Open-access Adaptação Transcultural da Career Anchors Self-Assessment para enfermeiros brasileiros e validade de conteúdo

Adaptación transcultural de la Career Anchors Self-Assessment para enfermeros brasileños y validez de contenido

Resumo

Objetivo  Adaptar transculturalmente e avaliar as evidências de validade de conteúdo da “Career Anchors Self-Assessment” para o contexto dos enfermeiros brasileiros.

Métodos  Estudo psicométrico realizado em hospitais universitários entre janeiro de 2021 e abril de 2022, a partir das 11 etapas para adaptação transcultural propostas pelo Patient Report Outcomes Measurement Information System, e evidência de validade de conteúdo analisadas por meio do Content Validity Ratio (CVR).

Resultados  O procedimento de adaptação cultural garantiu que a versão brasileira apresentasse boa qualidade de equivalências conceitual, semântica, idiomática e experimental. Foram obtidos valores do Content Validity Ratio (CVR) acima de 0,778. O teste cognitivo demonstrou boa compreensão do instrumento.

Conclusão  A versão brasileira, denominada Autoavaliação das Âncoras de Carreira, apresenta boa qualidade de tradução e evidências de validade de conteúdo, tornando-se uma potencial ferramenta para aplicação em enfermeiros que atuam em hospitais. No entanto, são necessários avanços nas análises das demais evidências de validade para consolidar sua eficácia e confiabilidade.

Psicometria; Comparação transcultural; Inquéritos e questionários; Enfermeiras e Enfermeiros; Escolha da profissão

Abstract

Objective  Cross-culturally adapt and evaluate the evidence of content validity of the “Career Anchors Self-Assessment” for the context of Brazilian nurses.

Methods  Psychometric study carried out in university hospitals between January 2021 and April 2022, based on the 11 steps for cross-cultural adaptation proposed by the Patient Report Outcomes Measurement Information System, and evidence of content validity analyzed using the Content Validity Ratio (CVR).

Results  The cultural adaptation procedure ensured that the Brazilian version had good quality conceptual, semantic, idiomatic and experiential equivalence. Content Validity Ratio (CVR) values above 0.778 were obtained. The cognitive test showed good comprehension of the instrument.

Conclusion  The Brazilian version, called Self-Assessment of Career Anchors, has good translation quality and evidence of content validity, making it a potential tool for nurses working in hospitals. However, advances are needed in the analysis of other validity evidence to consolidate its effectiveness and reliability.

Psychometrics; Cross-cultural comparison; Surveys and questionnaires; Nurses; Career choice

Resumen

Objetivo  Realizar una adaptación transcultural y evaluar las evidencias de validez de contenido de la Career Anchors Self-Assessment para el contexto de los enfermeros brasileños.

Métodos  Estudio psicométrico realizado en hospitales universitarios entre enero de 2021 y abril de 2022, a partir de las 11 etapas para la adaptación transcultural propuestas por el Patient Report Outcomes Measurement Information System, y evidencias de validez de contenido analizadas mediante el Content Validity Ratio (CVR).

Resultados  El procedimiento de adaptación cultural garantizó que la versión brasileña presente buena calidad de equivalencias conceptuales, semánticas, idiomáticas y experimentales. Se obtuvieron valores del Content Validity Ratio (CVR) superiores a 0,778. La prueba cognitiva demostró una buena comprensión del instrumento.

Conclusión  La versión brasileña, llamada Autoavaliação das Âncoras de Carreira (Autoevaluación de las Anclas de Carrera), presenta una buena calidad de traducción y evidencias de validez de contenido, lo que la transforma en una herramienta potencial para utilizar con enfermeros que trabajan en hospitales. Sin embargo, es necesario avanzar en el análisis de las demás evidencias de validez para consolidar su eficacia y fiabilidad.

