Resumo
O conflito pelo uso e pela ocupação dos espaços nas cidades amazônicas vem ocorrendo pela cobiça de ecossistemas com grande potencial econômico, social e cultural. Em contrapartida, territórios sem vínculos oficiais e de ações comunitárias mantêm-se firmes na luta por espaços (in)visíveis, onde vê-se um intenso fluxo de saberes, resistência e emancipação. Esses territórios são também manifestados por meio da arte literária – a arte do sonhar, escrever e valorizar a palavra (escrita, dita e recriada). Assim, este texto trata de encontros mediados pelo livro, pelo acolhimento e pela comunicação afetiva (das oralidades, ancestralidades e narrativas que passam a ser contadas, criadas e recriadas).
Palavras-chave
Ocupação do solo; Cidades; Floresta urbana; Resistência e manifestações literárias; Ponta de Pedras
Abstract
The conflict over the use and occupation of spaces in Amazonian cities has been driven by the pursuit of their coveted ecological, economic, social, and cultural potential. In contrast, spaces without official ties and community actions are highly relevant in the struggle for (in)visible spaces, where an intense flow of knowledge, resistance, and emancipation takes place. These spaces are manifested through the art of literature – the art of dreaming, writing and the valorization of words (written, spoken and recreated); encounters through books, welcoming and affective communication (oral traditions, ancestral traditions and narratives that are now told, created and recreated).
Keywords
Land occupation; Cities; Urban forest; Resistance and literary manifestations; Ponta de Pedras
INTRODUÇÃO
Na grande boca do rio das Amazonas está atravessada uma ilha de maior comprimento e largueza que todo o reino de Portugal . . . É a ilha toda composta de um confuso e intrincado labirinto de rios e bosques espessos; aqueles com infinitas entradas e saídas, estes sem entrada nem saída alguma
(Vieira, 1654).
Ah, eu quisera ser aquela árvore coberta pelas garças brancas de vôo incerto! Árvore plantada pelo acaso à margem do rio enorme!
(Camarão, 1995).
Não podemos pensar em espaços, seja geograficamente ou historicamente – digo, espaços onde o meio natural e social estão em ação –, sem pensarmos em conflitos. O sistema capitalista de produção percebe todos esses meios, assim como nossos conhecimentos tradicionais, como fonte de renda e de lucro, tratando-os como recurso voltado para geração e acumulação de capital. Além disso, faz de nossa força de trabalho seu próprio meio de geração/acumulação. Por isso, os territórios e suas agências do sagrado e pertencimento não são vistos como espaços plenos de significado para o capital, sendo apenas solo; tudo é rentável para esse sistema. Para Fanon (1968, p. 26): “o colono e o colonizado são velhos conhecidos”.
Quando pensamos nesses espaços mediante os conflitos e colocamos a luta pelas palavras no meio deles, temos a consciência de que, além de ser improdutiva para o capital, é uma forma de ir contra a sua hegemonia. Creio profundamente na emancipação social por meio da leitura, em uma formação que une saberes tradicionais e tecnologias alternativas. O livro, apesar de ter pertencido à lógica do colono, hoje é utilizado a nosso favor, assim como a literatura, e se soma às nossas oralidades e às nossas performances.
O objeto livro precisou ser conquistado, assim como a leitura, a escrita, o conhecimento e a sua produção, pois, por muito tempo, ficou restrito a determinados grupos (colonos e donos de terras), criando restrições de leitura. Ao pensar o livro, a leitura, o sarau e as muitas performances nas realidades das várzeas, em que a narrativa e a oralidade são fundantes, não estamos substituindo uma pela outra, mas somando-as em nossas muitas frentes de resistência.
