A compreensão da forma e da estrutura celular é, talvez, um dos marcos mais importantes da Biologia. Desde a descoberta da célula por Hooke em 1665 até a formulação da teoria celular por Schleiden e Schwann, foram quase 200 anos de pesquisas. Todos esses avanços ocorreram paralelamente aos avanços da microscopia. Tipos celulares foram sendo descritos, organelas caracterizadas e a atividade celular nos tecidos foi sendo mais bem conhecida. Atualmente, admite-se aproximadamente 250 tipos celulares diferentes, e é nesse ponto que levantamos uma discussão: como falar sobre uma célula de uma forma mais introdutória? Este artigo discute o conceito de uma “célula típica”. Acreditamos que isso traz uma visão deturpada aos alunos em formação que é difícil de mudar. As células têm uma morfologia adaptada à sua função e, da mesma forma, têm um conteúdo citoplasmático (organelas, componentes do citoesqueleto, etc.) adequado à sua função. Esse aspecto se perde muitas vezes no conceito de uma “célula típica”. Discutimos neste texto uma forma alternativa de abordar a questão, embora não tenhamos a intenção de esgotar o tema. Existem muitas maneiras de quebrar o paradigma da célula típica e, aqui, temos apenas a pretensão de apresentar uma delas.
Palavras-chave:
célula eucariótica; célula típica; morfologia celular; função celular; concepções errôneas
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