Psicometría; Comparación transcultural/ Encuestas y cuestionarios; Enfermeras y enfermeros; Selección de profesión

Introdução

A carreira profissional envolve a qualificação profissional, busca por autonomia, reconhecimento e credibilidade na profissão. Nessa perspectiva, a âncora de carreira se define como escolhas profissionais adotadas pelo indivíduo por meio dos motivos abrangentes que se moldam com os anos de experiência de trabalho.(1,2) Estas âncoras refletem a identidade profissional, pois mudanças nas escolhas podem influenciar a âncora do trabalhador e suas decisões futuras no trabalho.(3)

O conceito inclui oito categorias: Competência Técnica/Funcional (TEC), Competência Gerencial (GER), Autonomia e Independência (AUT), Segurança e Estabilidade (SEG), Criatividade Empreendedora (CRI), Senso de Serviço/ Dedicação a uma causa (SER), Desafio Puro (DES) e Estilo de Vida (EST), indicando as inclinações profissionais e promovendo o autoconhecimento da carreira.(2)

Estar alinhado à âncora de carreira significa que suas escolhas estão em conformidade com suas funções. Um estudo no Brasil encontrou enfermeiros desalinhados, o que afetou sua motivação e saúde mental.(4) Nos diversos meios organizacionais, as mudanças geracionais e as observadas após o advento da doença causada pelo novo coronavírus (COVID-19) podem ter influenciado o comportamento dos indivíduos e sua relação com as âncoras, tornando essa temática contemporânea mais relevante. A compreensão das razões de escolha profissional pode ser influenciada pelo contexto. É importante que os enfermeiros identifiquem em sua atuação profissional, suas âncoras de carreira (escolhas profissionais) para que possam se alinhar ao exercício profissional com instrumentos validados.(4)

Assim, identificou-se a necessidade de realizar a adaptação transcultural (ATC) do instrumento “Career Anchors Self-Assessment” para o português do Brasil. Uma lacuna foi apontada por pesquisa, indicando a ausência de estudos de ATC da escala no Brasil, bem como a falta de estudos que seguissem as etapas metodológicas de um estudo psicométrico. É essencial que as evidências de validade do instrumento atendam aos critérios satisfatórios de validade.(4)

Dessa forma, ressalta-se a relevância da atualização dos estudos de adaptação, baseados nos principais referenciais contemporâneos, a fim de refinar o processo e propor as etapas mais adequadas a serem utilizadas.(5) No contexto do crescimento da pesquisa, os instrumentos são cruciais para resultados de estudos, intervenções e políticas, garantindo resultados cientificamente sólidos.(6)

No que diz respeito ao instrumento, pôde-se identificar quatro versões, as de: 1993 e 1996 (em inglês) apresentam diferenças estruturais de aplicação. A versão de 2013,(3) a única em português, carece de evidências de validade robustas, não seguindo as etapas do método psicométrico. A versão de 2006, autorizada para adaptação na enfermagem, foi renomeada por seu autor no livro “Career Anchors: Self-assessment”, terceira edição em inglês,(7)criada e publicada pelo autor Edgar Henry Schein.(7) Não foram encontrados estudos de ATC anteriores ao estudo atual.(7)

A ATC de instrumentos consiste em um processo meticuloso que envolve o contexto cultural da população-alvo da versão e faz a tradução literal de palavras e frases de um idioma para outro, utilizando cálculos estatísticos.(8) Para a realização desse tipo de estudo, todas as diferenças culturais relacionadas à população escolhida para a aplicação do instrumento devem ser consideradas, garantindo sua validação.(9)

Assim, o objetivo foi adaptar transculturalmente e avaliar as evidências de validade de conteúdo da “Career Anchors Self-Assessment” para o contexto dos enfermeiros brasileiros.

Métodos

Trata-se de um estudo psicométrico que seguiu as diretrizes do Patient-Reported Outcomes Measurement Information System (PROMIS®): Standards document,(10) uma das metodologias mais recomendadas para realizar a adaptação transcultural. Essa metodologia abrange desde a tradução direta até o processo de harmonização com 11 etapas.

A escala intitulada “Career Anchors Self-Assessment”, publicada em inglês, é autopreenchível, e os participantes atribuem um grau a cada item. São oito categorias, cada um com 5 afirmativas, totalizando 40 afirmativas no original. Ao terminar, o participante revisa suas respostas e identifica os itens que receberam a classificação 4, seleciona cinco desses itens(7) e soma cinco a esses itens. Os resultados são obtidos pela média das oito âncoras.

