodos, com análise pareada de concordância entre as medidas obtidas no modelo 3D e na peça cirúrgica, planejado e executado de acordo com as premissas do Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE), seguindo o checklist estipulado para estudos de coorte.
Por tratar-se de estudo multicêntrico, o projeto tramitou em dois comitês de ética locais, aprovados sob os números de registro: 6.949.617 (Universidade Tuiuti do Paraná) e 6.815.360 (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).
Os critérios de inclusão utilizados foram: doadores renais de rim esquerdo, com tronco vascular único, submetidos à nefrectomia laparoscópica com clipes poliméricos por um mesmo cirurgião em três hospitais do Paraná (Brasil).
Com o objetivo de mitigar viés de seleção, utilizamos alguns critérios de exclusão: doadores renais de rim direito, doadores multivasculares, nefrectomias abertas e nefrectomias realizadas por outros cirurgiões.
Para o cálculo amostral, adotou-se teste t pareado bicaudal (α = 0,05; poder = 80%; β = 0,20), assumindo desvio-padrão das diferenças de 5 mm e diferença mínima clinicamente relevante de 3,5 mm, o que resultou em tamanho amostral mínimo de 15 doadores (n calculado = 15,28).
Avaliação pré-operatória e confecção do modelo 3D
Após uma avaliação multidisciplinar, define-se a elegibilidade do doador bem como a lateralidade do rim a ser transplantado. Se o rim selecionado foi o esquerdo, esse doador renal era convidado a participar do estudo mediante termo de consentimento assinado.
A avaliação da anatomia vascular e excretora foi realizada através de tomografia axial computadorizada (Siemens SOMATOM Sensation 64, com largura de corte de 1,0 mm e mAs efetivo de 105). O protocolo de administração do contraste adotado foi com atraso de administração de 10 a 15 segundos e uma taxa de fluxo de 3,0 a 3,5 mL/segundo. Após a obtenção das imagens tomográficas, foi realizada a segmentação das estruturas em formato DICOM, pelo programa Slicer 5.7 (https://www.slicer.org). O rim, a artéria renal, a veia renal, um coto da veia adrenal e um segmento pequeno de aorta e veia cava inferior foram selecionados para modelagem 3D.
O processo de modelagem foi feito pelo aplicativo Blender 4.0 (https://www.blender.org). Com ele foram feitas as adaptações necessárias para a confecção dos modelos, bem como o posicionamento de estruturas que mimetizam clipes poliméricos com 2 mm de espessura, em posições pré-determinadas pelo cirurgião. Na artéria renal, o posicionamento dos clipes foi feito 2 mm após sua origem e com espaçamento de 2 mm entre eles, conforme preconiza o fabricante (Weck® Polymer Locking Ligation System, Wayne, USA); já na veia renal, o posicionamento ocorreu imediatamente distal à implantação da veia adrenal ipsilateral, também com dois clipes espaçados 2 mm entre eles.
A impressão 3D dos modelos foi feita em resina fotopolimerizável translúcida (Anycubic®, Shenzhen, China). Cada modelo foi impresso com todas as partes segmentadas (rim, artéria renal, veia renal, aorta, cava inferior, coto da veia adrenal e imitações de clipes poliméricos) reunidas em uma única peça (monobloco).
A segmentação das imagens, a modelagem tridimensional e a confecção dos modelos impressos foram realizadas por empresa especializada em impressão médica tridimensional, sob responsabilidade técnica de radiologista com experiência em reconstrução anatômica e modelagem para fins cirúrgicos. O custo unitário dos modelos 3D foi US$ 83,30.
Aferição do comprimento vascular renal no modelo 3D
Após a confecção do modelo tridimensional, realizou-se a aferição do comprimento dos vasos renais diretamente na peça impressa. O comprimento vascular foi definido como a distância entre dois pontos anatômicos previamente padronizados: ponto A, correspondente ao lábio anterior do parênquima no hilo renal; e ponto B, definido como a face lateral do clipe polimérico previamente posicionado no modelo durante a etapa de planejamento digital.
As medidas foram obtidas utilizando um paquímetro analógico [Rhosse®, Registro ANVISA: 80310620016], conforme ilustrado na Fig. 1. Todas as aferições foram registradas fotograficamente para documentação e posterior conferência.
Aferições métricas realizadas na artéria e veia renal, bem como no modelo 3D e peça cirúrgica.
