Resumo
O surgimento de influentes rankings acadêmicos internacionais ao longo dos anos 2000 expandiu a cultura do ranqueamento na educação superior brasileira e fez com que o assunto se tornasse um emergente campo de estudos. O objetivo deste artigo é mapear a literatura científica brasileira sobre a temática com base na análise dos artigos científicos publicados entre os anos de 2017 e 2022. Por meio da metodologia do estado da arte, foram identificados e mapeados 67 artigos. Os resultados indicam que, a partir da segunda metade da década de 2010, o assunto dos rankings acadêmicos da educação superior passou a ser pesquisado de modo interdisciplinar em instituições de ensino de todas as categorias administrativas e organizações acadêmicas existentes no Brasil, ampliando significativamente as publicações científicas sobre o assunto, além de despertar o interesse de pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e com múltiplas concepções teóricas.
Palavras-chave:
rankings acadêmicos; educação superior; literatura científica brasileira
Abstract
The emergence of influential international academic rankings throughout the 2000s expanded the culture of ranking in Brazilian higher education and transformed the subject into an emerging field of study. The objective of this article is to map Brazilian scientific literature on this topic, based on the analysis of scientific articles published between 2017 and 2022. By applying the state-of-the-art methodology, 67 articles were identified and mapped. The results indicate that, from the second half of the 2010s, the subject of academic rankings in higher education began to be investigated in an interdisciplinary manner within educational institutions of all administrative categories and academic organizations in Brazil. This process significantly broadened scientific publications on the subject and stimulated the interest of researchers from different fields of knowledge with multiple theoretical perspectives.
Keywords:
academic rankings; higher education; Brazilian scientific literature
Resumen
El surgimiento de influyentes rankings académicos internacionales a lo largo de la década de 2000 expandió la cultura del ranking en la educación superior en Brasil e hizo que el tema se convirtiera en un campo de estudio emergente. El objetivo de este artículo es mapear la literatura científica brasileña sobre el tema, a partir del análisis de artículos científicos publicados en Brasil entre 2017 y 2022. Utilizando metodología de última generación, se identificaron y mapearon 67 artículos. Los resultados del mapeo muestran que, a partir de la segunda mitad de la década de 2010, el tema de los rankings académicos en la educación superior comenzó a ser investigado de manera interdisciplinaria en instituciones educativas de todas las categorías administrativas y en los intentos académicos existentes en Brasil, ampliando significativamente las publicaciones científicas sobre el tema, y despertando el interés de investigadores de diferentes áreas del conocimiento y con múltiples concepciones teóricas.
Palavras clave:
rankings académicos; educación superior; Literatura científica brasileña
1 INTRODUÇÃO
A criação de rankings acadêmicos internacionais ao longo dos anos 2000, tais como o Academic Ranking of World Universities (ARWU), mais conhecido como Ranking da Universidade de Xangai, o World University Rankings, produzido pelo Times Higher Education Supplement (THEs) do influente jornal inglês The Times, e o QS World University Rankings, da Corporação Quacquarelli Symonds (QS), em suas versões mundiais e regionais, contribuiu para a expansão de uma cultura de ranqueamento na avaliação externa da educação superior no Brasil e no mundo (Lourenço; Calderón, 2015).
Inicialmente criados para auxiliar estudantes na escolha de cursos e instituições em que estudar, os rankings acadêmicos são mundialmente conhecidos, sejam eles produzidos a partir de avaliações governamentais, ou pelo setor privado. Além de se consolidarem (Marginson, 2014), como afirma Altbach (2012), os rankings alcançaram uma espécie de status icônico na era da globalização, da accountability e do benchmarking, impactando a educação superior em escala global (Gonçalves; Calderón, 2017), principalmente por possuírem indicadores de avaliação relacionados à produção científica, o que estimula as instituições de ensino a envidar esforços cada vez maiores na produtividade em pesquisa, muitas vezes em detrimento das atividades de ensino.