Este estudo foi realizado em um hospital universitário localizado no Rio de Janeiro, na seleção da amostra para o teste cognitivo, sendo este realizado na penúltima etapa da adaptação transcultural. Em todas as 11 etapas, utilizaram-se tradutores e experts, selecionados com base no Currículo Lattes e experiência no processo de tradução de textos científicos.(9,10)

Ocorreram duas traduções para o português por dois tradutores brasileiros fluentes em inglês. Um, ciente dos objetivos e conceitos forneceu uma tradução contextualizada. O outro, sem conhecimento dos objetivos, realizou uma tradução mais literal.

A reconciliação buscou detectar erros e discordâncias, realizada por um terceiro tradutor, nativo do Brasil e fluente em inglês. Esse tradutor garantiu a adequação ou sugeriu novas traduções, justificando a aceitação da versão reconciliada.

A retrotradução envolveu traduzir versão reconciliada de volta para o idioma original, realizada por um tradutor nativo em inglês, sem acesso às informações da escala.

A revisão da retrotradução realizada pela pesquisadora principal, com auxílio de um tradutor, comparou as versões anteriores, obtendo uma harmonização prévia para evitar discordâncias de significado entre as línguas e esclarecer questionamentos necessários dos experts.(10)

Para avaliar a qualidade da versão obtida para o português falado no Brasil, a revisão foi realizada por experts na área, linguistas bilíngues que tinham conhecimento do método/tema e da população-alvo (mínimo 5 e máximo 40),(9) convidados via e-mail. Não era necessário que esses especialistas fossem enfermeiros, pois esta etapa foi de análise de equivalência e validação de conteúdo. A análise incluiu a aplicabilidade e orientações de preenchimento, permitindo gerar uma versão com alterações.(9,11)

Os 10 experts receberam a escala por um formulário online, com um prazo de sete dias para avaliar a concordância quanto à equivalência semântica, idiomática, conceitual, experimental, clareza, pertinência e relevância da versão final para a validade de conteúdo. A análise de equivalência foi feita via Google Forms®, incluindo explicação do estudo e perguntas sobre perfil, TCLE e itens das versões (original, T1, T2, T1-2, R1). A opção para sugestões era aberta apenas se o especialista respondesse “Não concordo”. As respostas foram coletadas e codificadas como “1” para “sim” e “0” para “não”. Os valores foram calculados usando fórmula do Excel para obter o grau de concordância. Na avaliação, o grau de correspondência foi calculado, dividindo o número de participantes que concordaram pelo total, recomendando-se uma concordância mínima de 0,80.(6)

Com os valores obtidos, os comentários dos revisores foram organizados em um relatório para análise. Duas pesquisadoras analisaram o relatório em uma reunião via Jitsi Meet®, ajustando o instrumento conforme necessário. Em seguida, o instrumento ajustado e enviado aos revisores para a confirmação das alterações, e prosseguiu-se para a análise de conteúdo.

Para análise das evidências de validade de conteúdo foram consultados 09 experts, os itens classificados pelos revisores como “essencial”, “útil, mas não essencial” ou “não necessário”. Após codificação das respostas em “1” para positivas e “0” para negativas, aplicou-se a fórmula do CVR (Content Validity Ratio). Isso permitiu identificar o nível de concordância proporcional entre os experts sobre quantos consideravam um item “essencial”, com um CVR crítico de 0,778. Além disso, avaliou-se quanto o instrumento refletia o conteúdo teórico, permitindo a exclusão ou inclusão de itens e sugestões de mudanças. “Os valores de CVR variam entre -1 (discordância perfeita) e +1 (concordância perfeita), com valores acima de zero indicando que mais da metade dos membros do painel concordam com um item essencial”.(11)

A pré-finalização foi composta por uma análise dos relatórios de recomendação e revisões com a finalidade de identificar eventuais erros, elucidar e orientar os revisores.(10) Na finalização, um revisor nativo do idioma de destino avaliou a versão final e forneceu a retrotradução literal e polida para cada item, explicando a escolha e justificando divergências da versão recomendada pelos revisores.(10)

A harmonização realizada pela pesquisadora consiste na avaliação preliminar da precisão e equivalência da tradução final em relação às retrotraduções finais. Se houver inconsistências ou dúvidas, o revisor da etapa anterior é consultado novamente.(10) Além disso, a formatação, a composição tipográfica e a revisão da versão final, deve seguir as recomendações dos revisores,(10) garantindo uma revisão profissional do português.