A cirurgia
Todos os procedimentos foram realizados por um único cirurgião com ampla experiência em nefrectomias laparoscópicas de doador renal.
A técnica utilizada foi a laparoscópica pura, transperitoneal, com controle vascular através de dois clipes poliméricos (Weck® Polymer Locking Ligation System, Wayne, USA), com distância de cerca de 2 mm entre eles. Os pacientes eram posicionados em decúbito lateral direito e submetidos ao pneumoperitônio através da técnica de Hasson. Três trocartes eram posicionados inicialmente: (1) 10 mm pararretal esquerdo, na altura da cicatriz umbilical para introdução da ótica laparoscópica; (2) 5 mm pararretal esquerdo, 2 cm abaixo do rebordo costal, para a mão esquerda do cirurgião; (3) 10 mm na linha axilar anterior e na altura da cicatriz umbilical, para a mão direita do cirurgião. Um quarto trocarte de 5 mm era posicionado na linha axilar posterior 5 cm acima da altura da cicatriz umbilical quando o afastamento do cólon era necessário.
O controle vascular renal era realizado com clipes poliméricos conforme planejamento cirúrgico prévio realizado com o modelo 3D e posteriormente seccionado 1-2 mm distal aos clipes.
Aferição do comprimento vascular renal
O comprimento da artéria renal foi determinado como a distância entre dois pontos anatômicos previamente padronizados: ponto A, correspondente ao lábio anterior do parênquima no hilo renal; e ponto B, definido como a extremidade mais distal da artéria renal em repouso. Para a veia renal, o comprimento foi definido como a distância entre o ponto A, correspondente ao lábio anterior do parênquima no hilo renal, e o ponto B, representado pela extremidade mais distal da veia renal sob leve tração manual sustentada por duas pinças anatômicas, aplicada de forma suficiente para remover a redundância visível do vaso, sem evidência de estiramento excessivo (Fig. 1).
Durante as aferições, foi realizado cegamento da análise: o cirurgião responsável pela mensuração com o paquímetro não tinha conhecimento prévio das medidas obtidas anteriormente por outro autor antes da cirurgia. Todas as medições foram reconferidas e registradas fotograficamente para documentação.
Variáveis analisadas
Outros dados analisados foram: idade, gênero, peso, altura, Índice de Massa Corpórea (IMC), tempo de cirurgia, Tempo de Isquemia Fria (TIF), Tempo de Isquemia Quente (TIQ), perda sanguínea, necessidade de cirurgia de banco, tempo de internamento, Classificação de Clavien-Dindo, creatinina pré e pós-transplante (na alta hospitalar).
Análise estatística
A compilação dos dados foi feita por meio do software Microsoft Excel®, versão 16.85, e a análise estatística pelo software SPSS Statistics®, versão 29.0.1.1 (IBM corp, Armonk, New York).
Variáveis contínuas foram expressas em média ± desvio-padrão e as categóricas, em número e porcentagem. O teste de Shapiro-Wilk foi realizado em todas as variáveis para verificação da normalidade dos dados. A correlação entre as medidas do modelo 3D e da peça cirúrgica foi feita por meio do teste de Pearson. As diferenças médias pareadas foram avaliadas por teste t pareado, e a concordância entre as variáveis métricas foi examinada por análise de Bland–Altman, com estimativa do viés médio e dos limites de concordância. Para as análises de Bland-Altman, as diferenças foram calculadas como modelo 3D menos peça cirúrgica (modelo 3D - peça). Uma correlação muito forte foi considerada quando o coeficiente R foi maior ou igual a 0,90, correlação forte em casos entre 0,70 e 0,90, moderada entre 0,50 e 0,70, e fraca quando menor que 0,50. Foram consideradas significativas as análises com valor de p < 0,05.
RESULTADOS
Quinze casos de transplante renal intervivos, num período entre abril e agosto de 2024, foram incluídos no estudo e tiveram sua avaliação pré-operatória feita com o modelo 3D. Doze (80%) pacientes eram do sexo feminino, a idade média foi de 39,7 ± 9,09 anos e o IMC médio de 26,2 ± 4,02 kg/m². O tempo cirúrgico médio foi de 87,1 ± 11,9 minutos; tempo de isquemia fria médio, de 86,7 ± 24,2 minutos; e o tempo de isquemia quente, 188,6 ± 89,1 segundos. Perda sanguínea estimada média foi de 76 ± 82,2 mililitros.