Especificamente no Brasil, a cultura do ranqueamento se fortaleceu com o surgimento de diversos tipos de tabelas classificatórias, tanto na forma de rankings quanto de ratings. Conforme a literatura, os rankings posicionam as Instituições de Ensino Superior (IES) em classificações ordenadas e hierarquizadas a partir dos resultados das avaliações realizadas (Pinho, 2003). Por exemplo, o Ranking Universitário Folha (RUF), do jornal Folha de S. Paulo, classifica as melhores universidades a partir de uma nota geral, de tal modo que a instituição que obtém a melhor nota ocupa o primeiro lugar no ranking, e assim por diante. Os ratings, por sua vez, derivam de avaliações realizadas de acordo com critérios relacionados ao desempenho, padrões ou selos de qualidade (Zuin; Bianchetti, 2023; García Ruiz, 2023). Por exemplo, o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) avalia o rendimento dos concluintes dos cursos de graduação, e as notas finais dos cursos são expressas em uma escala numérica de 1 a 5 (ratings), em que 1 representa a menor nota e 5 a maior.
De acordo com Martins (2023), apesar de serem alvos de ferrenhas críticas por parte de estudiosos da área da educação, os rankings acadêmicos ganharam notoriedade e publicidade junto à sociedade, pois informam, de modo simples e objetivo, a classificação de IES com base nos critérios e metodologias de avaliação utilizados. São informações que auxiliam futuros estudantes e seus familiares, que buscam dados objetivos sobre a qualidade das instituições educacionais em que pretendem estudar.
Acontece que, mesmo com a popularização dos rankings acadêmicos promovida pelos influentes rankings internacionais ao longo dos anos 2000, o assunto foi pouco estudado pela comunidade científica brasileira até a primeira metade da década de 2010. Os resultados de uma revisão de literatura produzida por Calderón, Pfister e França (2015), que abrangeu a produção científica brasileira sobre o assunto entre os anos de 1993 e 2013, corroboram esse entendimento, pois apontaram que, até então, o tema despertava o interesse de um número reduzidíssimo de pesquisadores brasileiros.
Entretanto, a revisão de literatura de Calderón e França (2018), que abrangeu a produção científica ibero-americana do período de 1995 a 2016, indicou que a proliferação dos rankings acadêmicos globais, regionais e nacionais desencadeou maior atenção dos estudiosos da educação superior para a temática desde a segunda metade da década de 2010, pois, apesar da resistência de muitos pesquisadores, notava-se que, no contexto da governança universitária, havia um processo sem volta, com notável “quebra de resistência em relação aos rankings e aos processos de ranqueamento, e uma elevação nos níveis de adesão a este procedimento como ferramenta e mecanismo de avaliação das universidades” (Calderón; França; 2018, p. 462).
De acordo com Brunner (2011), a governança universitária pode ser entendida como o modo pelo qual as instituições são organizadas e operadas internamente – do ponto de vista da governança e gestão – e suas relações com as entidades e atores externos, com vistas a garantir os objetivos do ensino superior.
Ocorre que, mesmo depois de decorridos mais de 5 anos da publicação dos dois únicos artigos que revisaram a produção científica sobre rankings acadêmicos no Brasil e na Ibero-América, e contundentes evidências de que os rankings impactam a governança das universidades (Hazelkorn, 2013; Gonçalves; Calderón, 2017; García de Fanelli; Pita Carranza, 2018; Wandercil, 2019), não há artigo científico que tenha mapeado a literatura científica brasileira sobre os rankings acadêmicos da educação superior, decorrente desse processo de quebra de resistência e do consequente aumento da atenção dos estudiosos brasileiros ao tema.
Nessa ótica, ao considerar a relevância acadêmico-científica que os rankings acadêmicos adquiriram, a quebra de resistência epistemológica e a existência de estudos que indicam a expansão das pesquisas sobre a temática a partir da segunda metade da década de 2010 (Wandercil, 2019; Martins, 2023), o presente artigo tem como objetivo mapear a literatura científica brasileira sobre rankings acadêmicos da educação superior, tomando como referência artigos científicos publicados no Brasil entre os anos de 2017 e 2022, que abordam de modo direto o referido assunto.
