Este artigo analisa as arquiteturas produzidas nos quilombos do território paraense, durante o século XIX. O principal objetivo é evidenciar como a cultura material dos quilombos da Amazônia paraense apresenta técnicas e saberes construtivos de origem e influência indígenas. Por meio de análise documental qualitativa que trata sobre invasões e combates aos quilombos, bem como publicações de viajantes estrangeiros, no século XIX, comprovou-se que as arquiteturas quilombolas apresentam estilos, sistemas construtivos e linguagens que são resultantes da relação intrincada entre negros e indígenas na Amazônia brasileira. A análise aponta que, de fato, os quilombolas intercambiaram conhecimentos construtivos especializados com algumas nações indígenas que, por vezes, coabitaram pacificamente seus territórios ou ainda estabeleceram relações mais íntimas, como matrimônio. Comprovou-se também que a presença indígena como parte importante da formação cultural dos quilombos paraenses é reafirmada nos discursos dos grupos atuais, que preservam inúmeras técnicas e linguagens construtivas de seus antepassados.
Palavras-chave
Arquitetura; Quilombos; Indígenas; Negros; Amazônia paraense
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