Open-access Kátia Tônkyre, a guerreira que se forjou na luta

Kátia Tônkyre, the warrior who forged herself in the fight

Resumo

A presente contribuição, em formato de ensaio fotográfico, visa apresentar a trajetória de vida e liderança de Kátia Tônkyre (Kátia Silene Valdenilson), a primeira mulher cacica da aldeia Akrãtikatêjê, localizada na Reserva Indígena Mãe Maria (RIMM), no sudeste do Pará. O objetivo é realizar a apresentação visual de sua trajetória como líder, mãe, avó e defensora dos direitos indígenas. Por meio do registro de momentos importantes de luta pela terra, cultura e direitos do povo Akrãtikatêjê e dos povos da RIMM, concebe-se a imagem como registro da história de vida e da trajetória, compreendida como documento, no sentido de romper com a invisibilidade das mulheres que são lideranças indígenas no Brasil contemporâneo, refletindo a força e a resiliência de Kátia Tônkyre.

Palavras-chave
Kátia Tônkyre; Liderança Akrãtikatêjê; História de vida; Resistência

Abstract

This photo essay presents the life and leadership trajectory of Kátia Tônkyre (Kátia Silene Valdenilson), the first female chief of the Akrãtikatêjê village, located in the Mãe Maria Indigenous Reserve (RIMM), in southeastern Pará. The purpose is to visually present her trajectory as a leader, mother, grandmother and defender of the rights of her people. By documenting key moments in her struggle for the land, culture and rights of the Akrãtikatêjê People and the Peoples of the Mãe Maria Indigenous Reserve, the image is conceived as a record of her life story and trajectory, a visual document that challenges the historical invisibility of Indigenous women leaders in contemporary Brazil, reflecting the strength and resilience of Kátia Tônkyre.

Keywords
Kátia Tônkyre; Akrãtikatêjê leadership; Life story; Resistance

PRIMEIRAS PALAVRAS

Kátia Tônkyre (Kátia Silene Valdenilson) é a primeira liderança feminina e cacica do povo Akrãtikatêjê. Neta de Rõnoré Káprere Pahiti e filha de Hõpryre Ronoré Jopikti Payaré, Kátia é voz firme na defesa dos direitos de seu povo. A trajetória como líder se entrelaça com a vivência como mãe de oito filhos, avó de 17 netos e de uma bisneta.

Kátia se identifica também como defensora do legado do pai Payaré, falecido em 2014, estando em constante atividade para garantir que as futuras gerações deem continuidade ao seu trabalho, fortalecendo as tradições e garantindo a defesa do território.

O trabalho busca não apenas evidenciar a trajetória de Kátia, mas promover reflexão sobre a importância do ativismo das lideranças femininas indígenas na resistência cultural e territorial. As imagens contam com descrições que contextualizam e evidenciam momentos importantes da luta de Kátia na defesa dos direitos indígenas, compondo testemunho visual da força da mulher indígena, que representa muito mais do que sua aldeia, representa também a resiliência e o compromisso com a valorização dos povos indígenas no Brasil.

Este ensaio fotográfico registra momentos da vida de Kátia. As imagens escolhidas e indicadas por ela narram sua jornada pessoal e coletiva, mostrando o envolvimento em causas locais, regionais, nacionais e em fóruns internacionais, dando visibilidade aos povos indígenas e, especialmente, às mulheres lideranças, ainda frequentemente invisibilizadas. A trajetória de Kátia se destaca pela força e resiliência de uma liderança mulher que se forjou na luta pela defesa da cultura, da terra e da dignidade de seu povo.

As imagens apresentadas estão organizadas em blocos temáticos, relacionados à trajetória da minha interlocutora, que selecionou cuidadosamente como gostaria de ser representada e conhecida e que momentos considera importante mostrar. O diálogo com Kátia foi facilitado por alguns fatores: o primeiro é de também ser indígena, da etnia Xerente, do hoje estado do Tocantins, e conhecer Kátia desde minha infância; o segundo é o diálogo que tenho estabelecido com ela em função da escrita da minha dissertação de mestrado, intitulada “O território somos todos nós: os Akrãtikatêjê e o direito à consulta prévia, livre e informada”, onde discuto o direito do povo Akrãtikatêjê à consulta livre, prévia e informada, conforme determina a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT, 1989).

A sequência em que os blocos temáticos de imagens estão organizados segue a lógica que parte do cotidiano na aldeia, no território, para ações protagonizadas por Kátia em Marabá, no estado do Pará, e com parentes de outras etnias e estados. Na sequência, estão imagens que registram a participação em eventos nacionais e internacionais. Para finalizar, destaca-se as ocasiões em que a cacica teve seu trabalho reconhecido e premiado. Juntamente com imagens que mostram as diversas faces de uma liderança indígena mulher na defesa de direitos, estão imagens com a família, que destacam a maternidade e o cuidado com os seus e com o território, a casa dos Akrãtikatêjê e dos demais povos que vivem hoje na RIMM.