FORMAÇÃO SOCIAL, PESSOAL E COMUNITÁRIA EM TORNO DO LIVRO
Tive minha formação social, pessoal e comunitária em torno do livro. Ainda na adolescência, participava de sarais (cafés literários) feitos na minha cidade por um grupo de professoras/es. Ali, nascia o encanto pelo livro, via na leitura um prazer sem igual. E penso que, sem essa oportunidade junto delas/es, a paixão pelo livro não viria.
Vale ressaltar que a experiência de leitura é, sim, muito profunda, social e cultural, mas também é pessoal. O que eu não sabia explicar, e continuo sem saber, sobre ortografia e gramática, aprendi lendo. E, de alguma forma, foi um conhecimento que partiu de uma ação prática, como os vários meios de transmissão de conhecimento que obtive, enquanto ribeirinho, ao longo da vida.
Prova disso são as outras perspectivas possíveis, como bem nos ensinou a poeta marajoara Adalcinda Camarão (1995) que, parafraseando a poeta, podemos ter o desejo e ser uma árvore plantada junto ao rio enorme, rio esse que é a fonte de nossas vidas. Ter uma forma de vida menos degradante e nos fortalecermos a partir dela. Isso representa a poética como uma visão de via e uma leitura aprofundada das identidades que estão em constante fluxo e/ou trocas.
E, assim como o capital e sua lógica são crescentes, os espaços alternativos também crescem fora de sua lógica perversa. Preciso narrar o percurso desse projeto que, como um rio enorme, atravessa minha vida, pois falar dos saraus na Casa do Poeta, que depois viria a se chamar Espaço Cultural Casa do Poeta (ECCP), é falar de uma parte profunda da minha própria vida, algo que se tornou uma luta coletiva pelo direito de existir e pelo direito à leitura.
Vivo numa casa que o luto me emprestou, é nela que sigo minha vida, mas sempre tendo que lidar com esse peso que é a morte de quem amo, no meu caso, pai e mãe, e é também onde moram tantas memórias. Quando retornei para Ponta de Pedras (Marajó), voltei para essa casa.
E, como esperado, não estava sabendo lidar com a minha dor. Foi quando, numa tarde, pensei em fazer um sarau, reunir pessoas para celebrar, com a poesia, a vida que, naquele momento, parecia tão dolorosa. E assim tivemos o primeiro sarau. As pessoas iam chegando e perguntavam: “O que é isso, sarau?”. E eu sempre dizia: “É tudo que queremos que seja, com muita poesia presente”.
Essas duas coisas foram fundamentais. Além disso, eu já atuava como técnico (assistente social) no Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) e sabia que tínhamos poucos espaços que pudessem oferecer esses momentos de troca. E, como eu estava impregnado de tudo, o sarau fez surgir as rodas de conversa.
Essas rodas de conversa ganharam muito fluxo, assim como a leitura dos poemas. Estávamos diante de duas coisas importantes: os poemas, através das leituras, para nos ajudar a colocar para fora o que por dentro era dor; e o momento da conversa, em que sempre tínhamos um tema sobre o qual falávamos e ouvíamos.
A casa é emprestada pelo luto, casa em que meus pais moravam e onde passei a infância, casa em que volto a morar e a ser seu habitante, casa que fica numa área de várzea periférica que, diante dos conflitos presentes hoje na Amazônia, é tão pequena. Mas, quando junta pessoas, poesia (literatura), sonhos e enfrentamentos, parece enorme.
Para Oliveira et al. (2013), o método dialético, na teoria marxista, considera que nenhum fenômeno seja visto como isolado. Metodologicamente, este trabalho foi feito a partir de uma etnografia quase autoetnografia, considerando uma análise crítica que se firma no marxismo.
Através dos relatos dos interlocutores, de maneira colaborativa, assim como nos aponta Smith (2018), devo relatar que este texto foi feito a partir de um registro pessoal, considerando a possibilidade de uma autoetnografia, em que a observação participativa deu base para a escrita etnográfica.