Os artigos sobre rankings acadêmicos foram identificados a partir de um rigoroso levantamento bibliográfico, mediante buscas parametrizadas em periódicos brasileiros indexados nas seguintes bases de dados: Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES); Scientific Electronic Library Online (Scielo); Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal (Redalyc); Plataforma Educ@, da Fundação Carlos Chagas e Google Acadêmico. As buscas foram realizadas durante o mês de dezembro de 2022, com a utilização dos seguintes descritores: “ranking acadêmico”; “rankings acadêmicos”; “ranking universitário”; “rankings universitários”; “ranking internacional”; “rankings internacionais”; “ranking nacional”; “rankings nacionais”. Foram identificados 1.197 artigos que contenham pelo menos um dos descritores. Após a exclusão dos artigos em duplicidade, a leitura dos títulos e dos resumos resultou na seleção de 67 artigos científicos que abordam de modo direto os rankings acadêmicos da educação superior, os quais compõem o corpus referencial analítico.
Trata-se de um estudo do tipo estado da arte, pois adota metodologia inventariante e descritiva, com o objetivo de mapear a produção científica brasileira e compreender a evolução e o desenvolvimento da produção do conhecimento sobre os rankings acadêmicos da educação superior (Ferreira, 2002). O mapeamento dos artigos foi realizado de acordo com a metodologia utilizada por Borges e Calderón (2013), identificando-se a evolução do número de artigos publicados, as revistas científicas que publicam o tema, os pesquisadores engajados na temática, as IES e as áreas do conhecimento da CAPES3 (Capes, 2023) às quais os pesquisadores estão vinculados.
Para a identificação das áreas do conhecimento dos pesquisadores envolvidos, foram utilizadas as informações referentes aos programas de pós-graduação Stricto sensu registradas pelos autores e coautores. Quando a informação não estava disponível no artigo, essa informação foi consultada por meio da funcionalidade de busca avançada da Plataforma Sucupira (Capes, 2022).
O quadro 1 relaciona os 67 artigos selecionados, com base nas autorias e nas revistas científicas que os publicaram, agrupadas segundo o conceito Qualis CAPES de cada periódico e o ano de publicação do artigo:
Lista de autores que abordam o assunto dos rankings acadêmicos publicados no Brasil entre os anos de 2017 e 2022, por revista, Qualis CAPES e ano
A justificativa para a realização deste mapeamento baseia-se em diversos fatores. Além de apontar para a comunidade científica onde o assunto dos rankings acadêmicos da educação superior vem sendo mais pesquisado, indica como o conhecimento produzido pelas pesquisas circula no país. São informações que podem orientar pesquisadores interessados no tema, pois, além de mapear as IES em que as pesquisas são desenvolvidas, identifica os pesquisadores envolvidos com a temática e enumera as principais revistas científicas que publicam artigos sobre o tema no Brasil. Em termos interdisciplinares, o artigo apresenta informações relevantes, pois contribui com o campo da cientometria, enquanto área do conhecimento, visto que mensura e quantifica o progresso científico da temática dos rankings acadêmicos da educação superior no Brasil, com base em indicadores bibliométricos do período compreendido entre 2017 e 2022.
Convém destacar que o presente mapeamento da literatura científica, focado nos dados bibliométricos, quantitativos e de categorização, não se aprofunda no conteúdo qualitativo dos trabalhos, como a identificação das principais críticas recorrentes, tendências temáticas, principais recomendações de políticas públicas, possibilidade de existência de viés de publicação, entre outros aspectos qualitativos
capazes de contribuir para a compreensão da evolução do tema no Brasil, aspectos estes que poderão ser aprofundados em estudos futuros, dedicados especificamente a análises qualitativas.
2 CIRCULAÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE RANKINGS ACADÊMICOS
O quadro 2 relaciona as revistas científicas que mais publicaram artigos sobre o tema, com suas respectivas classificações no Qualis CAPES, considerando aquelas que publicaram, no mínimo, dois artigos no período:
A análise do Quadro 2 consagra a Revista Avaliação: Revista da Avaliação da Educação Superior como o periódico científico que mais publicou artigos que abordam o tema em tela, destacando-se no período como o principal meio brasileiro de comunicação científica sobre a temática dos rankings acadêmicos da educação superior, com 12 artigos publicados, número muito acima ao dos periódicos da lista, como Educar em Revista e EccoS – Revista Científica, que publicaram 3 artigos cada um deles.
