Objetivo Comparar as características de acidentes ocorridos com crianças e adolescentes durante a pandemia da COVID-19 com as características de acidentes ocorridos no período equivalente do ano anterior.
Métodos Estudo descritivo e exploratório, retrospectivo e transversal, realizado nas unidades de atendimento de emergência de um hospital universitário de São Paulo. A amostra intencional não probabilística obtida a partir de dados registrados em prontuário eletrônico foi constituída por crianças e adolescentes de zero a 18 anos incompletos atendidas por ocorrência de acidente em dois períodos de estudo: de março a setembro de 2020 e março a setembro de 2019. Foram incluídas 1527 crianças e adolescentes atendidos em 2019 e 1168 em 2020, sendo avaliadas variáveis de caracterização dos participantes, das lesões e dos atendimentos. Os dados foram analisados mediante estatística descritiva e inferencial, sendo aplicado os testes Qui-quadrado e Exato de Fischer.
Resultados Os acidentes corresponderam a 8% (n=1540) dos 19.332 atendimentos pediátricos de emergência em 2019 e a 17,7% (n=1200) dos 6.784 atendimentos de 2020, havendo diferença significante da incidência entre os anos investigados (p<0,001). Prevaleceram os acidentes com corpos estranhos (43% em 2019; 49,6% em 2020) e as quedas (29,9% em 2019; 21,5% em 2020). A maior parte das lesões foi classificada como moderada.
Conclusão A necessidade de permanência das crianças e adolescentes no ambiente domiciliar durante a pandemia da COVID-19 resultou em aumento representativo da frequência de atendimentos por acidentes no serviço de emergência, reforçando a necessidade de ações para a promoção de ambientes seguros para essa população.
Acidentes; Criança; Adolescente; Pandemias; Infecções por coronavírus; Hospitalização