Geertz (1978) argumenta que, na antropologia, o que nós, os praticantes, fazemos é etnografia. E é nesse jogo de compreensão de uma prática etnográfica em diversas possibilidades, é que se começa a entender o que representa uma análise antropológica, a qual não pode ser resumida à questão metodológica, pois, a praticar desse modo de escrita e percepção, se dar no estabelecimento de relações com os interlocutores.
Para Boas (2004), o interesse da pesquisa se estabelecia na diversidade das características dos grupos humanos, nas mais diversas áreas geográficas e em diferentes classes sociais. Geertz (1978) argumenta que apenas no fazer etnográfico a prática antropológica torna-se possível. Ambas as visões ainda dizem muito do que nos propomos hoje, ainda estudamos as mais diversas realidades geográficas e sociais, ainda temos a etnografia como centralidade dos nossos trabalhos.
Porém, podemos perceber que se gestou esse fazer antropológico, e hoje temos uma fricção crítica dele, como em Abu-Lughod (2018), que argumenta sobre a ausência do movimento feminista dentro da construção de um pensamento antropológico e nos ajuda a pensar em diversas outras questões que têm sido colocadas quanto à ‘verdade etnográfica’.
ESPAÇO, FLORESTA E CONFLITOS: POR UMA NÃO SÍNTESE
A floresta amazônica, fauna habitada, cidades-florestas e florestas-cidades, não apenas tem seus espaços marcados por uma diversidade social, cultural e espacial, como também é palco de movimentos complexos, onde humanos, não humanos, natureza, arte, conflito e águas se encontram (Carmo & Costa, 2019). Logo, podemos pensar esse cenário também em sua dimensão poética e simbólica, sobre o qual a leitura antropológica debruça sua atenção. Sobre isso, Perin (2021, p. 299) afirma:
Como aponta Clifford (1986), poética e política são inseparáveis, pois as escolhas estéticas ou estilísticas de um texto estão em si mesmas imbricadas em relações de poder. Assim, duas questões vão marcar esta discussão: a impossibilidade de um observador que pode dar conta de um todo (a cultura, a organização social, uma cosmologia, a tradição etc.) e as limitações do pesquisador não só em representar o outro, mas também em apreender a voz do outro.
Quando refletimos sobre vozes, conflitos, poéticas e signos de cidades amazônicas, como Ponta de Pedras, onde as relações se baseiam em conflitos que vêm atravessando o tempo, não podemos deixar de pensar que nós (e nossos outros, antepassados) criamos formas de resistir. E não apenas isso, mas também entender que poética e política são inseparáveis, dentro de nossas limitações.
Seja na ocupação e manejo do solo, nas práticas de cura, no navegar, nas narrativas e saberes das/os ribeirinhas/os, é possível perceber a poética frente ao conflito. Perin (2021, p. 300) afirma que: “Não escapamos, nesse sentido, do trabalho de artesanato e arranjo das análises, descrições, categorizações, comparações ou contextualizações”. Estamos imersos nos conflitos e nos processos de resistências.
Então, passamos a perceber essas duas coisas não mais separadamente – poética e política –, mas como se fossem complementares uma à outra na leitura antropológica. Lembro-me de ter a ideia da cidade Belém como uma metrópole da Amazônia, e não na Amazônia, como se uma pudesse ser sem a outra. Gosto de pensar que vivemos em florestas habitadas, habitadas por nós, e por muitas outras formas de vida e seres. Assim como a floresta nos habita.
As formas de uso e ocupação do espaço vêm, ao longo do tempo, se mostrando conflituosas e plurais, e, em Ponta de Pedras, não se faz diferente, pois, segundo Carmo e Costa (2019), essas cidades: “. . . possuem rugosidades do ‘antigo urbano’ ou das antigas formas de organizações espaciais que ainda são visíveis”.