Como se observa no quadro 2, as revistas que publicaram maior quantidade de artigos sobre o tema apresentam alta qualificação no Qualis CAPES (2017-2020). Essa tendência também é observada quando se considera todo o conjunto dos 67 artigos identificados, conforme indica a tabela 1, que apresenta os quantitativos de revistas e de artigos publicados, de acordo com a classificação das revistas no Qualis CAPES:
Classificação das revistas e dos artigos científicos selecionados para a pesquisa, conforme o Qualis CAPES (Quadriênio 2017-2020)
A tabela 1 indica que, quanto mais elevada a classificação da revista, maior é a quantidade de artigos publicados sobre rankings acadêmicos. Isso demonstra que a produção do conhecimento sobre o assunto se dissemina por meio de artigos publicados em revistas de alta qualificação, já que mais de 60% dos artigos selecionados foram publicados em revistas classificadas como A1 e A2, enquanto apenas dez artigos (15%) foram publicados em revistas com Qualis inferior a “A”.
Quando os artigos são mapeados a partir da região geográfica onde as revistas estão localizadas, observa-se significativa predominância de publicações na Região Sudeste. A tabela 2 apresenta esse mapeamento de acordo com os estados e regiões brasileiras:
Mapeamento dos artigos científicos que abordam os rankings acadêmicos, a partir da localização das revistas científicas (2017 – 2022)
As revistas localizadas no Estado de São Paulo lideram os números, impulsionando a liderança estatística da Região Sudeste, responsável por 54% das publicações. Um total de 19 revistas publicaram 36 artigos, sendo 30 delas sediadas no Estado de São Paulo, 4 no Rio de Janeiro e 2 em Minas Gerais.
Em todos os estados da Região Sul foram identificadas revistas que publicaram artigos sobre a temática, sendo 7 em revistas localizadas no Paraná, 6 em revistas de Santa Catarina e 5 em revistas localizadas no Rio Grande do Sul.
Na Região Centro-Oeste foram identificados 7 artigos científicos, dos quais 3 publicados em revistas localizadas no Distrito Federal, 3 no Estado de Goiás e 1 artigo em revista localizada no Mato Grosso do Sul. Na Região Nordeste foram localizados 5 artigos, sendo 2 em revistas localizadas na Paraíba, 1 no Estado de Alagoas, 1 na Bahia, e 1 no Estado do Ceará. Na Região Norte foi identificado 1 artigo, publicado em revista localizada no Estado do Tocantins.
3 PROCEDÊNCIA INSTITUCIONAL E AUTORIA
De acordo com Borges e Calderón (2013), a procedência institucional está relacionada à instituição à qual se vinculam as revistas científicas, os pesquisadores e até mesmo os artigos. O quadro 3 apresenta a relação completa das IES às quais se vinculam os autores e coautores dos 67 artigos, com a respectiva quantidade de artigos vinculados a cada uma delas:
Quantidade de artigos sobre rankings acadêmicos publicados entre os anos de 2017 e 2022, de acordo com as IES a que os pesquisadores se vinculam
O quadro 3 indica que, dos 67 artigos selecionados, 13 estão vinculados à PUC-Campinas, isto é, há 13 artigos em que pelo menos um dos autores declarou vínculo institucional a referida instituição. Da mesma forma, há 9 artigos em que pelo menos 1 autor declarou vínculo à UFSC, e assim sucessivamente.