Dois pacientes tiveram sua classificação de Clavien-Dindo 2, um deles com íleo adinâmico, e outro com elevação mais proeminente da creatinina (1,82 mg/dL). A elevação média de creatinina foi de 0,42 ± 0,30 mg/dL. Nenhum paciente apresentou complicações cirúrgicas graves (Clavien-Dindo 3, 4 ou 5).
Os resultados referentes às aferições métricas dos vasos renais no banco e modelo 3D estão demonstrados na Tabela 1. Foi observada uma correlação muito forte (R = 0,91) sem evidência de diferença estatisticamente significativa entre as medições pareadas na artéria renal (p = 0,614). Quanto às aferições venosas, notou-se uma forte correlação (R = 0,85), também sem evidência de diferença estatisticamente significativa entre as aferições (p = 0,268) (Fig. 2).
Gráficos de dispersão demonstrando correlação muito forte na artéria renal e forte na veia renal.
Com base na análise de Bland-Altman aplicada às medidas dos vasos renais, observou-se viés sistemático médio de -0,48 mm (DP 3,6 mm) para a artéria renal, com limites de concordância entre -7,53 mm e +6,57 mm. Para a veia renal, o viés sistemático médio foi de -1,29 mm (DP 4,34 mm), com limites de concordância entre -9,79 mm e +7,21 mm (Tabela 2).
DISCUSSÃO
A impressão tridimensional tem emergido como uma ferramenta promissora na prática cirúrgica, especialmente na urologia, permitindo a criação de modelos anatômicos precisos que auxiliam no planejamento pré-operatório e na compreensão de anatomias complexas. Esses modelos tridimensionais facilitam a visualização espacial das estruturas anatômicas quando comparados às imagens bidimensionais tradicionais, contribuindo para estratégias cirúrgicas mais individualizadas8-10.
Na urologia oncológica, modelos 3D têm sido utilizados para melhorar a compreensão da relação entre tumores e estruturas adjacentes. No câncer de próstata, por exemplo, modelos personalizados podem auxiliar na identificação da localização tumoral em relação aos feixes neurovasculares, favorecendo prostatectomias poupadoras de nervos e potencialmente melhores desfechos funcionais9,11. Em cirurgias renais, modelos tridimensionais também permitem melhor avaliação das relações entre tumor, vasos e sistema coletor, contribuindo para maior precisão na nefrectomia parcial e preservação do parênquima renal12-14.
No transplante renal, a impressão 3D vem sendo aplicada tanto no planejamento cirúrgico quanto na simulação operatória, permitindo melhor compreensão da anatomia vascular e treinamento pré-operatório. Estudos recentes demonstram que modelos tridimensionais específicos do paciente podem melhorar a compreensão anatômica pelos cirurgiões e auxiliar na preparação técnica para transplantes renais complexos5,15-18.
No transplante renal intervivos, o comprimento vascular do enxerto é um fator crítico para o sucesso das anastomoses e para a prevenção de complicações técnicas, como trombose ou estenose vascular. Assim, a avaliação pré-operatória detalhada da anatomia vascular é fundamental, particularmente em casos de variações anatômicas ou anatomia multivascular4,5. Além disso, a reconstrução vascular em banco já foi descrita como fator de risco independente para estenose da artéria renal do enxerto, reforçando a importância de um planejamento cirúrgico preciso19.
Nesse contexto, os modelos tridimensionais oferecem uma visualização mais intuitiva da anatomia vascular do doador, permitindo antecipar detalhes técnicos relevantes, como o nível ideal de dissecção vascular e o posicionamento dos dispositivos de clampeamento. Essa abordagem pode auxiliar na preservação do comprimento vascular e na definição da estratégia cirúrgica mais adequada20,21.
Historicamente, a angiografia por subtração digital foi considerada o padrão-ouro para avaliação vascular renal. Entretanto, métodos menos invasivos, como a Tomografia Computadorizada Multidetectores (MDCT) e a Angiografia por Ressonância Magnética Tridimensional (3D-MRA), apresentam elevada acurácia na avaliação da anatomia vascular renal e atualmente são amplamente utilizados na avaliação pré-operatória de doadores vivos22-27.
Outro aspecto relevante é o custo da tecnologia. Revisões sistemáticas demonstram grande variação nos custos associados à impressão tridimensional na prática urológica, variando entre aproximadamente US$ 3,90 e US$ 1.000 por modelo8,10. No presente estudo, o custo médio foi de US$ 83,30, valor compatível com a literatura e potencialmente viável para aplicação clínica.