A versão final passou por teste cognitivo para verificar erros e garantir compreensão. Participaram 30 enfermeiros(9) através de amostra por conveniência de H1, considerado validado pelas diretrizes do Patient-Reported Outcomes Measurement Information System (PROMIS®): Standards document.(10) Em seguida, foi realizada a análise dos comentários sobre dificuldades no preenchimento. Itens com ambiguidades foram revisados pela pesquisadora principal.

Ao final do teste, a pesquisadora realizou a análise crítica dos comentários, resumindo os problemas indicados pelos participantes. Após essa análise inicial, foi enviado um formulário com perguntas para avaliar a compreensão do participante sobre o instrumento, com as seguintes questões: Havia algum item de difícil entendimento? Você pode fazer comentários adicionais sobre? Poderia dizer quais afirmativas foram mais difíceis de responder e por quê? Alguma afirmativa lhe causou constrangimentos. Se sim, por quê? Com esses comentários, foram propostas soluções e foi obtida a versão brasileira da Career Anchors Self-Assessment .(10)

O estudo atendeu os preceitos éticos da resolução que rege a pesquisa com seres humanos no Brasil, por intermédio da aprovação do Comitê de Ética da Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro (parecer 2.916.938/ Certificado de Apresentação de Apreciação Ética: 98395018.0.0000.5238).

Resultados

Foram realizadas a T1 constando o instrumento traduzido com a equivalência contextual e T2 refletindo a tradução literal. Foi realizada a reconciliação resultando na versão T1-2, e esta após uma nova tradução, resultou na versão R1. Enquanto isso, a revisão da retrotradução foi conduzida pela pesquisadora com o apoio de um tradutor nativo (Quadro 1).

Quadro 1
Revisão da retrotradução em comparação com a versão original do instrumento em inglês da Career Anchors Self-Assessment

O primeiro tradutor avaliou cada item do instrumento, classificando os 40 itens avaliados como “bastante compreendido” (57,5% dos itens) e “muito compreendido” (42,5%), não adicionando comentários quanto à tradução dos itens. O segundo, 87,5% avaliados como “muito compreendido”, porém 12,5% como “pouco compreendido”. Surgiram questionamentos sobre o uso de termos: “meu próprio negócio”, pouco comum na enfermagem; “carreira”, que poderia ser substituído por “profissão ou trabalho” em alguns itens; “gerente geral”, como opção para traduzir “gerente funcional ou técnico sênior”, pouco usado na enfermagem; e “supervisor”, como alternativa para “gerente de alto nível”.

Na análise de equivalência, participaram dez revisores, dos quais 80% eram bilíngues, 20% tinham compreensão de língua, 60% enfermeiros assistenciais, 60% eram pesquisadores da saúde do trabalhador, 20% gestão, 50% método ATC, e 20% linguistas. Quanto à titulação: 40% eram doutores, 40% mestres, 10% pós-graduados e 10% bacharéis. Geograficamente, 60% eram do Rio de Janeiro, 30% de São Paulo e 10% do Distrito Federal.

Utilizou-se o Excel para elaborar um relatório que permitiu definir as questões adaptadas, as quais foram organizadas em um outro formulário para a confirmação pelos revisores. Após uma espera de 5 semanas, 70% dos revisores responderam à confirmação das alterações, e então prosseguiu-se para a análise de conteúdo.

Quanto aos valores atribuídos para análise de equivalência, registraram-se 83 respostas com grau 1,59 com 0,9, 19 com 0,8 e 7 com 0.7 (sendo 2 na afirmativa 3). Resultados satisfatórios foram observados até 0,7, não havendo necessidade de excluir itens nessa etapa. Foram observadas análises nas afirmativas 03, 06, 10, 26, 31 e 39. Na afirmativa 03, ajustou-se equivalência idiomática e semântica; 06 ajustou-se equivalência experimental; 10 considerou-se experimental, idiomática e semântica; 26 considerou-se idiomática, experimental, conceitual e semântica; 31 considerou-se idiomática, conceitual e semântica; e 39 considerou-se experimental e semântica.

Na análise de conteúdo, foram convidados revisores da saúde do trabalhador, gestão e administração. Dez aceitaram, nove responderam (todos da área de saúde do trabalhador) e 17 não responderam. Aguardou-se quatro semanas e finalizou-se a análise, por alcançar o mínimo de revisores para esta etapa. Com base nos cálculos deu-se continuidade ao estudo. O cálculo do CVR foi realizado revelou que 100% dos revisores avaliaram o instrumento e apresentaram um grau de concordância acima de 0,778 (Tabela 1), não houve exclusões.