O motivo da diferença entre o número de pesquisadores e o número de artigos é que um mesmo artigo pode conter vários autores em coautoria, dentro do que Vanz (2009) indica ser a interação humana em comunidades científicas, refletindo a interação profissional entre os cientistas. Além disso, um mesmo artigo pode conter pesquisadores de diferentes instituições, na chamada colaboração científica, aqui entendida como uma atividade social, oriunda do trabalho intelectual coletivo de pesquisadores de diferentes instituições ou países (Hilário; Grácio, 2018). A tabela 3 apresenta a quantidade de artigos escritos por um único autor e aqueles produzidos em coautoria:
Quantidade de artigos científicos que abordam os rankings acadêmicos publicados no Brasil entre os anos de 2017 e 2022, de acordo com autoria/coautoria
Com a finalidade de mapear as IES em que as pesquisas são desenvolvidas, também foi considerada a procedência institucional declarada pelos autores. O quadro 4 apresenta a relação dos principais pesquisadores brasileiros, considerando aqueles que publicaram, no mínimo, dois artigos sobre rankings acadêmicos no período de 2017 e 2022, bem como a IES à qual declararam vínculo nesses artigos:
Principais pesquisadores, com pelo menos dois artigos científicos que abordam os rankings acadêmicos publicados no Brasil entre os anos de 2017 e 2022
Quando se consideram os autores que publicaram pelo menos 4 artigos, destacam-se: Adolfo Ignacio Calderón, seguido de Marco Wandercil, ambos vinculados à PUC-Campinas; Francisco Aníbal Ganga-Contreras, da ULAGOS; José Vieira de Sousa, da UNB; Lara Carlette Thiengo, com artigos vinculados a três diferentes IES; Lucídio Bianchetti, da UFSC; e Samile Andréa de Souza Vanz, da UFRGS.
Tomando como referência apenas os pesquisadores que declararam vínculo institucional a IES brasileiras, verifica-se predominância estatística de IES públicas, com destaque para as universidades federais, conforme o quadro 5.
Número de pesquisadores vinculados a IES brasileiras que publicaram artigos sobre rankings acadêmicos (2017 – 2022)
O quadro 5 mostra que 74 pesquisadores declararam vínculo a IES públicas, o que representa 68,5% dos pesquisadores brasileiros que publicaram artigos sobre rankings no período de 2017 a 2022, sendo que 61 deles declararam vínculo a IES públicas federais, com destaque para UNB, a UFSC e a UTFPR, universidades federais com as maiores quantidades de pesquisadores envolvidos. No caso das IES públicas estaduais, a UNICENTRO e a USP foram as que mais tiveram pesquisadores vinculados ao tema. Apenas uma IES mantida pelo Poder Público Municipal figura nesse cenário: a FURB.
Mesmo com o protagonismo das universidades públicas no que se refere ao vínculo institucional dos pesquisadores, a produção científica vinculada a IES privadas sem fins lucrativos é muito significativa, com destaque para a PUC-Campinas, que foi a IES com o maior número de pesquisadores vinculados que publicaram artigos sobre rankings acadêmicos no período. No que se refere às IES privadas com fins lucrativos, apenas duas instituições constam no quadro 5: FUCAPE e UNIMAR, ambas localizadas na Região Sudeste.
Os dados do mapeamento evidenciam uma mudança no cenário no cenário em relação às pesquisas sobre rankings da educação superior, que ocorre desde a segunda metade da década de 2010. A escassez de estudos e o baixo interesse dos pesquisadores pelo tema, relatados em estudos realizados no início da década de 2010 (Calderón; Pfister; França, 2015), não se aplicam mais ao contexto brasileiro, uma vez que a cultura do ranqueamento se popularizou e conferiu notoriedade aos rankings, o que fez com que as pesquisas sobre a temática se expandissem para IES de todas as regiões do Brasil, ampliando o número de artigos científicos sobre o tema.
Uma das características das pesquisas que abordam os rankings acadêmicos é a interdisciplinaridade (Gonçalves; Calderón, 2017). Corroborando com essa informação, o quadro 6 apresenta a quantidade de pesquisadores vinculados a IES brasileiras, agrupados por área do conhecimento, de acordo com o programa de pós-graduação Stricto sensu ao qual declararam vínculo.
Quantidade de pesquisadores vinculados a IES brasileiras que publicaram artigos científicos sobre rankings entre os anos de 2017 e 2022, por área do conhecimento, de acordo com os programas de pós-graduação Stricto sensu das IES a que estão vinculados.