Os Akrãtikatêjê se autoidentificam como ‘povo da montanha’, por ocuparem historicamente a área onde hoje está o lago da hidrelétrica de Tucuruí, de onde foram removidos para serem realocados em Mãe Maria.

A TRAJETÓRIA DE KÁTIA TÔNKYRE EM IMAGENS

No bloco de imagens inicial, referente à vida cotidiana de Kátia no seu território, apresenta-se momentos em família, em atividades de pesca e descontração, tal qual é vivenciado em coletividade.

A Figura 1 registra atividade de pescaria tradicional com a comunidade no lago que fica na entrada da aldeia. A pescaria, além de ser parte das atividades de subsistência dos Akrãtikatêjê, é momento de confraternização das diferentes gerações, quando compartilham saberes sobre a importância de manter vivas as práticas culturais. A pescaria também remete às memórias do território ancestral de onde a comunidade foi deslocada compulsoriamente na década de 70. Para Kátia Tônkyre (comunicação pessoal, 2023)1, “esse lago guarda a memória de nossos antepassados, de quando vivíamos na montanha”.

Figura 1
Pescaria tradicional no lago da aldeia.

Na Figura 2, Kátia está com as netas gêmeas, Printikwyi e Kyxáre, sobre quem assumiu o cuidado desde o nascimento, quando sua filha, Totoure Hompryti, faleceu depois de complicações no parto. Para a líder, a formação de lideranças mulheres é uma pauta urgente, por isso incentiva as filhas e netas a buscarem formação escolar e o ensino superior, da mesma forma como faz com os filhos, que estão se preparando para o trabalho qualificado na comunidade. Em suas palavras: “Perder minha filha foi uma dor imensa, mas eu sabia que precisava ser forte, como meu pai sempre foi. Cuidar das minhas netas é manter vivo o legado dela e de toda a nossa família” (Kátia Tônkyre, comunicação pessoal, 2023).

Figura 2
Kátia Tônkyre: mãe, avó e bisavó.

Na Figura 3, Kátia está na abertura de exposição fotográfica que faz parte de homenagem especial ao seu pai, Payaré, um dos grandes líderes do povo Akrãtikatêjê. O quadro retrata Payaré em momento significativo com netos, visitando o lago de Tucuruí, onde estava localizada a antiga aldeia Akrãtikatêjê, que foi submersa pela construção da hidrelétrica. A foto simboliza o retorno ao território ancestral e a conexão com a terra que eles foram forçados a abandonar.

Figura 3
Participação na exposição fotográfica em homenagem a Payaré.

A exposição, intitulada “Hiromi Nagakura até a Amazônia com Ailton Krenak” (Automatica, s.d.), destaca o papel central dos povos indígenas na defesa da floresta, evidenciando a importância das lutas: “Essa exposição é uma maneira de manter viva a memória do meu pai e de tudo o que ele nos ensinou” (Kátia Tônkyre, comunicação pessoal, 2024).

As lentes registraram o momento histórico de quando Kátia assinou o documento oficial da terra, recebido pelos Akrãtikatêjê como ‘compensação’ pelas Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. (Eletronorte) pelos danos causados ao território tradicional do povo Akrãtikatêjê, inundado pela construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí (Figura 4). Esse ato representa, mesmo como uma justiça tardia, o reconhecimento e a mitigação pelas perdas territoriais sofridas, quando foram forçados a abandonar o território ancestral.

Figura 4
Assinatura da transferência de terras em compensação pelos danos causados ao território tradicional do povo Akrãtikatêjê.

Infelizmente, Payaré, que começou a luta, faleceu antes da decisão judicial que fez justiça aos Akrãtikatêjê. Para honrar a memória do pai, Kátia dá continuidade ao legado, certa de que muitas das violências sofridas não poderão ser compensadas.

Meu pai lutou a vida inteira para que esse dia chegasse. Hoje eu assino por ele, sabendo que, mesmo ausente, ele está presente em cada vitória que conquistamos. Essa terra é uma compensação, mas jamais substituirá o que perdemos em nossa antiga aldeia

(Kátia Tônkyre, comunicação pessoal, 2023).