Tabela 1
Evidências de validade relacionadas ao conteúdo do “Career Anchors Self-Assessment”, conforme valores de content validity ratio

Foi realizado contato com o revisor participante e verificados os itens separadamente para finalização. Foram feitos ajustes finais referentes à construção da versão final do instrumento, verificou-se inconsistências e dúvidas para harmonização do instrumento e a identificação final dos itens. Em seguida, foi construído o formulário para aplicação do teste cognitivo. Após os ajustes, os revisores concordaram 100% com as alterações e aplicou-se no teste cognitivo. Participaram do teste cognitivo, 30 enfermeiros, aos quais foi solicitado que respondessem ao instrumento ajustado e fornecessem comentários sobre as dificuldades encontradas. Na análise inicial, não foram feitos comentários pertinentes sobre a análise do instrumento (Quadro 2).

Quadro 2
Comentários dos participantes na 1º aplicação do instrumento Autoavaliação das Âncoras de Carreira

Os comentários referem-se à última pergunta sobre o cálculo, feitos ajustes na redação e na formulação da pergunta do perfil. Não houve feedback sobre a compreensão de cada item. Foi necessário novo formulário de análise, que se obtiveram os comentários abaixo e soluções de 13 participantes. Os participantes P5, P15, P25 não tiveram dificuldades, enquanto os P22, P8 e P25, questionaram os itens 07, 10, 17 e 42, indicando que pareciam ter o mesmo sentido. Como resposta, os itens mencionados se completam a fim de indicar a âncora “Estilo de Vida” e o termo “somente” foi removido, pois dificultava a compreensão. O P26 abordou que questões indicavam que o contexto influencia a resposta nas tomadas de decisão e que as questões 19 e 20 pareciam semelhantes, sem diferença conceitual. O P33 comentou: “As alternativas que possuem a palavra “somente” (8,10,16, 19, 20,23, 26, 32) foram mais difíceis. Essa palavra torna a afirmativa muito restritiva. E como solução: Item 19 e 20 foram separados a fim de atender à análise; no entanto, decidiu-se excluir o item 20. No Item 40, retirou-se o termo “total”. No Item 9, os desafios são indicados como problemas mais difíceis na atuação como enfermeiro e podem ser diferentes para cada pessoa. O item 14 faz parte da Âncora Criatividade empreendedora e visa a opção do enfermeiro por carreira empreendedora, fora dos regimes de CLT e concursos. O P7 comentou: “Gostaria de fazer uma observação com relação aos itens que contém a palavra “supervisor”. Acho que ela poderia ser substituída, ou acrescentada, pelo termo gerente. E a solução: Verificar com os revisores a possibilidade de trocar supervisor por gerente. Ao final das etapas, o instrumento foi renomeado como “Autoavaliação das âncoras de carreira”, pois os revisores alertaram que substituir “âncoras de carreira” por “identidade profissional”, poderia afetar a ideia da teoria subjacente.

Discussão

A adaptação transcultural, um método rigoroso com 11 etapas, durou 14 meses o estudo em questão, concluída para a língua portuguesa.(10) Um estudo realizado no Brasil utilizando o mesmo método teve duração de 10 meses e seguiu o mesmo rigor metodológico que visou garantir a qualidade do processo de tradução.(5)

Um estudo utilizando o método PROMIS, iniciou com traduções bem estruturadas, ajustando apenas o título do instrumento para alinhar com o autor principal.(12) Contrariamente, no estudo em questão, os termos da escala permaneceram inalterados. Outro estudo expandiu as versões traduzidas ao adicionar uma terceira tradução e sintetizando-as, seguidas de retrotradução por dois tradutores bilíngues.(13)Entretanto, outros estudos(5,14,15) optaram por duas traduções, sem diferenças significativas na comparação entre as versões original e traduzida.(12)

Os apontamentos foram revisados pela autora com um tradutor nativo para ajustes na retrotradução e na versão reconciliada, como descrito nos resultados. A maioria das alterações não afetou o sentido dos itens. Um estudo sobre tradução de instrumentos mostrou que esse processo identifica palavras e expressões que podem não se adequar ao novo contexto, exigindo ajustes para garantir acesso e compreensão pelo novo público-alvo.(13,16)

Por ser um instrumento americano amplamente discutido na administração,(17) alguns termos recorrentes no instrumento dificultavam a compreensão dos participantes, exigindo ajustes na análise dos experts. Poucas modificações foram feitas nas etapas de tradução e retrotradução, mas foram essenciais para compreender termos pouco comuns na enfermagem.