Entre as limitações deste estudo destaca-se a exclusão de doadores com anatomia vascular complexa ou rins direitos, situações nas quais o planejamento tridimensional poderia ter impacto ainda maior. Além disso, não foi incluído um grupo controle utilizando métodos tradicionais de mensuração, como a avaliação baseada exclusivamente em tomografia. Adicionalmente, não foi realizada análise formal de variabilidade intraobservador e interobservador, o que representa uma limitação metodológica.
Entre os pontos fortes do estudo, destaca-se a padronização do fluxo de segmentação, modelagem e impressão, conduzida sob responsabilidade técnica especializada, bem como a uniformidade da técnica cirúrgica, executada por um único cirurgião, contribuindo para o processo de confecção dos modelos e para a reprodutibilidade técnica da etapa de modelagem.
Os resultados demonstraram boa associação linear entre as medidas obtidas no modelo 3D e aquelas aferidas na peça cirúrgica. Tanto para a artéria renal (R = 0,91) quanto para a veia renal (R = 0,85), a correlação foi forte e sem evidência de diferença estatisticamente significativa entre as medições pareadas (p > 0,05). Entretanto, conforme amplamente descrito na literatura, correlação de Pearson não implica concordância entre métodos de medição, sendo a análise de Bland-Altman o instrumento estatístico de referência para essa avaliação. Dessa forma, os resultados da correlação de Pearson devem ser interpretados como dados complementares, enquanto a análise de Bland-Altman constitui o principal pilar interpretativo deste estudo. A análise de Bland-Altman demonstrou concordância global aceitável entre o modelo 3D e a peça cirúrgica.
Com relação ao tamanho amostral, o cálculo foi realizado considerando teste t pareado bicaudal (α = 0,05; poder = 80%; β = 0,20), com desvio-padrão das diferenças estimado em 5 mm e diferença mínima clinicamente relevante de 3,5 mm, resultando em tamanho amostral mínimo de 15 doadores (n calculado = 15,28). Embora o cálculo amostral prévio tenha sustentado a viabilidade estatística da análise proposta, o número reduzido de casos ainda exige cautela na interpretação e limita sua generalização.
Não obstante tenhamos adotado 5 mm como margem clinicamente aceitável para fins de planejamento e interpretação das diferenças entre os métodos, esse valor deve ser entendido como uma premissa operacional do presente estudo, e não como um limiar universalmente validado. Na prática do transplante renal intervivos, pequenas variações no comprimento vascular podem ter relevância técnica. Estudos sobre lateralidade do rim doador e sobre métodos de controle vascular renal reforçam a relevância clínica de diferenças medidas em milímetros20,21. Entretanto, não há consenso estabelecendo 5 mm como ponto de corte universal; assim, esse valor foi utilizado neste estudo como referência pragmática para análise comparativa entre o modelo 3D e a peça cirúrgica.
Com base na análise de Bland-Altman aplicada às medidas dos vasos renais, observou-se viés sistemático médio reduzido entre o modelo 3D e a peça cirúrgica. Para a artéria renal, a diferença média foi de -0,48 mm (DP 3,60 mm), com limites de concordância entre -7,53 mm e +6,57 mm, demonstrando diferença média próxima de zero, sem viés sistemático clinicamente relevante pelo modelo 3D. Para a veia renal, a diferença média foi de -1,29 mm (DP 4,34 mm), com limites de concordância entre -9,79 mm e +7,21 mm, evidenciando discreta tendência à subestimação e, sobretudo, maior variabilidade entre as medições.
Os limites de concordância da veia renal foram consideravelmente mais amplos do que os observados para a artéria renal, atingindo quase 10 mm no extremo inferior. Essa amplitude reflete uma maior imprecisão do modelo 3D na estimativa do comprimento venoso, o que tem relevância clínica direta: no transplante renal intervivos, variações dessa magnitude no comprimento da veia renal podem influenciar a estratégia de anastomose vascular, implicando em necessidade de extensão venosa em banco e seus riscos inerentes. Ainda que o viés médio tenha sido pequeno para ambos os vasos, a dispersão individual observada, principalmente na veia renal, merece um destaque na interpretação dos resultados e certamente limita a sua extrapolação clínica.