Ou seja, o novo e o velho estão em convivência e conflito, o natural e o social transformam o espaço. Mas onde poderia caber a poesia, justo a essa forma de expressão que parece tão inofensiva? Talvez justamente onde não cabe, e é nesse lugar que ela transforma. De acordo com Agier (2001, p. 9):
A cidade multiplica os encontros de indivíduos que trazem consigo seus pertencimentos étnicos, suas origens regionais ou suas redes de relações familiares ou extrafamiliares. Na cidade, mais que em outra parte, desenvolvem-se, na prática, os relacionamentos entre identidades, e na teoria, a dimensão relacional da identidade.
Logo, como aponta o autor, a cidade multiplica encontros. E, mais que em outros lugares, a cidade é onde as identidades se encontram, onde as relações são cunhadas e mediadas. Como um lugar do conflito, é também o espaço que se modela em um constante processo de avanços e retrocessos.
Lembro, por exemplo, de um rapaz chamado Luís, que foi a um dos saraus e disse que antes escrevia poesia, mas tinha parado. Procurou em seu celular até que encontrou um poema e o leu para nós. Depois desse encontro do sarau, ele disse que voltou a escrever. Assim como muitos, passou a ter a leitura presente em sua vida e a perceber a poesia para além do estético, das escolas literárias, da academia, dos estudos literários. Uma visão que mostra a poesia também como uma forma de expressar a vida.
Carmo e Costa (2019) ressaltam a situação vivida nessas cidades, que não apenas surgem na floresta, mas passam a fazer parte dela, e que, muitas vezes, estão fora da lógica de interesse das políticas públicas e de uma governança justa e atuante:
. . . além de não terem acesso ao tratamento de esgoto, coleta de lixos, também são submissas à atuação de um poder público não muito atuante, assim como há poucos investimentos para amenizar os problemas locais. A partir da década de 1960, novos centros urbanos passaram a surgir e a floresta amazônica passava a vivenciar uma intensificação do processo de urbanização. Um dos motivos da floresta se tornar cada vez mais urbana foi o aumento no número de cidades que surgiam sem ao menos terem sido acompanhadas por políticas públicas.
(Carmo & Costa, 2019, p. 3962).
Se direitos básicos, como saneamento, não têm garantia de implementação pelas políticas públicas, como pensar a literatura/leitura como um direito? O conflito existe, é um fato. Então, restam-nos as formas de lidar com ele, nas mais diversas manifestações da arte, da cultura, da vida, da natureza e dos sonhos.
ESSE INTENSO LABIRINTO TAMBÉM É UM LABIRINTO DE PALAVRAS
Nossa região, assim como tudo o que nos forma, segundo Hauradou e Amaral (2019), tem sido apresentada ao mundo como um reduto de ecossistemas e de espécies de seres que expressam um potencial econômico muito desejado pela lógica mercadológica do capitalismo contemporâneo, sendo, infelizmente, um palco dos conflitos pelo uso da terra e desse espaço complexo, plural, um ‘labirinto de rios’: “Tais conflitos, ora velados, ora combatidos com brutal violência pelo Estado ou por segmentos da sociedade civil (latifundiários, fazendeiros, grileiros, etc.)” (Hauradou & Amaral, 2019, p. 403).
Esse intenso labirinto também é um labirinto de palavras, com muitos afluentes, braços de rios, igarapés, igapós, e também Dalcídio Jurandir, Adalmiro Sidônio, Mestre Damasceno, Mestre Diquinho, Zezinho Viana, Antônio Juraci Siqueira, Maria José Barros de Almeida, Anne Cavalcante, e tantos outros, rios, homens e mulheres que escrevem ou escreveram, cantam a floresta habitada.
Espaços (in)visíveis, como a Academia Ponta-pedrense de Letras (APPL) e seu trabalho na divulgação literária, ou que se entende como o ‘resguardar as letras ponta-pedrenses e marajoaras’, mostram-se uma outra forma de uso e ocupação do espaço e, nesse caso, um espaço invisível que perpassa pelo campo das ideologias.