Na análise do conteúdo do instrumento, a revisão por experts inclui a análise de equivalência e a validação de conteúdo,(18) que resultam da avaliação qualitativa e quantitativa visando ajustes para garantir a compreensão pelos enfermeiros. Participaram experts de diferentes áreas, incluindo saúde, enfermagem e âncoras de carreira, apesar da dificuldade em encontrar experts nesta última área.

Apesar do valor critico de Cvr ≥0,778 para 9 experts, poucos itens se afastaram desse valor. A discussão entre os experts e a autora foi crucial, pois a exclusão de itens poderia impactar na compreensão e nos cálculos do escore final. Esta etapa foi prolongada devido a desafios no processo de seleção e na participação dos experts.

Em concordância, um estudo(12) identificou um CVR de 0,741, exigindo alterações conforme as sugestões dos experts, visando garantir a compreensão dos itens. Outro estudo, que utilizou o cálculo de IVC para análise de concordância, obteve uma variação de 1 a 0,833.(13) Outro estudo que também utilizou a CVR obteve um valor de 0,94.(14) Assim, como no estudo em questão, os itens que apresentaram valor menor que 80% foram revisados junto aos experts para ajustes necessários.(15)

Assim como no método PROMIS,(10) autores empregam a revisão por experts na validação do instrumento traduzido para enfermagem, com 10 experts, atingindo um nível de concordância de 50%.(18,19) Enquanto que o estudo em tela obteve uma concordância acima de 0,5, outro estudo alcançou uma taxa de concordância global de 88,7%, acima da média esperada.(12) Em um terceiro estudo, oito experts apresentaram taxa de concordância média de 100% para equivalência semântica, 98,75% para equivalência idiomática, 96,25% para equivalência experimental e 97,5% para equivalência conceitual. Enquanto um estudo de validação de instrumento tecnológico definiu o nível de concordância superior a 80%.(14,20,21)

O teste cognitivo, com 30 participantes, revelou que poucos itens da escala(9) apresentaram problemas mínimos, não inviabilizando sua conclusão. Ajustes foram realizados, retirando termos ambíguos. A versão online permitiu uma adesão significativa, apesar das restrições da COVID-19 vigentes durante a etapa.(22)

Um estudo de teste cognitivo contou com 31 profissionais de saúde, todos do sudeste do Brasil. Desses, 90% não encontraram dificuldades na compreensão dos itens do instrumento(12) Outro estudo de adaptação envolveu 30 participantes no pré-teste.(14) Embora as evidências sugiram de 30 a 40 respondentes, um estudo alcançou 89 participantes nessa fase.(13)

O estudo contou com a participação ativa dos revisores e tradutores colaborando com a análise e reflexão junto à pesquisadora principal. No entanto, a limitação inclui a forma de aplicação impedindo a confirmação da equivalência com a versão impressa do instrumento e a análise qualitativa dos comentários. O perfil específico dos enfermeiros atuantes em hospital reduz a generalização para outras profissões. Vale ressaltar que a fase de validação de construto e confiabilidade ainda está em fase de finalização (Anexo 1).

Anexo 1
Versão final do instrumento

Conclusão

A versão brasileira, denominada Autoavaliação das Âncoras de Carreira, apresenta boa qualidade de tradução e evidências de validade de conteúdo. O estudo atingiu o objetivo proposto, realizando as 11 etapas da Adaptação transcultural da “Career Anchors Self-Assessment” para a Autoavaliação das Âncoras de Carreira. A versão traduzida pode ser utilizada por enfermeiros hospitalares, embora ainda sejam necessárias análises adicionais para outras evidências de validade.

Agradecimentos

Agradecemos o financiamento, pois o presente trabalho foi realizado com o Apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.

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Editado por

Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    22 Ago 2025
  • Data do Fascículo
    2025

Histórico

  • Recebido
    29 Maio 2024
  • Aceito
    27 Fev 2025
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