Observou-se, ainda, que a veia renal apresentou maior comprimento médio na peça cirúrgica em relação ao modelo 3D. Esse achado pode estar relacionado à leve tração aplicada durante a aferição na peça cirúrgica para remover a redundância natural do vaso. Como o modelo 3D representa a anatomia vascular em repouso, essa diferença pode refletir a variação introduzida pela manipulação durante a mensuração intraoperatória.
Do ponto de vista clínico, esses resultados sugerem que os modelos tridimensionais podem fornecer estimativas potencialmente úteis do comprimento vascular efetivo durante o planejamento cirúrgico do doador renal, particularmente da artéria renal, auxiliando na previsão do comprimento vascular cirurgicamente utilizável e no planejamento da dissecção do pedículo e do posicionamento dos clipes vasculares.
CONCLUSÃO
Em doadores renais selecionados com rim esquerdo e tronco vascular único, os modelos 3D confeccionados apresentaram forte associação linear e concordância global aceitável com as medidas obtidas na peça cirúrgica, com base em análise de Bland-Altman. Ressalta-se, contudo, que os limites de concordância foram mais amplos para a veia renal, o que deve ser considerado na interpretação clínica dos resultados. Esses achados devem ser interpretados como preliminares, oriundos de uma amostra pequena e selecionada, mas sugerem que o modelo tridimensional impresso pode constituir ferramenta útil no planejamento pré-operatório desse subgrupo específico. Estudos com amostras maiores e anatomias mais complexas são necessários para confirmar a aplicabilidade e a generalização desses resultados.
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao Programa de Pós-Graduação em Clínica Cirúrgica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), pelo apoio acadêmico durante a realização desta pesquisa; às equipes das Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante e às equipes cirúrgicas dos centros participantes pelo suporte na coleta de dados; aos Drs. e Dras. Ziliane Caetano Lopes Martins, Barbara Dagnoluzzo Moreira, Giana Caroline Strack Neves, Fabio Porto Silveira e Fabio Silveira, pelo apoio à cirurgia de backtable e às aferições ex vivo; ao Dr. Lucas Formighieri e à empresa Replicare Medicina 3D, pela reprodução dos modelos tridimensionais; e ao Sr. Guilherme Gustavo Spinello Poniewas, pelo apoio na edição das figuras.
-
FINANCIAMENTO
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível SuperiorCódigo de Financiamento 001
-
DECLARAÇÃO DE USO DE FERRAMENTAS DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Os autores declaram o uso de ferramentas baseadas em inteligência artificial para auxílio no refinamento linguístico e na estruturação editorial durante a preparação do manuscrito.
DISPONIBILIDADE DE DADOS DE PESQUISA
Os dados que sustentam os achados deste estudo estão disponíveis com o autor correspondente, mediante solicitação razoável.
REFERÊNCIAS
-
1 Chadban SJ, Ahn C, Axelrod DA, Foster BJ, Kasiske BL, Kher V, et al. KDIGO Clinical Practice Guideline on the Evaluation and Management of Candidates for Kidney Transplantation. Transpl. 2020 Apr; 104(4S1) Suppl 1:S11-S103. https://doi.org/10.1097/TP.0000000000003136
» https://doi.org/10.1097/TP.0000000000003136 -
2 Davis CL, Delmonico FL. Living-donor kidney transplantation: a review of the current practices for the live donor. J Am Soc Nephrol. 2005 Jul; 16(7): 2098-2110. https://doi.org/10.1681/ASN.2004100824
» https://doi.org/10.1681/ASN.2004100824 -
3 Zhang JQ, Hu XP, Wang W, Li XB, Yin H, Zhang XD. Multidetector row-CT in evaluation of living renal donors. Chin Med J (Engl). 2010 May; 123(9): 1145-1148. https://doi.org/10.3760/cma.j.issn.0366-6999.2010.09.008
» https://doi.org/10.3760/cma.j.issn.0366-6999.2010.09.008 -