‘Ocupar’ espaço dentro dessa disputa pelo território é, portanto, ir contra essa lógica da floresta amazônica como apenas um ‘potencial econômico’. Em seu entorno, ou com seu apoio, são realizados eventos, saraus, publicações de livros (de importância histórica, social e cultural para a cidade) e salvaguarda da importância das letras marajoaras.
A APPL foi fundada em 2020, na cidade de Ponta de Pedras, mas foi antes o embrião de outro movimento, como mostram os autores:
A presente academia veio ao longo de quase dezessete anos sendo gestada e planejada dentro da ASPEELPP-DJ (Associação de professores para Estudos e Eventos Literários de Ponta de Pedras - Dalcídio Jurandir), que foi a instituição que tornou possível tal constituição
(Furtado & Costa, 2020).
Logo, essa cidade leitora, apesar de apresentar seus conflitos (in)visíveis, também demonstra um longo percurso pelos caminhos do literário, caminhos esses que foram fundamentais para minha vida como leitor. Foi nesse espaço que me aproximei dos livros, da escrita, dos autores da região e aprendi a ter afetos pelas palavras e a me expressar com elas.
O ECCP localiza-se no bairro do Campinho, numa área de várzea, sendo um espaço marcado pela relação com o extrativismo, pelo cultivo do açaí, pela pesca e pela íntima ligação (geográfica e afetiva) com os rios que o cortam/banham/tomam.
Focando em seus encontros e performances literárias (sarais, oficinas de escrita criativa e promoções que tomam ruas e feiras da cidade), desde 2021, o espaço já realizou vinte e oito saraus, duas oficinas de escrita criativa, uma oficina de criação de livros artesanais, uma oficina de artes visuais, além de lançamentos de livros, dando sentido ou recriando o sentido de um espaço marcado pelo conflito, tornando possível sonhar com uma cidade leitora, de leitores (Figuras 1 a 3).
CONCLUSÃO
Ao longo desses anos de realização de saraus, foi possível perceber um intenso fluxo de saberes, processos de resistência e construção coletiva. Logo, penso que há algo em torno do emancipatório, que, nesses casos, se manifesta como a arte do literário – a arte de sonhar, escrever e valorizar a palavra (escrita, dita, falada, reclamada e recriada).
Com isso, tornam-se possíveis os encontros por meio do livro, o acolhimento e a comunicação afetiva (das oralidades, ancestralidades e narrativas que passam a ser contadas, criadas e recriadas).
O conflito estabelecido continua e continuará firme dentro de uma sociedade fundada no capitalismo, mas esses espaços (in)visíveis mostram outros contornos no uso da cidade habitada e em disputa, permitindo-nos sonhar. Sejam esses espaços de caráter mais formal, como uma academia de letras, uma escola ou uma biblioteca, ou mais coletivos, como o ECCP, associações de moradores e coletivos de arte-cultura, todos mostram caminhos possíveis de enfrentamento e resistência.
Atividades artísticas realizadas no campo do literário, seja na APPL ou no ECCP, apresentam-se como espaços/manifestações de outras formas e maneiras de uso e ocupação da cidade. E cada um apresenta públicos diferentes, modos e formas diversificadas de trabalhar as performances artísticas e criar formas de resistências, usar, ocupar e transformar esse lugar geográfico, político, social e simbólico em disputa.
DADOS DA PESQUISA
Os dados não foram depositados em repositório.
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PREPRINT
Não foi publicado em repositório.
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AVALIAÇÃO POR PARES
Avaliação duplo-cega, fechada.
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Conceição, M. S. C. da. (2025). Espaço cultural Casa do Poeta: saraus, performances e a palavra como transformação. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas, 20(3), e20250012. doi: 10.1590/2178-2547-BGOELDI-2025-0012.
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Editado por
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Responsabilidade editorial:
Jimena Felipe Beltrão




Foto: acervo do autor (2022).
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