Kátia é protagonista em diversos projetos na aldeia e em Marabá e, entre eles, destaca parceria com o Serviço Nacional da Aprendizagem Industrial (SENAI) e a Queste Modas, em Marabá, que, junto às comunidades indígenas, realizou exposição de roupas com motivos de pinturas tradicionais (Figura 5): “Só gratidão por essa oportunidade. Somos capazes de chegar onde queremos, não só na cultura, mas também nos trabalhos profissionais. Temos talentos escondidos e a sociedade precisa nos dar mais oportunidades” (Kátia Tônkyre, comunicação pessoal, 2023).

Figura 5
Incentivo à produção de arte indígena através da moda.

A Figura 6 expressa o encontro com as parentes do povo Arara, em Rondônia, um momento de troca de saberes, que reflete o espírito de cooperação e aprendizado mútuo entre diferentes povos indígenas. Kátia valoriza as oportunidades de aprendizado e fortalecimento das lideranças femininas indígenas, promovendo o intercâmbio de conhecimentos tradicionais: “Espero um dia ver o resultado da semente que plantei em cada fala minha deixada no território de vocês, cuidem com amor e reguem todos os dias, para elas crescerem e que produza bons frutos” (Kátia Tônkyre, comunicação pessoal, 2023).

Figura 6
Troca de saberes com as mulheres indígenas do povo Arara, em Rondônia.

Na Figura 7, Kátia Tônkyre está com os parentes doutores indígenas, Rosani Kamury Kaingang (Rosani de Fátima Fernandes), Almires Martins Machado, ambos da etnia Guarani/Terena, e Uwira Xakriabá (William César Lopes Domingues), da etnia Xakriabá, no evento da 76ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na Universidade Federal do Pará (UFPA), realizada em Belém no período de 7 a 13 de julho de 2024.

Figura 7
Participação em evento acadêmico com parentes doutores indígenas.

Kátia, além da atuação como líder comunitária, é uma reconhecida palestrante em universidades de todo o Brasil, abordando temas como cultura, racismo e impactos negativos da mineração. Ela compartilha conhecimentos, na condição de ‘doutora’, como ela se identifica, pelos muitos conhecimentos que socializa em diversas instituições. Além disso, Kátia lidera a construção de currículos e outros documentos referentes à educação escolar indígena. Kátia expressa satisfação em estar presente nesses espaços de formação e troca de saberes: “Eu sempre me coloco, eu também sou doutora, devido ao meu conhecimento, ao meu saber notório. Cada vez que eu sento com os professores indígenas, aprendo coisas novas. A universidade é minha casa” (Kátia Tônkyre, comunicação pessoal, 2023).

A Figura 8 mostra Kátia participando do 29º Encontro Nacional de Economia Política, realizado na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA). Como palestrante, discute a importância de incluir a economia indígena nos debates acadêmicos e nos espaços de formulação de políticas públicas, conectando sua experiência com as lutas mais amplas dos povos indígenas: “Nossa vivência é essencial para o debate sobre sustentabilidade” (Kátia Tônkyre, comunicação pessoal, 2024).

Figura 8
Discussão acadêmica na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA).

O acesso à escola e à educação intercultural e diferenciada é parte da agenda de luta de Kátia. Na Figura 9, ela está com Francisco Ribeiro Costa, reitor da UNIFESSPA, Gilmar Pereira da Silva, reitor da UFPA, o deputado federal Airton Faleiro e outras autoridades políticas para discutir a criação de uma extensão universitária na aldeia Akrãtikatêjê. O objetivo dessa iniciativa é oferecer educação superior para os povos da região, possibilitando que indígenas tenham acesso à formação acadêmica sem precisar deixar as comunidades.

Figura 9
Reunião com reitores e políticos para discussão sobre extensão universitária na aldeia Akrãtikatêjê.

Na Figura 10, Kátia está em Brasília, com a filha Takwyti Hompryti e com Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O encontro teve como objetivo apresentar os projetos voltados ao desenvolvimento sustentável e à agricultura familiar na aldeia Akrãtikatêjê, a fim de buscar apoio para eles. Kátia, sempre engajada em fortalecer a comunidade, vê essas parcerias como forma de promover o desenvolvimento econômico e social dos povos indígenas.

Figura 10
Busca por parcerias em Brasília para projetos da comunidade.

A Figura 11 traz o momento em que Kátia entregou carta ao secretário de Meio Ambiente do Pará, Raul Protázio Romão, em nome dos povos indígenas, reivindicando o respeito aos modos de vida e aos direitos dos povos originários. A carta exige a criação de decreto que reconheça e proteja os direitos dos povos indígenas do Pará, especialmente em questões relacionadas à preservação ambiental e à escuta das lideranças indígenas por parte do governo.

Figura 11
Entrega de carta ao secretário de Meio Ambiente em Defesa dos Povos Indígenas.