4 Checcucci E, Amparore D, Fiori C, Manfredi M, Ivano M, Di Dio M, et al. 3D imaging applications for robotic urologic surgery: an ESUT YAUWP review. World J Urol. 2020 Apr; 38(4): 869-881. https://doi.org/10.1007/s00345-019-02922-4
» https://doi.org/10.1007/s00345-019-02922-4 -
5 Chandak P, Byrne N, Coleman A, Karunanithy N, Carmichael J, Marks SD, et al. Patient-specific 3D printing: a novel technique for complex pediatric renal transplantation. Ann Surg. 2019 Feb; 269(2): e18-e23. https://doi.org/10.1097/SLA.0000000000003016
» https://doi.org/10.1097/SLA.0000000000003016 -
6 Parikh N, Sharma P. Three-dimensional printing in urology: history, current applications, and future directions. Urology. 2018 Nov; 121:3-10. https://doi.org/10.1016/j.urology.2018.08.004
» https://doi.org/10.1016/j.urology.2018.08.004 -
7 Huri E, Mourad S, Bhide A, Digesu GA. 3D modeling and 3D printing in functional urology: the future perspective. Int Urogynecol J. 2020 Oct; 31(10): 1977-1978. https://doi.org/10.1007/s00192-020-04286-5
» https://doi.org/10.1007/s00192-020-04286-5 -
8 Sun Z, Liu D. A systematic review of clinical value of three-dimensional printing in renal disease. Quant Imaging Med Surg. 2018 Apr; 8(3): 311-325. https://doi.org/10.21037/qims.2018.03.09
» https://doi.org/10.21037/qims.2018.03.09 -
9 Porpiglia F, Bertolo R, Checcucci E, Amparore D, Autorino R, Dasgupta P, et al. Development and validation of 3D printed virtual models for robot-assisted radical prostatectomy and partial nephrectomy: urologists’ and patients’ perception. World J Urol. 2018 Feb; 36(2): 201-207. https://doi.org/10.1007/s00345-017-2126-1
» https://doi.org/10.1007/s00345-017-2126-1 -
10 Cacciamani GE, Okhunov Z, Meneses AD, Rodriguez-Socarras ME, Rivas JG, Porpiglia F, et al. Impact of three-dimensional printing in urology: state of the art and future perspectives. A systematic review by ESUT-YAUWP Group. Eur Urol. 2019 Aug; 76(2): 209-221. https://doi.org/10.1016/j.eururo.2019.04.044
» https://doi.org/10.1016/j.eururo.2019.04.044 -
11 Shin T, Ukimura O, Gill IS. Three-dimensional printed model of prostate anatomy and targeted biopsy-proven index tumor to facilitate nerve-sparing prostatectomy. Eur Urol. 2016 Feb; 69(2): 377-379. https://doi.org/10.1016/j.eururo.2015.09.024
» https://doi.org/10.1016/j.eururo.2015.09.024 -
12 Porpiglia F, Fiori C, Checcucci E, Amparore D, Bertolo R. Hyperaccuracy three-dimensional reconstruction is able to maximize the efficacy of selective clamping during robot-assisted partial nephrectomy for complex renal masses. Eur Urol. 2018 Nov; 74(5): 651-660. https://doi.org/10.1016/j.eururo.2017.12.027
» https://doi.org/10.1016/j.eururo.2017.12.027 -
13 Fan G, Meng Y, Zhu S, Ye M, Li M, Li F, et al. Three-dimensional printing for laparoscopic partial nephrectomy in patients with renal tumors. J Int Med Res. 2019 Sep;47(9): 4324-4332. https://doi.org/10.1177/0300060519862058
» https://doi.org/10.1177/0300060519862058 -
14 Shao P, Tang L, Li P, Xu Y, Qin C, Cao Q, et al. Application of a vasculature model and standardization of the renal hilar approach in laparoscopic partial nephrectomy for precise segmental artery clamping. Eur Urol. 2013 Jun; 63(6): 1072-1081. https://doi.org/10.1016/j.eururo.2012.10.017
» https://doi.org/10.1016/j.eururo.2012.10.017 -
15 Denizet G, Calame P, Lihoreau T, Kleinclauss F, Aubry S. 3D multi-tissue printing for kidney transplantation. Quant Imaging Med Surg. 2019 Jan; 9(1): 101-106. https://doi.org/10.21037/qims.2018.10.16
» https://doi.org/10.21037/qims.2018.10.16 -
16 Kusaka M, Sugimoto M, Fukami N, Sasaki H, Takenaka M, Anraku T, et al. Initial experience with a tailor-made simulation and navigation program using a 3-D printer model of kidney transplantation surgery. Transplant Proc. 2015 Apr; 47(3): 596-599. https://doi.org/10.1016/j.transproceed.2014.12.045