O quadro 6 reafirma que a temática é pesquisada no Brasil de modo interdisciplinar, pois foram mapeados artigos publicados por pesquisadores vinculados a programas de pós-graduação Stricto sensu, cujas áreas do conhecimento predominantes estão relacionadas a oito das nove Grandes Áreas da CAPES4 (Capes, 2023). A área da Educação, inserida na grande área das Ciências Humanas, concentra o maior número de pesquisadores engajados em pesquisas que abordam os rankings acadêmicos. A segunda área do conhecimento em número de pesquisadores envolvidos com o tema é a Administração, seguida da Ciência da Informação e das Ciências Contábeis, todas pertencentes à grande área das Ciências Sociais Aplicadas.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os rankings acadêmicos, inicialmente criados para auxiliar as pessoas na escolha de cursos e instituições em que estudar, popularizaram-se a partir dos anos 2000, ganharam notoriedade e adquiriram relevância social, principalmente porque, a partir das metodologias por eles adotadas, oferecem informações rápidas, objetivas e confiáveis sobre a qualidade das instituições educacionais em que as pessoas pretendem estudar ou matricular seus filhos.
A notoriedade adquirida pelos rankings acadêmicos, que passaram a influenciar a governança das IES, fez com que eles fossem inseridos no debate acadêmico brasileiro de modo mais efetivo a partir da segunda metade da década de 2010, tornando-se objeto de estudos em universidades brasileiras. Consequentemente, as publicações de artigos científicos sobre o tema aumentaram significativamente no Brasil, e a temática passou a integrar periódicos de alta qualificação, principalmente revistas com conceitos Qualis CAPES A1 ou A2 na área da Educação.
Os pesquisadores das IES brasileiras declararam, em sua maioria, vínculo com instituições públicas, com destaque para as universidades federais. Apenas 22,1% declararam vínculo a IES privadas, sendo que mais da metade destes se concentra na PUC-Campinas, instituição que apresentou o maior número de pesquisadores vinculados com artigos sobre rankings acadêmicos publicados no período de 2017 a 2022.
Foram identificados pesquisadores vinculados a IES de todas as organizações acadêmicas existentes no Brasil (universidade, instituto federal, escola de governo, centro universitário e faculdade), em todas as categorias administrativas possíveis (pública federal, pública estadual, pública municipal, privada sem fins lucrativos, e privada com fins lucrativos), reafirmando que o tema se expande no Brasil e desperta o interesse de pesquisadores vinculados a IES de todas as regiões brasileiras.
A produção de conhecimento sobre rankings acadêmicos, nos artigos científicos mapeados, foi marcada pela interdisciplinaridade, pois os autores vinculados a IES brasileiras estão ligados a programas de pós-graduação concentrados em 8 grandes áreas do conhecimento da CAPES, evidenciando que o tema vem paulatinamente instigando a curiosidade científica de pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e com múltiplas concepções teóricas.
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1
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Código de Financiamento 001.
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3
Para a identificação das áreas do conhecimento dos pesquisadores envolvidos, foram utilizadas as informações referentes aos programas de pós-graduação Stricto sensu registradas pelos autores e coautores. Quando a informação não estava disponível no artigo, ela foi consultada por meio da funcionalidade de busca avançada da Plataforma Sucupira.
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4
A CAPES organiza as áreas do conhecimento em uma Tabela de Áreas do Conhecimento, disponível para download em seu site. A tabela está estruturada de modo hierarquizado, em quatro níveis, do mais geral ao mais específico. O primeiro desses níveis são as Grandes Áreas, que aglutinam as “diversas áreas do conhecimento, em virtude da afinidade de seus objetos, métodos cognitivos e recursos instrumentais refletindo contextos sociopolíticos específicos”.
Disponibilidade de dados
Os conteúdos subjacentes ao texto da pesquisa estão contidos no artigo.
REFERÊNCIAS
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Editora de seção:
Milena Pavan Serafim
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Editor de Layout:
Silmara Pereira da Silva Martins