Kátia esteve no Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), em Turrialba, na Costa Rica, onde participou de discussões sobre sustentabilidade e agricultura em contextos indígenas (Figura 12).

Figura 12
Participação no Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Ela também discursou no Tribunal Internacional pelos Direitos da Natureza (Figura 13), enfatizando a relação entre a proteção do meio ambiente e a defesa dos direitos ancestrais dos povos originários. Ao longo de sua trajetória, ela tem sido voz ativa na defesa dos territórios indígenas, denunciando violações de direitos e promovendo ações que visam à proteção ambiental e cultural. Durante o evento, destacou a importância de se reconhecer os direitos da natureza como parte integral dos direitos dos povos indígenas: “A natureza é nossa mãe. Não podemos falar em proteger os direitos indígenas sem falar em proteger a terra, os rios e as florestas. Sem eles, nós também morremos” (Kátia Tônkyre, comunicação pessoal, 2023).

Figura 13
No Tribunal Internacional pelos Direitos da Natureza.

A Figura 14 é um cartaz que notabiliza a cacica Kátia Tônkyre, premiada internacionalmente com o título de “A alma da ruralidade”. Esse reconhecimento foi concedido pelo IICA, em reconhecimento ao seu trabalho de liderança em defesa do meio ambiente, especialmente no contexto da produção sustentável. Kátia, que tem lutado pela proteção do território e da Amazônia, se destacou por iniciativas de organização comunitária e projetos que aliam produção e sustentabilidade.

Figura 14
Premiação internacional “A alma da ruralidade”.

O prêmio, entregue durante evento na Costa Rica, ressalta a importância da liderança de Kátia no cenário internacional, que inspira outros povos e comunidades: “Meu pai sempre dizia que proteger nossa terra era proteger nossa alma. Hoje, eu recebo esse prêmio em nome dele e de toda a nossa comunidade, porque nossa força vem da nossa terra e da nossa cultura” (Kátia Tônkyre, comunicação pessoal, 2023).

Kátia é uma das protagonistas do documentário “Pisar suavemente na terra” (Figura 15), produzido pela Revista Amazônia Latitude e dirigido por Colón (2022). O documentário narra a relação entre os povos indígenas e a preservação da floresta amazônica, destacando como as tradições, a espiritualidade e os modos de vida estão conectados à defesa do meio ambiente. Ela compartilha sabedoria e vivências, oferecendo ao público reflexões sobre o modo de vida dos povos originários e sua relevância para a sustentabilidade do planeta: “A Amazônia não é apenas nossa casa, ela é parte de quem somos” (Kátia Tônkyre, comunicação pessoal, 2023).

Figura 15
Documentário “Pisar suavemente na terra”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As imagens apresentadas neste ensaio fotográfico documentam a trajetória de Kátia Tônkyre, liderança forte e inspiradora que luta pelo fortalecimento da cultura, bem como da segurança alimentar e territorial. Por meio das imagens, é possível conhecer um pouco do protagonismo da líder, que atua de forma ativa não somente nas discussões locais e regionais, mas está fazendo incidência em discussões em outros países, onde o trabalho que realiza é reconhecido. Defensora da autonomia e da autodeterminação dos povos indígenas e consciente da sua liderança enquanto mulher, Kátia debate temas como sustentabilidade, direitos humanos e indígenas, educação, economia e arte indígena. Por meio da promoção de atividades de autossustentabilidade na comunidade, Kátia tem sido pioneira em muitos projetos inovadores no seu território, servindo de inspiração e motivação para a família, para seu povo e para as futuras gerações de lideranças indígenas.

DADOS DA PESQUISA

Os dados não foram depositados em repositório.

  • Sompré, J. U. (2025). Kátia Tônkyre, a guerreira que se forjou na luta. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, 20(3), e20250017. doi: 10.1590/2178-2547-BGOELDI-2025-0017.
  • PREPRINT
    Não foi publicado em repositório.
  • AVALIAÇÃO POR PARES
    Avaliação duplo-cega, fechada.
  • 1
    Trechos de entrevista concedida a José Ubiratan Sompré, em Bom Jesus do Tocantins, na Reserva Indígena Mãe Maria, aldeia Akrãtikatêjê.

REFERÊNCIAS

Editado por

  • Responsabilidade editorial:
    Jimena Felipe Beltrão

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    12 Jan 2026
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    11 Ago 2025
  • Aceito
    30 Set 2025
location_on
MCTI/Museu Paraense Emílio Goeldi Coordenação de Pesquisa e Pós-Graduação, Av. Perimetral. 1901 - Terra Firme, 66077-830 - Belém - PA, Tel.: (55 91) 3075-6186 - Belém - PA - Brazil
E-mail: boletim.humanas@museu-goeldi.br
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