» https://doi.org/10.1016/j.transproceed.2014.12.045 -
17 Uwechue R, Gogalniceanu P, Kessaris N, Byrne N, Chandak P, Olsburgh J, et al. A novel 3D-printed hybrid simulation model for robotic-assisted kidney transplantation (RAKT). J Robot Surg. 2018 Sep; 12(3): 541-544. https://doi.org/10.1007/s11701-018-0780-y
» https://doi.org/10.1007/s11701-018-0780-y -
18 Zhang J, Yan H, Xue W, Zheng J, Li X, Hao L, et al. 3D printing technology in open living donor nephrectomy. Chin Med J (Engl). 2022 Sep 5; 135(17): 2140-2141. https://doi.org/10.1097/CM9.0000000000001996
» https://doi.org/10.1097/CM9.0000000000001996 -
19 Kwapisz M, Kieszek R, Bieniasz M, Jędrzejko K, Nita M, Sułkowska K, et al. Do anatomical anomalies affect the results of living donor kidney transplantation? Transplant Proc. 2018 Jul; 50(6): 1669-1673. https://doi.org/10.1016/j.transproceed.2018.03.119
» https://doi.org/10.1016/j.transproceed.2018.03.119 -
20 Pinto MS, Mitre AI, Sheepmaker R, Nahas WC, Dénes FT, Coelho RF, et al. Evaluation of cadaveric renal vein lengths and their extension loss with three types of ligature and section. J Endourol. 2009 Jun; 23(6): 995-1000. https://doi.org/10.1089/end.2008.0604
» https://doi.org/10.1089/end.2008.0604 -
21 Özdemir-van Brunschot DMD, Rottier SJ, den Ouden JE, van der Jagt MF, d’Ancona FC, Kloke H, et al. Preoperative CT-angiography predicts ex vivo vein length for right kidneys after laparoscopic donor nephrectomy. Ann Transplant. 2015 Sep 10; 20: 532-538. https://doi.org/10.12659/AOT.894131
» https://doi.org/10.12659/AOT.894131 -
22 Fink C, Hallscheidt PJ, Hosch WP, Ott RC, Wiesel M, Kauffmann GW, et al. Preoperative evaluation of living renal donors: value of contrast-enhanced 3D magnetic resonance angiography and comparison of three rendering algorithms. Eur Radiol. 2003 Apr; 13(4): 794-801. https://doi.org/10.1007/s00330-002-1642-5
» https://doi.org/10.1007/s00330-002-1642-5 -
23 Tombul ST, Aki FT, Gunay M, Inci K, Hazirolan T, Karcaaltincaba M, et al. Preoperative evaluation of hilar vessel anatomy with 3-D computerized tomography in living kidney donors. Transplant Proc. 2008 Jan-Feb; 40(1): 47-49. https://doi.org/10.1016/j.transproceed.2007.11.045
» https://doi.org/10.1016/j.transproceed.2007.11.045 -
24 Aghayev A, Gupta S, Dabiri BE, Steigner ML. Vascular imaging in renal donors. Cardiovasc Diagn Ther. 2019 Aug; 9 (Suppl 1):S116-S130. https://doi.org/10.21037/cdt.2018.11.02
» https://doi.org/10.21037/cdt.2018.11.02 -
25 Sebastià C, Peri L, Salvador R, Buñesch L, Revuelta I, Alcaraz A, et al. Multidetector CT of living renal donors: lessons learned from surgeons. Radiographics. 2010 Nov; 30(7): 1875-1890. https://doi.org/10.1148/rg.307105032
» https://doi.org/10.1148/rg.307105032 -
26 El-Mahrouk M, Lukenaite B, Stoyanov T, Geisler A, Lederer A, Karitnig R, et al. Feasibility of 3D vascular reconstruction for preoperative planning in robotic living donor nephrectomy: a retrospective pilot study. Front Surg. 2026 Feb; 13. https://doi.org/10.3389/fsurg.2026.1690717
» https://doi.org/10.3389/fsurg.2026.1690717 -
27 Li X, Xia F, Chen L, Zhang X, Mo C, Shen W. One-stop preoperative assessment of renal vessels for living donors with 3.0 T non-contrast-enhanced magnetic resonance angiography: compared with computerized tomography angiography and surgical results. Br J Radiol. 2021 Dec; 94(1128): 20210589. https://doi.org/10.1259/bjr.20210589
» https://doi.org/10.1259/bjr.20210589
Editado por
-
Editora de Seção:
Ilka de Fátima Santana F. Boin https://orcid.org/0000-0002-1165-2149



Fonte: Elaborada pelos autores.
Fonte: Elaborada pelos autores.